Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 05 de Abril de 2016

Imagem: Lines of Hope 

A fome no mundo, grave situação que afeta milhões de cidadãos, é um fenômeno que assola principalmente, mas não exclusivamente, países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Em seu último livro intitulado ‘The Reproach o Hunger’ – ‘A Reprovação da Fome’, livre tradução - o escritor e analista de políticas David Rieff apresenta uma revisão crítica a respeito da maneira com que fundações e ONG’s em parceria com o setor privado encaram a questão.

David contextualiza o tema reconhecendo que o combate para erradicação da fome avançou nas últimas décadas, mas alerta para o fato de que além do inevitável crescimento populacional mundial, as desigualdades continuam a avançar desenfreadamente e são agravadas pelo aquecimento global e seus problemas socioambientais.

Um dos capítulos do livro leva o título “Filantrocapitalismo”, em menção à algumas fundações e ONG’s que trabalham com a agenda humanitária. Nele o escritor faz críticas veementes ao setor privado que em suas palavras, é o que mais incide na política, o menos regulado, e o menos democrático, além de especular com matérias primas. Neste bojo ele cita o Banco Mundial e a fundação de Bill Gates.

A questão estrutural na visão de David é o que ele chama de “antipolítica tecnocrática”, presente como resultado da lógica capitalista. Cria-se um problema resultante de desigualdades, no caso a fome, e ao invés de solucionar este problema por meio de políticas é criado um mecanismo (é aí que entram as corporações privadas) para se apresentar uma solução onde se capitalize em cima. Tal paradoxo se reflete na incapacidade até o momento de se erradicar a fome mundial através de pacotes tecnológicos.          

Rieff para exemplificar seu ponto de vista cita a Revolução Verde que foi encampada sob o pano de fundo de acabar com a fome, mas que na prática significou massivos investimentos e aquisições de tecnologias agrícolas que resultaram na explosão do uso de agrotóxicos e sementes transgênicas e que contribui para o fortalecimento de megacorporações. Ele acrescenta ainda que a fome é, portanto, um problema político, e não estritamente de produção.

David aponta alguns caminhos que não o ‘filantrocapitalismo’ para trabalhar na erradicação da fome como subverter a lógica da especulação financeira, fortalecendo o Estado e a democracia. Em sua visão, os problemas fundamentais do mundo sempre foram morais e não tecnológicos, pensamento consonante com uma citação de Gandhi presente em sua obra: “Na Terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer à ganância de alguns“. 


 

 



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