Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Março de 2016

Imagem: Rachel Bonino

Você já ouviu falar em sementes crioulas? No quadro de hoje vamos abordar o tema que vai além do ato de plantar alimentos.

O site Sacola Brasileira, dedicado a reunir alimentos e ingredientes assim como métodos tradicionais da nossa cultura alimentar brasileira, escreveu uma matéria esclarecendo os benefícios das sementes crioulas. Por definição, elas são diferentes das sementes comumente comercializadas por não passarem por nenhum tipo de tratamento químico (aplicação de fungicidas) ou modificação genética em laboratório (híbridas ou transgênicas).  

As crioulas estão comumente associadas à agricultura familiar e plantio de alimentos destinados a alimentação orgânica. Elas representam a preservação da biodiversidade de cada região brasileira, pois são fruto do cruzamento induzido de forma natural de plantas que se adaptam as condições do terreno e ambiente local, gerando um alimento com maior produtividade e qualidade. Um exemplo são as variedades de milho não transgênico conhecidas como adelaide, cunha, grande safra, jaboatão branco, ligeirinho ou aracaju, encontrados em comunidades com bancos de sementes.

As sementes crioulas são também conhecidas por outros nomes em diferentes regiões brasileiras, tais como: sementes da paixão, da gente, da resistência, da fartura, da liberdade e da vida. Estes nomes não são mero acaso, assim explica Emanoel Dias da Silva - agrônomo líder do núcleo de sementes da Ong AS-PTA – eles simbolizam uma bandeira de lutas dos agricultores agroecológicos que optam por uma produção alimentar mais saudável e sustentável.

Cultivar e plantar sementes deste tipo são tarefas não muito simples nos dias de hoje. As sementes crioulas foram desaparecendo progressivamente por conta das empresas multinacionais do agronegócio, que através da produção de agrotóxicos e da modificação genética de sementes obrigaram os produtores a se tornarem reféns de seus insumos químicos e sementes modificadas para produção.     

Desta forma, os agricultores que preservam e utilizam sementes crioulas fazem muito mais do que plantar alimentos saudáveis. Eles representam uma verdadeira resistência através da preservação da cultura e biodiversidade alimentar por meio das práticas agroecológicas em oposição ao agronegócio. Desde 2003 com a inclusão destas sementes na Lei de Sementes (n. 10.711), programas federais e estaduais têm financiado estratégias para incentivar os bancos de sementes através de agricultores denominados “guardiões de sementes”.

A preservação de sementes crioulas contribuí para soberania e segurança alimentar e nutricional da população, além de preservar tradições dentro de um sistema de produção socialmente justo respeitando o meio ambiente. 

Acesse a matéria original neste link.  


 

 



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