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postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 04 de Outubro de 2016

O nosso sistema de produção de alimentos está quebrado, com fortes perdas na biodiversidade. A solução não é mais produtos químicos de algumas companhias cada vez mais dominantes.

Produtores britânicos de trigo tipicamente tratam cada safra durante seu ciclo de crescimento com quatro fungicidas, três herbicidas, um inseticida e um produto químico para o controle de moluscos. Eles compram sementes que foram pré-tratados com agroquímicos contra insetos. Eles pulverizam a terra com herbicida antes de plantar, e novamente depois.

Eles aplicam reguladores químicos de crescimento que alteram o equilíbrio dos hormônios da planta responsáveis pelo controle da altura e força das hastes dos grãos. Eles pulverizam químicos contra pulgões e bolor. E com frequência logo antes da colheita, eles aplicam o herbicida glifosato para secar a colheita, o que economiza os custos energéticos da secagem mecânica.

A maioria dos produtores ao redor do mundo, independente do tipo de alimento que cultivam, recorrem  a pelo menos uma das seis empresas que dominam o mercado para comprar sementes e todos esses agrotóxicos. A concentração de poder sobre a agricultura primária por parte de um número tão pequeno de corporações  e a habilidade delas de definir preços e determinar a disponibilidade de variedades de sementes já tem causado preocupação entre os produtores. Ainda assim, até o ano que vem, é provável que a competitividade encolha ainda mais.

Os seis gigantes globais dos agrotóxicos e sementes vão se tornar três colossais empresas com ainda maior controle de mercado. Bem quando as mudanças climáticas exigem um sistema mais diversificado, adaptado e resiliente às condições de mudança, a agricultura tem sido arrastada para uma rota agroindustrial ainda mais estreita.

Atualmente, Bayer, Monsanto, Dupont, Dow, Syngenta e BASF representam três quartos do mercado global de agroquímicos e quase dois terços do comércio de sementes. Com a queda dos preços de commodities, seus lucros tem murchado. Os agricultores que estão recebendo menos por suas produções tem tido dificuldade para ganhar dinheiro. Nos Estados Unidos, eles começaram a se afastar das caras sementes geneticamente modificadas, e, na Europa, mais de 3 milhões de fazendas foram perdidas em oito anos. Então, por dois anos, as companhias de agrotóxicos têm estado envolvidas em uma agitação de fusões e aquisições para se tornarem ainda maiores e mais poderosas. As propostas se instalaram, no momento, em um trio de mega-acordos.

O mais recente acordo de fusão, que vale 66 bilhões de dólares, é entre a Monsanto, a controversa gigante sediada nos EUA e maior empresa de sementes do mundo e sétima maior em pesticidas; e a alemã Bayer, a segunda maior em agrotóxicos e sétima maior empresa de sementes.

Para dar uma ideia da dimensão e do impacto desse acordo comercial, a Monsanto, além de ser o fornecedor líder mundial de sementes geneticamente modificadas, controla quase um quarto do mercado de sementes vegetais na Europa e é um grande jogador no mercado de sementes convencional de milho. O herbicida glifosato, o seu grande ganhador, agora tem uso tão comum na Europa que foi detectado na urina de 44% das pessoas em uma pesquisa da Friends of the Earth. Bayer é a líder na maioria dos pesticidas, incluindo os neonicotinóides usados para tratar cerca de 90% dos cereais, açúcar de beterraba e óleo de canola do Reino Unido.

A proposta fusão Bayer-Monsanto é precedida por um acordo de 130 bilhões de dólares entre as empresas americanas DuPont (2° em sementes e 6° em pesticidas) e a Dow Chemicals (5 ° em sementes e 4° em pesticidas). A China, focada em sua própria segurança alimentar, também quer participar um pouco da ação, e a ChemChina, empresa apoiada pelo Estado Chinês, que é também a sétima no comércio global de pesticidas devido a vendas por filias, deu um bem-sucedido lance para comprar a suíça Syngenta por 43 bilhões de dólares. Assim, processos paralelos de concentração estão ocorrendo no setor de fertilizantes químicos.

