Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Imagem: Atta Kenare/AFP/Getty Images

O aquecimento global e suas incontáveis consequências que interferem desde geleiras no Ártico até plantações nas cidades é uma seria realidade que as nações precisam enfrentar com seriedade.

Em matéria recente do jornal Britânico The Guardian, que traduzimos alguns trechos e acrescentamos outras informações, o antropólogo Jason Hickel publicou uma série de dados sobre essa temática e mostrou porque a solução pode estar ao alcance das mãos. Estudos recentes demonstram que nos últimos 14 meses os recordes de temperaturas globais foram consecutivamente quebrados e que dificilmente será possível permanecer na faixa de aumento de temperatura de 1,5 graus, mas que ainda é possível manter este incremento abaixo de 2 graus ainda que com um esforço monumental.    

Hickel diz que encontrar uma maneira de fazer a diferença é uma das maiores questões do século 21. Ele salienta que existem várias propostas, incluindo por exemplo capturar o CO2 emitido pelas indústrias, torná-lo líquido e armazená-lo em câmaras no subsolo. Outra seria distribuir ferro nos oceanos para desencadear uma reprodução massiva de algas que absorveriam CO2. Existe ainda uma outra linha de enfrentamento que preconiza colocar gigantes placas espelhadas no espaço para refletirem alguns dos raios solares. Infelizmente, em todos esses casos ou os riscos são muito grandes, ou nós ainda não temos a tecnologia necessária.

Enquanto engenheiros e outras correntes parecem não encontrar soluções através de grandes esquemas tecnológicos, uma alternativa mais simples e menos rebuscada está sendo subestimada: A preservação dos solos.

Os solos são o segundo maior reservatório de carbono do planeta depois dos oceanos, e concentram quatro vezes mais carbono do que todas as plantas e árvores no mundo. No entanto, atividades como o desmatamento e o agronegócio - responsável por intensas modificações no solo, monoculturas e uso intensivo de fertilizantes químicos e agrotóxicos - estão comprometendo nossos solos a uma velocidade alarmante e acabando com a matéria orgânica nele contida. Não por acaso, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) dedicou o ano de 2015 para discutir o tema, e apontou que apesar de 95% de tudo que comemos vir dos solos, este organismo que abriga mais de um quarto de toda a biodiversidade de nosso planeta já teve uma área mundial degradada equivalente a 33% de seu total.

Imagem: Bazuki Muhammad/REUTERS

As práticas de agricultura regenerativa como a agroecologia e sistemas agroflorestais além de serem alternativas ambientalmente sustentáveis e justas do ponto de vista socioeconômico em face ao agronegócio, podem também ajudar diretamente na fixação de carbono nos solos por sequestrá-los da atmosfera. Em outras palavras, a agricultura regenerativa pode ser a nossa melhor chance de frear o aquecimento global. Mesmo assim, grupos e associações que atuam com agriculturas alternativas - Via Campesina - por exemplo, enfrentam enormes batalhas com as poderosas corporações multinacionais que ditam os sistemas alimentares industriais. As corporações mesmo sabendo que os seus métodos centrados em fertilizantes químicos, pesticidas e monoculturas serem também responsáveis pelo aquecimento global, insistem em assegurar seu monopólio para perpetuar seus interesses econômicos.

A disputa aqui não é apenas entre dois modelos diferentes, mas entre duas maneiras distintas de se relacionar com a terra: uma que enxerga os solos como um objeto no qual o lucro deve ser extraído a qualquer custo, e a outra que reconhece a interdependência dos sistemas e honra os princípios de equilíbrio e harmonia. Assim, podemos enxergar os conflitos que causam não apenas os desequilíbrios ambientais como aquecimento global, mas também as violações do Direito Humano a Alimentação Adequada e a Segurança Alimentar e Nutricional.     

Para acessar a matéria na íntegra acesse o link.   


 

 



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