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Posts Relacionados com a(tag):obesidade

postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Já dizia Augusto Cury em seu livro A ditadura da beleza: “As sociedades modernas realmente se tornaram fábricas de pessoas doentes.[...] O culto ao corpo supermagro difundido pela mídia está gerando uma psicose social coletiva que assassina a auto-estima e a auto-imagem de crianças e adultos, inclusive os homens.”

ditadura


O post de hoje vem com a proposta de trazer à tona um assunto extremamente importante de ser discutido e que por sua vez é repleto de preconceitos e barreiras: a obesidade em nutricionistas. Para essa reflexão, foram citados alguns trechos do artigo ”Estigma do nutricionista com obesidade no mundo do trabalho”, publicado em 2015 por Kênya Lima, Paulo Gilvane, Maria do Carmo e Rosa Wanda.


“Problematiza-se aqui o sofrimento do nutricionista que precisa governar o corpo dentro do que defende a racionalidade  médica vigente, de modo  a atender a imagem  que  lhe é socialmente  requerida  e desejada:  para a sociedade  o corpo medido  de um nutricionista  deve atender aos  padrões  antropométricos requeridos  pela ciência.”

 

Sabe-se que atualmente, passa-se por um processo de transição nutricional. Pela mudança nos padrões alimentares, sociais, econômicos e culturais, tem-se o desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, inclusive a obesidade. Porém, no geral, a ciência preza pela valorização de um modelo biomédico, dispensando-se a visão de que a obesidade é uma doença multifatorial e que necessita assim, de um olhar humanizado, compreensivo e antropológico. O obeso torna-se um sujeito “apático, preguiçoso, sem iniciativa e força de vontade”. Não só isso, como seu corpo parece refletir em suas relações sociais e profissionais, já que por não se encaixar nos padrões corporais exigidos pela atual ditadura social, torna-se sinônimo de mal sucedido. Para um nutricionista esta relação pode ser ainda mais opressora. 


“Os colegas (professores) diziam que eu não  podia ser nutricionista gorda daquele jeito. Nutricionista é cruel, principalmente se nunca foi gordo - acha que dieta todo  mundo pode  fazer." (Carol, 39 anos)

Fui demitida porque o ficava bem para uma empresa de alimentação ter uma nutricionista gorda. Depois da demissão devido à obesidade tomei a decisão mais difícil de minha vidafiz a  cirurgia  de  redução de estômago, mas  estou  engordando de novo, e se tiver um jeito de corrigir tudo com outra cirurgia, eu faço!.”  (Rita, 62 anos)

 

A questão é que não só a inserção deste profissional no mercado de trabalho torna-se dificultada, mas também sua manutenção e progressão na carreira, o que gera um enorme sentimento de fracasso e culpa.

“O sofrimento vivido por elas advém do sentimento de desqualificação atribuída pelo outro ao não reconhecer a importância do seu trabalho, podendo acarretar no adoecimento físico e psíquico da nutricionista. Esse fato também é presente na vida de outras mulheres, que revelam situações pelas quais passaram no trabalho e nas quais se sentiram menosprezadas, constrangidas e desrespeitadas.”

O ideal de beleza baseado em um corpo magro oprime nutricionistas obesas, que apesar da sua qualificação, podem sofrer julgamento.

“Eu já consultei nutricionistas e elas só querem saber de  cálculo,  de  técnica, de  contar calorias.  Não olham  para a pessoa por inteiro. Calcular dieta é fácil. Difícil é uma  nutricionista - principalmente se for magra e nunca tiver sido gorda,  entender o  que  um  obeso passa” (Diná, 49 anos)

 

Para saber mais, sugerimos a leitura do artigo indicado. Leia-o na íntegra aqui. E lembre-se:

somos diferentes e bonitas

 

Toda beleza é imperfeitamente bela. Jamais deveria haver um padrão, pois toda beleza é exclusiva como um quadro de pintura, uma obra de arte. (Augusto Cury)



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016

Quer saber mais sobre o vegetarianismo ou veganismo sem aquelas cenas sanguinárias?

