Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):segurança alimentar e nutricional

postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 01 de Junho de 2016

Com o lema “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”, a 5ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional ocorreu em novembro de 2015 em Brasília, reunindo milhares de pessoas.

O evento constitui um importante marco participativo, estruturante e democrático, que contou com as mais diversas populações, dentre elas povos indígenas de várias etnias, população negra, povos tradicionais de matriz africana e povos de terreiro, povos ciganos, comunidades quilombolas e cerca de 30 identidades coletivas das comunidades tradicionais. Não só isso, como a abordagem se ampliou a segmentos populacionais urbanos e rurais, que estende as diferentes opiniões e contribuições a respeito de temas como insegurança alimentar, participação popular e ações de educação alimentar e nutricional.

Além da participação popular, houve a participação de instituições organizacionais e públicas, além de militantes internacionais, como a indiana Vandana Shiva, que regularmente atua na garantia de direitos e soberania alimentar.

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz o Relatório final da Conferência que reúne os documentos que formalizaram e marcaram a sua história política, como a Carta Política, o Manifesto, Proposições e Moções.

 

A sua leitura é de extrema importância. Que tal separar o final de semana para dar uma olhada? Fica a dica!

Você pode acessar este arquivo aqui.



postado por Débora Castilho em Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Ontem, dia 19 de abril, foi celebrado o dia do Índio, figura tão importante na cultura alimentar do nosso país. Pensando nisso, a sessão temática [Biblioteca do Ideias] traz o artigo científico “Segurança alimentar em famílias indígenas Teréna, Mato Grosso do Sul, Brasil”, escrito por Thatiana Fávaro e colaboradores. O artigo buscou descrever a situação de segurança alimentar vivenciada por famílias Teréna, das aldeias Água Azul, Olho D’Água e Oliveiras, Mato Grosso do Sul, Brasil. Foram investigadas 49 famílias que continham em seu núcleo crianças menores de sessenta meses e obtidas informações sobre renda, densidade familiar, escolaridade materna e consumo alimentar das crianças.

“No Brasil, os povos indígenas estão expostos a transformações ambientais e sócio-econômicas, que os colocam em situação de alta vulnerabilidade frente a problemas de ordem alimentar e nutricional. Nesse sentido, estudos pontuais realizados em comunidades indígenas revelam a fragilidade de muitos povos frente às consequências das carências alimentares, como a elevada prevalência de nanismo nutricional em crianças menores de cinco anos, também favorecida por precárias condições de saneamento, entre outros determinantes.”

O estudo verificou que a prevalência de famílias com algum grau de insegurança alimentar foi 75,5%, 22,4% das famílias com insegurança leve, 32,7% moderada e 20,4% grave. Grande parte das famílias (67,3%) convive com o medo de ficar sem alimentos. Um quarto das mulheres entrevistadas afirmou ter passado por situações de fome no mês anterior à entrevista e 14,3% (7) apontaram que o mesmo ocorreu com as crianças da casa. Situações mais graves de insegurança alimentar foram observadas em famílias com menor renda mensal per capita, menor escolaridade materna, maior densidade domiciliar, maior número de filhos por grupo familiar e cuja dieta das crianças era insuficiente, sobretudo em proteínas e ferro.

O artigo conclui que o acesso a alimentos de qualidade, em quantidades suficientes e adequadas à cultura alimentar ainda é um obstáculo a ser ultrapassado por essa população. É importante lembrar que o significado da produção de alimentos na cultura Teréna vai além da manutenção do corpo e faz parte do modo de ser Teréna. Nesse sentido, a garantia da terra tantas vezes reivindicada pelas lideranças, assim como outras ações transdisciplinares e a participação comunitária devem ser priorizadas a fim de que possam vir a promover a segurança alimentar e nutricional.

Acesse a [Biblioteca do Ideias] e confira o artigo na íntegra



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

Valorizando o papel das mulheres roceiras, doceiras, poetisas, feirantes, trabalhadoras rurais e urbanas dentro do contexto da educação alimentar e nutricional o [Pensando EAN] e aproveitando 5ª Edição da Marcha das Margaridas que tem por lema esse ano: “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”abordará algumas reflexões da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia: Mulheres roceiras, mulheres doceiras e as muitas mulheres que convivem numa só, sobre o papel dessas mulheres em seus contextos sociais e familiares com a alimentação.

É inegável o papel da mulher, seja nossa avó, mãe ou tias, dentro da cultura e na formação da identidade alimentar de nossas vidas. O papel das mulheres como produtoras de bens, gestoras do ambiente e portadoras de uma lógica não destruidora da natureza, já é visto como fundamental dentro de nossa sociedade e mostrou-se necessário a necessidade do empoderamento destas perante a sociedade, dando-lhes autonomia econômica, cutural e política.

Cora Coralina, doceira, poeta e agricultora, partilhou a ideia de que várias mulheres convivem numa só: “vive dentro de mim a mulher cozinheira (…); a mulher do povo (…); a mulher roceira, (…), trabalhadeira, madrugadeira, bem parideira, bem criadeira (…)”

Cora, escritora exímia e doceira de mão cheia, que sempre trouxe em suas poesias referências e um resgate ao comer, militou em diversas causas a favor da mulher, entre as quais, o voto feminino e sua história é revivida repetidas vezes sem perder a força e graça na vida de mulheres do campo.

