Ideias na Mesa - Blog


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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016

Que tal fazer EAN com músicas? E cantar músicas da Música Popular Nutritiva?

É o que apresentaremos no [Você no Ideias] de hoje. Viaje e inspire-se nessa canção!

Essa foi experiência realizada pelo Sesc Rio nas escolas da Baixada Fluminense com o objetivo de promover saúde, a alimentação saudável através da música, através do Projeto MPN – Música Popular Nutritiva.

Assim busca-se também prevenir doenças como hipertensão arterial e diabetes, assim como doenças cardiovasculares, visto o número elevado que essas doenças se tem apresentado nas crianças.

 

Foram feitas palestras-show explicando e divulgando a importância da alimentação saudável e as bases instrumentais saem do computador e o canto é ao vivo, com paródias e músicas, todas compostas e tocadas nutricionista idealizadora do Projeto.

Veja toda essa experiência aqui.


 

Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Tânia Bicalho, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 01 de Setembro de 2015


“Pelos campos há fome em grandes plantações

Pelas ruas marchando indecisos cordões 

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão 

E acreditam nas flores vencendo o canhão”


Quem nunca ouviu essa música do grande Geraldo Vandré?!

Nessa música de protesto, o cantor retrata a fome e a miséria que assolava as populações rurais do Brasil na época da ditadura e do “milagre econômico brasileiro”

O [Pensando EAN] de hoje traz algumas reflexões sobre fome e consumo de vários alimentos, que foram destacados por meio da música popular brasileira, presente no artigo dos professores Francisco de Vasconcelos, Mariana Perrelli e Iris de Vasconcelos publicado esse ano.

O artigo investiga essas canções na época da ditadura militar no Brasil (1964-1985), com foco na análise das canções de protesto, gênero musical caracterizado por críticas estético-cultural, político-ideológica e social aos governos militares, período no qual surgiram nomes da MPB como, Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Ivan Lins, Milton Nascimento, entre outros.

“Evidenciamos que a canção de protesto retratou elementos dos contextos econômico, político e social, e propiciou a difusão de hábitos e ideologias alimentares saudáveis ou não saudáveis, contribuindo para a construção da identidade alimentar brasileira”.

“ Em 1976, a dupla João Bosco e Aldir Blanc, na canção “O ronco da cuíca”, presenteiam-nos com uma instigante abordagem sobre a origem da fome:

A raiva dá pra parar, pra interromper.

A fome não dá pra interromper.

A raiva e a fome é coisas dos home.

A fome tem que ter raiva pra interromper.

A raiva é a fome de interromper.

A fome e a raiva é coisas dos home (Bosco, Blanc, 1976b) ”.


“ Na canção “Gente”, Caetano Veloso (1977) retrata de forma poética o contexto de miséria e de fome vivenciado por significativa parcela da população de trabalhadores brasileiros no pós-milagre econômico:

Gente lavando roupa, amassando pão,

Gente pobre arrancando a vida com a mão,

No coração da mata, gente quer prosseguir,

Quer durar, quer crescer,

Gente quer luzir ...

Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome (Veloso, 1977) ”.

 

“ Em 1987, os Titãs (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sergio Brito), compuseram a canção “Comida”, em que a fome ganha dimensão bem apropriada ao contexto de luta pela redemocratização que o país vivenciava – a fome de democracia, cultura, diversão, arte e felicidade:

A gente não quer só comida.

A gente quer comida, diversão e arte.

A gente não quer só comida.

A gente quer saída para qualquer parte.

A gente não quer só comida.

A gente quer bebida, diversão, balé.

A gente não quer só comida.

A gente quer a vida como a vida quer.

Bebida é água! Comida é pasto!

Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?

A gente não quer só comer.

A gente quer comer e quer fazer amor.

A gente não quer só comer.

A gente quer prazer pra aliviar a dor (Antunes, Fromer, Brito, 1987) ”.


O artigo também contextualiza o quanto a luta contra a ditadura e pela redemocratização do país foi importante para o movimento sanitário brasileiro, de forma que foi possível a formulação e construção do SUS (Sistema Único de Saúde) e ampliou o movimento na luta pelo Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). Contudo para além dessas conquistas na saúde e nutrição, é frisado e analisado nas músicas o quanto o marketing e o consumo de alimentos industrializados ganharam força de consumo em nosso país durante aquela época.

“A canção de protesto “Alegria, alegria”, lançada em 1967, retrata de forma magistral a importância que o consumo do refrigerante Coca-Cola já representava no final dos anos 1960 para os hábitos alimentares dos jovens brasileiros: “Eu tomo uma Coca-Cola / ela pensa em casamento / uma canção me consola / eu vou” (Veloso, 1968)”.


“De fato, a introdução do consumo de Coca-Cola nos hábitos alimentares brasileiros tem sido creditada aos soldados norte-americanos, que no decorrer da Segunda Guerra Mundial (1941-1945) faziam paradas obrigatórias em Pernambuco (Recife) e Rio Grande do Norte (Natal) antes de prosseguir em seus navios e aviões para a Europa”.

