Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2017

No mês de fevereiro o Ideias estará abordando conteúdos relacionados à "Agroecologia e Sustentabilidade", divulgando notícias, compartilhando experiências e atividades nessas temáticas, e para fechar a semana com [Comida na Tela], nós recomendamos o documentário "Mais que Mel".

Uma produção Suíça dirigida por Markus Imhoof e premiada em renomados festivais ao redor do mundo, faz um trabalho investigativo sobre o misterioso e preocupante desaparecimento generalizado de abelhas. Nos últimos 15 anos, um número sem precedentes de colônias de abelhas foram dizimadas ao redor do mundo, mas as causas desse desastre continuam desconhecidas. Dependendo da região, entre 50%-90% das abelhas locais tem desaparecido, e a epidemia ainda está se espalhando de colmeia à colmeia - por todo o planeta.

O título "Mais que Mel" não foi escolhido por acaso, e alerta justamente para as graves consequências que o desaparecimento das abelhas causam. Cientistas criaram um termo para o problema que traduz a severidade dos fatos, "desordem e colapso das colôniaa", e eles tem boas razões para estarem preocupados: 80% das espécies de plantas precisam das abelhas para serem polinizadas. Sem as abelhas, não tem polinização, e frutas e vegetais poderiam desaparecer da face da terra. Apis mellifera (a abelha do mel) apareceu na terra 60 milhões de anos antes dos homens e é indispensável para sobrevivência humana.

Nós devemos culpar os agrotóxicos? Talvez olhar para parasitas como as "varroa mites"? Novos vírus? Estresse provocado pelas viagens? A multiplicação das ondas eletromagnéticas perturbando as nano partículas magnéticas do abdômen das abelhas? Até o momento, parece que a combinação de todos estes agentes tem sido responsáveis pelo enfraquecimento do sistema imune das abelhas.          

Assista ao documentário para descobrir que as abelhas produzem muito mais que mel! 




postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 02 de Fevereiro de 2017

Se pensarmos apenas no preço, os alimentos orgânicos quase sempre ficam em desvantagem em relação ao alimentos convencionais. Quando, no entanto, outros elementos entram na conta, concluímos que o custo de alimentos convencionais é, na verdade, bem maior daquele que está na etiqueta. Este aparente menor valor não reflete os custos ambientais e sociais da produção desses alimentos. Comprar e consumir alimentos orgânicos é investir na sua saúde e contribuir para um sistema de produção de alimentos mais justo, na perspectiva do desenvolvimento local, e com menores impactos ambientais.  

Se você prestar atenção verá que há variedades em relação ao que comumente chamamos de “orgânicos”, como por exemplo os agroecológicos, os oriundos da agricultura familiar, do comércio justo, da biodiversidade. Procure escolher estes produtos e conhecer a diferença entre eles.

Ao adquirí-los você pode contribuir com agricultores familiares ou pequenas cooperativas e, com o desenvolvimento de sistemas agroecológicos, onde a produção é diversificada, harmonizada com o bioma e que logicamente não utiliza agrotóxicos e sementes transgênicas.

Pensando assim, é  uma pechincha, não é?

Elaboramos algumas dicas para que você melhore seus hábitos alimentares e faça caber no seu orçamento produtos orgânicos e agroecológicos!

1)   Coma o que está na estação

Frutas e hortaliças da estação tendem a ser mais saborosas, nutritivas  e baratas, isso porque elas são colhidas quando maduras e em grande quantidade. É um caso clássico de oferta e procura!

Quando o alimento está fora da estação, a sua escassez faz com que o preço aumente.

Você pode descobrir quais são as frutas e hortaliças de cada estação por meio da Tabela de Sazonalidade, disponível no Portal Orgânico

1

2)   Vá a feira

Se você não freqüenta feiras semanais de produtores locais, está perdendo um dos melhores eventos da cidade! As feiras de produtores locais são festivas e divertidas para adultos e crianças. Quando visitar a feira, compare os preços entre as bancas e experimente os produtos vendidos para levar para casa alimentos frescos, deliciosos e com bom preço. Procure por produtos com o Selo de Produtos Orgânicos e bancas que possuam o Certificado de Produtor Orgânico ou que sejam cadastradas em um uma Organização de Controle Social, assim você terá certeza de que o produto que está comprando é realmente orgânico.2

3)   Compre grandes quantidades

Comprar produtos orgânicos em grandes quantidades pode ser bastante econômico. Organize grupos de compras com vizinhos e amigos tanto para alimentos que podem ser estocados por mais tempo quanto para a compra de frutas e hortaliças.

