Ideias na Mesa - Blog


postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 15 de Março de 2016

Sabemos que o comer e o cozinhar não são apenas hábitos saudáveis. Os dois atos envolvem uma gama de questões, como autonomia, auto cuidado, escolhas culturais, atitudes, entre outros.

Para o [Pensando EAN] de hoje abordaremos algumas ideias que a jornalista Juliana Dias, editora do site Malagueta traz sobre a pergunta: Comer ou apenas nutrir-se?

"A abordagem da alimentação na escola não deveria se limitar a cultivar hábitos saudáveis, numa visão que coloca o alimento como nutriente e a responsabilidade nos ombros do sujeito que come".

A alimentação é um campo diverso e repleto de signos e significados, portanto reduzí-la somente a visão nutricional é limitante e não compreende todas as suas especificidades.

Essa responsabilidade "culpada" que Juliana aborda acima vai totalmente contra os princípios de autonomia e a geração da capacidade de autocuidado do individuo sobre sua alimentação, preconizados no Marco  de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas e até mesmo à educação no modo geral.

Juliana aborda a importância do ambiente escolar sobre o desenvolvimento de escolhas culturais e sociais dos indivíduos, principalmente a alimentação. Por isso reflete sobre o papel da alimentação escolar nesse desenvolvimento:

"Portanto, é necessário ampliar os olhares para o valor da Alimentação Escolar. Esta é uma poderosa ferramenta para matar a fome de conhecimento, renovando o entendimento sobre a relação com a comida, a fim de engajar e transformar pessoas, comunidades e sociedades".

Por isso ela cita como um ótimo exemplo a Lei de Alimentação Escolar (11.947) que oficializa o olhar cultural sobre o comer e inclui a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no processo de ensino-aprendizagem, que deve perpassar o currículo escolar:

 "Essa política pública estimula o respeito às tradições alimentares e à preferência alimentar local saudável; o desenvolvimento biopsicossocial; e amplia a presença de outros profissionais na escola, com proposta interdisciplinar e intersetorial. Também determina que ao menos 30% dos alimentos comprados para a refeição escolar venham da agricultura familiar local, preferencialmente produzidos de forma agroecológica ou orgânica".

O comer e conhecer o que se está comendo, segundo sua visão faz parte do processo educativo da vida e da construção da cidadania:

"Saber o que se come diz respeito à identidade cultural, autonomia e consciência crítica para deliberar sobre o que se coloca no prato e participar das tomadas de decisões sobre o rumo do sistema alimentar moderno".

Juliana também contextualiza toda a importância do cozinhar dentro do processo educativo, como forma de emancipação do próprio individuo:

"Cozinhar é um exercício de autonomia e consciência de si, do outro e do mundo".

Por fim ela afirma que o "casamento" entre alimentação e educação é necessário, assim como pede a Lei de Alimentação:

"Tendo em vista as demandas da Lei de Alimentação Escolar e uma reflexão a respeito da interseção entre alimentação e educação, busco apontar a sinergia entre esses dois campos. É vital estreitar e evidenciar os elos por meio da interdisciplinaridade, visando uma atitude transdisciplinar, considerar a memória, o afeto e os sentidos, seja no refeitório ou na sala de aula".

O texto de Juliana é incrível, por isso convidamos vocês a conferir ele na íntegra no site Outras Palavras.



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