O [Comida na Tela] apresenta um documentário super aplaudido pelo mundo e uma ótima opção para quem se interessa em saber mais sobre o vegetarianismo ou veganismo.

Forks over Knives é o primeiro filme a criticar a indústria do fast food e à produção de lácteos sem mostrar cenas de matadouros ou sofrimento animal. 

A produção aborda um dos grandes problemas da sociedade moderna: os graves problemas de saúde que afetam parte significativa da população causados por um cardápio de alimentos de origem animal.

Além disso o documentário aborda mitos e verdades que permeiam o mundo da alimentação sem carne, principalmente sobre a questão da ingestão de proteínas nessas dietas.

Nos mostra também inúmeros depoimentos de médicos que apontam essas dietas como uma boa saída para combater os efeitos de várias doenças degenerativas, pois os médicos mostram que mesmo os derivados animais produzidos organicamente são insustentáveis e nocivos ao meio ambiente e à saúde humana, como também contribui para um sistema alimentar mais sustentável.

Veja o trailer logo abaixo:

Lembramos que o vegetarianismo e o veganismo são algumas das alternativas de uma alimentação saudável e que consultar um nutricionista é sempre o recomendado!



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

A Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado nos Estado Unidos anunciou nesta última sexta feira (06/11) a devolução de $1 milhão de dólares doados pela Coca-Cola após a revelação de que o dinheiro havia sido usado para estabelecer um grupo de pesquisa com o objetivo de minimizar a relação entre o consumo de refrigerantes e obesidade.

Entenda a notícia

Em 2014 a Coca-Cola doou o dinheiro para ajudar na criação da “Global Energy Balance Network” – Rede Global de Balanço Energético, livre tradução – uma ONG formada por cientistas com o objetivo de recomendar a população para focar mais na prática de exercícios e se preocupar menos com o que eles comem ou bebem. De acordo com a matéria do The New York Times de agosto, a parceria financeira entre a Coca-Cola e o grupo levantou criticas de que a empresa estava financiando cientistas para moldar às pesquisas relacionadas à obesidade.

Em resposta a matéria o Diretor Executivo da Coca, Muhthar Kent, revelou que a empresa gastou quase $120 milhões de dólares desde 2010 para pagar pesquisas acadêmicas na área da saúde e para estabelecer parcerias com associações médicas e grupos da comunidade envolvidos com a epidemia de obesidade. Entre as instituições que se beneficiaram deste investimento se encontram a Academia Americana de Pediatria, que recebeu U$ 3 milhões para lançar o website healthychildren.org, e a Academia de Nutrição e Dietética – a maior associação de nutricionistas dos EUA – que recebeu U$1,7 milhões da Coca. Após a revelação, os dois grupos anunciaram o fim das relações com a empresa.

O vice-presidente da Global Energy Balance Network (GEBN) e Educador físico, Dr. Blair, criticou “a mídia” por responsabilizar as redes de fast-food e bebidas açucaradas pelas altas taxas de obesidade no país e falou que “tecnicamente não existem evidências de que, de fato, elas são a causa”.  Além disto, a GEBN lançou uma campanha virtual promovendo o exercício como uma solução para doenças crônicas e obesidade ignorando a importância de uma alimentação adequada.

A professora de nutrição e Saúde Pública da Universidade de Nova York Marion Nestle alertou para o fato de que os cientistas da GEBN financiados pela Coca-Cola tentam promover a ideia de que a obesidade é causada pela falta de exercício e não pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. Ela também disse se sentir orgulhosa com o fato de que as duas associações retornaram o dinheiro e espera que os outros grupos optem pela decisão acertada de interromper este tipo de financiamento.

Leia a matéria do The New York Times. 