3

4)   Aproveite o máximo de cada alimento

O desperdício de alimentos na sua casa pode ter um grande impacto no seu orçamento, assim como o aproveitamento integral deles pode trazer grande economia! Escolha receitas que aproveitem as partes do alimento que você normalmente jogaria fora, mas que tem grande valor nutricional e potencial gastronômico: bolos que utilizam cascas de frutas, saladas que aproveitam os talos de hortaliças e caldos caseiros à base de carcaças e ossos de galinha, por exemplo. Você encontra muitas receitas deliciosas e contra o desperdício no site do Banco de Alimentos.

4 

5)   Compre alimentos da estação em grande quantidade e conserve para o ano todo

Frutas e hortaliças ficam mais baratas e saborosas na estação, por isso vale a pena comprar em grandes quantidades e preservá-las por vários meses! Nossas avós faziam compotasdocesconservas e geléias com as frutas e legumes da estação; em nosso tempo, podemos fazer ainda mais: molhos, sopas, frutas e hortaliças limpas, descascadas e picadas podem ser conservadas por vários meses no congelador.

 Isso tudo parece um sonho nostálgico? Por que não experimentar? Clique nos links em laranja acima para receitas e dicas de congelamento!

5

6)   Ao invés de comer fora, prepare um refeição coletiva orgânica em casa

Comer fora é muito prazeroso, mas não deve ser um hábito, uma vez que é mais caro e, muitas vezes, menos saudável do que comer em casa. Juntar panelas com amigos e família pode ser um jeito de reduzir gastos e ainda ter um momento de confraternização delicioso: cada um traz um prato e ninguém tem que dividir a conta no final! Além disso, cozinhar com amigos e família incentiva a todos a cozinhar e comer de maneira mais saudável também!

6

7)   Cultive sua comida

Como diz o ditado: “Cultivar seu próprio alimento é como imprimir seu próprio dinheiro”. Ter uma horta em casa é um jeito muito divertido de economizar dinheiro e garantir sempre frutas e hortaliças orgânicas na sua mesa. Você pode se inspirar em redes sociais como no Pinterest e aprender a fazer sua própria horta com esse guia do Portal Orgânico. Se você tem pouco espaço em sua casa comece com temperos e chás. Você pode também organizar um pequeno grupo de vizinhos para aproveitar uma área pública e deixar a cidade mais bonita, criar laços de amizade e companheirismo! Veja a experiência das Horta das Corujas, da Revolução dos Baldinhos e dos Hortelões Urbanos para se inpirar.

7

8)   Planeje o seu cardápio

Planejar um cardápio semanal das refeições que serão preparadas em casa ajuda no planejamento das compras. Isso facilita muito a sua vida além de ser mais econômico.  Dessa maneira, você garante que tudo o que for comprado será utilizado durante aquela semana em refeições e pratos diferentes: sem desperdício de comida ou de dinheiro!

m

9)   Deixe de comprar industrializados

Para economizar nas compras de alimentos, adquira apenas o essencial e deixe de comprar industrializados como salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo e comida pronta congelada que não são nada saudáveis e são bem menos saborosos do que comida feita em casa.

Com esse corte, sobrará espaço mais do que suficiente no seu orçamento para comprar produtos frescos e saudáveis!

9

10) Dicas Extras: No curso online e gratuito Comida de Verdade, uma parceria do site Panelinha com o professor Carlos Monteiro, coordenador do Guia Alimentar para a População Brasileira, a Rita e o professor Carlos falam sobre como fazer a Comida de Verdade caber no seu orçamento! Dá uma olhada nas dicas:



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

Na coluna de hoje nós tratamos de um tema essencial para soberania e segurança alimentar e nutricional: a produção e cultivo de sementes.