A narrativa oferecida para justificar esse domínio do mercado supostamente livre é que apenas entidades maiores e mais corajosas podem enfrentar o grande desafio de nosso tempo: alimentar um adicional de 3 bilhões de pessoas até o ano de 2050 sem destruir o planeta. Somos convidados a aceitar o modelo de agricultura intensiva como a marcha heróica da ciência, contra os métodos tradicionais, primitivos e de baixo rendimento. Não há alternativa. Mas, na verdade, é este modelo de produção de alimentos que está preso em um barranco.

No Pós-Guerra, havia de fato grandes avanços em aumentar a quantidade de alimentos produzidos no mundo, graças ao melhoramento genético de espécies e o uso de químicos na forma de fertilizantes e pesticidas artificiais. Mas com os triunfos da revolução verde, suas deficiências a longo prazo estão cada vez mais aparentes.

O uso excessivo de agrotóxicos tem contribuído paras as graves perdas de biodiversidade e de polinizadores vitais para o ecossistema. Os alimentos na resistência a pragas ameaçam reverter os ganhos anteriores em rendimento da produção. As pesquisas descobriram que, por um curto período de tempo, o rendimento por hectare de monoculturas são maiores em sistema de agricultura intensiva. No entanto, em um período de tempo maior, e quanto você olha para a produção agrícola total, a agricultura mais variada e diversificada tem maior produtividade.

Se o principal propósito de um sistema alimentar é nutrir as pessoas para mantê-las saudáveis, esse sistema está falhando. Apesar de a quantidade de comida disponível  ter dobrado em algumas regiões, mais de 750 milhões de pessoas ainda passa fome rotineiramente. Enquanto isso, quase 2 bilhões de pessoas tem sobrepeso ou obesidade.

O sistema agroindustrial que essas companhias sustentam é focado principalmente em um pequeno número de culturas de commodities para exportação. O grupo de pesquisa ETC ressalta que companhias de sementes geneticamente modificadas concentraram seus esforços de desenvolvimento em milho, soja e canola, ao invés de investir na imensa variedade de mais de 7000 alimentos cultivados por agricultores ao redor do mundo. Quebrar essas colheitas de commoditties em partes e revender em forma de açúcar, amidos, óleos acrescenta valor para o acionista da rede, mas esvazia o sistema de valor nutricional. Doenças relacionadas à alimentação já ultrapassam as doenças infecciosas como a maior causa de morte prematura em todo o mundo.

Embora as empresas falem em combater a ameaça que mudança climática representa para a segurança alimentar, o sistema alimentar agroindustrial é uma das mais significativas causas dessa mudança, contribuindo para cerca de 1/3 de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidas pelo homem.

A concentração das corporações no sistema alimentar tem sugado o dinheiro produzido pela cadeia para a mão de um punhado de empresas no topo. Ele funciona para alguns, mas não para a maioria. Como se para enfatizar esse ponto, o presidente-executivo da Monsanto está para recolher mais de 135 milhões de dólares  da fusão da empresa com a Bayer em opções de ações e verbas rescisórias. De maneira paradoxal, as três grandes fusões da indústria de agroquímicos revela também a  vulnerabilidade do setor.  A indústria de pesticidas está sob pressão - Bayer e Syngeta são grandes produtores dos três tipos de neonicotinóides recentemente proibidos na União Europeia devido ao seu impacto sobre as abelhas. A União Europeia tem estado sob grande pressão para restringir o uso de glifosinato, desde que foi apontado como "provavelmente carcinogênico" pela OMS no ano passado.

Esse modo de produção do nosso alimento está quebrado e a maioria das pessoas, incluindo aqueles que promovem tal meio, sabem disso. Então por que não há mudança? O ex-relator da ONU sobre o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, descreveu uma série de barreiras que impedem essa mudança. Porque o ganho é revertido um número limitado de atores, o seu poder político e econômico e a capacidade de influencia a política de governo é refoçado.