O caso brasileiro

Foto: Fernanda Ferrarezi 

No dia 27 de outubro de 2015 a Universidade de Brasília em parceria com o Instituto de Bebidas para Saúde e Bem Estar Coca-Cola e a Faculdade de Educação Física (FEF/UnB) realizaram o 1º Seminário sobre Atividade Física e Esporte na Saúde como atividade de abertura da Semana Universitária.

O evento foi financiado pela Coca-Cola que arcou com os custos técnicos de audiovisual, fornecimento de café da manhã com produtos da empresa, almoço para todos os inscritos no seminário, cachê para os palestrantes e distribuição de cadernos de anotação da Coca-cola.  

Estudantes do Centro Acadêmico de Nutrição (CANUT) julgaram incompatível o financiamento e a presença da multinacional para promover um evento de Saúde dentro da Universidade de Brasília e redigiram uma Nota de Repúdio. Ela foi escrita assim que ficaram sabendo do evento, quatro dias antes, por meio de cartazes que foram afixados na Faculdade de Saúde e panfletos que foram entregues dentro do Centro Acadêmico para que fossem distribuídos.

A nota é estruturada a partir de dois pontos: A alarmante e complexa epidemia de obesidade e sobrepeso com desfecho de doenças presentes no Brasil e no mundo, e o conflito de interesses em uma grande empresa de bebidas açucaradas financiar eventos em parceria com a academia.

Assinaram a Nota os Centros Acadêmicos de Nutrição (CANUT/UnB) e Enfermagem (CAENF/UnB), o Centro de Alimentação Saudável (CASA/UnB), Empresa Júnior de Nutrição (NUTRIR/UnB), Área de Nutrição Social – Departamento de Nutrição (NUT/UnB), Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (OPSAN/UnB) e a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN). Leia a nota.

(Mesa de abertura com o Reitor da UnB Ivan Camargo e Diretora da Coca-Cola)

O caso se assemelha ao ocorrido nos Estados Unidos aonde a Coca-Cola vem tentando se aproximar do ambiente acadêmico investindo grandes quantidades de dinheiro em pesquisas e pesquisadores dispostos a desviar o foco da influência de uma má alimentação no sobrepeso e obesidade, justificado a partir de uma visão reduzida do processo saúde doença.

Este discurso que fortalece os interesses da multinacional, e que levou a Universidade do Colorado a devolver o montante, e a Academia Americana de Pediatria e Academia de Nutrição e Dietética a romperem a parceria com a Coca-Cola, reverberou durante o Seminário na Universidade de Brasília.

Ainda que palestrantes de diferentes áreas estivessem presentes, a ideia de que o problema da obesidade é causado predominantemente pelo sedentarismo foi difundida. Tal visão equivale a enxergar a epidemia da obesidade pelo buraco da fechadura, pois desconsidera os prejuízos do consumo de produtos industrializados e a pressão que o marketing da indústria de alimentos exerce em nossas escolhas.

A aproximação entre a indústria de alimentos e a academia seja para o financiamento de pesquisas ou realização de seminários é extremamente preocupante, pois representa a reprodução de conhecimentos que sirvam aos interesses comercias e não da saúde da população.


 

 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

 

 

As transformações políticas, econômicas e sociais que participaram na construção do nosso modelo de sociedade atual resultaram em um problema constituído como epidemia global: a obesidade infantil. Resultado de inúmeros fatores decorrentes destas transformações, essa pandemia implica em inúmeros problemas de saúde que somente adultos costumavam apresentar, como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares.

No Brasil, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estão com o peso acima do recomendado pelos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), 56% das crianças menores de 1 ano tomam refrigerante. Crianças com sobrepeso aumentam o consumo de fast food quando expostas à publicidade em 134%. Todos estes dados alarmantes, contabilizam em números a nossa realidade.

O [Comida na Tela] de hoje traz um documentário de produção britânica que mostra o cotidiano de 3 famílias distintas, porém com o mesmo problema: o alto consumo de alimentos ultraprocessados e de fast food por seus filhos.