Em sua tese de doutorado defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, a antropóloga Laura Rodrigues Santonieri investigou a interface entre sistemas agrícolas tradicionais, as instituições públicas de pesquisa e as políticas científicas que operam sobre a diversidade agrícola do país. Ao comentar alguns pontos do estudo em entrevista ao EcoDebate, a pesquisadora levanta entre outros aspectos, o papel da concentração de material genético na produção de sementes para atender aos interesses comerciais do agronegócio, e dessa forma, gera como consequência uma produção voltada para atender a demanda de commodities agrícolas em detrimento da diversidade de culturas.

No outro lado da equação, Santonieri identifica os agricultores familiares e tradicionais que se posicionam historicamente no papel de preservação das sementes e modos de plantio tradicionais, e enxerga a necessidade de aproximação entres estas comunidades e pesquisadores. Em suas palavras:

Imagem: EcoDebate 

"Existe uma clara falta de diálogo entre os atores envolvidos com o tema da agrobiodiversidade. Penso que é preciso construir pontes que permitam uma interlocução mais efetiva entre eles, tendo a conservação da agrobiodiversidade como um objetivo comum e possível”

Uma outra questão debatida é a produção alimentar para garantir o acesso as populações. Laura destaca que a demanda produtiva precisa, de fato, dar conta de garantir o abastecimento para uma significativa parcela da população, com especial atenção às comunidades em situação de insegurança alimentar. No entanto, o que muitas vezes acontece é a modificação genética de sementes para aumentar a produtividade e acrescentar nutrientes gerando como resultado uma semente infértil criando uma dependência de insumos entre os agricultores e os laboratórios que tem a patente das sementes modificadas. Esse paradoxo exemplifica justamente o fato de que comunidades rurais são afetadas pela falta de alimentos e renda.

No começo deste ano, nossa equipe traduziu a notícia de que agricultores da Tanzânia estão sendo proibidos de cultivar e trocar sementes crioulas sobe pena de prisão e pagamento de multas de mais de 200 mil euros. O absurdo resulta da ação de empresas que patenteiam sementes modificadas inférteis obrigando os agricultores a comprar novamente as sementes no início de cada safra. Esse monopólio impositivo é extremamente prejudicial pois tira à autonomia dos agricultores tanto no processo de plantio quanto na preservação da biodiversidade.

Com o intuito de preservar a riqueza, identidade cultural e ancestralidade das sementes e alimentos existem algumas iniciativas como por exemplo os Guardiões e Guardiãs de Sementes que atuam na criação de bancos comunitários para troca de sementes crioulas. Outro exemplo são as ações da Fundação Slow Food para a Biodiversidade como a Arca do Sabor e as Fortalezas de alimentos que valorizam alimentos regionais e ameaçados de extinção assim como criam processos para integrar a produção de  agricultores familiares e pequenos produtores.

Proteger as sementes tradicionais e adquirir alimentos locais advindos da biodiversidade, é garantir a segurança alimentar e nutricional das comunidades e a preservação da diversidade de espécies.             

          


 

 

 

 

 

  



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

O [Você no Ideias] de hoje apresenta uma experiência realizada por uma equipe de residentes em Saúde da Família da Universidade Federal do Paraná, que problematizou a produção de alimentos com participantes de um Centro de Convivência, a partir dos conceitos de Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional. O objetivo dessa equipe foi estimular a proteção da cultura alimentar, criando ações que viabilizem a troca das sementes crioulas entre guardiões e guardiãs e identificando origens, saberes do cultivo e preparações culinárias.

O grupo de residentes aproveitou a horta do Centro e realizou dois encontros.

Para partilhar e construir conhecimento, o grupo de residentes formou uma “roda de conversa“, partindo-se do pressuposto que cada pessoa traz consigo conhecimentos que podem ser compartilhados, aprofundados e por fim aplicados com base nas suas demandas.

Em um primeiro momento, as participantes relataram experiências anteriores com o cultivo de alimentos, incluindo conhecimentos relacionados ao uso de agrotóxicos e possíveis malefícios, prevenção e controle natural de “pragas”, diversidades dos vegetais cultivados e a propagação de sementes. A fim de desconstruir a concepção benéfica sobre o uso dos agrotóxicos e possibilitar novas práticas e soluções nos seus cotidianos, foi entregue ao grupo um compilado de receitas caseiras de caldos com ingredientes naturais, como alho, pimenta e cinzas de lenha e carvão, para aplicar nas plantas e prevenir doenças.

