Ideias na Mesa - Blog


postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 08 de Setembro de 2015

Você consegue relacionar as mudanças climáticas com Segurança Alimentar e Nutricional?

Segundo a FAO, um dos impactos mais relevantes das mudanças climáticas é sobre a produção de alimentos e consequente escassez a nível mundial.

"Uma escassez mundial de alimentos está se tornando três vezes mais provável, em função das mudanças climáticas, afirma o relatório da Força-Tarefa sobre Eventos Climáticos Extremos e Resiliência do Sistema Alimentar Global. O grupo, que reuniu cientistas dos EUA e Reino Unido, alertou, na semana passada, que a comunidade internacional deve estar pronta para responder a uma futura elevação potencialmente dramática dos preços agrícolas".

“O clima está mudando e recordes meteorológicos estão sendo quebrados o tempo todo”, disse David King, representante especial para as Alterações Climáticas do ministro das Relações Exteriores do Reino Unido. “Os riscos de um evento grave estão crescendo — e ele pode ter escala e alcance sem precedentes.”

Os modelos e sistemas agrícolas usados atualmente pelo agronegócio são predatórios ao meio ambiente e à saúde humana, seja pela poluição de rios e do ar até o uso de agrotóxicos nos alimentos, e tudo isso interfere na intensificação do processo de mudanças do clima, portanto prática e sistemas agrícolas sustentáveis são necessários ao equilíbrio ecológico e à Segurança Alimentar e Nutricional.

O [Pensando EAN] aborda essa questão por meio de uma entrevista* dada pela ativista alimentar Tiffany Finck-Haynes, da Friends of the Earth, para o jornal da Al Jazeera sobre a alarmante morte das abelhas, que coloca em risco os ecossistemas ligados à produção de alimentos.

As abelhas são responsáveis por ajudar a produzir cerca de um terço dos alimentos do mundo, por ser um potencial polinizador, e segundo a ONU das 100 espécies de lavouras que abastecem 90% dos alimentos em todo o mundo, 71% são polinizados por abelhas.

Mas um fenômeno global ocorrido na última década, conhecido como Desordem do Colapso das Colônias (CCD, na sigla em inglês), viu um número alarmante de colônias de abelhas desapareceram, criando uma séria preocupação sobre o futuro da sustentabilidade no mundo”

Acompanhe a entrevista logo abaixo publicada no site Outras Palavras:

Qual a importância das abelhas na produção de alimentos e produtos ligados a necessidades básicas?

As abelhas são essenciais para dois terços das culturas alimentares que os humanos comem diariamente. Uma em cada três garfadas que comemos é de alimentos produzidos graças à contribuição de insetos polinizadores.

Quão grave é a redução nos números de abelhas?
Elas estão morrendo em taxas alarmantes, em todo o mundo. Nos EUA, os apicultores perderam uma média de 30% de suas colmeias nos últimos anos, sendo que alguns tiveram perda de todas as suas colmeias e muitos deixaram o setor. No ano passado, os apicultores perderam quase metade de sua produção – a segunda maior perda registrada até o momento. Isso é alto demais para ser sustentável.

Como esse declínio está afetando o ecossistema e a produção de alimentos?
As enormes perdas recentes estão tornando difícil para os apicultores manter-se no negócio e já prejudicam os cultivadores de alimentos como amêndoas e frutas. Sem abelhas para polinizar as culturas e plantas que dão flores, todo o sistema alimentar – e nosso próprio frágil ecossistema – está em risco.

Quais as principais causas do declínio?
Pragas, doenças, perda de forragem e de habitat e as mudanças climáticas foram identificados como possíveis fatores que contribuem para as insustentáveis perdas de abelhas. Um grupo cada vez maior de cientistas responsabiliza os pesticidas neonicotinoides – um dos tipos mais utilizados no mundo, fabricado pela Bayer e Syngenta – como um fator-chave.

Os neonicotinoides podem ou eliminar as abelhas, ou torná-las mais vulneráveis a pragas, agentes patogênicos e outros fatores de estresse, ao mesmo tempo em que prejudicam sua capacidade de se alimentar, reprodução e memória. Os neonicotinoides são amplamente utilizados nos EUA em 140 culturas e para uso cosmético na jardinagem. Podem permanecer no solo, na água e no ambiente durante meses ou anos.

Os transgênicos são um fator importante na crise?

A maioria das sementes convencionais de milho, soja, trigo e canola – muitas delas transgênicas – são pré-tratadas com neonicotinoides. Basta uma semente tratada com neonicotinoide para matar um pássaro.

Em que regiões do mundo estão crescendo movimentos para proteger abelhas?
Têm surgido movimentos para protegê-las em várias regiões do mundo, inclusive América do Norte e do Sul, Europa, Ásia, África e Austrália.

Como os governos estão respondendo a esses movimentos?
Diante das evidências cada vez maiores e das demandas dos consumidores, um número crescente de empresas e agências governamentais decidiu ser parte da solução da crise das abelhas e está tomando medidas para eliminar os pesticidas prejudiciais a elas.

Por exemplo, no Reino Unido, os maiores varejistas de jardinagem pararam voluntariamente de vender neonicotinoides. Com base nas recomendações do Órgão Europeu para a Segurança dos Alimentos, a União Europeia (UE) votou a favor de uma suspensão, em todo o continente, de vários neonicotinoides. A medida entrou em vigor em 1º de dezembro de 2013.

Nos EUA, no ano passado, mais de vinte grandes produtores de mudas vegetais, empresas de paisagismo e varejistas tomaram medidas para eliminar os pesticidas que prejudicam abelhas de suas plantas de jardim e de suas lojas. O Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA anunciou em 2014 que irá banir o uso de neonicotinoides em todos as áreas nacionais que são refúgio da vida selvagem até 2016.

Em junho de 2014, o presidente Barack Obama criou uma Força Tarefa para a Saúde da Polinização para desenvolver uma estratégia nacional. Em abril, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (ETA, na sigla em inglês) anunciou que era improvável que aprovasse usos novos ou ampliados de neonicotinoides, enquanto avalia os riscos que estas substâncias representam para os polinizadores.

A agroecologia pode ajudar a salvar as abelhas?
Precisamos reimaginar o modo como produzimos alimentos e incentivar práticas agrícolas locais, sustentáveis e justas. Para a Universidade de Oxford, a agricultura orgânica preserva as espécies polinizadoras 50% mais que a agricultura convencional intensiva em produtos químicos.

*Por Ryan Rifai, na Al Jazeera | Tradução: Inês Castilho



Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui