Ideias na Mesa - Blog


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

O post da biblioteca de hoje divulga um livro disponível gratuitamente na base de dados do Scielo. Este livro reúne estudos sobre Alimentação e Cultura e prioriza escritas e narrativas sobre o comer em distintos grupos e lugares. Fundamenta-se nas Ciências Humanas para diversas leituras sobre o comer e, assim, busca compreender a nutrição como ação social. E para conhecer o universo simbólico das relações entre cultura e alimentação, estudam-se os hábitos, condutas, comportamentos alimentares, valores e crenças.

Em seu primeiro capítulo, o livro trata da “Alimentação e as principais transformações no século XX”. Assim, o livro apresenta o atual contexto alimentar no Brasil e como foi a transição de uma alimentação rica em fibras e carboidratos complexos para uma alimentação com alto consumo de gordura saturada, açúcar e alimentos refinados. Essas mudanças também se refletiram em aspectos corporais como, por exemplo, a redução dos índices de baixo peso e o aumento dos casos de sobrepeso.

No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) permitiu caracterizar a evolução do padrão alimentar da população urbana brasileira. Os resultados da POF apontam para uma redução no consumo calórico per capita de aproximadamente 208 Kcal. Como a POF quantifica os gastos com alimentos no domicílio, é possível que esta redução seja justificada pela crescente tendência de se realizar refeições fora do domicílio. Esses e diversos outros dados apresentados pelo livro nos levam a conclusão de que de fato, o Brasil segue a tendência mundial no consumo de carboidratos e vive um declínio na participação do grupo dos cereais e derivados, das leguminosas, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas e sucos naturais.

Depois de apresentar o atual contexto alimentar do Brasil, as autoras reúnem a exposição de  práticas e contextos alimentares. Assim, o primeiro artigo apresentado trata das populações tradicionais que vivem do mar e do mangue. Nesse estudo, são acrescentadas questões do cotidiano alimentar de uma população de pescadores remanescente de quilombo na região do município de Salvador: a Ilha de Maré, com uma abordagem qualitativa. Trata-se de um dos recantos mais belos do litoral baiano.

“A infra-estrutura local, entretanto, é deficitária. O acesso à Ilha é difícil e não há um sistema de transporte interno. Por isso, o deslocamento para os povoados é sempre difícil, sendo geralmente feito a pé. Da mesma maneira, as travessias Maré-Salvador-Maré são realizadas de forma precária, devido à inexistência de transporte público; para as viagens diárias são utilizados pequenos barcos a motor de proprietários locais.”

“No momento, as redes elétrica e telefônica atingem toda Ilha, e o abastecimento de água, 90% dos povoados, entretanto, não há saneamento básico, nem outros serviços de saúde, cartório e policiamento. Cenas de violência têm sido comuns, principalmente nos finais de semana, quando o consumo de bebida alcoólica dos visitantes é excessivo.”

“A ausência de políticas públicas, aliada ao contexto de pobreza e baixa escolaridade, cria uma situação de grave insegurança alimentar e nutricional que fere princípios fundamentais dos direitos humanos à sobrevivência. Conforme nosso registro, a população de Ilha de Maré apresenta como a mais importante atividade remunerada a pesca artesanal e a captura de mariscos, sendo poucos os que se deslocam para o trabalho fora.”

E é nesse contexto de insegurança alimentar que as autoras discutem com a cultura alimentar pode ser utilizada para ultrapassar os desafios impostos na realidade local que tem levado à fome à desnutrição.

Nesse sentido, os capítulos seguintes vão apresentar realidades locais e a importância da cultura alimentar. A expectativa dessa coletânea de produções científicas é de que os conteúdos sobre a alimentação em interface com as Ciências Humanas sirvam para lançar um outro olhar sobre o modelo biomédico e possa desse modo, ampliar os conhecimentos da nutrição, na perspectiva de humanizar práticas profissionais que tratam das condutas alimentares.

Confira o livro completo aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

A Ministra do Supremo Tribunal de Justiça mexicano, Margarita Luna Ramos, apresentou um projeto de decisão a favor de uma engarrafadora da Coca Cola para se reverter as diretrizes de alimentos e bebidas nas escolas de ensino superior.

O estranho é que esse parecer vem algumas semanas depois de ser decretado que o México vive uma emergência epidemiológica relacionada à obesidade e à diabetes. Em 2015, essas duas doenças mataram mais 96 mil pessoas e hoje, cerca de 10% da população adulta tem diabetes, sendo que 40% não são diagnosticados.

