Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015

Para o quadro de hoje traduzimos o texto de Amy S. Choi sobre cultura alimentar que reuniu relatos de chefes, professores e pesquisadores de diferentes culturas. O texto foi publicado no site TED "Explore ideias que valem a pena ser espalhadas"

"A comida alimenta a alma. Levando-se em consideração que todos se alimentam e tem alma, a comida é o elemento unificador através das culturas. Mas o que alimenta a sua alma?"  Amy S. Choi.

Para mim, uma koreana/americana, um alimento carregado de memória é um prato tradicional da Korea chamado Kimchi, feito com arroz branco, ovos fritos, carne de frango ou porco e conserva de repolho. Tais preferências que suscitam identidade são pessoalmente e culturalmente significativas. Alimentos com caráter afetivo mapeiam quem nós somos, de onde viemos e o que aconteceu ao longo de nossas vidas. O que a gente escolhe cozinhar e comer é um acumulo de situações que vivenciamos, pessoas que nos relacionamos e coisas que aprendemos. Provavelmente existem alguns elementos de outras culturas também, mas nós vamos sempre comer alimentos que signifiquem algo para nós.     

Em grande parte da China, apenas pessoas de gerações mais antigas ainda fazem compras em feiras todos os dias e depois vão para casa cozinhar pratos tradicionais.

A diretora de graduação do curso de alimentos Jennifer Berg da Universidade de Nova York conta que alimentação é de particular importância quando nos mudamos para um país ou cultura diferente da nossa. É o último vestígio de cultura que as pessoas sustentam. Existem alguns aspectos da cultura originária que perdemos logo de cara, como por exemplo o jeito de se vestir, é uma forma de se adaptar ao novo contexto. Com alimentação é diferente, nós estamos em contato pelo menos 3 vezes ao dia, e portanto, com mais oportunidades de nos conectarmos com as memórias da família e lugares através deste elemento.

Identidade alimentar

A maioria das culturas não relaciona sua cozinha com uma monotonia de pratos. As cozinhas mexicana, chinesa e francesa por exemplo compreendem uma enorme variedade de comidas regionais.

O chefe americano Dan Barber faz um contraponto em relação a cultura alimentar americana através da reflexão: Se o que comemos traduz o que somos, o que seriam os americanos? Ora, Carne. Barber diz que se os norte-americanos possuem alguma unificação de identidade alimentar é em torno da carne. Fruto de uma cultura criada pelo mercado que agora é exportada para o resto do mundo.

Comida como sobrevivência    

Algumas vezes comida significa sobrevivência. Enquanto os cozinheiros que exportaram a cozinha chinesa pelo mundo se alimentam da autêntica cozinha em casa, os alimentos que eles servem, de fato criando um cozinha completamente nova, são baseadas em necessidades econômicas. A cozinha chinesa hegemônica nos Estados Unidos é darwiniana, pois foi uma maneira que os chineses que lá viviam encontraram para tirar um sustento. Apenas recentemente comidas mais autênticas chegaram ao país, mostrando a cozinha do país de uma forma mais abrangente.

Na China acontece um fenômeno diferente, apenas os avós ainda estão comendo e cozinhando da forma que pessoas de fora da China imaginam a "comida chinesa". A maioria dos jovens e adultos nascidos após a Revolução Cultural não sabe cozinhar. Esta geração esteve focada apenas em estudar, e seus pais não os ensinou a preparar o seu próprio alimento. Portanto, eles são educados mas estão comendo fast-food e comidas processadas em grande quantidade.

Comida como prazer

A comida na França ainda é primeiramente sobre prazer, e cozinhar e comer são tanto passa tempo quanto prazer, conta Mark Singer, diretor técnico de cozinha do Le Cordon Bleu em Paris. Entretanto, muitas coisas mudaram ao longo dos últimos 20 anos no que diz respeito à alimentação. O fato de comer que era quase um evento diário foi diminuindo lentamente a significância, e passou a ser mais presente em celebrações como aniversários, natal e ano novo.

No caso italiano, conta Marco Bolasco - Diretor editorial do Slow Food, o comer rápido não é predominante na cultura, apesar de ter crescido bastante. Nossas refeições são relaxadas mesmo durante o intervalo de almoço. Comida na Itália é amor, depois nutrição, história, e então prazer. A primeira experiência de uma criança italiana com comida não é com pães, arroz ou ovos, mas provavelmente sorvete observa Bolasco.

Comida enquanto comunidade     

Nas culturas árabes a comunidade é a chave da cultura alimentar. O iftar, momento que significa o término do jejum durante o Ramadan (mês sagrado), apresenta pratos tradicionais da cultura árabe que são compartilhados por todos da família. Esta celebração ocorre de maneira particular nos domicílios de cada um, mas também são abertas e compartilhadas com a população em geral nas mesquitas, escolas, feiras e outras organizações. O ato de comungar da comida é semelhante com hábitos chineses por exemplo, onde todos os membros da família dividem a refeição e não apenas o próprio prato.

Comida como humanidade  

A alimentação é a manifestação física de nossas relações com o mundo natural. É onde cultura e ecologia se interceptam. Ela pode se tornar ainda mais importante do que a linguagem, e até geografia quando o assunto é cultura. Nossas primeiras relações enquanto seres humanos é com a comida, afirma Richard Wilk, professor antropologista da Universidade de Indiana. Ele completa que a nossa primeira experiência é ser colocado para amamentar . O ato social de se alimentar é parte de como nós nos tornamos humanos, tanto quanto falar e cuidar de nós mesmos. Aprender a comer é aprender a se tornar humano.


Para conferir os originais do artigo acesse o link.

 

       

 



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