Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):Soberania Alimentar

postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Organismos geneticamente modificados (OGM) são definidos como toda entidade biológica cujo material genético foi alterado por meio de qualquer técnica de engenharia genética, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. Existem muitas controvérsias relativas aos OGM, pois estão ligados principalmente ao contexto de produção de alimentos, a qual se encontra nas mãos de algumas multinacionais e que assim afeta diretamente a questão da soberania alimentar das populações. Além disso, os seus efeitos no ser humano, nos animais e na terra ainda não são conhecidos á longo prazo.

Pensando nisso, o [Comida na Tela] de hoje trouxe o primeiro filme de ficção produzido sobre o tema: "Consumed"; que aborda todas suas complexas facetas, tais como a ganância corporativa, o controle sobre as sementes, as ameaças às fazendas orgânicas, a falta de transparência, a intimidação de cientistas que questionam a tecnologia, os efeitos na saúde, entre outros.

E apesar de não ser um documentário, o longa é inspirado por eventos e fatos reais. A história é sobre Sophie, uma mãe que tenta lidar com a doença misteriosa de seu jovem filho. Ela não consegue descobrir o que está causando erupções desagradáveis em seu filho e vômitos. Então ela começa a investigar e descobre a ligação de tal com os alimentos geneticamente modificados. A partir daí vai se envolvendo nesse complexo mundo das OGM, que envolve a todos nós.

Assim, o ponto que o filme traz é o quanto nós realmente sabemos sobre o que comemos diariamente?

Acesse aqui o site oficial, no qual você pode assisti-lo e ver entrevistas e mais informações sobre a produção.

Veja aqui o trailer:



postado por Maína Pereira em Terça-feira, 28 de Junho de 2016

Para você, qual o real conceito do direito humano à alimentação adequada?

Hoje no [Pensando EAN] compartilhamos um vídeo com o Flávio Valente da FIAN* que traz a reflexão sobre o tema.

Para ele, “garantir esse direito significa muito mais do que garantir que a pessoa coma e encha a barriga. O direito à alimentação é muito mais do que isso. Ele inclui a qualidade da alimentação, em ter uma alimentação sem agroquímicos, sem contaminação, variada, colorida e que tenha todos os nutrientes necessários para a saúde e qualidade de vida. ” Além disso, ao se tratar da alimentação na perspectiva de direito, a participação social é essencial na decisão de como devem ser os processos de produção, distribuição e demais etapas do sistema alimentar para a garantia de um acesso universal a alimentos de qualidade e quantidade adequadas.

No vídeo, além de comentar a respeito de mecanismos de exigibilidade do direito à alimentação adequada, Valente destaca três dimensões que são fundamentais na compreensão deste direito: Soberania Alimentar, Gênero e Nutrição.

Assista ao vídeo para saber melhor sobre esses elementos e refletir sobre o conceito e importância do DHAA:

 

* A FIAN Brasil é uma organização nacional, laica e apartidária, que integra a rede da FIAN Internacional, organização de Direitos Humanos que trabalha em nível mundial pela realização do direito humano à alimentação e nutrição adequada com status consultivo elas Nações Unidas. A sigla da FIAN é uma abreviação de “FoodFirst Information & Action Network”, que no Brasil é registrada como Rede de Ação e Informação pelo Direito a se Alimentar.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 26 de Maio de 2015

É indiscutível que o assunto transgênicos, foi  uma das pautas que mais movimentaram as discussões no país nesses últimos dias, por conta da lei que retira o símbolo da transgenia na rotulagem de produtos que contêm componentes transgênicos.

Dessa forma o [Pensando EAN] apresenta uma entrevista dada durante o III Encontro Internacional de Agroecologia, por Vandana Shiva, física, ecofeminista, ativista ambiental e considerada a inimiga número um dos transgênicos.

Na entrevista, Shiva afirma que existe uma ditadura dos alimentos, onde poucas e grandes empresas controlam toda a cadeia produtiva. As quatro faces que determinam a comida, são todas controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras cinco; e o varejo está nas mãos de gigantes hipermercados, que tiram o varejo dos pequenos comércios comunitários e com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os consumidores. 

Uma das maneiras de combate a esse monopólio  sobre a alimentação mundial é através do ativismo na hora de comer produtos saudáveis e de qualidade, reforçando que o ato de comer também é um ato político.