“Naquele período foram implantadas as primeiras fábricas do refrigerante no Brasil e a partir de então foram desencadeadas as ricas campanhas publicitárias para a ampliação de seu consumo. Alguns slogans das campanhas tais como “isto faz um bem” (1959), “tudo vai melhor com Coca-Cola” (1966) e “Coca-Cola dá mais vida” (1972) denotam muito bem o apelo de marketing que os produtores desse refrigerante estrategicamente utilizaram para ampliar a adesão ao consumo desse importante símbolo do american way of life entre os jovens brasileiros (Coca-Cola..., 2013) ”.

Ao longo do artigo é possível identificar o quanto essas músicas retratam aquele contexto histórico e denunciam a fome, miséria, violência e outras explorações, ao mesmo tempo que foram veículos de difusão de novos hábitos e ideologias alimentares.

Você pode conferir esse artigo completo na [Biblioteca do Ideias]http://goo.gl/kpCS5n



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 09 de Julho de 2015

Friedrich Nietzsche já dizia que "Sem a música, a vida seria um erro". Neste sentido, o professor do IF Baiano Sérgio Ricardo Matos Almeida possuí uma proposta bastante interessante utilizando-se da música como ferramenta de ensino em sala de aula.

O trabalho já vem sendo realizado pelo professor há alguns anos, e consiste na divulgação de informações técnico-científicas em forma de versos rimados e síntese de assuntos de Agroecologia abordados em sala de aula. Esta metodologia foi denominada por Sérgio como "Pedagogia da rima" e apresenta grande aceitação entre os estudantes.

No final de maio Sérgio lançou um CD com 8 músicas durante o III Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em Recife - PE. Você pode conferi-las gratuitamente acessando seu canal no youtube. O primeiro CD apresenta faixas sobre os seguintes temas: Agroecologia e Agricultura Orgânica,Tecnologia Tropical, O Solo é um Ser Vivo, Teoria da Trofobiose, Leis da Adubação, Água nossa de cada dia, Canção da Manipueira e O Espelho de Gandhi.  

Neste vídeo sobre trofobiose por exemplo em um dos trechos da música fala sobre os impactos negativos das monoculturas: "Se criam pragas e doenças pelo desequilíbrio, é lógico, ambiental e nutricional e pelo uso de agrotóxicos".

Já neste vídeo as vantagens da agricultura agroecológica e orgânica são abordadas: "Agricultura orgânica é pratica de valor, pois protege a saúde do sábio agricultor. Não usa agroquímicos, produz sem contaminar. Conserva o ambiente a terra, a água e o ar".

A Pedagogia da Rima se mostra como uma ferramenta de educação inovadora que pode aumentar o interesse dos estudantes pelo tema da agroecológico e da alimentação saudável. Além disto, ela pode se configurar como uma estratégia de Educação Alimentar e Nutricional ao passar conceitos.  



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Quem nunca ouviu uma música de Luiz Gonzaga? Ainda mais nessa época de festa junina é quase impossível né?!

Já reparou o tanto que Gonzaga canta as práticas alimentares do Nordeste em suas músicas?

Foi o que analisou a doutora em educação, Ariza Maria Rocha, em seu artigo: Luiz Gonzaga canta as práticas alimentares do nordeste do Brasil, caracterizando a obra como um documento histórico e uma fonte inesgotável para conhecer o “de comer” do nordestino.

O Rei do Baião, como é conhecido em todo o Brasil, cantou com primazia a cultura nordestina, os saberes, hábitos e práticas que envolvem a alimentação da região, com a presença dos alimentos típicos, das feiras características e até algumas festas tradicionais.

"A música tem o poder de expressar os sentimentos, revelar a memória, conhecer as representações sociais, o contexto político e o imaginário popular, além da capacidade de dialogar com o conhecimento histórico"

Por exemplo na música "A Feira de Caruaru", predomina elementos das feiras, alguns alimentos típicos, como a mandioca, o pirão mixido, o angu entre outros, veja no trecho da música abaixo:

A Feira de Caruaru / Faz gosto a gente vê / De tudo que há no mundo / Nela tem pra vendê / Na feira de Caruaru / Tem massa de mandioca / Batata assada, tem ovo cru / Banana, laranja, manga / Batata, doce, queijo e caju / Cenoura, jabuticaba / Guiné, galinha, pato e peru / Tem bode, carneiro, porco / Se duvidá... inté cururu / Tem cesto, balaio, corda / Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu /Tem fumo, tem tabaqueiro / Feito de chifre de boi zebu / Caneco acuvitêro / Penêra boa e mé de uruçú / Tem carça de arvorada / Que é pra matuto não andá nu / Tem rêde, tem balieira / Mode minino caçá nambu / Maxixe, cebola verde / Tomate, cuento, couve e chuchu / Armoço feito nas cordas / Pirão mixido que nem angu / Mubia de tamburête / Feita do tronco do mulungu / Tem louiça, tem ferro véio / Sorvete de raspa que faz jau / Gelada, cardo de cana / Fruta de paima e mandacaru / Bunecos de Vitalino / Que são cunhecidos inté no Sul / De tudo que há no mundo / Tem na Feira de Caruaru (ALMEIDA, 1957. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Gonzaga cantou também elementos bem característicos da cozinha nordestina, como na música "Feijão cum côve", registrando a presença de alimentos que complementam as refeições, como a manteiga, banha ou o açucar:

Ai que será? / Tenho prantado / Muita côve no quintá / Ai o que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? / Cadê a banha? / Pra panela refogá / Cadê açúcar? / Pro café açucará / Cadê manteiga? / Leite e pão / Onde é que tá? / Cadê o lombo? / Cadê carne de jabá? / Já tou cansado / De escutá o doutor falá / Que quarqué dia / As coisas têm que melhorá / Sem alimento / Num se pode trabaiá / Por que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? (GONZAGA; PORTELLA, 1946. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Na música "Farinhada", o cantor traz a mandioca, alimento tão apreciado na região. "É da mandioca que sai a goma, a farinha, o beiju, a tapioca e os bolos, que são muito apreciados pela região. A transformação da mandioca para o produto final acontece nas Casas de Farinha, e esse processo que compreende desde a colheita da mandioca, ralação, prensa e secagem nos fornos é chamado de farinhada. Este momento é marcado por um árduo trabalho, mas também é um momento de socialização por haver o encontro com vizinhos, de gerações e de casais, surgindo daí alguns namoricos". Veja o trecho abaixo dessa música:

Tava na poeira / Eu tava peneirando / Eu tava no namoro / Eu tava namorando / Na farinhada / Lá na serra do Teixeira / Namorei uma cabocla / Nunca vi tão feiticeira / A meninada / Descascava a macaxeira / Zé Migué no caititu / E eu e ela na poeira / O vento dava / Sacudida a cabeleira / Levantava a saia dela / No balanço da peneira / Fechei os óios / E o vento foi soprando / Quando deu um redemoinho / Sem querer tava espiando / De madrugada / Nós fiquémo ali sozinho / O pai dela soube disso / Deu de perna no caminho / Chegando lá / Até riu da brincadeira / Nós estava namorando / Eu e ela na poeira (GONZAGA; DANTAS, 1982 In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Os alimentos presentes nas músicas do Rei do Baião representam o patrimônio imaterial e revela aspectos da identidade alimentar da região nordeste do Brasil, fazendo sua obra uma das mais importantes da música popular brasileira.



postado por Lucas Ferreira em Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Se você gosta de música, provavelmente já ouviu falar de intrumentos alternativos, feitos de ossos, bambu, garrafa e sucata. Mas o que você acha de ouvir uma orquestra feita com comida?

Pois é, a gente conhece o sabor, a cor e a aparência da comida, mas quem já se questionou qual o som de uma flauta de cenoura? Ou talvez de um tambor de abóbora? A criatividade de alguns grupos que tocam música com vegetais gerou inúmeros instrumentos. Dá uma olhada nesses, criados e tocados pela The Vegetable Orchestra (A Orquestra de Vegetais):

Instrumentos de vegetais
Essa Orquestra passa pelas feiras locais ao caminho da sua apresentação. Por esse motivo, eles dependem da produção local, e se adaptam aos vegetais de cada país que percorrem em seu tour. Depois de uma apresentação, parte dos instrumentos vira uma sopa da qual os espectadores se servem à vontade. Você pode checar as informações e tirar dúvidas sobre o projeto aqui.
Confira uma música apresentada por eles no último álbum, ONIONNOISE:
 
 
E por que não usar essa ideia em Educação Alimentar Nutricional? O artista plástico Eric Van Osselaer usa esse tipo de intrumento para colocar crianças em contato com os vegetais. Ótima forma de chamar a atenção dos pequeninos para as comidas que eles geralmente deixam de lado. Confira o vídeo do projeto ORGABITS:

Pra quem curte música eletrônica, os vegetais também criam sons impressionantes. O músico j. viewz usou um sintetizador pra tocar Teardrop com uma cenoura, três morangos, duas beringelas, alguns cogumelos e um kiwi. O resultado foi esse:

Outro músico usa vegetais como flautas, ocarinas, trombones e outros instrumentos de sopro. O professor de música Junji Koyama criou um canal no youtube mostrando seus instrumentos feitos a partir de brócolis, cenouras, nabos, e pimentões. 

Koyama também ensina no seu canal a produzir os intrumentos. Infelizmente, as instruções são em japonês, mas coletamos um passo a passo pra que você também possa montar sua banda de comida! Além de serem biodegradáveis, os instrumentos não gastam enegia e podem ser reutilizados. Dá uma olhada no tutorial pra flauta de cenoura (legendas em português), e mãos à obra!

Não esqueça de higienizar bem seus instrumentos e usá-los numa sopa bem nutritiva depois, hein? A campanha #raspeioprato continua! 



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