Percebe-se ao longo do filme, que as 3 partilham dos mesmos obstáculos, como o vício em junk food, a dificuldade em instigar a curiosidade das crianças em consumir alimentos saudáveis, e o não hábito de cozinhar com a troca da enganosa “praticidade e facilidade” do fast food. Assim, com a ajuda de especialistas, as famílias tentam realizar uma mudança de hábitos através de processos de conscientização.

 

 

 Um dos pontos chaves que o documentário traz é o ato de cozinhar que sofreu uma considerável diminuição de sua importância, com o bombardeamento de alimentos industrializados pelo lobby empresarial, por exemplo. Porém, essa prática precisa ser urgentemente resgatada. Cozinhar é uma forma de emancipação e autonomia por parte dos indivíduos. É elemento aglutinador e de aproximação entre as pessoas. No filme, as mães queixavam-se que não cozinhavam pois não tinham tempo, precisavam realizar outras atividades, além de que “ causava grande bagunça por conta da louça e sujeira”. Porém, deve-se ter em mente que as mulheres não podem ser única e exclusivamente responsáveis pela alimentação do grupo. Todos precisam participar deste processo, que resulta em benefícios e resultados bastante positivos, como não só a melhora de hábitos, mas como o resgate e preservação de nosso patrimônio tão essencial: a cultura alimentar.

Vale a pena conferir este documentário e refletir!

 

 

 



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quarta-feira, 02 de Setembro de 2015

 A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), é a publicação de destaque do [Biblioteca do Ideias] de hoje.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) é uma pesquisa de base domiciliar, de âmbito nacional, com amostra de 80.000 domicílios em 1.600 municípios, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A PNS fará parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares (SIPD) do IBGE (SIPD, 2007) e deverá ter uma periodicidade de 5 anos. A pesquisa foi planejada para ser representativa para Brasil, Grandes Regiões, Unidades Federativas, Capitais, áreas urbanas e rurais.

A pesquisa é composta por três questionários: o relativo a todos os moradores do domicílio, o domiciliar que se refere às características do domicílio e o individual que é respondido por um morador de 18 anos e mais do domicílio, a fim de gerar dados para a pesquisa sobre as doenças crônicas não transmissíveis, aos estilos de vida, e ao acesso ao atendimento médico que se dão no domicílio.

No morador adulto selecionado, foram feitas aferições de peso, altura, circunferência da cintura e pressão arterial, bem como coleta de sangue para realização de exames laboratoriais para caracterizar o perfil lipídico, a glicemia e a creatinina plasmática, em sub amostra de urina para obter dados do consumo de sal. Se consentido, as amostras de sangue serão armazenadas, sem identificação dos sujeitos, para criação de soroteca.

Volume 1

Os primeiros resultados da PNS foram divulgados no dia 10 dezembro de 2014, com informações sobre doenças crônicas, estilos de vida (consumo alimentar, uso de álcool, atividade física e tabagismo) e percepção do estado de saúde física e mental, além de uma breve descrição da pesquisa, do plano de amostragem e a análise descritiva dos resultados.

A PNS investigou em seu Volume 1 os hábitos de consumo alimentar através de indicadores marcadores de padrões saudáveis e não saudáveis, sendo estes o consumo recomendado pela OMS de frutas, legumes e verduras e o consumo regular de feijão.

Volume 2 

O segundo volume da PNS foi divulgado no dia 02 de junho de 2015, ele traz informações sobre acesso e utilização de serviços de saúde; cobertura do Programa Saúde da Família; cobertura de plano de saúde; saúde bucal; acidentes de trânsito e violências; percepção de discriminação nos serviços de saúde; características dos domicílios; presença de cães e gatos no domicílio, vacinação de animais e dengue.

