Ideias na Mesa - Blog


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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 04 de Agosto de 2015

O [Pensando EAN] de hoje relembra as comidas de rua do passado que compõem a identidade alimentar e culinária brasileira, baseado no post do blog A Sacola Brasileira.

Hoje é comum comermos nas ruas, sentados em calçadas ou até mesmo em pé de frente à uma barraquinha de comida de rua.

Mas você sabia que essa prática é datada desde os tempos da colonização? As comidas de rua eram uma alternativa de alimentação e trabalho para os pobres e escravos de “ganho”, que trabalhavam fora da casa grande.

“As vendas de comidas na rua constituíram um tipo de comércio que fortaleceu o abastecimento miúdo de alimentos nas cidades, especialmente até a segunda metade do século 19 quando começaram as surgir os primeiros locais para se comer fora de casa, como restaurantes, cafés e confeitarias por influência europeia. O tabuleiro das quitandeiras era preenchido então por frutas, verduras e por refeições rápidas e petiscos. Comida barata, preparada com antecedência ou feita ali, na frente do comprador”.

Essas vendas de comida de rua aconteciam nos grandes centros do país e os escravos eram os principais protagonistas dessas vendas, como conta no post o professor Almir El-Kareh, autor do livro “A vitória da feijoada”:  “Estes escravos, além das tarefas propriamente domésticas, como cozinhar, lavar, passar, limpar e cuidar da pessoa de seus patrões, se entregavam a trabalhos ‘produtivos’, lucrativos, que geravam a renda de sua senhora, ou seja, à produção de bordados e, especialmente, de comidas para serem vendidas na rua, por ambulantes”.

“E com que tipo de comida eram preenchidos os tabuleiros das quitandeiras e doceiras? Fatiada, misturada e remexida por mãos negras, a comida ambulante tinha forte herança africana, especialmente em centros como Salvador e Rio de Janeiro, onde os contingentes de escravos foram historicamente maiores. Daí a ocorrência de muitos preparados identificados com a chamada “comida de santo” que pinçava aspectos da religiosidade com os orixás, com muito óleo de dendê e coco”.

“A combinação de espaço, tempo histórico, oferta de alimentos, diversos grupos etnográficos envolvidos, dentre tantos outros fatores determinaram as escolhas feitas à época para as primeiras comidas de rua do país”.

Depois dessa viagem ao passado alimentar do Brasil, é importante ressaltar a valorização e a contribuição dos diversos povos e suas culturas à culinária brasileira.

A chef Ana Soares propõe uma releitura daqueles antigos tabuleiros de comida e fazê-los voltar às ruas na cozinha de um food truck, até que seria uma ideia genial hein?!

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

Você já ouviu falar no chef e crítico culinário Nigel Slater?

O [Comida na Tela] traz hoje o filme que retrata a vida desse renomado chef de cozinha britânico. A produção foi lançada em 2010 e foi dirigida por S. J. Clarkson e conta com as atuações magníficas do Freddie Highmore (A Fantástica Fábrica de Chocolate) e da atriz Helena Bonham Carter (Saga Harry Potter).

A trama gira em torno da história de Nigel, uma criança fascinada por culinária, mas que vive uma vida enlatada, pois sua mãe não sabe cozinhar e compra alimentos enlatados para compor todas as refeições da família, pois vê nas comidas industrializadas, uma segurança extrema de bem-estar de sua família, o que não afeta o amor por sua mãe.

 

Nigel mesmo diante da proteção extrema de sua mãe, deseja comer uma refeição que não seja artificial e conhecer o mundo mais amplo da alimentação e da culinária.

Após a morte de sua mãe, o jovem Nigel sofre pela ausência de sua protetora e vive uma dificuldade em se relacionar novamente com seu pai, principalmente depois da chegada de uma governanta para casa e que mais tarde se tornaria sua madrasta.

O dilema de Nigel com sua madrasta fica mais intenso quando ele se descobre na culinária, visto que ela também é uma exímia cozinheira, os dois começam a disputar a atenção do Sr. Slater, o pai do menino, através da comida.

 

O longa nos presenteia com uma fotografia impecável, carregada de cores e detalhes principalmente nos alimentos e nos vestidos que a madrasta de Nigel usa, sempre estampados de alimentos bem coloridos.

No filme, o principal prato de disputa entre o menino e sua madrasta Sr. Potter é uma deliciosa torta de limão que o canal Tastemade Brasil e o Comida de Cinema nos mostra como se faz passo a passo, veja e delicie-se: Comida de Cinema – Torta de Limão “Toast”.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Quem nunca ouviu uma música de Luiz Gonzaga? Ainda mais nessa época de festa junina é quase impossível né?!

Já reparou o tanto que Gonzaga canta as práticas alimentares do Nordeste em suas músicas?

Foi o que analisou a doutora em educação, Ariza Maria Rocha, em seu artigo: Luiz Gonzaga canta as práticas alimentares do nordeste do Brasil, caracterizando a obra como um documento histórico e uma fonte inesgotável para conhecer o “de comer” do nordestino.

O Rei do Baião, como é conhecido em todo o Brasil, cantou com primazia a cultura nordestina, os saberes, hábitos e práticas que envolvem a alimentação da região, com a presença dos alimentos típicos, das feiras características e até algumas festas tradicionais.

"A música tem o poder de expressar os sentimentos, revelar a memória, conhecer as representações sociais, o contexto político e o imaginário popular, além da capacidade de dialogar com o conhecimento histórico"

Por exemplo na música "A Feira de Caruaru", predomina elementos das feiras, alguns alimentos típicos, como a mandioca, o pirão mixido, o angu entre outros, veja no trecho da música abaixo:

A Feira de Caruaru / Faz gosto a gente vê / De tudo que há no mundo / Nela tem pra vendê / Na feira de Caruaru / Tem massa de mandioca / Batata assada, tem ovo cru / Banana, laranja, manga / Batata, doce, queijo e caju / Cenoura, jabuticaba / Guiné, galinha, pato e peru / Tem bode, carneiro, porco / Se duvidá... inté cururu / Tem cesto, balaio, corda / Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu /Tem fumo, tem tabaqueiro / Feito de chifre de boi zebu / Caneco acuvitêro / Penêra boa e mé de uruçú / Tem carça de arvorada / Que é pra matuto não andá nu / Tem rêde, tem balieira / Mode minino caçá nambu / Maxixe, cebola verde / Tomate, cuento, couve e chuchu / Armoço feito nas cordas / Pirão mixido que nem angu / Mubia de tamburête / Feita do tronco do mulungu / Tem louiça, tem ferro véio / Sorvete de raspa que faz jau / Gelada, cardo de cana / Fruta de paima e mandacaru / Bunecos de Vitalino / Que são cunhecidos inté no Sul / De tudo que há no mundo / Tem na Feira de Caruaru (ALMEIDA, 1957. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Gonzaga cantou também elementos bem característicos da cozinha nordestina, como na música "Feijão cum côve", registrando a presença de alimentos que complementam as refeições, como a manteiga, banha ou o açucar:

Ai que será? / Tenho prantado / Muita côve no quintá / Ai o que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? / Cadê a banha? / Pra panela refogá / Cadê açúcar? / Pro café açucará / Cadê manteiga? / Leite e pão / Onde é que tá? / Cadê o lombo? / Cadê carne de jabá? / Já tou cansado / De escutá o doutor falá / Que quarqué dia / As coisas têm que melhorá / Sem alimento / Num se pode trabaiá / Por que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? (GONZAGA; PORTELLA, 1946. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Na música "Farinhada", o cantor traz a mandioca, alimento tão apreciado na região. "É da mandioca que sai a goma, a farinha, o beiju, a tapioca e os bolos, que são muito apreciados pela região. A transformação da mandioca para o produto final acontece nas Casas de Farinha, e esse processo que compreende desde a colheita da mandioca, ralação, prensa e secagem nos fornos é chamado de farinhada. Este momento é marcado por um árduo trabalho, mas também é um momento de socialização por haver o encontro com vizinhos, de gerações e de casais, surgindo daí alguns namoricos". Veja o trecho abaixo dessa música:

Tava na poeira / Eu tava peneirando / Eu tava no namoro / Eu tava namorando / Na farinhada / Lá na serra do Teixeira / Namorei uma cabocla / Nunca vi tão feiticeira / A meninada / Descascava a macaxeira / Zé Migué no caititu / E eu e ela na poeira / O vento dava / Sacudida a cabeleira / Levantava a saia dela / No balanço da peneira / Fechei os óios / E o vento foi soprando / Quando deu um redemoinho / Sem querer tava espiando / De madrugada / Nós fiquémo ali sozinho / O pai dela soube disso / Deu de perna no caminho / Chegando lá / Até riu da brincadeira / Nós estava namorando / Eu e ela na poeira (GONZAGA; DANTAS, 1982 In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Os alimentos presentes nas músicas do Rei do Baião representam o patrimônio imaterial e revela aspectos da identidade alimentar da região nordeste do Brasil, fazendo sua obra uma das mais importantes da música popular brasileira.



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