Ideias na Mesa - Blog


postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

O [Comida na Tela] de hoje traz um documentário que recebeu vários prêmios em festivais internacionais e que trata de assuntos muito importantes: As grandes monoculturas de soja e milho e áreas de pasto desmatadas para a pecuária que tomaram conta de todo entorno do Parque Indígena do Xingu. Elas estão causando grandes mudanças climáticas, e afetando diretamente a segurança alimentar entre outros aspectos dos 16 povos indígenas que ali habitam.

O Parque Indígena do Xingu foi criado em 1961. É um exemplo importante da diversidade cultural e ambiental da região amazônica: no total, 6.500 pessoas de 16 povos indígenas vivem lá. Com os seus modos de vida tradicionais e tradições de gestão da terra, estes grupos garantiram a preservação da floresta e da biodiversidade local. No entanto, a área em torno do Parque encontra-se em contraste: 86% da floresta foi convertida em monoculturas de soja e milho ou em pasto para a pecuária. E desde então, o aumento do calor, a falta de chuva, o desmatamento em torno do Parque, a construção de barragens, os agrotóxicos usados nas monoculturas, está matando os frutos e os alimentos que fazem parte da tradição culinária dos povos do Xingu. Preocupados, acreditam que irão passar fome no futuro, porque as culturas que plantarão não resistirão às mudanças. E temem que as gerações futuras tenham que depender da comida do homem branco para sobreviver.

Os últimos 30 anos têm visto a destruição ambiental generalizada fora do parque, e as conseqüências no clima, nos animais e na agricultura são evidentes. Produzido em parceria entre a ISA e o Instituto Catitu, o documentário é um retrato sensível e poderoso de como as pessoas que habitam o Parque Indígena do Xingu enfrentam os impactos das mudanças climáticas.

De acordo com relatos dos anciãos de diferentes grupos étnicos que vivem no Parque, as andorinhas que costumavam voar em bandos para anunciar o início da estação chuvosa já não podem ser vistas. As borboletas, que visitaram as aldeias, sinalizando a secagem do rio, desapareceram. Era diferente no passado, dizem eles. Mas o aumento do calor, a falta de chuva, o desmatamento em torno do Parque, e até mesmo a construção de barragens, são apontados como causas dessas mudanças. Anteriormente restrito aos campos, o fogo agora se espalha facilmente, afetando grandes áreas do Parque. Isso exige que os povos indígenas mobilizem e usem novas técnicas e equipamentos para controlá-los.

Veja aqui o filme, e se impressione com os depoimentos e imagens dessa realidade que precisa ser mudada:



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