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postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

No começo deste ano compartilhamos a experiência aplicada pela equipe do OPSAN com o título "A ressignificação do cozinhar - Um caminho para a comida de verdade", relembre aqui. Durante o mês de abril, estaremos discutindo o conflito de interesses em nossa rede, e por isso, destacamos na publicação de hoje uma das estações onde a temática foi trabalhada.

A oficina foi conduzida durante o Congresso Brasileiro de Nutrição 2016 em Porto Alegre, e contou com a participação de 50 inscritos entre nutricionistas, educadores e estudantes. Dentre as seis estações que discutiram assuntos diversos, uma foi dedicada a problematizar o conflito de interesses.

Para conduzir essa estação, a equipe decidiu que traria à tona a discussão sobre um caso real, atual e polêmico, a recente associação do chefe de cozinha Jamie Oliver, que ganhou projeção internacional ao promover uma alimentação adequada e saudável (AAS), à empresa Sadia.

A dinâmica utilizada foi a simulação de um julgamento sobre a conduta do chefe e o questionamento do julgamento era: “Há conflito de interesses na associação de um chefe de cozinha, promotor mundial da alimentação adequada e saudável, com uma multinacional, produtora de alimentos ultraprocessados, responsável por 20% da produção mundial de frangos?”. O caso dizia respeito ao Chef Jamie Oliver, mas a ideia principal era julgar o conflito de interesses e discutir a conduta de um chefe, ou qualquer outro profissional que constrói a sua imagem promovendo AAS e a utiliza associada aos interesses financeiros e mercadológicos da indústria de alimentos.

Para o julgamento, os participantes eram divididos da seguinte forma: um grupo de acusação (defendiam que existe conflito de interesse), um grupo de defesa (defendiam que não existe conflito de interesse) e um juiz. Ao escolher o juiz, antes mesmo de saber o caso, a pessoa era informada de que deveria contar com a imparcialidade para exercer esse papel.

O produto final dessa estação era o veredicto final do juiz, dizendo se existiu ou não conflito de interesse e justificando o seu posicionamento.   

Durante o julgamento coube ao facilitador moderar os grupos que passaram pela estação, e observou-se um bom engajamento da maioria dos grupos que se envolveram para embasar as argumentações de ambos os lados.

Confira a experiência completa.

  


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como o Ideias na Mesa, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 30 de Novembro de 2016

 

A publicidade infantil é um tema de extrema delicadeza no contexto da promoção da saúde para este público. Organizações e entidades vem acumulando materiais, militância e esforços há vários anos visando a proteção da infância em face as investidas mercadológicas de produtos alimentícios em sua maioria não saudáveis e vinculados a imagens, conceitos e personagens. Nesse sentido, compartilhamos no [Biblioteca do Ideias] de hoje a publicação  ‘Caderno Legislativo: Publicidade Infantil‘.    

O caderno foi lançado no dia 24 de novembro no Salão Nobre da Câmara e a equipe do Ideias na Mesa acompanhou o evento.  A publicação foi produzida pela equipe do Criança e Consumo e traz uma análise detalhada dos projetos de lei que abordam o tema em tramitação no Congresso Nacional. O caderno também apresenta de maneira didática o funcionamento do processo legislativo, o debate existente sobre a regulação da publicidade e comunicação mercadológica dirigidas ao público infantil e desvenda os mitos da regulação da publicidade.

 A publicação contém 170 páginas divididas em cinco partes, e objetivo principal é criar subsídios para frente parlamentar e somar esforços da sociedade civil para regular a publicidade infantil. A primeira parte explica como funciona o processo legislativo, como as leis tramitam dentro da casa e a importância da participação social nesse processo. A segunda parte coloca luz no debate sobre a regulação da publicidade e a comunicação mercadológica dirigida ao público infantil. Temas como o uso da internet e de youtubers mirins são debatidos dentro do escopo de publicidades direcionadas à crianças.

As partes subsequentes trazem um panorama de como anda a regulação da publicidade infantil no Brasil e em outros países, e desmistifica algumas informações que geram confusão como a de que a regulação "vai proibir até as propagandas do Zé Gotinha!". Nas conclusões, o caderno menciona organizações e instituições favoráveis à regulação estatal da publicidade infantil como a ANDI – Comunicação e Direitos, Instituto Alana, Conselho Federal de Psicologia, Ministério Público Federal, IDEC, Movimento Infância Livre do Consumismo, Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor, Ministério da Justiça, Movimento Ética na TV e diversos acadêmicos e especialistas.