A proposta da Ministra protege a Coca Cola, mesmo quando se sabe que:

- 70% do açúcar, na dieta dos mexicanos, vem de bebidas açucaradas;

- o consumo regular dessas bebidas, hábito comum entre os mexicanos, aumenta em 60% o risco de obesidade e em 20% o risco de diabetes;

- os mexicanos são os maiores consumidores de bebidas açucaradas do mundo, bem como os maiores consumidores da Coca Cola.

Uma outra ministra, Luna Ramos, repete os argumentos que favorecem a engarrafadora da Coca Cola. O curioso é que os argumentos apresentados, são os mesmos que a indústria de refrigerantes usa para lutar contra a regulamentação dessas bebidas no México e no mundo: os produtos em si não estão associados às doenças, na verdade o que deve ser feito é educar a população ao invés de limitar o acesso a esses produtos, pois os consumidores são adultos e têm capacidade de fazer escolhas conscientes, etc, etc.

O que parece é que a Ministra desconhece ou escolheu ignorar as evidências científicas que mostram que os ambientes determinam os hábitos e que no caso do México, o que tem prevalecido é o ambiente obesogênico. As orientações que estão sendo contestadas visavam promover um ambiente mais saudável pelo menos nas instituições de ensino. Não se discute todos os espaços, mas um espaço de ensino sobre o qual o Estado tem poder de regulação.

Nesses locais deve se dar atenção às recomendações nacionais e internacionais, desde as expostas pela própria Organização Mundial de Saúde, até aquelas definidas pela Escola de Saúde Pública de Harvard e pelo Instituto Nacional de Saúde Pública. Os ambientes não saudáveis devem se tornar saudáveis, pelo menos nos espaços nos quais o Estado tem poder.

         

 

Os mexicanos vivem em situação de abandono do setor público, então esses espaços foram tomados pelo setor privado. A corrupção impera nas instituições governamentais e isso se reflete no desenho de políticas públicas, influenciadas pelos conflitos de interesses. Isso tem deixado o país em uma crise profunda: um sistema educacional em grave deterioração, um colapso do sistema de saúde, uma nação com as mais altas taxas de desigualdade social, mergulhada na violência e na impunidade.

O Judiciário deve ser um contrapeso nesse processo, não se deve pagar pela deterioração da saúde, alterando uma das poucas regras que foram estabelecidas para resolver uma epidemia que ultrapassou de longe a capacidade do sistema de saúde. O México já se tornou o país com uma das maiores taxas de sobrepeso, obesidade, diabetes e mortes por diabetes no mundo. 

Estudos da Organização Pan-Americana da Saúde mostram claramente como o aumento do consumo de alimentos e bebidas ultraprocessados (junk food e refrigerantes) é a principal causa desta situação.

 

Quanto maior é o consumo de alimentos ultraprocessados maior é a taxa de sobrepeso e obesidade entre as populações da América Latina e do Caribe. Essa situação pode ser vista na maior instituição de ensino do México, a UNAM, que se transformou no point de junk food, depois de a indústria de alimentos investir milhões de dólares em estratégias de marketing que favoreciam seus produtos e deterioravam alimentos tradicionais da cultura mexicana.

 

A regulação de alimentos e bebidas em instituições de ensino superior é fundamental, já que é entre adolescência e a idade adulta que se percebe maior incidência de sobrepeso e obesidade entre os mexicanos. Por isso, nas instituições de ensino deve se privilegiar a oferta de produtos saudáveis, além de realizar atividades de Educação Alimentar e Nutricional. Lembrando que, educar não tem efeito quando o ambiente só favorece os maus hábitos alimentares.

 

70% dos adultos mexicanos são obesos ou tem sobrepeso e 10% da população sofre de diabetes, cerca de 40% não sabem. As pessoas descobrem quando vão ao médico porque começaram a perder de vista ou têm que tratar uma ferida no pé, que pode levar a amputação. A explicação para a situação na qual 70% dos adultos têm excesso de peso ou obesidade, não é uma soma de más escolhas pessoais, mas a criação de ambientes obesogênicos que favorecem o consumo de alimentos e bebidas não saudáveis.

 

Sabe-se que junk food e bebidas açucaradas prevalecem na maioria das escolas de ensino primário e secundário, além disso, a indústria impera dentro das universidades. No entanto, as orientações são um instrumento para lutar por espaços saudáveis e para que se tornem espaços de educação alimentar e nutricional.