A última fronteira é a África, onde há uma nova luta para difundir o modelo agroindustrial da agricultura. Pode muito bem ser na África, no entanto, que uma visão diferente e mais ecológica do futuro da produção de alimentos pode emergir. Eu tive um vislumbre disso em uma viagem a uma empresa de exportação de produtos da horticultura em larga escala localizada no Lago Naivasha, no Quênia.

A empresa, Flamingo Homegrown, abandonou o seu uso a longo e pesado de pesticidas químicos, em parte em resposta a uma campanha que destacava os seus efeitos na saúde dos trabalhadores, mas em parte também em reconhecimento de que estavam perdendo controle da resistência de pragas devido a pulverização aérea.

Eles reinventaram sua agricultura fazendo a ciência de agrotóxicos parecer primitiva e obsoleta. Em vez disso, empregam grupos de cientistas africanos altamente treinados para estudar e reproduzir em laboratórios os fungos e microorganismos do solo saudável que forma intricadas ligações com as raízes da planta. Ao invés de fazer guerra química na terra, eles trabalham para aproveitar os ecossistemas extremamente complexos do solo. Eles construíram vastas estufas dedicadas à reprodução e colheita de joaninhas para controlar pragas biologicamente ao invés de quimicamente.

Há uma outra rota para a segurança alimentar - e é o pólo oposto das três gigantes dos agrotóxicos que hoje montam o mundo.

Tradução: Marina Morais

Fonta: Felicity Laurence, https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/oct/02/agrichemicals-intensive-farming-food-production-biodiversity



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

A Nutricionista do IDEC Ana Paula Bortoletto foi a convidada para falar sobre agrotóxicos no projeto “De Olho nos Ruralistas” do Observatório jornalístico sobre o agronegócio no Brasil.  

Ana iniciou sua fala comentando a respeito da presença de resíduos de veneno em uma expressiva quantidade e variedade de frutas e hortaliças em todos os estados brasileiros. Ela alertou ainda para o fato de que não apenas alimentos in natura apresentam concentrações elevadas, mas até mesmo produtos processados como geleias e possivelmente a cerveja e vários outros que utilizam o milho transgênico como subproduto. Nesse aspecto, Bortoletto destaca que o monitoramento realizado pelo PARA é fundamental mas precisa ser fortalecido e ampliado. O glifosato por exemplo, principal veneno utilizado nas lavouras não é monitorado.

A nível governamental, a nutricionista diz que é uma questão de priorização de agendas. A agroecologia e a produção orgânica e planos como o PAA, PNAE e o PARA são iniciativas que visam aumentar a produção de base sustentável em oposição ao agronegócio predatório. Outro ponto importante mencionado, é o papel da mídia e o monopólio das informações. Segundo Ana, mídias alternativas são cruciais para falar sobre alimentos orgânicos e principalmente denunciar os prejuízos do agronegócio, uma vez que as mídias tradicionais além de financiadas por este setor, fazem campanhas massivas para criar uma imagem mais positiva omitindo os agravos por ela causados. Um exemplo atual é a exibição diária em horário nobre da campanha do agronegócio exibida na rede globo.

Assista o programa na íntegra:   


 

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

A sociedade brasileira tem manifestado preocupação crescente com os impactos ambientais da agricultura convencional e seus efeitos sobre a segurança alimentar, como indica a forte atuação, em diversas frentes, de movimentos, organizações não governamentais, universidades e cidadãos (ãs), imbuídos do propósito de fazer com que a produção agrícola alcance patamares adequados de sustentabilidade.

A agroecologia desponta, neste cenário, como uma alternativa viável para a construção de um novo paradigma para a agricultura, que promova a ampliação das condições de acesso a alimentos saudáveis, a partir de sistemas de produção agrícola ecologicamente equilibrados, e que contribua para o fortalecimento de bases estruturais socialmente justas e inclusivas para o campo.