"A única maneira de reverter essa situação é cada pessoa fazer seu papel de recuperar a liberdade e a democracia do alimento. Afinal, cada um de nós come duas ou três vezes ao dia. E o que nós comemos decide quem somos, se nosso cérebro está funcionando corretamente, ou nosso metabolismo está saudável ou, se por conta de micronutrientes, estamos nos tornando obesos. Isso afeta todo mundo: os mais pobres porque lhes foi negado o direito à comida; mas até os que podem comer porque não estão comendo comida. Chamo isso de anticomida, porque a comida deveria nos nutrir. A comida mortal que as corporações estão trazendo para nós destrói a capacidade da comida de nos nutrir e no lugar disso está nos causando doenças".

Ela acredita que o modo de alimentar o mundo de forma segura é livrando-se das sementes transgênicas e do monopólio que essas empresas impõem aos consumidores.

 O compromisso com as pequenas fazendas e seus agricultores, proteger a biodiversidade, a terra, os próprios fazendeiros e a saúde pública fazem parte das soluções que podem garantir a segurança alimentar e nutricional da população do mundo.

"Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões de anos de evolução das espécies".

Defensora da agroecologia, Vandana enxerga esse movimento como uma saída para esse monopólio alimentar controlado pelas grandes corporações e modelo de valorização à diversidade de alimentos existente no mundo, enfatizando que os mecanismos científicos de produção de alimentos estão defasados.

"Os antigos mecanismo da ciência são como um dinossauro. Temos que ter um olhar que valorize os modos de produção tradicionais. A agroecologia tem os recursos e o mundo está acordando para isso".

Dessa forma propõe o repensar todo o sistema que compõe a produção de alimentos, mudar da agroindústria para a agroecologia, mudar da distribuição global para uma distribuição local e mudar de um sistema violento para um sistema pacífico, que inclua a comunidade nos processos produtivos.

"O modelo agroecológico caracteriza-se  pela diversidade, conhecimento popular, o melhor da ciência, e levando efetivamente a comida às pessoas".

"Podemos ir do industrial e global para ecológico e local".

Veja toda a entrevista no vídeo abaixo: 

 



postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 11 de Março de 2015

Ao se falar sobre Educação Alimentar Nutricional e os caminhos por ela traçados, é importante considerar todas as etapas que compõe o sistema alimentar, inclusive a produção, que por vezes é esquecida nos processos educativos. 

Dessa forma, o técnico Alvir Longhi do Cetap (Centro de Tecnologias Alternativas e Populares) escreveu um artigo trazendo uma proposta de relação do ser humano com a natureza, a terra e sua alimentação, a agroecologia:

“A agroecologia se baseia em um conjunto de práticas agrícolas resultantes dos saberes agronômicos, ecológicos e dos conhecimentos acumulado pelos agricultores e comunidades tradicionais ao longo dos tempos, tendo sempre como preocupação a produção de alimentos ecológicos mediante o manejo sustentável do agro ecossistema local.”

A integração da produção de alimentos com a proteção ambiental e da saúde humana é buscado na agroecologia com vistas à construir um novo paradigma sobre a segurança alimentar dos povos, a fim de resgatar valores cooperativos e de solidariedade às comunidades rurais e urbanas.

“A agroecologia tem como pressuposto a soberania alimentar, resgatando a missão original da agricultura que é a produção de alimentos saudáveis para as pessoas sem comprometer a dinâmica dos ciclos da própria natureza. Neste sentido, as práticas sociais e comunitárias de agricultura ecológica promovem o abastecimento imediato das famílias agricultoras e em extensão buscam abastecer as comunidades e cidades próximas (local e regional) com produtos alimentares igualmente produzidos sem aditivos químicos, resultantes da interação homem-natureza. A distribuição dos alimentos, geralmente na forma de comercialização direta, tem gerado experiências que resgatam a histórica relação entre comunidades rurais e agrupamentos urbanos próximos, recuperando assim a cooperação entre diferentes grupos e atividades humanas.”

Portanto é importante debater e refletir sobre os limites do meio ambiente e até mesmo os limites do ser humano em seus vários aspectos sociais, perante a exploração do capital na agriculta e desenvolver alternativas que possam garantir o direito a uma saúde alimentar digna.


O Pensando EAN é um espaço para reflexões e citações sobre diversos temas relacionados à Comida, Cultura e Educação Alimentar e Nutricional. O texto dessa semana é um trecho de um artigo escrito por Alvir Longhi. O artigo do qual as citações foram retiradas se chama “Agroecologia e Soberania Alimentar” e foi elaborado para compor a revista em comemoração aos 10 anos da Feira Ecológica de Passo Fundo em 2008.



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