 

A decisão dos ministros do Supremo Tribunal vai contra os apelos apresentados pelo Ministério da Educação e pelo Ministério da Saúde. O parecer apresenta insustentáveis ??argumentos. Segundo a sentença, as orientações que limitam a presença dos ultraprocessados nas instituições de ensino superior, violam os direitos trabalhistas e comerciais da empresa Coca Cola, mas aparentemente, a empresa por sua vez não viola o direito à saúde e isso leva a seguinte reflexão: Será que a indústria tem tantos direitos quanto à população tem o direito à saúde?

 

A situação de saúde do México não justifica a garantia de espaços saudáveis dentro das instituições de ensino superior?

 

Será que a Coca Cola não tem tido liberdade demais para comercializar seus produtos no México?

 

Não tem sido abusiva em sua publicidade, criando diversos ambientes obesogênicos? 

 

A situação epidemiológica do México clama por mudanças e nesse sentido pede aos seus Ministros que repensem seus pareceres e se tornem favoráveis à regulação sobre a oferta de alimentos em instituições de ensino superior.

 

Fonte: https://goo.gl/mzy9f0

Traduzido por Ana Maria Maya, Equipe Ideias na Mesa.



postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Hoje tem novidade na Rede Ideias na Mesa! Toda sexta-feira apresentaremos as notícias e posts mais relevantes da semana para você!

Assista o vídeo e acesse as matérias na íntegra nos posts abaixo:

De jaleco e cocar, índia terena se forma em Nutrição e faz festa na aldeia, acesse aqui. 

Revelando o açúcar escondido nos alimentos industrializados, acesse aqui. 

[Pensando EAN] Por que somos obcecados por comida e ainda assim não cozinhamos?, acesse aqui 

[Você no Ideias] Alimentação, Higiene e Saúde na APAE de Palmas-TO, acesse aqui.



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

No [Você no Ideias] de hoje, destacamos uma experiência de EAN realizada com alunos de Nutrição, em uma disciplina de tema muito relevante da Universidade Federal de Campina Grande: Sistemas Alimentares Sustentáveis. A partir da disciplina, foram criadas aulas práticas para que os alunos ampliassem seus horizontes para as correntes alimentares, aprendendo a respeitar as individualidades de diferentes grupos, sendo eles os da Alimentação Vegana, a Culinária Crudívora e a Alimentação com uso de PANCs (plantas alimentícias não convencionais).

As aulas práticas foram realizadas em três oficinas culinárias, onde os alunos e professora cozinhavam juntos receitas que representassem as correntes alimentares escolhidas. Além do preparo das receitas, a professora dissertava também acerca da importância de cada corrente alimentar, das individualidades de cada uma e sobre valores nutricionais daqueles alimentos. ˜Vimos que é possível se promover alimentação saudável, adequada e acessível através de cardápios diferenciados, além de contribuir para a preservação dos recursos naturais finitos." relatou Yasmin Santos de Araújo, que cadastrou a experiência na nossa Rede.

Salada de Folhas Verdes com Lentilha Germinada - Receita Crudívora


Entre as receitas realizadas nas oficinas  estão Purê de Banana Verde, Charutos de Repolho com Arroz, Suco de Limão com Capim Santo, Mexido Mineiro com Beldroega, Arroz com Bredo, Mousse de Hibisco, Salada de Flores Comestíveis e Macarrão de Abobrinha. Todas as receitas, fotos e detalhes da experiência estão disponíveis na página da experiência, que você pode acessar aqui.

Macarrão de Abobrinha - Receita Crudívora

Mousse de Hibisco - Receita com PANC

Quanto aos resultados das oficinas, Yasmin destacou: ˜Os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar a disciplina de forma teórico prático, a experiência possibilita pôr em prática o que foi adquirido, tanto individualmente como quando estiverem atuando como profissionais da nutrição. Além de contribuir com a visão de que alimentação anda lado a lado com a sustentabilidade. ˜


Charuto de Repolho com Arroz - Receita Vegana




Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Yasmin Santos de Araújo, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Se você ainda não conhece, pelo menos já ouviu falar do novo sucesso entre as séries, “Orange is the new black”. A série lançada em 2013 é uma produção original da Netflix e conta a história de Piper Chapman, uma mulher por volta de seus 30 anos que é sentenciada a 15 meses de prisão por envolvimento com lavagem de dinheiro para um cartel de drogas internacional. Piper troca a sua vida confortável de Nova York, com o noivo Larry, pelo macacão laranja e cumpre sua sentença na Penitenciária Feminina de Litchfield. Para sobreviver, ela precisa aprender a conviver com as outras detentas, como Red, Nicky, Taystee e Crazy Eyes.