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Planapo, que é fruto desse contexto, e que no período de 2013 a 2015 representou um grande avanço do ponto de vista do ordenamento de ações nesta seara. O plano promoveu a articulação entre agentes públicos e privados envolvidos, ampliou as iniciativas de gestores governamentais na área e contribuiu para a incorporação do tema em processos de planejamento e implementação de políticas públicas, tanto em nível federal, quanto subnacional.

Assim fortaleceu as relações de confiança entre órgãos públicos, agricultores (as) e consumidores (as), em torno da real preocupação com questões de saúde no campo, com a oferta de alimentos saudáveis e com a necessidade de melhor integrar a produção agrícola à conservação ambiental.

Em relação às iniciativas realizadas e apenas a título ilustrativo, cabe destacar o apoio oferecido às redes de agroecologia por meio do Programa Ecoforte; a implantação de unidades de tecnologias sociais de acesso à água para produção de alimentos, em bases agroecológicos; a implementação de planos de vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos; o apoio à conservação, multiplicação, disponibilização, distribuição e comercialização de mudas e sementes crioulas e varietais; a estruturação do Programa de Aquisição de Alimentos para alimentos orgânicos ou de base agroecológica; dentre diversas outras ações estruturantes em agroecologia realizadas.

Um dos principais pontos positivos na execução do primeiro ciclo do Planapo refere-se ao fato de que o Plano permitiu que os temas principais da política fossem observados de forma interdisciplinar, aglutinados de maneira lógica, ao mesmo tempo em que conferiu maior transparência às iniciativas adotadas pelos órgãos públicos, relacionadas à agroecologia e a execução física e financeira correspondente.

No entanto, cabe ressaltar que grande parte dos desafios com os quais a implementação do Planapo se deparou estão associados à situações estruturais, cuja transformação requer esforços de longo prazo. Por isso, tendo por base as lições aprendidas, governo e sociedade se envolvem em um novo ciclo de planejamento que resulta no Planapo 2016-2019. Estruturado em 194 iniciativas de órgãos federais, ancoradas no Plano Plurianual (PPA) do mesmo período e associadas a metas e objetivos específicos; as iniciativas integram as principais ações do governo federal em agroecologia e produção orgânica para o quadriênio.

Veja aqui o Planapo 2016-2019 completo.



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 10 de Maio de 2016

 

Durante o mês de maio estamos dando ênfase em posts relacionados à temática dos agrotóxicos e transgênicos, e no quadro de hoje, disponibilizamos a visão do jovem Birke Baehr - 11 anos quando gravou - sobre o tema durante o TEDx “nova geração” em Asheville.

Apesar da pouca idade, Birke apresenta os motivos que o levaram a querer ser um produtor orgânico, “abandonando” o seu desejo de ser um jogador profissional da NFL. Após uma viagem pela estrada com seus familiares aos 9 anos, o garoto passou a estudar sobre práticas produtivas orgânicas e sustentáveis e passou a disseminar estes conhecimentos sobre o sistema alimentar com seus colegas.

De maneira direta Birke fala sobre como a indústria alimentícia tenta passar a mensagem, inclusive à crianças de sua faixa estaria, de que produzem com responsabilidade ambiental, quando na verdade se utilizam de práticas para intensificar a produção e massificar seus produtos com o emprego de sementes transgênicas. Neste ponto, o maior exemplo são as plantações de milho dominadas por sementes transgênicas e que servem como subproduto para a maioria dos alimentos ultraprocessados.

Através de sua fala ele também identifica a proximidade do uso de sementes transgênicas e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Tais práticas coexistem dentro do sistema do agronegócio com o intuito de aumentar os lucros produtivos em detrimento da saúde ambiental e da população.

O jovem palestrante apresenta alternativas de como podemos contribuir para um sistema mais saudável e sustentável, através de atitudes como comprar alimentos orgânicos de produtores locais, desta forma estamos cuidando da nossa saúde, do meio ambiente e favorecendo um comércio justo.

 




postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Você sabia que no Brasil, 83% das propriedades orgânicas são familiares?

