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postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 12 de Julho de 2016

Sabe-se que atualmente, passa-se por um processo de transição nutricional. O conjunto de mudanças nos padrões alimentares, sociais, econômicos e culturais gera o desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade e diabetes. Porém, no geral, a ciência preza pela valorização de um modelo biomédico, dispensando-se a visão de que a obesidade é uma doença multifatorial e que necessita assim, de um olhar humanizado, compreensivo e antropológico. Assim, pelo preconceito enraizado no discurso médico e popular, o obeso torna-se um sujeito “apático, preguiçoso, sem iniciativa e força de vontade”.

Contudo, não só na comunidade científica, mas nos espaços de diálogo, percebe-se o início de uma problematização onde se questiona se o indivíduo realmente possui liberdade de escolha sobre o que come ou se sofre influência e marketing massificados da indústria de alimentos e bebidas. Isto, na realidade, é de extrema importância para os profissionais de saúde e sociedade em geral, pois permite uma visão mais ampla, humanizada e clara para melhor compreender o indivíduo com algum tipo de excesso de peso.  

 

 

Aliás, o documentário FED UP, lançado em 2014 nos Estados Unidos, é uma excelente opção de filme que ilustra muito bem estes conceitos e indaga sobre o papel da indústria nos determinantes alimentares do consumidor, além de tentar desmistificar a culpabilização do indivíduo tão naturalizada em forma de intolerância na nossa sociedade.

Para debater sobre estes questionamentos, o [Pensando EAN] de hoje irá se basear no texto A ciência por trás das estratégias de compra, escrito por Guilherme Ferris, sócio diretor do Instituto Brasileiro de Neuromarketing e Neuroeconomia. Este instituto, aliás, é voltado para pesquisas e compreensão das influências que afetam o comportamento do consumidor com base nos estudos em Neurociência aplicada.

Você já parou para pensar em como as estratégias de marketing, ao longo dos anos, se desenvolveram tão fortemente? E como hoje em dia elas estão extremamente criativas, chamativas e conquistadoras, invadindo a sua casa, escolas, espaços de lazer e trabalho? O que será que as mídias sociais e a ciência têm a ver com isso? E por que será que as empresas parecem saber exatamente o que você quer?

Como tática, as companhias utilizam-se de inúmeros recursos de rastreamento para mapear e identificar o comportamento de consumidores afim de aprimorar as suas estratégias de venda.

"Elas varrem a internet atrás de pistas sobre o que sentimos e compramos e nos sugerem em que devemos gastar nosso dinheiro. Basta ligar o celular, para que saibam exatamente onde estamos e tentem até adivinhar o que vamos fazer. Outdoors já são capazes de filmar nossa expressão diante de um anúncio, óculos futuristas monitoram para onde vai nosso olhar e máquinas de ressonância magnética detectam as emoções que sentimos ao experimentar pela primeira vez o aroma de um novo sabão em pó. Não há limites para a ciência das vendas, que entrou em sua era de triunfo, agora com colaboração não só dos publicitários, mas de craques da computação, neurocientistas, antropólogos e estatísticos".


 

Existem ainda empresas especializadas em realizar este tipo de serviço de rastreamento, onde vendem suas informações a companhias maiores.

"Em um escritório na cidade de Little Rock, EUA, 23 mil servidores da Acxiom processam em torno de 50 trilhões de diferentes dados por ano. São informações como sexo, raça, peso, idade, altura, estado civil, escolaridade, posições políticas, hábitos de consumo, histórico de saúde e principais destinos nas férias de mais de 500 milhões de consumidores ao redor do mundo. Para cada pessoa cadastrada, são cerca de 1.500 dados. “Temos mais de 175 milhões de informações pessoais sobre brasileiros”, afirma Jeff Standridge, vice-presidente da empresa no país. Os dados são considerados públicos, uma vez que são coletados de registros de governo ou de publicações na internet, como blogs e sites pessoais, além de serem comprados de outras empresas, prática permitida por lei."

"Líder mundial no setor, a Acxiom é uma das cerca de 200 empresas no mundo dedicadas a colecionar informações pessoais sobre todo tipo de gente e vendê-las a companhias como HSBC, Toyota, Ford e lojas de departamento como a Macy’s, que podem criar estratégias personalizadas para vender mais. “A chance de desenhar um produto para o gosto de cada um é o Santo Graal do marketing e explica esses bancos de dados gigantescos”, diz Marcelo Träsel, professor de comunicação digital da PUC-RS.".


 

Essas questões já se tornaram inclusive lutas constantes de algumas sociedades de defesa do consumidor dos EUA.

"A possibilidade de se ler o cérebro de alguém para tentar descobrir o que ela quer comprar gerou protestos entre entidades de defesa do consumidor. A Commercial Alert, organização americana que combate os abusos da publicidade, pediu ao Congresso americano a proibição desse tipo de teste nos EUA."

"Esse tipo de manifestação mostra que podemos caminhar para uma regulamentação mais firme sobre essas atividades. Mas enquanto tudo é permitido, programadores criam algoritmos para seguir nossos passos virtuais e pesquisadores se debruçam sobre nosso comportamento para saber como nos atingir com propagandas. “O segredo está em fazer o cliente ver o benefício, como aproveitar os melhores preços e ter a compra de algo que estava procurando facilitada”, diz Balbinot, da Renner."

O artigo, aliás traz um infográfico que traz algumas dicas que podem auxiliá-lo a se proteger desse método de vendas.

 

E aí? Depois de ler esse texto, que tal refletir um pouquinho mais sobre a sua alimentação e sobre o preconceito que alguns indivíduos sofrem por possuírem algum tipo de excesso de peso? É sempre importante quebrar barreiras. 




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