Subjugadas e desafiadas pelo autoritarismo, as protagonistas de Orange is the new black buscam alternativas para lidar com a opressão que sofrem não só como mulheres, mas também como mulheres negras, idosas, lésbicas e transsexuais. Diante dessa situação, as detentas buscam maneiras de enfrentamento, que vão desde o isolamento, a loucura, o apego religioso e o sexo à formação de guetos raciais, étnicos e etários.

É nesse contexto que a comida e o acesso a seu preparo se transformam em um arsenal identitário, uma ferramenta de pertencimento, poder e controle. Isso pode ser percebido no status social dado aos que trabalham na cozinha. A cozinheira que comanda o espaço usa jaqueta e o chapéu, uniforme dos chefes profissionais, que por sua vez escolhem suas funcionárias, que usam aventais e toucas, o que as diferencia das demais.

No seriado, Red chefia um grupo de presas e se comporta como mãe de todas, ilustrando relações de dominação e submissão devido à sua influência como chefe da cozinha e por seu acesso aos ingredientes. Além disso, sem que os guardas saibam, a chefe tem autoridade para decidir quem vai ou não receber a bandeja de comida: em seu primeiro dia na prisão, Piper comete uma gafe com Red, a chefe da cozinha, e acaba passando dias sem comer.

Diante desse cenário, vários fatos interessantes, relacionados à comida, acontecem nos episódios, como no dia que Piper vê uma galinha no pátio e, sem querer, cria uma comoção entre as detentas, principalmente em Red, que afirma sonhar com uma galinha que sobreviveu ao abate em uma fazenda vizinha da penitenciária. No sonho da cozinheira, a ave aparece temperada e usando uma cartola, e diz à Red que logo estariam juntas. Ao descobrir que as presas criaram uma onda de boatos afirmando que a ave estava recheada com drogas, armas ou doces, Red se decepciona com a competição, dizendo que só queria “comer a galinha que foi mais esperta do que todas as outras galinhas para absorver o seu poder”. Esse episódio mostra a crença de que alguns alimentos transferem ao comensal suas supostas características, como a força e nobreza da carne de boi ou a repugnância e furtividade da carne de rato.

Em outros episódios, o seriado também mostra como usamos a comida para dizer quem somos e a que grupos pertencemos em nosso dia a dia.

Há, como exemplos, o contrabando de guloseimas proibidas e a secreta fabricação de bebida alcóolica de Poussey (Samira Wiley), que usa ketchup, pão mofado e um “ingrediente secreto”. Em outro momento, quando uma manobra corporativa troca a comida preparada na prisão por sacos "cheios de gororoba" que já chegam prontos, as detentas traçam estratégias para melhorar a refeição. Piper, que havia decidido vender calcinhas usadas pelas presas para “pervertidos” na internet, adota como salário envelopes de tempero de macarrão instantâneo para mascarar o sabor das novas receitas. Enquanto isso, algumas detentas fingem ser judias para comer as refeições congeladas casher (ou kosher), preparadas de acordo com as leis alimentares judaicas, cujo sabor é elogiado repetidamente, mas o sentido religioso, completamente ignorado até que a administração chama um rabino para avaliar quem tem ou não direito ao menu especial.

Várias presas são vistas tentando tirar comida da cafeteria para consumi-la mais tarde, onde quiserem, mas a infração é geralmente mediada por um policial, que pode ser proibitivo ou conivente. Nesse cenário, a comida dá o tom da personalidade da quieta e isolada Chang. O episódio que conta parte de seu passado mostra como ela é discreta e autossuficiente ao conseguir retirar ervilhas em conserva da cafeteria sem ser percebida, amassá-las e misturá-las com salgadinhos.

São diversos os episódios que mostram como a comida pode ser usada como moeda de troca, de convencimento e de submissão. O status social dado à cozinheira que comanda a cozinha mostra como o acesso a bens alimentícios pode possibilitar poder e controle. O seriado também mostra como os alimentos podem ser usados para se manifestar, se rebelar e até mesmo se representar.

Pra quem ainda não assistiu vale a pena conferir e pra quem já é fã da série, vale a pena apurar um pouquinho mais o olhar para esses contrastes. O post do [Comida na Tela] de hoje usou como referências a série “Orange is the new black” e o artigo disponível aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

Há cinco anos, quando o Centro Médico “Lankenau” foi confrontado com provas de que estava servindo a comida menos saudável da Pensilvânia, o hospital decidiu abraçar os resultados com uma abordagem não convencional:

construindo uma fazenda orgânica que forneceria alimentos frescos aos pacientes.

