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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

Valorizando o papel das mulheres roceiras, doceiras, poetisas, feirantes, trabalhadoras rurais e urbanas dentro do contexto da educação alimentar e nutricional o [Pensando EAN] e aproveitando 5ª Edição da Marcha das Margaridas que tem por lema esse ano: “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”abordará algumas reflexões da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia: Mulheres roceiras, mulheres doceiras e as muitas mulheres que convivem numa só, sobre o papel dessas mulheres em seus contextos sociais e familiares com a alimentação.

É inegável o papel da mulher, seja nossa avó, mãe ou tias, dentro da cultura e na formação da identidade alimentar de nossas vidas. O papel das mulheres como produtoras de bens, gestoras do ambiente e portadoras de uma lógica não destruidora da natureza, já é visto como fundamental dentro de nossa sociedade e mostrou-se necessário a necessidade do empoderamento destas perante a sociedade, dando-lhes autonomia econômica, cutural e política.

Cora Coralina, doceira, poeta e agricultora, partilhou a ideia de que várias mulheres convivem numa só: “vive dentro de mim a mulher cozinheira (…); a mulher do povo (…); a mulher roceira, (…), trabalhadeira, madrugadeira, bem parideira, bem criadeira (…)”

Cora, escritora exímia e doceira de mão cheia, que sempre trouxe em suas poesias referências e um resgate ao comer, militou em diversas causas a favor da mulher, entre as quais, o voto feminino e sua história é revivida repetidas vezes sem perder a força e graça na vida de mulheres do campo.

"É o caso de Dona Juju, de 69 anos, moradora do município de Magé, Região Metropólitana do Rio de Janeiro. De família de agricultores, nasceu e foi criada na roça. Já foi cozinheira, costureira, garçonete, serviu cafezinho na rádio Tupi, onde até fazia comentários no ar, mas foi na lavoura que encontrou motivação e prazer. Juju conta das dificuldades em ser reconhecida como agricultora tanto pelo sindicato rural como pelas entidades governamentais de assessoria técnica. O caminho para se manter na roça começou pelos doces. Numa cozinha comunitária, junto com as amigas Lourdes e Guida, transformou sua colheita em geleias e compotas". 

"Mesmo em meio aos vários papéis que exercem no dia a dia, essas guerreiras não perdem a força nem o riso. Sempre sorriem quando olham para o futuro. E se são indagadas sobre o que é ser agricultora, as roceiras, doceiras e feirantes, descobrem-se poetas. A poesia também é para comer. Se a comida alimenta o corpo, as palavras alimentam a alma". 

De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA revela o quanto os quintais domésticos são relevantes para autonomia dessas mulheres e que a agricultura urbana deve ser incentivada: “O quintal é o lugar da segurança alimentar, da tradição, da complementação da renda da família e de estratégias de conservação da biodiversidade”.

"No lugar onde florescem frutos e folhas que alimentam e cuidam de suas casas, florescem as oportunidades para superar as condições desiguais das relações sociais de gênero". 

O reconhecimento da mulher na produção de alimentos vem sendo reivindicada e discutida com maior abrangência tanto nas organizações da sociedade civil e Estado e hoje inúmeras políticas públicas visam diminuir essas disparidades de gênero que existem, principalmente entre mulheres e homens do campo, ressaltando a sua importância em busca da segurança alimentar e nutricional e de uma alimentação saudável e adequada a todos. 

"Essa é uma luta constante, em que as mulheres, tal como escreveu Cora Coralina, vão descobrindo as muitas mulheres que convivem numa só. É a roceira, a doceira, a gestora do ambiente, a empoderada, a militante, a engajada, a guerreira, a batalhadora e vencedora, que estão sempre em marcha".

 
 



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