Ideias na Mesa - Blog


postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

No dia a dia vários dos alimentos que consumimos passam por um processo de polinização para serem produzidos, a maioria, pelos melhores e mais eficientes agentes polinizadores da natureza, que são responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, produzindo alimentos, conservando o meio ambiente e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas: as abelhas. Segundo a FAO, 70% de todas as culturas agrícolas dependem dos polinizadores e estima-se que 1/3 de todos os alimentos que chegam à nossa mesa tenham alguma dependência dos polinizadores para serem gerados.

O que muitas pessoas não sabem, é que esse cenário está em crise, nos últimos anos um problema pauta a apicultura em todo o mundo: o desaparecimento e a morte massiva das abelhas. Um problema de proporções expressivas: só nos EUA mais de 1/3 dos enxames têm sido perdidos todos os anos, e o Brasil e a América Latina começam a se mobilizar frente aos diversos relatos de mortalidade de abelhas, de causas ainda controversas.

Estudos científicos indicam que este fenômeno é sintomático e epidêmico, causado por um distúrbio que mundialmente passou a ser denominado CCD (Colony Collapse Disorder – Síndrome do Colapso das Colônias) ou, simplesmente, Síndrome do Desaparecimento das Abelhas.

Sem as abelhas, tanto a renovação das matas e florestas, como a produção mundial de frutas e grãos ficariam comprometidas. O equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras.

Tal contexto é, provavelmente, um dos temas que mais intriga a comunidade científica no mundo, por não haver uma razão única. É certo, entretanto, que as múltiplas causas têm, comprovadamente, grande interdependência entre elas. Agrotóxicos, desmatamento, queimadas, doenças, ácaros, mudanças climáticas, déficit nutricional estão entre as inúmeras causas do desaparecimento ou morte das abelhas.

As estatísticas sobre a atividade apícola no Brasil infelizmente são escassas, e um canal para o registro compartilhado do desaparecimento e morte massiva de abelhas apenas começou a ser feito a partir da iniciativa da campanha “Sem Abelha, Sem Alimento”, a maior iniciativa em proteção às abelhas da América Latina, que tem o objetivo de conscientizar a sociedade para a importância destes polinizadores, e alertá-la para os riscos de seu declínio.  O aplicativo Bee Alert, lançado pela campanha, tinha, até fevereiro de 2015, mais de 100 casos documentados na América Latina (sendo 95% deles no Brasil), com aproximadamente 12 mil colmeias afetadas, e cerca de 700 milhões de abelhas exterminadas e o assunto tem ganhado a atenção da mídia, por se apresentar como um problema que evolui e se expande de forma preocupante.

Veja abaixo uma palestra onde a entomologista especialista no assunto faz alguns esclarecimentos, e acesse aqui o site da campanha Sem Abelha, Sem Alimento.

 



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