Em 2011, enquanto o hospital de ensino e pesquisa fazia sua própria pesquisa sobre as necessidades de saúde de seus pacientes, a Fundação “Robert Wood Johnson” divulgou os resultados de uma pesquisa sobre o estado de saúde da população que vive na Pensilvânia. O hospital “Lankenau” está localizado no Condado de Montgomery, um dos mais saudáveis do estado, levando em conta fatores como taxas de obesidade e acesso à alimentação adequada. Mas a área de abrangência do hospital o leva a receber muitos pacientes do condado de Filadélfia, classificado como o menos saudável de todos os 67 municípios analisados.

"Isso foi realmente revelador porque mostrou que estávamos atendendo pacientes muito diversos", disse Chinwe Onyekere, administradora associada do Lankenau, sobre as revelações do estudo. Os resultados mostram que os pacientes do hospital apresentavam diferentes níveis de conhecimento sobre nutrição e de acesso a alimentos de qualidade.

Estima-se quem todos os EUA, cerca de metade dos americanos tenham algum tipo de doença crônica decorrente de hábitos não saudáveis como a falta de exercícios físicos, o tabagismo e a alimentação inadequada. O tratamento para essas doenças, que incluem a asma, doença cardíaca ou diabetes, foi responsável por mais de 75% das internações hospitalares e consultas médicas, nos últimos anos.

Isso tem feito com que alguns hospitais procurem maneiras de promover a saúde antes que a condição dos pacientes seja tão crítica a ponto de que uma visita ao hospital seja necessária.

No hospital Lankenau, isso significou melhorar o acesso de seus pacientes à alimentos saudáveis!

Como os médicos, enfermeiros e outros funcionários não eram especialistas em agricultura, o hospital fez parceria com a Greener Partners, uma organização sem fins lucrativos que luta por sistemas alimentares locais e que construiu e faz a manutenção da fazenda “Deaver Wellness”. Onyekere, que dirige os programas de necessidades da comunidade para o hospital, supervisiona o projeto.

Desde a inauguração em 2015, a fazenda forneceu mais de 4 mil kg de alimentos orgânicos para os pacientes do hospital, sem nenhum custo. Os produtos são usados em atividades de educação alimentar e nutricional e servidos no refeitório do hospital.

A partir de uma avaliação das necessidades da comunidade, a equipe de funcionários de Lankenau aprendeu que muitos de seus pacientes não tiveram o acesso à informação sobre o valor nutricional e a importância do consumo dos alimentos in natura, como as frutas e os vegetais.

Agora, enquanto os pacientes esperam suas consultas, podem escolher alimentos frescos como couve, brócolis, tomates, berinjela, rúcula e outros. O hospital também fornece receitas e, durante a consulta, os médicos usam o produto escolhido na sala de espera, para mostrar como o paciente pode fazer escolhas mais saudáveis.

Ainda nas salas de espera de Lankenau, alguns funcionários do hospital conduzem cursos e oficinas sobre alimentação saudável. Um funcionário pode, por exemplo, trazer os ingredientes, para uma salada de cenoura, discutir o valor nutricional de cada ingrediente e, em seguida, cortar e montar a salada na frente dos pacientes. Depois os pacientes recebem alguns ingredientes e receitas que podem ser feitas em casa.

Durante anos, antes da fazenda, os educadores de saúde do hospital realizavam aproximadamente 14 programas de educação em saúde em um centro, com duas salas de aula, no meio das instalações hospitalares. Entre 7 e 10 mil alunos, do jardim de infância ao 12º ano, fizeram cursos todos os anos sobre saúde, como nutrição, saúde social, bullying e assédio.

Agora, segundo Onyekere, a fazenda do hospital deve funcionar como um "laboratório de aprendizagem" para aulas sobre alimentação saudável, oferecendo a oportunidade de se ter experiências práticas com os alimentos. Assim os alunos podem aprender sobre alimentação saudável, cultivo orgânico, hortas e construção de hábitos saudáveis.

Fora das paredes do hospital, a instituição Lankenau - em parceria com o Food Trust e o Departamento de Saúde Pública de Filadélfia - incentiva a compra de alimentos saudáveis, oferendo cupons chamados “Philly Food Bucks”. Os cupons são válidos para a compra de frutas e legumes frescos, em mais de 30 mercados de agricultores, e são dados aos pacientes que manifestam o interesse em ter um melhor acesso a alimentos saudáveis.