E você já pensou em iniciar uma plantação orgânica?

Na [Biblioteca do Ideias] temos hoje o Guia do Produtor Orgânico, elaborado pelo professor Moacir Roberto Darolt, com várias orientações precisas para os produtores orgânicos de pequeno e médio portes, mas também para aqueles que desejam iniciar sua plantação.

Além da linguagem de fácil compreensão e entendimento, a publicação também traz inúmeras ilustrações que facilitam todo o processo de aprendizagem e manejo das plantações, desde o preparo dos solos, escolha de sementes e mudas, cuidados com água, colheita, armazenamento e comercialização.

O guia ainda nos mostra o que é a agricultura orgânica, com suas particularidades e características, e também dos principais correntes da agricultura de base ecológica.

 

Temos também dez motivos para se tornar um produtor orgânico, os dez cuidados que todo bom agricultor orgânico deve tomar, os passos para o processo de certificação, os caminhos para a conversão orgânica, entre outros.

  

Veja essa publicação na [Biblioteca do Ideias].



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

   

O Brasil vem sendo desde 2008 um dos líderes mundiais em consumo de agrotóxicos nas lavouras produtoras, fruto do agronegócio que gastou mais de 7 bilhões de dólares na última safra com tais produtos. Em solo brasileiro são permitidos mais de 500 ingredientes ativos de agrotóxicos, sendo que dos principais utilizados pelo menos 15 são banidos em países europeus e em outros lugares do mundo.

De acordo com dados da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida o crescimento acumulado das vendas de agrotóxico está em 488% desde o ano 2000, com grande contribuição das culturas que mais utilizam os venenos na produção como a soja, milho e algodão, além de frutas e hortaliças. De acordo com estimativas da ONG, cada brasileiro consome atualmente 5,2 Kg de agrotóxicos por ano.

Não por acaso, o mercado de alimentos e produtos orgânicos vem crescendo significativamente no Brasil e no mundo. O crescimento percentual deste segmento em 2015 superou inclusive as tendências globais, gerando valores até 30% maiores do que o ano anterior, apesar do montante bruto ainda ser menor do que os principais consumidores de orgânicos no mundo. Esta tendência revela que cada vez mais as pessoas estão informadas e preocupadas com a própria saúde e também com a sustentabilidade do meio ambiente.

Recentemente, o jornal O POVO online divulgou uma matéria intitulada “Defensivos agrícolas: aliados para produção de alimentos seguros” com o pesquisador da Embrapa João Pratagil Araújo, na qual o pesquisador defende o uso de agrotóxicos e diz que eles não apresentam riscos à saúde justificando em sua argumentação os motivos. A matéria gerou vários comentários e dois dias depois o mesmo jornal publicou outra entrevista com a Professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará Raquel Maria Rigotto – “Comer alimentos com agrotóxicos é seguro?” – rebatendo os argumentos apresentados por João Pratagil.

Ela começa pela nomenclatura por ele utilizada em referência aos agentes químicos: “A legislação brasileira define o termo agrotóxicos, e não “defensivos agrícolas”, no intuito de deixar claro seu potencial biocida e tóxico”. O segundo contra-argumento vai de encontro com a informação passada pelo pesquisador de que os agrotóxicos são utilizados de forma correta no Brasil.

“Não é possível o “uso correto” dos agrotóxicos: como implantar ações neste sentido junto às 16.567.544 pessoas ocupadas no setor agrícola? Agricultores familiares não têm acesso adequado à assistência técnica pública nem podem investir em instalações e equipamentos adequados para armazenamento, higienização e destinação das embalagens. Nas grandes empresas, a escala de uso de agrotóxicos é muito elevada e nem sempre “as boas práticas” são respeitadas. Os EPI podem ter efeito contrário e aumentar a exposição dos trabalhadores ao risco. E ainda: no Ceará não há Unidade de Processamento de Embalagens de agrotóxicos.”

