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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Alexandro Auler/CON via Getty Images

A indiana Vandana Shiva – filósofa, ativista ambiental e eco feminista - autora de dezenas de livros e premiada internacionalmente por seu protagonismo na luta contra organismos geneticamente modificados, agrotóxicos e aquecimento global, escreveu em seu novo texto sobre como um novo acordo que está sendo firmado na Índia pode restringir o acesso de usuários a informações sobre alimentação.

Negociações entre Mark Zuckerberg e a megacorporação indiana Reliance, parceira do Facebook, que tem interesses em telecomunicação, energia, alimentos, varejo e terras, estão criando um novo pacote intitulado “Free Basics”. A empreitada restringiria o acesso a informações para determinados grupos, como por exemplo fazendeiros teriam como resultado de suas buscas na internet materiais e artigos elaborados pela Monsanto.

Nas palavras de Vandana:

“Um ataque corporativo coletivo está em curso globalmente. Tendo já programado suas ações, veteranos de corporações americanas como Bill Gates estão se juntando à nova onda de imperialistas filantropos, que inclui Mark Zuckerberg. É incrível a semelhança nas relações públicas de Gates e Zuckerberg, perfeitamente ensaiadas, que envolvem um preparo retórico e doação de fortunas. Qualquer entidade com que os Zuckerbergs se unam para administrar os 45 bilhões de dólares investidos provavelmente vai terminar parecendo a Fundação Bill e Melinda Gates; isto é, poderosa o suficiente para influenciar negociações climáticas, apesar não serem efetivamente responsáveis por nada”.

Neste trecho, Shiva explica como estes empresários e as grandes corporações se beneficiam de tais acordos:

"A Breakthrough Energy Coalition vai investir em ideias que podem transformar a maneira como todos nós produzimos e consumimos energia", escreveu Zuckerberg em sua página no Facebook. Era um anúncio da Breakthrough Energy Coalition de Bill Gates, um fundo privado com uma riqueza combinada de centenas de bilhões de dólares de 28 investidores que irão influenciar a forma como o mundo produz e consome energia.
 
Ao mesmo tempo, Gates pressiona para forçar uma agricultura dependente de insumos químicos, combustíveis fósseis e transgênicos patenteados (#FossilAg) através da Aliança pela Revolução Verde na África (AGRA). Trata-se de uma tentativa de tornar fazendeiros africanos dependentes de combústiveis fósseis que deveriam ter permanecido no subsolo, além de criar uma relação de dependência com as sementes e petroquímicos da Monsanto.”

A ativista faz um paralelo entre o controle da informação e o monopólio da Monsanto, estabelecendo um link entre as duas:

“O que a Monsanto faz ao empurrar as leis de Direitos de Propriedade Intelectual (IPR) referentes ao comércio de sementes, Zuckerberg está tentando fazer com a liberdade de internet da Índia. E, assim como a Monsanto, ele está prejudicando os indianos mais marginalizados.

A ligação entre o Facebook e a Monsanto é profunda. Os 12 maiores investidores da Monsanto são os mesmos que os 12 maiores investidores no Facebook, incluindo o Grupo Vanguard. Esse grupo é um grande investidor da John Deere, a novo parceira da Monsanto em “tratores inteligentes”, o que faz com que toda a produção e consumo de alimentos, da semente à informação, permaneça sob o controle de um pequeno punhado de investidores.”

Vandana chega, portanto, a seguinte conclusão:

“Todos os passos de todos os processos, até o ponto em que você escolhe algo da prateleira de um supermercado, serão determinados pelos interesses dos mesmos acionistas.

Que tal conversarmos sobre liberdade de escolha? ”.

Clique para ler o texto traduzido por Allam Brum na integra ou o original de Vandana Shiva.


 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 26 de Maio de 2015

É indiscutível que o assunto transgênicos, foi  uma das pautas que mais movimentaram as discussões no país nesses últimos dias, por conta da lei que retira o símbolo da transgenia na rotulagem de produtos que contêm componentes transgênicos.

Dessa forma o [Pensando EAN] apresenta uma entrevista dada durante o III Encontro Internacional de Agroecologia, por Vandana Shiva, física, ecofeminista, ativista ambiental e considerada a inimiga número um dos transgênicos.

Na entrevista, Shiva afirma que existe uma ditadura dos alimentos, onde poucas e grandes empresas controlam toda a cadeia produtiva. As quatro faces que determinam a comida, são todas controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras cinco; e o varejo está nas mãos de gigantes hipermercados, que tiram o varejo dos pequenos comércios comunitários e com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os consumidores. 

Uma das maneiras de combate a esse monopólio  sobre a alimentação mundial é através do ativismo na hora de comer produtos saudáveis e de qualidade, reforçando que o ato de comer também é um ato político.

"A única maneira de reverter essa situação é cada pessoa fazer seu papel de recuperar a liberdade e a democracia do alimento. Afinal, cada um de nós come duas ou três vezes ao dia. E o que nós comemos decide quem somos, se nosso cérebro está funcionando corretamente, ou nosso metabolismo está saudável ou, se por conta de micronutrientes, estamos nos tornando obesos. Isso afeta todo mundo: os mais pobres porque lhes foi negado o direito à comida; mas até os que podem comer porque não estão comendo comida. Chamo isso de anticomida, porque a comida deveria nos nutrir. A comida mortal que as corporações estão trazendo para nós destrói a capacidade da comida de nos nutrir e no lugar disso está nos causando doenças".

Ela acredita que o modo de alimentar o mundo de forma segura é livrando-se das sementes transgênicas e do monopólio que essas empresas impõem aos consumidores.

 O compromisso com as pequenas fazendas e seus agricultores, proteger a biodiversidade, a terra, os próprios fazendeiros e a saúde pública fazem parte das soluções que podem garantir a segurança alimentar e nutricional da população do mundo.

"Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões de anos de evolução das espécies".

Defensora da agroecologia, Vandana enxerga esse movimento como uma saída para esse monopólio alimentar controlado pelas grandes corporações e modelo de valorização à diversidade de alimentos existente no mundo, enfatizando que os mecanismos científicos de produção de alimentos estão defasados.

"Os antigos mecanismo da ciência são como um dinossauro. Temos que ter um olhar que valorize os modos de produção tradicionais. A agroecologia tem os recursos e o mundo está acordando para isso".

Dessa forma propõe o repensar todo o sistema que compõe a produção de alimentos, mudar da agroindústria para a agroecologia, mudar da distribuição global para uma distribuição local e mudar de um sistema violento para um sistema pacífico, que inclua a comunidade nos processos produtivos.

"O modelo agroecológico caracteriza-se  pela diversidade, conhecimento popular, o melhor da ciência, e levando efetivamente a comida às pessoas".

"Podemos ir do industrial e global para ecológico e local".

Veja toda a entrevista no vídeo abaixo: 

 



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