"A partir do momento que o paciente entra pela porta até o momento em que deixa o consultório, toda essa experiência está focada em melhorar sua saúde", disse Onyekere.

Drew Harris, Diretor de Políticas de Saúde e Saúde da População, da Faculdade de Saúde da População, da Universidade Thomas Jefferson, disse que apenas recentemente os profissionais de saúde começaram a assumir a responsabilidade por não tratar da alimentação. Um médico aposentado, especialista em diabetes, se lembra de ter uma filosofia muito diferente sobre doenças crônicas e saúde geral dos pacientes.

"Como muitos médicos, eu sempre culpei os pacientes por não ficarem bem", disse ele. “Mas não me fiz a pergunta: Será que os pacientes tinham as informações necessárias e o acesso a uma alimentação adequada para diabéticos?".

"Não ter segurança alimentar - não saber de onde sua próxima refeição virá ou se você pode comprar tudo o que precisa, quando precisar - é um grande desafio", disse ele.

Embora a insegurança alimentar não seja uma questão nova, ele acha que a educação médica está apenas começando a ter uma abordagem mais holística.

"Há um incentivo muito maior para se preocupar porque os pacientes não estão melhorando e o que podemos fazer para evitar que eles fiquem doentes, o que temos que enxergar é que isso tem muito a ver com o seu ambiente social e o seu acesso a alimentos saudáveis", disse o médico.

Onyekere estima que Lankenau forneceu produtos agrícolas para cerca de 400 pacientes até o momento e o hospital está prestes a lançar uma pesquisa aos pacientes com o objetivo de entender melhor o impacto do programa.

Embora ela tenha dito que os pacientes expressaram que a fazenda está fazendo a diferença e aumentando a conscientização de como fazer escolhas saudáveis no dia a dia, a pesquisa será um recurso valioso para outros provedores de saúde considerando iniciativas semelhantes.

A equipe que cuida da fazendo tomou a superação das expectativas de produção para 2016, como um sinal de que pode aumentar ainda mais a produção. Onyekere disse que Lankenau também está procurando doar seus alimentos para outros parceiros, como bancos de alimentos locais.

Lankenau não é o único hospital que construiu uma fazendo no país. Outros, incluindo “St. Joseph Mercy Ann Arbor” e “Henry Ford West Bloomfield Hospital”, ambos no Michigan; e “St. Luke's University Health Network” na  Pensilvânia. Mas Onyekere não conhece nenhum outro que tenha incorporado tão extensivamente seus próprios alimentos orgânicos ao dia a dia hospitalar.

Para que a América enfrente a crescente epidemia de doenças crônicas, essa integração é fundamental e, como mostram esses hospitais, ela já está acontecendo. “Estamos começando a olhar para além do paciente, percebendo o ambiente no qual ele vive”, disse Harris.

 

Trauzido por Ana Maria Maya, de https://goo.gl/VgpNWA.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Lançado no final de 2016, a publicação se debruçou nas ações, desafios e perspectivas do papel da cidade na alimentação para reunir os principais avanços e acúmulos relativos a Segurança Alimentar e Nutricional implantados na cidade desde 2003.

O livro foi feito por meio de uma parceria entre o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comusan), a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo e o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (PMA/ONU), que incentiva a troca de experiências exitosas a respeito do tema junto a outros países. Ele é fruto de um trabalho multiprofissional, reunindo mais de 27 autores, e interdisciplinar.

Dividido em 12 capítulos, o livro traz em suas primeiras partes uma explicação sobre a metodologia de organização e um diagnóstico sobre a SAN em São Paulo, evidenciando além dos já conhecidos problemas decorrentes da falta de acesso à alimentos e renda, consumo de alimentos não saudáveis e obesidade, a necessidade da criação de indicadores para o abastecimento nos circuitos curtos que valorizem os pequenos agricultores e os alimentos sem agrotóxicos.

Outro aspecto destacado é a incidência de controle social a partir da consolidação do CONSEA municipal da cidade de São Paulo, e as experiências direcionadas a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).

A importância de temáticas como Educação Alimentar e Nutricional, Agricultura Urbana e Periurbana, educação ambiental e o papel do Banco de Alimentos para garantia da SAN também foram levantadas. Dentre algumas iniciativas que significaram avanços neste campo, a Lei nº 16.140/2015, que visa à inclusão de alimentos orgânicos na alimentação escolar; a criação da zona rural na cidade; e o lançamento do 1º Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

A publicação encontra-se disponível para leitura e download em nossa biblioteca, acesse aqui




postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

"Como é possível que estejamos tão afoitos para assistir outras pessoas dourando cubos de carne na tela, mas tão pouco interessados em dourá-las nós mesmos?".

