Ideias na Mesa - Blog


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Terça-feira, 08 de Novembro de 2016

No último fim de semana, o Ideias na Mesa foi assistir ao curta metragem “Incondicional”. O filme trata da problemática da alergia alimentar em crianças, abordando o drama de uma mãe desesperada, que persegue uma celebridade que ela acredita ser responsável pela morte de seu filho alérgico.

Após essa exibição participamos de um debate com especialistas sobre a alergia alimentar, os rótulos, a urgência no acesso às canetas de adrenalina e a importância do acolhimento das famílias na sociedade. Inspirados no tema e sensibilizados pela problemática de milhares de pessoas, o [Pensando EAN] de hoje vai discutir as estratégias utilizadas para proteger pessoas que possuem algum tipo de alergia alimentar.

No Brasil, cerca de 8% das crianças e 3% dos adultos possuem alergia alimentar, cujo tratamento demanda um cuidado especial em relação ao que é consumido. Assim, é imprescindível que os rótulos dos produtos industrializados tragam informações claras, legíveis, em língua portuguesa, incluindo dados sobre o risco de contaminação cruzada com outros alimentos, que não os declarados na lista de ingredientes.

Mas uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), organização que atua na área de promoção da saúde, mostrou que 48% dos brasileiros não têm o costume de ler as informações do rótulo. E entre os 52% que leem o rótulo, é alto o percentual daqueles que afirmam entender apenas "mais ou menos": 35% (outros 14% dizem que entendem bem e 3% dizem que não entendem).

Surge então o debate sobre a reformulação dos rótulos, para que de fato atendam as demandas do consumidor e transmitam informação clara e objetiva.

Para a nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Paula Bortoletto, falta transparência e clareza. “As pessoas já valorizam a informação do rótulo, mas, como há dificuldade de lê-lo, isso desestimula a procura-la”. O Idec fez um levantamento que mostrou ainda que o uso de letras pequenas, de termos técnicos – como chamar açúcar de “sacarose” – e a necessidade de fazer contas são os principais inimigos de quem tenta ler os rótulos.

As entidades de saúde e os movimentos de defesa do consumidor têm agitado essa discussão, e é nesse cenário que o Movimento Põe no Rótulo pressionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária de tal forma, que a partir desse ano, é obrigatória a inclusão de alertas a alérgicos, caso o produto contenha amendoim, ovos, camarão, entre outros.

A RDC nº26, de 2 de julho de 2015 dispõe sobre os requisitos para a rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares. Ela obriga a indústria alimentícia a declarar nos rótulos dos seus produtos a presença dos principais componentes que podem causar alergias alimentares. Os alergênicos devem ser destacados nos rótulos dos alimentos embalados na ausência do consumidor.

A medida exige que a informação seja colocada abaixo da lista de ingredientes. O prazo limite para adequação terminou no dia 3 de julho de 2016, mas os produtos que foram fabricados antes da data limite têm até o dia de sua validade para mudar suas embalagens. O objetivo é que os produtos que contenham esses alergênicos apresentem em seu pacote todas as informações necessárias para o cliente. Hoje, o brasileiro pode chegar ao supermercado e saber se o alimento que necessita contém o ingrediente que lhe causa alergia.

Para saber mais assista a essa matéria: 

O informativo da embalagem precisa estar abaixo da lista de ingredientes e dizer se o alimento contém ou possui probabilidade de conter o alergênico. A medida exige ainda, que as empresas coloquem o aviso em negrito e caixa alta.

Em resumo, o que mudou desde o dia 2 de julho foi o seguinte:

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovada em junho do ano passado, obriga a indústria alimentícia a informar nos rótulos a presença dos principais alimentos que levam a alergias alimentares. São eles: Oleaginosas; leite; trigo; cevada; centeio e aveia; crustáceos; ovo; soja; peixe.

O Ideias na Mesa sempre lembra que comer é um ato político e que as nossas escolhas podem mudar o ambiente no qual vivemos. Por isso, se encontrar um produto sem a rotulagem adequada à RDC 26/15, mande mensagem para ouvidoria@anvisa.gov.br, ligue nos SACs das empresas e exija essa informação e seja crítico ao escolher um produto que não atende às normas que beneficiam a população!

Depois da vitória dos rótulos para os alérgicos o movimento luta pela disponibilização das canetas de adrenalina. Para saber mais sobre esse movimento acesse o site do “Põe no Rótulo”.

Quanto à rotulagem, continuamos na luta para facilitar a leitura das informações que nos dão autonomia e permitem que façamos escolhas conscientes!



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