"É o caso de Dona Juju, de 69 anos, moradora do município de Magé, Região Metropólitana do Rio de Janeiro. De família de agricultores, nasceu e foi criada na roça. Já foi cozinheira, costureira, garçonete, serviu cafezinho na rádio Tupi, onde até fazia comentários no ar, mas foi na lavoura que encontrou motivação e prazer. Juju conta das dificuldades em ser reconhecida como agricultora tanto pelo sindicato rural como pelas entidades governamentais de assessoria técnica. O caminho para se manter na roça começou pelos doces. Numa cozinha comunitária, junto com as amigas Lourdes e Guida, transformou sua colheita em geleias e compotas". 

"Mesmo em meio aos vários papéis que exercem no dia a dia, essas guerreiras não perdem a força nem o riso. Sempre sorriem quando olham para o futuro. E se são indagadas sobre o que é ser agricultora, as roceiras, doceiras e feirantes, descobrem-se poetas. A poesia também é para comer. Se a comida alimenta o corpo, as palavras alimentam a alma". 

De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA revela o quanto os quintais domésticos são relevantes para autonomia dessas mulheres e que a agricultura urbana deve ser incentivada: “O quintal é o lugar da segurança alimentar, da tradição, da complementação da renda da família e de estratégias de conservação da biodiversidade”.

"No lugar onde florescem frutos e folhas que alimentam e cuidam de suas casas, florescem as oportunidades para superar as condições desiguais das relações sociais de gênero". 

O reconhecimento da mulher na produção de alimentos vem sendo reivindicada e discutida com maior abrangência tanto nas organizações da sociedade civil e Estado e hoje inúmeras políticas públicas visam diminuir essas disparidades de gênero que existem, principalmente entre mulheres e homens do campo, ressaltando a sua importância em busca da segurança alimentar e nutricional e de uma alimentação saudável e adequada a todos. 

"Essa é uma luta constante, em que as mulheres, tal como escreveu Cora Coralina, vão descobrindo as muitas mulheres que convivem numa só. É a roceira, a doceira, a gestora do ambiente, a empoderada, a militante, a engajada, a guerreira, a batalhadora e vencedora, que estão sempre em marcha".

 
 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Você sabia que o Ideias na Mesa lançou recentemente a Revista nº 5: Abastecimento – como chegam os alimentos à nossa mesa?

E o [Pensando EAN] de hoje trará alguns trechos da entrevista com Carlos Eduardo Souza Leite, coordenador-geral da Sasop e coordenador da Comissão de Produção, Abastecimento e Alimentação Adequada e Saudável do Consea para a Revista do Ideias na Mesa.

O conselheiro acompanha o tema do abastecimento alimentar desde 2005, quando o Consea apresentou à Presidência da República a proposta de Política Nacional de Abastecimento Alimentar, demonstrando o quanto o abastecimento alimentar está relacionado com a nossa alimentação e integra a agenda de temas fundamentais de garantia da segurança alimentar e nutricional.

“Vivemos em uma so­ciedade capitalista na qual o mercado dita as normas do consumo e às vezes da produção. Por isso, vemos a importância de uma política de abastecimento alimen­tar discutir o papel regulador do estado nessa políti­ca”.

“Porque hoje nós estamos reféns das propagandas, das empresas transnacionais que definem que tipo de produto chega ao supermercado. E se você não tem o Estado como regulador de quem consome e de quem produz, e do que consumir e o que produzir, não va­mos conseguir chegar a uma política de abastecimento justa e que permita à população alimentar-se de forma saudável. ”

Ele pauta o imperialismo das grandes empresas de alimentos e elas nos ditam aquilo que a gente tem que consumir e o Estado deve criar estratégias de abastecimento, colocar em prática com mais eficácia a regulação e fiscalização da propaganda de alimentos.

“O cidadão tem o direito de escolher o que comprar e o que comer”

Ao final da entrevista Carlos Eduardo relaciona o tema abastecimento com o lema da 5ª Conferência Nacional de SAN: “Comida de verda­de no campo e na cidade”:

“O abastecimento é uma das principais “pontes” para o diálogo e a interação entre o campo e a cidade no que diz respeito a ali­mentação saudável. Criar mecanismos de interação entre quem produz e quem consome e descentralizar dos grandes (super)mercados o abastecimento é de­mocratizar o acesso aos alimentos e evitar o crescen­te monopólio dos grandes grupos que concentram o abastecimento nas cidades”.

Você pode ler esta entrevista completa e várias outras coisas sobre abastecimento alimentar em nossa revista, confira em nossa [Biblioteca do Ideias]

 


postado por Luiza Lima Torquato em Quinta-feira, 03 de Outubro de 2013

Você conhece o Acervo Latino-Americano de Segurança Alimentar e Nutricional (AcervoSAN)?

No site originado de um projeto de Extensão da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), vocês encontrarão, além do acervo, uma lista de eventos divulgando congressos, seminários, curso; links de organizações governamentais e não governamentais; e revistas que abordam a temática de Segurança Alimentar na América Latina.

Ainda dentro do AcervoSAN há um espaço para professores e pesquisadores que queiram se integrar a uma rede para divulgação de suas pesquisas na área de SAN por meio do cadastro de pesquisadores.

O objetivo do site é, além de apresentar um acervo virtual no recorte temático de SAN, promover diálogos e fortalecer parcerias entre universidades, pesquisadores e profissionais que trabalham e pesquisam nessa área facilitando processos de intercâmbios interculturais.

Para saber mais, acesse: http://www.acervosan.pro.br/



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