Ideias na Mesa - Blog


postado por Débora Castilho em Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

O documento, “Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health” foi lançado na última semana, em Bruxelas, na maior conferência anual da Europa sobre a política ambiental, com foco nas complexas e multifacetadas conexões entre a biodiversidade e a saúde humana, e como a perda da biodiversidade pode influenciar negativamente a saúde. Esta é uma das primeiras revisões integrativas que reúne conhecimentos de várias disciplinas cientificas, incluindo saúde publica, conservação, agricultura, epidemiologia e desenvolvimento. 

 

A publicação destaca as Políticas Públicas Brasileiras de Alimentação e Nutrição que integram a biodiversidade, e ressalta a importância do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), na integração com a biodiversidade por meio da oferta de alimentos diversificados (incluindo frutas e legumes) no ambiente escolar, e o incentivo à conservação da biodiversidade por meio da compra de alimentos oriundos da agricultura familiar.  Destaca também o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) a respeito da oferta de alimentos frescos, localmente produzidos, orgânicos e muitas vezes, mais compatível com culturas alimentares locais. E ainda cita que o programa também tem contribuído para valorização e preservação dos conhecimentos tradicionais e culturais associados à produção e consumo dos alimentos regionais, tais como farinha de babaçu, baru, cupuaçu, palmitos, umbu, maxixe e jambu.

O relatório cita a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), o Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB) e o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, como exemplos de políticas públicas de alimentação e nutrição que integram a biodiversidade.

 

 

Dos 16 capítulos que compõem o documento, o capítulo 6 foi dedicado a tratar sobre a “Biodiversidade e a Transição Nutricional”. O capítulo fala sobre o deslocamento do consumo de alimentos tradicionais, e diversificados para o consumo de alimentos processados e não saudáveis. Ressaltando que a mudança resultou na perda significativa de biodiversidade e agroecossistemas, contribuindo para os níveis alarmantes de sobrepeso e obesidade e o aumento da prevalência mundial de doenças crônicas, como diabetes.

E a sessão 9 do mesmo capítulo, denominado “Integração da Biodiversidade em Políticas Públicas de Alimentação e Nutrição”, trata da necessidade de desenvolvimento de políticas, programas e projetos que integram biodiversidade e nutrição, destacando os compromissos assumidos pelos países na 2ª Conferencia Internacional de Nutrição (Roma, novembro de 2014), dentre estes o desenvolvimento da agricultura sensível à nutrição, onde a biodiversidade tem um papel importante a desempenhar. Dentre as conquistas apontadas no relatório, está a aprovação, este ano, das Diretrizes Voluntárias para a integração da biodiversidade nas políticas, planos e programas de ação sobre nutrição.

As comunidades saudáveis dependem de ecossistemas em bom funcionamento. Eles fornecem ar limpo, água potável, medicamentos e segurança alimentar e nutricional. Eles também limitam doenças e estabilizam o clima. Mas a perda da biodiversidade está acontecendo a taxas nunca antes vistas, impactando a saúde humana em todo o mundo, de acordo com uma revisão da Organização Mundial da Saúde e Convenção sobre a Diversidade Biológica.

O incentivo do consumo de espécies nativas da nossa biodiversidade é um desafio, podendo ser um caminho para a diversidade da alimentação brasileira, assegurando uma alimentação adequada e saudável à população. A perda da biodiversidade alimentar desvaloriza a atribuição da comida como patrimônio cultural da alimentação. O alimento tem uma dimensão que vai além dos nutrientes, ele engloba valores, significados e contextos culturais, ou seja, não se resume somente à dimensão biológica. A globalização produziu a atual homogeneização da alimentação, por isso é importante valorizar os alimentos da biodiversidade brasileira e fortalecer os sistemas alimentares.

Acesso à quantidade, qualidade e diversidade suficiente de alimentos, ar puro, água potável, medicamentos e cuidado da saúde não são apenas centrais para a manutenção de populações saudáveis, eles são pilares fundamentais do desenvolvimento sustentável. Atender os desafios persistentes da perda da biodiversidade, a degração do ecossistema, pandemias emergentes e mudanças nas cargas das doenças  não é uma façanha insuperável, mas requer uma ação baseada em evidências robustas e soluções intersetoriais.

Este abrangente relatório mostra que a perda da biodiversidade, a degradação dos ecossistemas e problemas de saúde muitas vezes compartilham ameaças comuns que indicam para inovações, soluções mutuamente de apoio e intersetoriais.

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