Em outro trecho, Pratagil afirma que o Limite Máximo de Resíduos (LMR) garante o consumo de agrotóxicos sem risco à saúde, também colocado em cheque pela professora que aponta o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da ANVISA como uma iniciativa importante e justifica:

“A avaliação de risco (LMR) é baseada em estudos toxicológicos com animais de laboratório ou in vitro, extrapolando os resultados para a saúde humana; os estudos avaliam em separado cada ingrediente ativo (IA) de agrotóxicos, desconsiderando os efeitos à saúde nas condições de múltipla exposição – que é o mais frequente na prática – e suas possíveis interações; dos 527 ingredientes ativos registrados no Brasil, a Anvisa tem analisado apenas 235, excluindo até o glifosato, que responde por mais de 45% do consumo e que é provável cancerígeno.”

Raquel concluí a entrevista com a seguinte provocação:

“Há, entretanto, duas razões fortes para defender o uso de agrotóxicos: para a indústria química, garantir um mercado que, no Brasil, supera os 11 bilhões de dólares; para os produtores de commodities agrícolas, aumentar a produtividade e engordar seus lucros. Você oferece sua saúde para ajudá-los nesses propósitos? ”. 





postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015

Falar de Educação Alimentar e Nutricional e agroecologia nos dias de hoje ainda causa um pouco de dúvidas apesar de as pessoas estarem cada vez mais interessadas. Imagine então falar destes temas há 10 anos atrás?  

No quadro de hoje disponibilizamos a série temática “Brava Gente Brasileira”, criada em 2004 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Brava Gente Brasileira aborda duas iniciativas distintas, mas com o mesmo objetivo: melhorar a qualidade da alimentação local. Em Minas Gerais a experiência da Cozinha Comunitária Sertaneja e em Florianópolis do Instituto Estadual de Educação.

O Cozinha Comunitária Sertaneja se localiza no município de Porteirinha no norte de MG, região onde se passam as histórias de Guimarães Rosa. O objetivo da Cozinha é fornecer uma comida barata e de qualidade através de um restaurante popular que utiliza alimentos agroecológicos. Por meio desta relação toda a comunidade se beneficia, a população tem acesso a alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos a um preço justo, o meio ambiente é preservado pelo fortalecimento de produtores orgânicos e os agricultores familiares geram renda por terem um mercado para escoar seus produtos.   

Em Florianópolis – SC, dois Projetos de Lei garantiram uma alimentação mais saudável nas escolas, a lei dos orgânicos, nº 12.282, regula a alimentação nas escolas públicas e a lei nº 12.061 regula as cantinas nas escolas da iniciativa privada. Desta forma, as leis favorecem sistemas alimentares e práticas que aumentem a consciência dos estudantes sobre hábitos alimentares mais saudáveis tanto do ponto de vista nutricional quanto no impacto ambiental.     

Apesar destas experiências datarem de mais de uma década atrás, os temas permanecem extremamente relevantes ao passo que ainda hoje no Brasil existem grupos populacionais que passam fome ou estão em situação de insegurança alimentar e nutricional e antagonicamente sobrepeso e obesidade. Além desta questão, o uso de agrotóxicos e transgênicos para a produção de frutas e hortaliças aumentou vertiginosamente, colocando em risco a saúde da população que consome, dos agricultores que produzem e causando desequilíbrios ambientais.

Para entender um pouco mais sobre como a Educação Alimentar e Nutricional se insere no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional e no Direito Humano a Alimentação Adequada confira o artigo publicado na Revista de Psicologia da USP.

Durante o 1º Encontro da Rede Ideias na Mesa a experiência “Cozinha Comunitária Sertaneja” foi exibida e em seguida, um debate com a professora e PHD Denise Oliveira sobre os temas abordados, para assistir basta clicar no link


 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

A Equipe do Ideias na Mesa foi para campo e acompanhou um mutirão de manejo agroecológico na Chácara Divina Luz, na região do Pipiripau em Brasília.

A Chácara Divina Luz está passando pelo processo de transição agroecológica e hoje já conta com hectares de agrofloresta, plantações de hortaliças e frutas nos moldes da agroecologia, além da produção de mudas para a recuperação de nascentes do Rio Pipiripau.

