Ideias na Mesa - Blog


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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 31 de Março de 2016

A ONG ACT está promovendo a campanha #DietaFail com várias posts e fotos para mostrar o que há por trás a propaganda de alguns produtos ultraprocessados, bebidas alcoólicas e açucaradas.

Esses produtos são os principais causadores das doenças crônicas não transmissíveis como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares.

Participe também dessa iniciativa e crie sua "propaganda" e poste com a hastag #DietaFail.

Faça sua foto e crie seu slogan!

Saiba mais: http://limitetabaco.org.br/dcnt

Veja alguns exemplos: 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 13 de Outubro de 2015

O [Pensando EAN] de hoje traz uma reflexão importante não só à prática profissional do nutricionista e de outras áreas da saúde em geral, mas de toda a sociedade, que atualmente, vive um momento de inúmeras dúvidas e anseios a respeito da alimentação.

Escrito por Elaine de Azevedo, e publicado em 2015, “ Liberem a dieta” é um artigo extremamente crítico reflexivo que questiona determinados ideais que a comunidade científica estabelece na população, com a supervalorização de nutrientes em detrimento de alimentos, além de uma imposição de modelo baseado na restrição e na individualização. Muitas vezes, valores que são extremamente importantes na construção de um hábito alimentar, como cultura e história, memória afetiva, territorialidade, sociabilidade, dentre outros, são esquecidos ou não recebem a devida atenção.

“A ciência da Nutrição, influenciada pela perspectiva da reflexividade, abriga incontável número de restrições e práticas alimentares que contribuem significativamente para o campo das controvérsias cientificas. É quase impossível acompanhar a velocidade de surgimento de tais práticas – muitas delas de caráter dietoterápico, restritivo e reducionista – frequentemente desconectadas da dimensão socioambiental e cultural que transpassa o conceito contemporâneo de alimentação saudável. Essa visão, que influencia fortemente a área clínica da ciência alimentar, supervaloriza os nutrientes em detrimento dos alimentos, fomenta a ideia de uma alimentação individualizada e biologicista, desprovida de valores ambientais, culturais, políticos e sociais.”

A autora reforça ainda que essa proibição exacerbada desprovida de prazer e tradições sociais, demoniza alimentos que estão enraizados culturalmente em um povo, podendo gerar angústias, preocupações e reflexões um tanto quanto desnecessárias.

“A ideia de expor analiticamente as partes nutricionais e prejudiciais do alimento expressa uma perspectiva racionalista e pessimista que não cabe na ideia de uma refeição aprazível, significativa e compartilhada. ”

Além disso, ela reflete que muitas proibições e repressões que atualmente fazem parte constante da mídia como o glúten, a lactose e o ovo parecem causar muito mais furor nutricional e impacto do que outros temas importantes, como agrotóxicos, conservantes, estabilizantes e inúmeros aditivos químicos e sintéticos utilizados para baratear custos e aumentar a vida de prateleira dos produtos.

Não só isso, mas como muitas vezes, essas censuras possuem uma origem econômica e de mercado por trás.

“Em terras tupiniquins, na década de 1960, aconteceu a talvez mais peculiar demonização de um alimento – o leite materno. Com o suporte de estudos científicos apoiados pela indústria alimentar e pela agricultura moderna baseada na extensiva monocultura de grãos – base da ração que promovia o aumento da produção de leite bovino – pediatras passaram a recomendar a substituição do leite “fraco” das mamíferas humanas pelo leite desidratado e maternizado. Esse descuido científico foi rapidamente retificado quando o pó passou a ser misturado com água de baixa qualidade e os bebês adoeciam por causa de diarreia e por falta das imunoglobulinas, protetoras da imunidade infantil. Reverteu-se a situação entre os especialistas, mas até hoje o país investe em campanha de aleitamento materno para sensibilizar mamíferas pretensamente esclarecidas que o seu leite é o melhor para seu filho.”

Elaine de Azevedo conclui o texto ressaltando a importância de se repensar no conceito de alimentação saudável. Deve-se também atentar a uma exagerada culpa e temor do comer, que inclusive, podem levar a maiores distúrbios como anorexia e bulimia. Não só isso, como aspectos culturais, sociais, ambientais e históricos devem ser levados em conta.

“Na busca de uma dieta individualizada e especifica para suas necessidades, os seres humanos comem só à mesa e evitam relações sociais com aqueles que não compartilham suas crenças alimentares. Além de estimular a culpa e o medo de comer, esse tipo de ortorexia contribui para a desagregação social e fomenta a intolerância. Alimentos tradicionais e verdadeiramente naturais vêm sendo demonizados sob premissas científicas especulativas, reducionistas e descontextualizadas sem que se questionem os elementos culturais, a origem, a qualidade, as mudanças que sofreram e seu desequilíbrio quantitativo na dieta. As próprias vítimas do sistema agroalimentar são culpabilizadas e promove-se o desequilíbrio ambiental e a exclusão social de agricultores familiares que produzem comida e alimentos tradicionais.”

O diálogo precisa ainda atingir profissionais da saúde, além de outros agentes que participam ativamente na construção e identidade cultural.

“ Isso porque todas as ciências da saúde hoje lidam prioritariamente com a patogênese e com as enfermidades. São essenciais numa sociedade cada vez mais doente, mas é tempo de repensar que para promover alimentação saudável é preciso compartilhar a construção das dietas saudáveis, da salutogênese e da promoção de saúde com agricultores familiares, com povos e comunidades tradicionais, com agricultores ecológicos, com ambientalistas, com cientistas sociais, geógrafos e historiadores, com chefs e cozinheiros e todos aqueles que ainda se propõem a manter algum tipo de vínculo com o conhecimento tradicional, com a comida afetiva e com a ideia de compartilhar alimentos saudáveis do ponto de vista socioambiental.”

Para saber mais, veja o texto na íntegra: http://goo.gl/Rp9Dha



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