Em vários relatos foi perceptível sentimentos e sensações que afloraram as lembranças, gerando um “saudosismo coletivo”, já que muitas pessoas afirmaram gostar da época que moravam em sítios, chácaras ou fazendas e, hoje, percebem que os alimentos plantados e colhidos por eles tinham excelente sabor.

O grupo lamentou a vinda para a cidade, que, na maioria dos casos, foi decorrente da compra da área daquela família por empresários e grandes fazendeiros.

O grupo de residentes percebeu o entusiasmo com a temática e propôs a realização de uma feira para troca de sementes crioulas e de mudas de plantas diversas.

A “Feira da mãe Terra para a troca de saberes, sementes e mudas” contou com as seguintes sementes levadas pelas participantes do Centro:

- fava olho de cabra preta,

- fava branca,

- camapu,

- quiabo,

- feijão guandu,

- melão São Caetano,

- café,

- abóbora moranga,

- endro.

Entre as mudas se observou: café, alecrim, citronela, arruda, cebola, coqueiro”.

A maioria das variedades citadas foi colhida pelas participantes em seu próprio quintal.

Muitas das sementes que foram trocadas e partilhadas na Feira foram levadas pelas residentes que conseguiram o máximo de variedades, fazendo contato com amigos, familiares e agricultores.

E ao fim dessas atividades é sempre gratificante perceber o feedback de participantes que percebem mais uma forma de autocuidado e de cuidar do mundo a sua volta. O grupo de residentes percebeu a importância de não limitarem suas ações na prática clínica com ações curativas, mas extrapolarem e começarem a promover saúde.  



Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Veridiane Sirota, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

 

Muito provavelmente todas as pessoas na casa dos 20 anos em diante já assistiram ou pelo menos ouviram falar do filme "Super Size Me: A dieta do palhaço". Lançado em 2004, o documentário é considerado um dos pioneiros à denunciar de forma explícita os malefícios que o consumo de produtos industrializados trazem a saúde e apontar alguns dos responsáveis.

"Super Size Me", nome que faz alusão as porções de tamanho exagerado popularizadas com as redes de fast food, foi criado pelo diretor e também "cobaia" do próprio roteiro Morgan Spurlock. Durante trinta dias, Spurlock levou seu autoexperimento a sério e se alimentou única e exclusivamente de produtos da rede McDonald's, monitorando seu peso e exames sanguíneos antes do início e ao final do mês. O filme além das 7 premiações e outras indicações como para o Oscar de melhor documentário em 2005, rendeu ao diretor um porção de quilos extras e uma mudança radical nos exames sanguíneos.

Ainda que o filme tenha um viés mais sensacionalista e seja centrado em uma experiência individual, assisti-lo 13 anos depois de sua primeira exibição nos permite refletir sobre o cenário à época e o que (não) mudou de lá pra cá. Enquanto Morgan Spurlock explora a "dieta do palhaço" nele próprio, a trama revela a forma com que a indústria de produtos fast food impacta a saúde dos norte-americanos os levando ao patamar de país com o maior número de pessoas obesas e com sobrepeso naquele ano.

A primeira cena traz escolares cantando e dançando uma música ensaiada com os dizeres "pizza hut, KFC (marca de frango frito) e McDonald's", e a frase que se segue, ilustra o que estava por traz daquele fenômeno: "Cuide dos seus clientes e os negócios vão cuidar de si mesmos" - Rai Kroc, fundador do McDonald's. Já naquela época o filme denunciava a influência que a indústria de alimentos ultraprocessados causava no público infantil e adolescente entrando inclusive nos ambiente escolares com estratégias de marketing associadas às suas marcas. No Brasil e no mundo esse modelo também é replicado, ao passo que a epidemia global de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis continua avançando à passos largos.   

Para quem não assistiu ainda “Supersize Me” é praticamente um filme obrigatório no catálogo dos documentários sobre alimentação, e pra quem já viu, vale a pena rever com os olhos e o panorama que chegamos em 2017.


     

     

 

 

 



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017


Proporcionar o abastecimento de alimentos orgânicos com processos e insumos sustentáveis, favorecer os circuitos curtos de comercialização e promover a segurança alimentar e nutricional são algumas das potencialidades da agricultura praticada dentro e nas redondezas das cidades.     

Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) é um conceito multidimensional que pode, em linhas gerais, ser definido como o plantio de alimentos e criação animal no perímetro das cidades. A AUP é considerada um elemento para o desenvolvimento sustentável dos centros urbanos. Apesar de ser uma prática milenar, a agricultura urbana vem se reposicionando dentro das metrópoles principalmente a partir de 1990, fruto da expansão da população urbana e do êxodo rural. O tema é pauta de organismos internacionais como a FAO que tem promovido o tema e documentado experiências em diversas regiões, já que alternativas para produção de alimentos saudáveis dentro de sistemas com resiliência ambiental são de extrema relevância uma vez que a população nas cidades não para de crescer assim como os agravos resultantes das mudanças climáticas.  

A AUP se relaciona de forma direta com pelo menos três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio, como os ODS 2 "Fome Zero e Agricultura Sustentável"; ODS 11 "Cidades e Comunidades Sustentáveis"; e ODS 13 "Ação Contra a Mudança Global do Clima, e dialoga de maneira transversal com as outras agendas. Ela pode dar uma importante contribuição para segurança alimentar e nutricional, especialmente em regiões de desertos alimentares. O processo produtivo  da AUP é predominantemente realizado de forma coletiva, empoderando os grupos envolvidos, proporciona o consumo de alimentos saudáveis e pode gerar renda a partir da comercialização de alimentos frescos e com um menor custo.

A transformação de Detroit

A AUP proporciona que as pessoas se sensibilizem de maneira prática e direta com questões ambientais, assim como também podem ser locais de expressão e aprendizagem associados à produção de alimentos.

 Muitas vezes geridos coletivamente, esses locais tornam-se novos espaços de cidadania. Um exemplo exitoso é o que tem acontecido em Detroit. A cidade que já foi uma das mais importantes dos EUA, por abrigar sedes e grande parte da produção das principais montadoras americanas, Chrysler, Ford e General Motors, viu sua “Era de Ouro” chegar ao fim com a crise de 2008. Houve um grande êxodo e, em pouco tempo, a cidade quebrou. Detroit virou uma cidade fantasma. Hoje a cidade conta com diversos projetos que buscam transforma-la em um lugar mais saudável, seguro e verde através de projetos de agricultura urbana para recuperação dos espaços.

O projeto de recuperação, por meio da agricultura, foi iniciado em 2012 por iniciativa da ONG Michigan Urban Farming Initiative (MUFI). O cultivo conta com mais de 8 mil voluntários e já produz o suficiente para atender gratuitamente mais de duas mil famílias que moram na região . O projeto abrange uma área de 30 mil metros quadrados. O complexo conta com mais de 200 árvores frutíferas, hortaliças e vegetais diversos, um jardim sensorial para as crianças e muito mais. Conforme o levantamento da organização, são mais de 300 variedades de vegetais. Desde o início do projeto, a colheita já rendeu mais de 22 mil quilos de alimentos, todos distribuídos gratuitamente à comunidade.

Experiências Brasileiras

Assim como em Detroit, existem diversas outras iniciativas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que mudaram a realidade de comunidades através da agricultura urbana. O documentário "Saindo da Caixinha" mostra iniciativas de AUP na cidade de São Paulo e como a experiência transformou a saúde de indivíduos além de tornar os ambientes urbanos mais verdes e saudáveis. Outra iniciativa é a "Revolução dos Baldinhos" na cidade de Florianópolis que faz a gestão comunitária de resíduos orgânicos sincronizada à prática da AUP, significando uma diminuição da produção do que antes era tido como "lixo" nas cidades e gerando adubo de alta qualidade com inclusão social.

A partir de exemplos como estes, a AUP tem sido incentivada pelos benefícios que tem trazido como: promoção  da soberania alimentar; incentivo ao comércio e distribuição de alimentos e agricultores locais; criação de emprego e geração de renda; redução dos impactos ambientais; e participação social e empoderamento. Os desafios são otimizar cada vez mais a utilização dos insumos, como água por exemplo, e associar a prática da AUP com outras técnicas para conservação e geração de sistemas sustentáveis e integrados garantindo mais equidade e responsabilidade ambiental nas cidades. 

Você conhece ou participa de alguma experiência de agricultura urbana ? Conta para nós na página do FB do Ideias na Mesa !





postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

O post da biblioteca de hoje divulga um livro disponível gratuitamente na base de dados do Scielo. Este livro reúne estudos sobre Alimentação e Cultura e prioriza escritas e narrativas sobre o comer em distintos grupos e lugares. Fundamenta-se nas Ciências Humanas para diversas leituras sobre o comer e, assim, busca compreender a nutrição como ação social. E para conhecer o universo simbólico das relações entre cultura e alimentação, estudam-se os hábitos, condutas, comportamentos alimentares, valores e crenças.

Em seu primeiro capítulo, o livro trata da “Alimentação e as principais transformações no século XX”. Assim, o livro apresenta o atual contexto alimentar no Brasil e como foi a transição de uma alimentação rica em fibras e carboidratos complexos para uma alimentação com alto consumo de gordura saturada, açúcar e alimentos refinados. Essas mudanças também se refletiram em aspectos corporais como, por exemplo, a redução dos índices de baixo peso e o aumento dos casos de sobrepeso.

No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) permitiu caracterizar a evolução do padrão alimentar da população urbana brasileira. Os resultados da POF apontam para uma redução no consumo calórico per capita de aproximadamente 208 Kcal. Como a POF quantifica os gastos com alimentos no domicílio, é possível que esta redução seja justificada pela crescente tendência de se realizar refeições fora do domicílio. Esses e diversos outros dados apresentados pelo livro nos levam a conclusão de que de fato, o Brasil segue a tendência mundial no consumo de carboidratos e vive um declínio na participação do grupo dos cereais e derivados, das leguminosas, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas e sucos naturais.

Depois de apresentar o atual contexto alimentar do Brasil, as autoras reúnem a exposição de  práticas e contextos alimentares. Assim, o primeiro artigo apresentado trata das populações tradicionais que vivem do mar e do mangue. Nesse estudo, são acrescentadas questões do cotidiano alimentar de uma população de pescadores remanescente de quilombo na região do município de Salvador: a Ilha de Maré, com uma abordagem qualitativa. Trata-se de um dos recantos mais belos do litoral baiano.

“A infra-estrutura local, entretanto, é deficitária. O acesso à Ilha é difícil e não há um sistema de transporte interno. Por isso, o deslocamento para os povoados é sempre difícil, sendo geralmente feito a pé. Da mesma maneira, as travessias Maré-Salvador-Maré são realizadas de forma precária, devido à inexistência de transporte público; para as viagens diárias são utilizados pequenos barcos a motor de proprietários locais.”

“No momento, as redes elétrica e telefônica atingem toda Ilha, e o abastecimento de água, 90% dos povoados, entretanto, não há saneamento básico, nem outros serviços de saúde, cartório e policiamento. Cenas de violência têm sido comuns, principalmente nos finais de semana, quando o consumo de bebida alcoólica dos visitantes é excessivo.”

“A ausência de políticas públicas, aliada ao contexto de pobreza e baixa escolaridade, cria uma situação de grave insegurança alimentar e nutricional que fere princípios fundamentais dos direitos humanos à sobrevivência. Conforme nosso registro, a população de Ilha de Maré apresenta como a mais importante atividade remunerada a pesca artesanal e a captura de mariscos, sendo poucos os que se deslocam para o trabalho fora.”

E é nesse contexto de insegurança alimentar que as autoras discutem com a cultura alimentar pode ser utilizada para ultrapassar os desafios impostos na realidade local que tem levado à fome à desnutrição.

Nesse sentido, os capítulos seguintes vão apresentar realidades locais e a importância da cultura alimentar. A expectativa dessa coletânea de produções científicas é de que os conteúdos sobre a alimentação em interface com as Ciências Humanas sirvam para lançar um outro olhar sobre o modelo biomédico e possa desse modo, ampliar os conhecimentos da nutrição, na perspectiva de humanizar práticas profissionais que tratam das condutas alimentares.

Confira o livro completo aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

A Ministra do Supremo Tribunal de Justiça mexicano, Margarita Luna Ramos, apresentou um projeto de decisão a favor de uma engarrafadora da Coca Cola para se reverter as diretrizes de alimentos e bebidas nas escolas de ensino superior.

O estranho é que esse parecer vem algumas semanas depois de ser decretado que o México vive uma emergência epidemiológica relacionada à obesidade e à diabetes. Em 2015, essas duas doenças mataram mais 96 mil pessoas e hoje, cerca de 10% da população adulta tem diabetes, sendo que 40% não são diagnosticados.