Volume 3

O terceiro volume da PNS, foi lançado recentemente, no dia 21 de agosto de 2015, nele possui informações sobre a saúde de crianças com menos de 2 anos de idade (consultas médicas, aleitamento materno, testes de diagnóstico precoce - pezinho, orelhinha e olhinho); de indivíduos de 60 anos ou mais, com a funcionalidade da pessoa idosa (atividades de vida diária e atividades instrumentais de vida diária, apoio social, cirurgia de catarata, vacinação contra a gripe); das pessoas com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual); e saúde da mulher (exames preventivos, menarca e menopausa, planejamento familiar, contracepção), com módulo especial sobre o atendimento pré-natal e assistência ao parto (número de consultas, exames realizados, tipo do parto, peso ao nascer). 

O volume 3 também traz resultados de antropometria (déficit de peso, excesso de peso, obesidade e circunferência da cintura aumentada) e pressão arterial (abaixo do normal e elevada). E também alguns dados em relação à alimentação infantil, a pesquisa investigou quais alimentos eram dados às crianças e foi estimado que 60,8% das crianças com menos de 2 anos de idade comiam biscoitos, bolachas ou bolo, e que 32,3% tomavam refrigerante ou suco artificial.

 

 

E em relação á obesidade, a pesquisa traz que mais da metade da população brasileira está acima do peso:

 

                                              Fonte: Ministério da saúde

 

Você pode conferir toda a pesquisa na [Biblioteca do Ideias]: http://goo.gl/ufVD1W



postado por Débora Castilho em Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

O [Biblioteca do Ideias] traz hoje, o artigo cientifico “Participação crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira (1987-2009)”, escrito por Ana Paula Bortoletto Martins e colaboradores. O artigo traz a análise dos dados provenientes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizadas no Brasil em 1987-1988, 1995-1996, 2002-2003 e 2008-2009. O objetivo principal do estudo foi estimar as tendências temporais do consumo domiciliar de itens alimentícios no Brasil, levando em conta a extensão e o propósito do seu processamento industrial.

“Produtos ultraprocessados possuem características peculiares que favorecem o consumo excessivo de energia, como sua frequente comercialização em grandes porções, sua hiperpalatabilidade, sua longa duração e facilidade de transporte, que facilitam o hábito de comer entre refeições e fazer lanches (snacking), além de sua agressiva promoção por meio de persuasivas estratégias de marketing.”

“Estudos em diferentes países mostram que o conjunto dos produtos prontos para o consumo, processados ou ultraprocessados, é mais denso em energia, tem maior teor de açúcar livre, sódio, gorduras totais e gorduras saturadas, e menor teor de proteínas e fibras quando comparados a alimentos in natura ou minimamente processados, combinados a ingredientes culinários.”

No artigo, além da análise da POF, discute-se também sobre a relação do aumento da produção e consumo de alimentos ultraprocessados com a atual pandemia de obesidade e de doenças e agravos não transmissíveis.

Acesse a Biblioteca do Ideias e leia o artigo na íntegra!

Saiba mais sobre Educação Alimentar e Nutricional por meio de vários artigos científicos, publicações, cursos e vídeos, compartilhados através da Biblioteca do Ideias! Não deixe de conferir esse rico acervo!



postado por Débora Castilho em Terça-feira, 14 de Julho de 2015

O texto dessa semana para o [Pensando EAN] é um trecho da entrevista com Maria Emília Lisboa Pacheco, publicada na Revista Ideias na Mesa nº 2. Maria Emília é presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), é antropóloga e participa do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia.

 

 

Vale a pena conferir suas reflexões:

“O Brasil passou por mudanças profundas na produção, na distribuição e no consumo de alimentos. Não é mais possível compreender a obesidade com a abordagem restrita da medicalização. É preciso compreendê-la como um problema intersetorial. O diálogo com outras percepções ajuda a entender a complexidade da obesidade, quando vemos, por exemplo, a relação entre abastecimento e saúde.

É preciso pensar na prevenção da obesidade do ponto de vista dos sujeitos de direitos. Para promover modos de vida saudável, é preciso entender o significado do excesso de peso para diferentes segmentos: os indígenas, as comunidades tradicionais, a população urbana...

