Ideias na Mesa - Blog


postado por Débora Castilho em Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016


“Não se pode conceber a vida do ser humano sem algumas condições básicas, como: acesso à água e alimentos, moradia, saúde, educação, trabalho, respeito, igualdade, segurança e liberdade. Estes são requisitos mínimos para se ter uma vida digna. São condições essenciais para que um ser humano possa acreditar que a vida vale a pena ser vivida.

E o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) é: é um direito humano inerente a todas as pessoas de ter acesso regular, permanente e irrestrito, quer diretamente ou por meio de aquisições financeiras, a alimentos seguros e saudáveis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, correspondentes às tradições culturais do seu povo e que garantam uma vida livre do medo, digna e plena nas dimensões física e mental, individual e coletiva.

A análise desta definição indica que, quando falamos de DHAA, não estamos falando “apenas” de livrar as pessoas da fome, mas também do acesso, de maneira digna, a uma alimentação adequada. Assim, o DHAA tem estas duas dimensões indissociáveis: estar livre da fome e ter uma alimentação adequada. Portanto, o DHAA diz respeito a todas as pessoas de todas as sociedades, não apenas àquelas que não têm acesso aos alimentos.

É importante notar que o termo alimentação “adequada” não se limita aos aspectos nutricionais da alimentação, mas envolve uma gama maior de aspectos. Sendo assim, a promoção do DHAA compreendem elementos amplos de justiça social e econômica de um país. O modo como cada um e todos esses fatores são devidamente atendidos depende da realidade específica de cada grupo ou povo. Por exemplo, a plena realização do DHAA para uma comunidade indígena não é igual à dos moradores de uma cidade.

A realização do Direito humano à Alimentação Adequada requer a eliminação da fome, a garantia do acesso diário a alimentos em quantidade e qualidade suficientes e culturalmente referenciados e a promoção de uma alimentação saudável em escala populacional, sendo esta última uma precondição para a prevenção da obesidade e das doenças relacionadas com a malnutrição. É importante lembrar que a fome que ainda existe no país é fruto da pobreza que dificulta o acesso aos alimentos, mas que vêm sendo feitos progressos nos últimos anos. Entretanto, muitas pessoas que no passado recente foram vítimas da fome hoje apresentam quadros de excesso de peso e obesidade, o que demonstra o quão complexa e multidimensional é a luta contra a fome e a pobreza.”

Estes são alguns trechos retirados de um dos capítulos do livro Nutrição em Saúde Pública (Editora Rubio, 2011), escrito por Marília M. Leão e Elisabetta Recine.

Abaixo segue o vídeo desenvolvido pela ABRANDH, com apoio da FAO, que teve por objetivo contribuir com o apoderamento das comunidades e apoiar ações para exigir e monitorar a realização de seus direitos humanos, em especial o Direito Humano à Alimentação Adequada. O vídeo Peraí. É nosso Direito! relata essas experiências e promove um vibrante debate com lideranças comunitárias e especialistas sobre Direitos Humanos e Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil.

 

 

Agora que você já sabe que uma alimentação adequada é também um direito humano, vamos nos inspirar e inspirar pessoas a viver com mais dignidade e fazer cumprir esse direito em nosso país?!

Para saber mais a respeito do DHAA, além da leitura do capítulo do livro, e assistir ao vídeo, recomendamos a sessão temática da nossa biblioteca, intitulada Direito Humano à Alimentação Adequada, confira!



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