Ideias na Mesa - Blog


postado por Maína Pereira em Terça-feira, 19 de Maio de 2015

Ontem foi lançado o novo curso de autoaprendizagem da rede que tem como objetivo estimular o desenvolvimento e a implementação de ações de Educação Alimentar e Nutricional na rede de proteção social básica do SUAS. Se você ainda não conheceu é acessar a página do curso aqui!

Todo o conteúdo do curso foi baseado nos Cadernos Teórico e de Atividades “Educação Alimentar e Nutricional: O Direito Humano à Alimentação Adequada e o Fortalecimento de Vínculos Familiares nos Serviços Socioassistenciais”, disponíveis em formato PDF na Biblioteca do curso.

A fim de estender as reflexões sobre o tema abordado, apresentamos hoje, aqui no [Pensando EAN], um relato de Lélia Nunes* sobre sua experiência em utilizar este material em ações educativas para os usuários do Centro de Referência de Assistência Social de Barbacena, Minas Gerais.

Confira:

“Às vezes militamos por uma causa, no caso pelo “Direito humano à alimentação adequada”, nos conselhos e nas Conferências e quando somos inseridos no serviço e assumimos esse papel no dia a dia, vem uma sensação de impotência diante da responsabilidade de trocarmos experiências e compartilharmos saberes para avançarmos nesta direção. Vivemos uma sensação inicial de não saber por onde começar a realizar o trabalho, quais temas, em quais momentos, como estabelecer as parcerias intersetoriais... é muita vontade de ver as coisas acontecerem e os desafios são muitos. Com o tempo, vamos vencendo cada um deles e torna-se possível vivenciar mudanças gratificantes, inclusive em nós mesmos. Foi isso que senti quando me tornei nutricionista da assistência social de um município do interior de Minas Gerais, e talvez, não seja a única.

O trabalho apresenta-se e, com ele, inicia-se a busca por um caminho, por redes colaborativas, por materiais de apoio ao processo de trabalho. A base teórico-prática para alcançar os objetivos é das mais sólidas, a Educação Alimentar e Nutricional. Começando por aí que encontrei a Rede Ideias na Mesa e que tive contato com o material de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) para serviços socioassistenciais, que estava ainda em consulta pública. Foi um alento encontrar várias formas de abordar os temas, com atividades específicas para cada ciclo da vida, que experimentamos, inicialmente, nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). As ações foram desenvolvidas por mim e por outra nutricionista, com apoio de toda a equipe do CRAS e eram adaptadas à realidade local e oferecidas aos usuários em formato de oficinas temáticas, grupos e ciclos de intervenções durante as oficinas de artesanato, recreação, capoeira, etc.

Algumas atividades que vivenciamos foram “de onde vem os alimentos”, “descobrindo os alimentos por meio dos sentidos”, “cesto saudável”, “prato saudável”, “mitos e verdades” e “refeições saudáveis”. As estratégias contidas nas abordagens propostas foram de grande valia para a prática de EAN nos CRAS, pois traziam a metodologia e os materiais de forma bem detalhada, o que facilitava a replicação, adaptação e execução da atividade; permitiam trabalhar com todos os ciclos da vida, inclusive com propostas intergeracionais; e eram ativas, o que suscitava uma maior participação e envolvimento, notada por meio da motivação em estarem ali e relatarem suas vivências.

A experiência foi muito positiva, tanto para nós, quanto para os usuários, pois possibilitou e incentivou compartilhamentos de saber e reflexões sobre o ato de comer em toda sua complexidade. Os usuários participavam de forma ativa nas dinâmicas, contavam muitas histórias de suas rotinas alimentares familiares presente e passada, levavam hortaliças não-convencionais regionais e receitas para conhecermos, queriam perguntar tudo sobre alimentação, anotavam os temas que gostariam que fossem abordados nas próximas iniciativas e criavam vínculos conosco. Foi possível notar mudanças nos conceitos relacionados à alimentação e nutrição dos mesmos, em suas falas no decorrer das atividades ou por meio do relato de uma atitude diferente na rotina alimentar, inclusive das crianças.

Foi uma boa escolha aproveitar a leitura e as propostas dos Cadernos Teórico e Metodológico de EAN para uso nos serviços socioassistenciais, espero que minha experiência ajude e/ou incentive outras nutricionistas e ou outros profissionais envolvidos com EAN a replicarem os conceitos e atividades. E espero que, com o tempo, essas publicações possam ser ampliadas com ainda mais ideias, porque são sempre bem-vindas!”   

 

      lanche grupokids

*Lélia Cápua Nunes é nutricionista e foi conselheira suplente dos Conselhos Municipais de SAN de Juiz de Fora e Barbacena. Atuou como nutricionista na Assistência Social na Prefeitura Municipal de Barbacena e atualmente é professora da Universidade Federal de Juiz de Fora-campus avançado de Governador Valadares-MG.

 


 



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