Para a obesidade passar a ser uma preocupação coletiva, é preciso afirmar possibilidades. O foco da mobilização tem de estar num processo educativo, de adesão da sociedade para analisar e refletir: “Como está a minha alimentação?”

A obesidade não pode ser considerada um resultado de escolhas individuais: é uma questão complexa que deve envolver vários campos do saber e setores do governo. Para ser enfrentada, exige mobilização popular e vontade política”.

Veja a entrevista completa e leia mais sobre o assunto na Revista Ideias na Mesa nº 2:

 

 


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Este é o título da campanha lançada no dia 23 de junho pela Center For Science in The Public Interest (CSPI) em Washington, EUA. A campanha trás pessoas afetadas na vida real por diabetes, decaimento dentário, ganho de peso e outras doenças associadas ao consumo de refrigerantes, participando da regravação e paródia de um anúncio icônico realizado pela Coca-Cola em 1971 intitulado "Hilltop" - no topo da montanha, livre tradução.      

O anúncio de 1971 terminava com os atores cantando "Eu gostaria de ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia", "Eu gostaria de comprar uma coca e manter a companhia". De acordo com a organização sem fins lucrativos pela Defesa da Saúde que dirigiu o vídeo da CSPI, é a hora de mudar a melodia, e é esta a mensagem que o vídeo passa.

"Nos últimos 45 anos, a Coca-Cola e outras marcas de refrigerantes se utilizaram das mais sofisticadas e manipuladoras técnicas de marketing para convencer crianças e adultos de que um bebida promotora de doenças vai fazer eles se sentirem felizes", conta o Micheal F. Jacobson, diretor executivo da CSPI. Ele completa, "É uma campanha de lavagem cerebral multibilionária desenvolvida para distrair-nos da diabetes com pensamentos felizes. Nós achamos que era a hora de mudar a melodia".    

Refrigerantes e outras bebidas açucaradas são as principais fontes de calorias na dieta dos Americanos, e aumentam os riscos de desenvolver diabetes, decaimento dentário, e ganho de peso - condições encontradas nos pacientes do Hospital de Denver que participaram da filmagem.

"Estas bebidas são apenas uma das várias razões que contribuem para doenças, porém é a mais significativa", afirma Dr. Jeffry Gerber, um dos médicos do Hospital que aparecem na gravação. "Por ser um médico que pergunta aos meus pacientes sobre os alimentos e bebidas que eles escolhem, eu vejo a conexão entre consumo de bebidas e condições crônicas como as aqui descritas. É difícil de pedir aos pacientes que façam o consumo moderado quando anúncios presentes em vários lugares os persuade a um consumo exacerbado."

Você pode ajudar a campanha divulgando mensagens e compartilhando o vídeo nos seguintes meios virtuais:

Twitter

Facebook: 





postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

O periódico britânico “The Lancet” divulgou um infográfico mostrando como os governos podem agir em diferentes etapas da cadeia produtiva, que envolve produtores, vendedores de alimentos, ambientes escolares e os indivíduos, afim de promover mudanças culturais que direcionem para uma alimentação mais saudável.

Este material faz parte da “Obesity 2015 series (série de publicações sobre obesidade 2015 - livre tradução) que em fevereiro deste ano divulgou artigos relacionando vulnerabilidades socioeconômicas, biológicas e psicológicas com a obesidade, tendo como responsável os ambientes desfavoráveis para uma alimentação saudável que impera nos dias de hoje.

 

Fonte infográfico: The Lancet

O infográfico mostra os componentes de um sistema alimentar como uma rede interconectada de produtores, indústrias e instituições, com os indivíduos no coração das relações. A legenda no canto inferior mostra os caminhos que podem ser modificados em direção a uma alimentação de melhor qualidade através de políticas governamentais ou por mudanças individuais e no sistema alimentar.