A proposta da Ministra protege a Coca Cola, mesmo quando se sabe que:

- 70% do açúcar, na dieta dos mexicanos, vem de bebidas açucaradas;

- o consumo regular dessas bebidas, hábito comum entre os mexicanos, aumenta em 60% o risco de obesidade e em 20% o risco de diabetes;

- os mexicanos são os maiores consumidores de bebidas açucaradas do mundo, bem como os maiores consumidores da Coca Cola.

Uma outra ministra, Luna Ramos, repete os argumentos que favorecem a engarrafadora da Coca Cola. O curioso é que os argumentos apresentados, são os mesmos que a indústria de refrigerantes usa para lutar contra a regulamentação dessas bebidas no México e no mundo: os produtos em si não estão associados às doenças, na verdade o que deve ser feito é educar a população ao invés de limitar o acesso a esses produtos, pois os consumidores são adultos e têm capacidade de fazer escolhas conscientes, etc, etc.

O que parece é que a Ministra desconhece ou escolheu ignorar as evidências científicas que mostram que os ambientes determinam os hábitos e que no caso do México, o que tem prevalecido é o ambiente obesogênico. As orientações que estão sendo contestadas visavam promover um ambiente mais saudável pelo menos nas instituições de ensino. Não se discute todos os espaços, mas um espaço de ensino sobre o qual o Estado tem poder de regulação.

Nesses locais deve se dar atenção às recomendações nacionais e internacionais, desde as expostas pela própria Organização Mundial de Saúde, até aquelas definidas pela Escola de Saúde Pública de Harvard e pelo Instituto Nacional de Saúde Pública. Os ambientes não saudáveis devem se tornar saudáveis, pelo menos nos espaços nos quais o Estado tem poder.

         

 

Os mexicanos vivem em situação de abandono do setor público, então esses espaços foram tomados pelo setor privado. A corrupção impera nas instituições governamentais e isso se reflete no desenho de políticas públicas, influenciadas pelos conflitos de interesses. Isso tem deixado o país em uma crise profunda: um sistema educacional em grave deterioração, um colapso do sistema de saúde, uma nação com as mais altas taxas de desigualdade social, mergulhada na violência e na impunidade.

O Judiciário deve ser um contrapeso nesse processo, não se deve pagar pela deterioração da saúde, alterando uma das poucas regras que foram estabelecidas para resolver uma epidemia que ultrapassou de longe a capacidade do sistema de saúde. O México já se tornou o país com uma das maiores taxas de sobrepeso, obesidade, diabetes e mortes por diabetes no mundo. 

Estudos da Organização Pan-Americana da Saúde mostram claramente como o aumento do consumo de alimentos e bebidas ultraprocessados (junk food e refrigerantes) é a principal causa desta situação.

 

Quanto maior é o consumo de alimentos ultraprocessados maior é a taxa de sobrepeso e obesidade entre as populações da América Latina e do Caribe. Essa situação pode ser vista na maior instituição de ensino do México, a UNAM, que se transformou no point de junk food, depois de a indústria de alimentos investir milhões de dólares em estratégias de marketing que favoreciam seus produtos e deterioravam alimentos tradicionais da cultura mexicana.

 

A regulação de alimentos e bebidas em instituições de ensino superior é fundamental, já que é entre adolescência e a idade adulta que se percebe maior incidência de sobrepeso e obesidade entre os mexicanos. Por isso, nas instituições de ensino deve se privilegiar a oferta de produtos saudáveis, além de realizar atividades de Educação Alimentar e Nutricional. Lembrando que, educar não tem efeito quando o ambiente só favorece os maus hábitos alimentares.

 

70% dos adultos mexicanos são obesos ou tem sobrepeso e 10% da população sofre de diabetes, cerca de 40% não sabem. As pessoas descobrem quando vão ao médico porque começaram a perder de vista ou têm que tratar uma ferida no pé, que pode levar a amputação. A explicação para a situação na qual 70% dos adultos têm excesso de peso ou obesidade, não é uma soma de más escolhas pessoais, mas a criação de ambientes obesogênicos que favorecem o consumo de alimentos e bebidas não saudáveis.