Michael Pollan, autor de "O Dilema do Onívoro", "Cozinhar" - livro que inspirou a série documental homônima da rede Netflix - e "Em Defesa da Comida", foi quem escreveu esta frase há mais de oito anos atrás, para uma matéria no New York Times. Anos depois, o apontamento feito por Pollan ainda se mostra real e, cada vez mais pertinente.

A ascensão de Julia Child como ícone cultural e, posteriormente, o estrelato de chefs como Alex Atala, Jamie Oliver, Paola Carosella, Gordon Ramsay, Anthony Bourdain coincidiu, paradoxalmente com o crescimento da Indústria de Alimentos, do Fast Food e da comida pronta e também com o declínio das refeições caseiras do dia a dia. A verdade é que nunca passamos tão pouco tempo na cozinha e, ainda sim, nossa obsessão com comida nunca foi tão grande.

Em tempos de MasterChef, Tastemade e Instagram, a quantidade de conteúdo na mídia sobre comida que consumimos todos os dias é enorme. Devoramos vídeos e fotos de comida em quase todas as mídias, adicionando também às Redes Sociais nossas próprias contribuições com imagens de cafés "gourmet" que experimentamos e check-ins em restaurantes da moda.

Para um gourmet moderno, não é necessário cozinhar ou ter amplo entendimento sobre a origem dos alimentos e seu modo de preparo. Os pré-requisitos obrigatórios são uma boa câmera no celular, a iluminação adequada e um conhecimento bacana sobre as melhores hashtags e filtros. Assim, ser apaixonado por comida e apaixonado por cozinhar são duas coisas bem diferentes.

O crescimento do tópico "comida" nas redes sociais e mídias com receitas infindáveis no Feed de Notícias, programas de culinária em diversos canais e o estrelato de chefs e cozinheiros deixa claro que nós valorizamos o cozinhar. Ainda sim, há uma desconexão entre o tempo que gastamos na cozinha e a quantidade de conteúdo gastronômico que consumimos. Por que estamos cozinhando menos?

Tempo, custo e falta de habilidade culinária figuram os principais motivos pelos quais deixamos de cozinhar e muitas receitas e dicas aparecem em livros e internet para tentar solucionar essas questões. Nem sempre, essas soluções são suficientes: para quem não tem prática na cozinha, uma receita de "30 minutos" pode demorar horas para ficar pronta, deixando um rastro de louças sujas e dedos queimados e gerando um prato bem menos satisfatório do que o resultado apresentado na televisão. A verdade é que cozinhar é um processo, que exige tempo e dedicação e prevê vários fracassos até se tornar natural.

Cozinhar se tornou opcional para muita gente, quando é possível comprar refeições de quase todas as regiões do mundo até por meio de aplicativos nos celulares, mas isso não significa que perdemos as razões para cozinhar, pelo contrário, elas ficaram ainda mais evidentes. Você já deve imaginar que cozinhar é um caminho para uma alimentação mais saudável, considerando que quando a indústria e redes de fast food cozinham em nosso lugar, elas acabam produzindo alimentos com alto lucro comercial e também altos teores de gordura, sal, açúcar e aditivos químicos. Mas não é somente isso que torna o ato de cozinhar primordial.

Cozinhar é declarar a sua independência das grandes corporações que buscam transformam todos os nossos momentos em situações de consumo; é resgatar uma das artes formadoras da nossa cultura e identidade; é se conectar com as leis da física que química que regem o Universo e as transformações culinárias. O ato de cozinhar tem o poder de transformar não somente os alimentos que manipulamos, mas também de pouco a pouco e sutilmente transformar a nossa identidade e o Sistema Alimentar em que vivemos.

Não é a toa que o Marco de Referência de EAN para as Políticas Públicas aponta o cozinhar como prática emancipatória e princípio para ações de Educação Alimentar e Nutricional. Refletindo sobre essas dimensões, o Cozinhar se torna formador de indivíduos e pode ultrapassar as telas de celulares e televisões, tornando-se uma construção gratificante e muito valiosa! Lembre-se que o melhor jeito de aprender a cozinhar é cozinhando, vivendo um fracasso e conquista de cada vez.



postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

No quadro de hoje compartilhamos uma experiência realizada por alunos do curso de nutrição da Universidade Federal de Tocantins em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) TO.