 

Todo o trabalho agroecológico, incluso os mutirões de manejo são feitos de forma coletiva e seguem ao pé da letra os princípios da agroecologia em relação à produção para o autoconsumo da família.

 

Entretanto a propriedade já é capaz de produzir alimentos para além do auto consumo familiar e, portanto gera excedentes de produção.

Dessa forma, nós do Ideias na Mesa nos perguntavamos: de que forma é escoada esse excesso da produção alimentar da chácara?

O [Mais que Ideias] de hoje traz a resposta que buscávamos, dado pelos próprios produtores da chácara, de como a comercialização/escoamento desses alimentos é feita.

Confira a iniciativa daqui de Brasília e também de outros estados do país. 

Coloquem os cintos e vamos lá!

A produção agroecológica da Chácara Divina Luz e das demais propriedades da região que cultivam produtos orgânicos e agroecológicos são escoadas e revendidas por meio do Coletivo Orgânico.

O Coletivo Orgânico é uma feira agroecológica sobre rodas do Distrito Federal, mais precisamente uma rede de agricultores ecológicos e consumidores, que buscam enfrentar os desafios enfrentados pelas pessoas (tanto consumidores, quanto agricultores) em relação à distribuição e a comercialização de alimentos saudáveis nas cidades, visto o “cenário de veneno” que encontramos quando vamos às compras de nossos alimentos nos grandes supermercados.

O grupo trabalha para produzir alimentos saudáveis e adequados que garantam a saúde e a segurança alimentar e nutricional do consumidor, através de plantios biodiversos que seguem os princípios da agricultura natural e dos ecossistemas saudáveis, não utilizando agrotóxicos e preservando o meio ambiente.

Para distribuir e comercializar esses alimentos, o Coletivo Orgânico segue os princípios da economia justa e solidária, de forma a fortalecer a economia local, a valorização do trabalho rural, a aproximação do consumidor/produtor, além de garantir alimentos frescos, baratos e saudáveis à mesa das famílias.  

 

Os pontos de venda direta são feitos com feiras itinerantes em locais estratégicos de Brasília através do ônibus adaptado à estrutura de feira. Além da venda direta, o grupo ainda realiza a venda por um sistema de feira online com entrega a domícilio.

Confira a página no Facebook do Coletivo Orgânico!

Seguindo na mesma linha do projeto independente de Brasília, o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides) lançou o projeto “Feira sobre Rodas”, o primeiro ônibus adaptado de Sergipe para a comercialização de alimentos orgânicos e saudáveis na capital Aracaju e em outras cidades do estado.

O objetivo também é promover a alimentação saudável e adequada para a melhoria da qualidade de vida das populações em vulnerabilidade social, além de valorizar e fortalecer a produção de pequena escala e a renda familiar dos pequenos agricultores.

 

Acompanhe aqui a reportagem sobre o “Feira sobre Rodas”.

Sabia que o Ceará já conta também com alguns ônibus desses?

Pois é, o projeto cearense faz parte da iniciativa das Centrais de Abastecimento do Ceará (Ceasa) que leva frutas e verduras frescas a bairros de Fortaleza com preços mais acessíveis daqueles ofertados nos supermercados e bem mais saudáveis também.

  

Os produtos são vendidos em um ônibus que fica em diferentes pontos da cidade, mas também como o Coletivo Orgânico, realiza o serviço de entrega em domicilio.

Temos aqui também a reportagem do projeto cearense.

O “ônibus-feira itinerante” é uma ideia bastante difundida pela Europa e no Canadá (veja aqui) na promoção de uma alimentação saudável e adequada à população, entretanto frisamos aqui as experiências brasileiras para mostrar que em uma parada próxima à sua casa um ônibus pode trazer uma boa opção de alimentação saudável e sustentável.

*Fotos: Coletivo Orgânico - Felipe O Resende



postado por Débora Castilho em Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Na última terça-feira (09/06) o Sala de Convidados, programa do Canal Saúde da Fiocruz, discutiu a questão dos alimentos transgênicos em oposição aos orgânicos. O programa trouxe o tema que está em debate na sociedade e contrapôs os pontos positivos e negativos desses dois tipos de alimentos.

Para discutir o assunto, foram convidados: o Engenheiro Agrônomo e assessor técnico da AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa, Gabriel Bioconi Fernandez; a Doutora em Biologia e Diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Adriana Brondani; o integrante do Comitê do Rio de Janeiro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela vida e Professor e Pesquisador da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz, André Búrigo; e o pesquisador da UFRJ, Paulo Cavalcante Ferreira.

Os transgênicos são vegetais geneticamente modificados para aumentar a produtividade, a resistência a pragas ou ao uso de pesticidas. Os efeitos dessas modificações para a saúde e para o meio ambiente ainda não são inteiramente conhecidos. Já os orgânicos são os alimentos sem modificações, cultivados de forma natural, sem o uso de fertilizantes ou agrotóxicos.

Recentemente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), juntamente com outras organizações da sociedade civil, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), lançaram uma carta se posicionando contra o Projeto de Lei 4.148/2008, que prevê acabar com a rotulagem dos transgênicos, que retira do consumidor o direito de saber se um alimento contém ou não ingredientes transgênicos. Entre os possíveis males relacionados ao consumo de alimentos geneticamente modificados está a correlação identificada no Dossiê Abrasco sobre o Uso de Agrotóxicos entre o aumento do cultivo de transgênicos e o de uso de agrotóxicos nessas plantações.

Os orgânicos apresentam vantagens comprovadas para a saúde como o fato de conterem cinco vezes menos resíduos químicos e estarem 33% menos expostos a bactérias resistentes a antibióticos. Os especialistas analisaram e debateram esses e outros dados a respeito do assunto.

E você, qual a sua opinião sobre o assunto? Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo!

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

 

Em comemoração e reconhecimento ao dia do índio que foi celebrado neste domingo dia 19 de abril o Ideias na Mesa exibe alguns vídeos relacionando grupos indígenas como protagonistas de ações que envolvem alimentação. Tendo-se a dimensão da comida como um patrimônio, nada mais adequado do que trazer experiências e práticas indígenas que sempre tiveram e ainda mantém uma relação muito próxima e sustentável entre os alimentos, sua cultura e a natureza.    

Reunimos alguns vídeos que mostram alimentos típicos que constituem a base da alimentação indígena, o uso medicinal de plantas, assim como uma experiência de parceria com um produtor local para comercialização de alimentos orgânicos, gerando renda para a comunidade.

O vídeo abaixo ensina a como preparar uma refeição típicamente ínigena, o "peixe com biju". O "biju" ou "beiju", é feito com um alimento tradicional da cultura brasileira que é conhecido por vários nomes dependendo da região: Mandioca, macaxeira e aipim. Coincidentemente, dia 22 de abril é comemorado o dia da mandioca, este tubérculo extremamente rico cultural e tradicionalmente.     

Outro vídeo que traz o peixe com biju como a base da alimentação, abordando também costumes da tribo, e a relação entre desmatamento e carências nutricionais:

Este vídeo apresenta um "herbário fitoterápico", o uso de plantas naturais com fins medicinais a partir do conhecimento secular indígena:

 

Uma tese de estudo é apresentada entre a relação da alimentação observada sob a ótica econômica em um grupo indígena. É analisado o período desde o cultivo até o consumo final: 

 

O seguinte vídeo traz uma matéria mostrando a associação de indígenas com um produtor local de orgânicos, melhorando a Segurança Alimentar e Nutricional da comunidade através da geração de renda: 

 

Os vídeos exemplificam a rica cultura e conhecimento natural que os povos indígenas possuem, evidenciando a relação que estes povos possuem com a terra. Alimentos, medicamentos e renda são elementos que os índios extraem e recebem através de sua íntima relação com o solo.   



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