Alguns exemplos de atitudes que governos devem tomar parte são: Restrição do marketing direcionado para crianças, taxação de produtos não-saudáveis, subsídio para alimentos saudáveis, promover educação para uma alimentação saudável, entre outras. Em relação às mudanças por parte da população e produtores sugere-se: Reformulação de produtos com menos ingredientes não-saudáveis, aumentar o espaço nas prateleiras destinado a alimentos saudáveis, fornecer alimentos saudáveis para crianças, influenciar uns aos outros como próprios modelos e agentes de mudança do sistema, entre outras.

A sugestão é que ações regulatórias sejam tomadas a nível governamental e que haja um maior envolvimento e compromisso da sociedade civil e das indústrias para melhorar a qualidade da alimentação.


 



postado por Débora Castilho em Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

Em outubro de 2014, o Plano de Ação para a Prevenção da Obesidade em Crianças e Adolescentes foi aprovado pelo 53º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e foi disponibilizado inicialmente nas versões em inglês e espanhol e agora no ano de 2015 o documento foi traduzido para a língua portuguesa.

O objetivo geral do plano de ação é prevenir o aumento da obesidade em crianças e adolescentes, atuando principalmente na promoção da alimentação saudável e no estimulo à prática de atividade física.

O plano de ação propõe cinco estratégias com intuito de parar o crescimento da epidemia da obesidade em crianças e adolescentes nas Américas:

  1. Proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno e melhoria da prática da alimentação complementar;
  2. Promoção da alimentação saudável e prática de atividade física no ambiente escolar;
  3. Regulamentação da publicidade de alimentos;
  4. Estímulo às ações intersetoriais de promoção da saúde;
  5. Vigilância, pesquisa e avaliação.  
 
plano de ação
 

A obesidade em crianças e adolescentes alcançou proporções epidêmicas nas Américas. Mesmo que as causas dessa epidemia sejam complexas e seja preciso contar com mais pesquisas, muito se sabe sobre as consequências da obesidade infantil e as ações necessárias para impedi-la. 

O Plano de ação traz diversas justificativas para a prevenção da obesidade em crianças e adolescentes, dentre elas estão que:

- A amamentação materna pode reduzir a prevalência de sobrepeso e obesidade em cerca de 10%.  O aleitamento materno também pode ajudar as mães a perder peso mais rapidamente após a gravidez;

- Quanto mais cedo o indivíduo fica com sobrepeso ou obeso, maior é o seu risco de permanecer com sobrepeso ou obeso com o avançar da idade;

- A obesidade tem consequências adversas para a saúde em idade precoce, pois aumenta o risco de asma, diabetes tipo 2, apneia do sono e doenças cardiovasculares. Essas doenças, por sua vez, afetam o crescimento e o desenvolvimento psicossocial durante a adolescência e, posteriormente, comprometem a qualidade de vida e a longevidade;

- Como os hábitos alimentares são constituídos na infância, a promoção e consumo de produtos energéticos com poucos nutrientes, bebidas açucaradas e fast foods na infância interfere com a formação de hábitos alimentares saudáveis.

No que diz respeito à comunicação mercadológica, os objetivos são sancionar a regulamentação para proteger crianças e adolescentes do impacto da publicidade de bebidas açucaradas, produtos energéticos com poucos nutrientes e fast-foods e instituir normas para a rotulagem na frente da embalagem para facilitar a rápida identificação de alimentos não saudáveis.

Um dos argumentos apresentados pelo documento para a regulamentação é que as crianças são incapazes de discernir a intenção persuasiva da publicidade de alimentos e bebidas com baixo valor nutricional, que estão associadas ao risco de sobrepeso e obesidade infantil. O documento também coloca que, como essas campanhas promocionais fogem ao controle dos pais, representam uma questão ética e de direitos humanos.

 Confira na Biblioteca do Ideias na Mesa a versão completa do plano de ação. Acesse aqui e compartilhe essa ideia!



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