A atividade fez parte da disciplina "Prática Clínica Integrada: intervenção em grupos populacionais" e teve como objetivo levar educação alimentar e nutricional a um público ao qual ações educativas costumam ser escassas. Para tanto, o grupo de estudantes procurou conscientizar os alunos da APAE sobre a importância de uma alimentação saudável e a prática da higienização das mãos antes do consumo de alimentos. As atividades de integração foram realizadas com duração de 60 minutos e o grupo participante foi composto por 11 alunos, abrangendo a faixa etária de 15 a 35 anos.

A experiência de trocas foi dividida inicialmente em duas etapas, a primeira aconteceu em uma sala ampla da APAE para que os alunos se sentissem à vontade. Inicialmente tanto os facilitadores quanto os alunos da apae se apresentaram interagindo brevemente   para gerar empatia. Feito isso, um aluno de cada vez foi convidado para analisar os alimentos que estavam representados pelas figuras de EVA (banana, leite, bombom, pastel, suco de caixa, biscoito, bolo, queijo, maçã, abacaxi, laranja, limão, abacate, refrigerante, etc.) dispostos sobre uma mesa e escolheram dois alimentos sem intervenção de nenhum dos ministrantes.

Na segunda etapa, cada aluno deslocou-se para o centro da roda, mostrou os alimentos escolhidos, disse se os consumia e em seguida fixou as figuras em um quadro contendo dois campos para colagem, divididos em “saudáveis e não saudáveis” conforme o que eles achavam. Findada esta parte, iniciou-se uma conversa sobre a importância do consumo dos alimentos saudáveis e porque os “não saudáveis” devem sem consumidos com menor frequência, ressaltando-se os prejuízos à saúde do consumo excessivo de sal, gordura e açúcar .

Na atividade foram utilizados materiais de papelaria (E.V.A, pistola de cola quente, tesoura..), frutas in natura (mamão, laranja, abacaxi, banana, maçã, manga e melão) e potes descartáveis e talheres descartáveis.

A avaliação da atividade foi baseada na participação e interação dos alunos entre si e com a equipe de facilitadores e foi bastante positiva. Como dificuldade observou-se em alguns momentos uma dificuldade de compreensão por parte dos alunos pois estavam associando ‘alimentos saudáveis” com os que eles gostam. As atividades de Educação Alimentar e Nutricional com alunos com deficiência visual e múltipla trouxe aos acadêmicos de nutrição uma nova visão desse grupo que notou que com atenção, linguagem simples e criativa pode-se promover qualidade de vida individual e para as famílias.

Para conferir a experiência completa e outras imagens acesse aqui. 


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Fabiane Aparecida Rezende e sua equipe, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 

    



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

"Mostrar soluções e contar algumas boas histórias. Estas podem ser as melhores formas de solucionar as crises ecológica, econômica e social que os países tem enfrentado". É nesse espírito que os franceses e Diretores Mélanie Laurent e Cyril Dion reuniram uma equipe de mais quatro integrantes e rodaram por dez países para produzir o filme 'Demain - Amanhã'.

Instigados com uma publicação periódica da Nature que anunciou a possibilidade de extinção de parte da humanidade antes do final do século 21, os diretores decidiram iniciar uma investigação passando por diferentes continentes para descobrir o que poderia causar esse desastre e como preveni-lo.

O filme documental tem duração de 1h e 58 minutos e ganhou um prêmio "César Awards", equivalente francês do Oscar, como melhor documentário de 2015. Diferentemente de outros documentários do gênero, Demain opta  por destacar as alternativas que têm sido colocadas em prática em várias localidades ao invés de focar nos aspectos "catastróficos" gerados por desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos. O filme por si só já é um colírio para os olhos e música para os ouvidos com uma fotografia linda e trilha sonora impecável, e para além das qualidades sensoriais, os temas investigados são de extrema sensibilidade.

O documentário é dividido em 5 partes que apresentam como as pessoas tem reinventado os campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação para um mundo mais justo e consciente. Durante a jornada foram visitados dez diferentes países incluindo Europa, Índia e Estados Unidos da América, e entrevistados ativistas, diretores, economistas e coordenadores de ONG's e projetos entre outros.

É sem dúvida um dos documentários mais interessantes que fala sobre segurança alimentar e nutricional contextualizada com outras temáticas socioambientais, não deixe de assistir!

O filme está disponível no Netflix (procure pelo nome em francês Demain) e também é possível encontrá-lo legendado no youtube. Os diretores criaram um site compilando as informações, personalidades e experiências compartilhadas durante o longa.          



 



Go to page:
Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui