Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 07 de Agosto de 2015

A relação entre o mineiro e o queijo é tão complementar que nos permite brincar com a reflexão: Quem veio primeiro, o mineiro ou o queijo?  

Dirigido por Helvécio Ratton, o documentário é descrito como político e poético segundo revela o subtítulo. A poesia remonta todo um cenário que envolve a produção e consumo do queijo que por sua vez, possuí uma forte conexão com a cultura mineira. A parte política, se dá no fato de que entre 2000 e 2013 - o documentário foi produzido em 2011 - o queijo produzido de forma artesanal era um artigo "proibido", pois não podia ser comercializado para fora de Minas Gerais por conta de Leis regulatórias.

Esta história começou no século XVIII quando aventureiros portugueses se mudaram para região em busca de ouro. A receita e o modo de preparo dos queijos vieram das regiões produtoras e tradicionais de Portugal. O alimento era uma forma de conservar o leite nas longas jornadas para os garimpos, garantindo uma fonte de alimento.

Aproximadamente 30 mil famílias vivem da produção de queijo artesanal no estado de Minas. Cada região possuí um tipo de queijo - com odor, características e sabor próprios - que geralmente leva o seu nome, como por exemplo, o da Canastra e do Serro. Os queijos destas regiões foram registrados como Patrimônio Cultural dada sua importância tradicional e fabricação artesanal. Entretanto, no ano de 2000, o Ministério Público com participação das grandes empresas de laticínios, determinou que o queijo artesanal deveria seguir normas sanitárias federais ou desaparecer.

A imposição restringiu a comercialização dos produtores artesanais apenas para dentro do estado, diminuindo significativamente a produção de muitas famílias. Vários produtores optaram por comercializar apenas o leite das vacas leiteiras de seus quintais, pois não era mais rentável a produção artesanal do queijo.

Felizmente depois de muita pressão por parte dos produtores, pesquisadores, técnicos e organizações, foi assinada em 2013 uma instrução normativa que permitiu a comercialização do queijo artesanal em todo país. Isto foi possível através da flexibilização de exigências para produção e venda, e representou uma vitória no fortalecimento de alimentos artesanais como patrimônio cultural.  

É possível assistir ao filme gratuitamente no youtube. 

Se o queijo veio antes do mineiro ou vice versa pouco importa, o fato é que um não vive sem o outro, e quem sai beneficiado nessa relação são todos aqueles apreciadores de um excelente produto artesanal brasileiro.

Fotos: Ricardo Lima 


 

 



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