 

Sabe-se que junk food e bebidas açucaradas prevalecem na maioria das escolas de ensino primário e secundário, além disso, a indústria impera dentro das universidades. No entanto, as orientações são um instrumento para lutar por espaços saudáveis e para que se tornem espaços de educação alimentar e nutricional.

 

A decisão dos ministros do Supremo Tribunal vai contra os apelos apresentados pelo Ministério da Educação e pelo Ministério da Saúde. O parecer apresenta insustentáveis ??argumentos. Segundo a sentença, as orientações que limitam a presença dos ultraprocessados nas instituições de ensino superior, violam os direitos trabalhistas e comerciais da empresa Coca Cola, mas aparentemente, a empresa por sua vez não viola o direito à saúde e isso leva a seguinte reflexão: Será que a indústria tem tantos direitos quanto à população tem o direito à saúde?

 

A situação de saúde do México não justifica a garantia de espaços saudáveis dentro das instituições de ensino superior?

 

Será que a Coca Cola não tem tido liberdade demais para comercializar seus produtos no México?

 

Não tem sido abusiva em sua publicidade, criando diversos ambientes obesogênicos? 

 

A situação epidemiológica do México clama por mudanças e nesse sentido pede aos seus Ministros que repensem seus pareceres e se tornem favoráveis à regulação sobre a oferta de alimentos em instituições de ensino superior.

 

Fonte: https://goo.gl/mzy9f0

Traduzido por Ana Maria Maya, Equipe Ideias na Mesa.



postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Hoje tem novidade na Rede Ideias na Mesa! Toda sexta-feira apresentaremos as notícias e posts mais relevantes da semana para você!

Assista o vídeo e acesse as matérias na íntegra nos posts abaixo:

De jaleco e cocar, índia terena se forma em Nutrição e faz festa na aldeia, acesse aqui. 

Revelando o açúcar escondido nos alimentos industrializados, acesse aqui. 

[Pensando EAN] Por que somos obcecados por comida e ainda assim não cozinhamos?, acesse aqui 

[Você no Ideias] Alimentação, Higiene e Saúde na APAE de Palmas-TO, acesse aqui.



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

No [Você no Ideias] de hoje, destacamos uma experiência de EAN realizada com alunos de Nutrição, em uma disciplina de tema muito relevante da Universidade Federal de Campina Grande: Sistemas Alimentares Sustentáveis. A partir da disciplina, foram criadas aulas práticas para que os alunos ampliassem seus horizontes para as correntes alimentares, aprendendo a respeitar as individualidades de diferentes grupos, sendo eles os da Alimentação Vegana, a Culinária Crudívora e a Alimentação com uso de PANCs (plantas alimentícias não convencionais).

As aulas práticas foram realizadas em três oficinas culinárias, onde os alunos e professora cozinhavam juntos receitas que representassem as correntes alimentares escolhidas. Além do preparo das receitas, a professora dissertava também acerca da importância de cada corrente alimentar, das individualidades de cada uma e sobre valores nutricionais daqueles alimentos. ˜Vimos que é possível se promover alimentação saudável, adequada e acessível através de cardápios diferenciados, além de contribuir para a preservação dos recursos naturais finitos." relatou Yasmin Santos de Araújo, que cadastrou a experiência na nossa Rede.

Salada de Folhas Verdes com Lentilha Germinada - Receita Crudívora


Entre as receitas realizadas nas oficinas  estão Purê de Banana Verde, Charutos de Repolho com Arroz, Suco de Limão com Capim Santo, Mexido Mineiro com Beldroega, Arroz com Bredo, Mousse de Hibisco, Salada de Flores Comestíveis e Macarrão de Abobrinha. Todas as receitas, fotos e detalhes da experiência estão disponíveis na página da experiência, que você pode acessar aqui.

Macarrão de Abobrinha - Receita Crudívora

Mousse de Hibisco - Receita com PANC

Quanto aos resultados das oficinas, Yasmin destacou: ˜Os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar a disciplina de forma teórico prático, a experiência possibilita pôr em prática o que foi adquirido, tanto individualmente como quando estiverem atuando como profissionais da nutrição. Além de contribuir com a visão de que alimentação anda lado a lado com a sustentabilidade. ˜


Charuto de Repolho com Arroz - Receita Vegana




Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Yasmin Santos de Araújo, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 




Go to page:
Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui