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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 26 de Maio de 2015

É indiscutível que o assunto transgênicos, foi  uma das pautas que mais movimentaram as discussões no país nesses últimos dias, por conta da lei que retira o símbolo da transgenia na rotulagem de produtos que contêm componentes transgênicos.

Dessa forma o [Pensando EAN] apresenta uma entrevista dada durante o III Encontro Internacional de Agroecologia, por Vandana Shiva, física, ecofeminista, ativista ambiental e considerada a inimiga número um dos transgênicos.

Na entrevista, Shiva afirma que existe uma ditadura dos alimentos, onde poucas e grandes empresas controlam toda a cadeia produtiva. As quatro faces que determinam a comida, são todas controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras cinco; e o varejo está nas mãos de gigantes hipermercados, que tiram o varejo dos pequenos comércios comunitários e com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os consumidores. 

Uma das maneiras de combate a esse monopólio  sobre a alimentação mundial é através do ativismo na hora de comer produtos saudáveis e de qualidade, reforçando que o ato de comer também é um ato político.

"A única maneira de reverter essa situação é cada pessoa fazer seu papel de recuperar a liberdade e a democracia do alimento. Afinal, cada um de nós come duas ou três vezes ao dia. E o que nós comemos decide quem somos, se nosso cérebro está funcionando corretamente, ou nosso metabolismo está saudável ou, se por conta de micronutrientes, estamos nos tornando obesos. Isso afeta todo mundo: os mais pobres porque lhes foi negado o direito à comida; mas até os que podem comer porque não estão comendo comida. Chamo isso de anticomida, porque a comida deveria nos nutrir. A comida mortal que as corporações estão trazendo para nós destrói a capacidade da comida de nos nutrir e no lugar disso está nos causando doenças".

Ela acredita que o modo de alimentar o mundo de forma segura é livrando-se das sementes transgênicas e do monopólio que essas empresas impõem aos consumidores.

 O compromisso com as pequenas fazendas e seus agricultores, proteger a biodiversidade, a terra, os próprios fazendeiros e a saúde pública fazem parte das soluções que podem garantir a segurança alimentar e nutricional da população do mundo.

"Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões de anos de evolução das espécies".

Defensora da agroecologia, Vandana enxerga esse movimento como uma saída para esse monopólio alimentar controlado pelas grandes corporações e modelo de valorização à diversidade de alimentos existente no mundo, enfatizando que os mecanismos científicos de produção de alimentos estão defasados.

"Os antigos mecanismo da ciência são como um dinossauro. Temos que ter um olhar que valorize os modos de produção tradicionais. A agroecologia tem os recursos e o mundo está acordando para isso".

Dessa forma propõe o repensar todo o sistema que compõe a produção de alimentos, mudar da agroindústria para a agroecologia, mudar da distribuição global para uma distribuição local e mudar de um sistema violento para um sistema pacífico, que inclua a comunidade nos processos produtivos.

"O modelo agroecológico caracteriza-se  pela diversidade, conhecimento popular, o melhor da ciência, e levando efetivamente a comida às pessoas".

"Podemos ir do industrial e global para ecológico e local".

Veja toda a entrevista no vídeo abaixo: 

 



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