Por outro lado, na contramão da proteção dos direitos das crianças, entidades com interesses econômicos e vinculados em sua maioria a indústria como o Conar – Conselho de Autorregulamentação Publicitária, Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, ABA – Associação Brasileira de Anunciantes, Abral – Associação Brasileira de Licenciamento, Abrinq – Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade, ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, Maurício de Souza Produções e a APP – Associação dos Profissionais de Propaganda, entre outras instituições.

Acesse a publicação na íntegra em nossa biblioteca.      




postado por Ideias na Mesa em Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Nasceu entre 1980 e 2000? Independente da resposta você deve se colocar no lugar de quem nasceu nesse período e entender como o Marketing mantem os olhos no seu comportamento, nos seus hábitos e nas suas escolhas.

Cerca de um quarto dos americanos nasceu entre 1980 e 2000, o que significa um total de US$ 200 bilhões/ano em poder de compra, segundo a Forbes no ano passado. Por isso os relatórios da indústria de alimentos estão cheios de estratégias de como informações nutricionais podem ser usadas para direcionar as escolhas da geração do milênio, mexendo com o inconsciente.

Aqui estão 7 estratégias de marketing que a indústria de alimentos usa para persuadir as pessoas e o que você pode fazer para se esquivar delas.

1. Fazer o produto parecer “totalmente natural”

As empresas sabem que essa geração demanda alimentos frescos e naturais. Isso é fácil de oferecer, uma vez que, nos EUA, a rotulagem de “naturais” não significa muita coisa. As regras americanas para rótulos com a palavra "natural" não permitem o uso de ingredientes artificiais ou corantes. No caso de carne, frango e ovos, o Departamento de Agricultura dos EUA também exige que os alimentos sejam minimamente processados ??.

Mas a indústria criou diversas outras maneiras de fazer com que um alimento pareça “natural”. Eles podem usar expressões como “integral”, “simples”, “comida de verdade”, “sem adição de corantes”, “sem adição de açúcar”, “sem glúten” e por aí vai. E qualquer desses alimentos pode não ser mais nutritivo do que os seus concorrentes que não contém essas informações nos rótulos.

No Brasil, temos como exemplo os diversos biscoitos que são vendidos como integrais, quando na verdade são majoritariamente produzidos com farinha branca e possuem baixíssimo teor de fibras.

Fique atento!! Use a lista de ingredientes para verificar se um alimento faz jus às suas reivindicações. Cuidado com os ingredientes que você não reconhece.

2. Afirmar que não há hormônios no produto e que a produção é sustentável

"Algumas coisas são cheias de hormônios. Nós não somos"

Aqueles que observam o Mercado garantem que dizer que o produto é livre de hormônio pode garantir a venda. É óbvio que nenhuma carne é completamente livre de hormônios, uma vez que é natural que os animais os produzam. Mas, talvez o que aumente as vendas é o slogan que algumas redes de produtos usam “Algumas coisas são cheias de hormônios, nós não”.

Mas essa propaganda norte Americana perde o sentido quando você lê aquelas letras miúdas na embalagem que dizem que de acordo com a legislação o uso de hormônios nas carnes de peru, frango e porco é proibido.

 E quando se trata de como o alimento é produzido, o assunto não é apenas “hormônios”. As empresas entendem que a “geração do milênio” se sente mais atraída por marcas que promovem a sustentabilidade e que são socialmente responsáveis. E quem não quer comprar alimentos produzidos por métodos mais sustentáveis ??ou responsáveis ???

Mas isso também significa que os rótulos ostentam uma enorme variedade de reivindicações como: livres de gaiolas, criados ao ar livre, alimentados com capim, orgânica etc. E nem todas essas expressões significam que você pode pensar que a empresa de fato trabalha com métodos sustentáveis.

No Brasil, um exemplo recente foi a união do chefe Jamie Oliver com a Sadia. O chefe sempre defendeu sistemas alimentares sustentáveis, já a Sadia, é uma empresa ligada a uma forma de produção intensiva e não sustentável. Mas a ideia da marca é vender para o consumidor a ideia de que seus produtos são aprovados por Jamie, e portanto, mais  por serem saudáveis e sustentáveis.

Fique atento!! Ao comprar um alimento tente refletir sobre como ele foi produzido e quais caminhos ele seguiu para chegar até você.

3. Promessa de energia para o seu dia

Empresas que delineiam estratégias de marketing para jovens dizem que a indústria de alimentos deve dizer aos consumidores quais são os benefícios que determinado alimento traz. Frases como “Energia para a sua manhã” ou “Ganhe o dia” são promessas de biscoitos e cereais matinais.

 Será que essas empresas têm evidências científicas para dizer que o produto de fato oferece mais energia para o seu dia do que qualquer outro? Se tiverem, ainda não foi publicado.

Fique atento!! Não presuma que um biscoito integral seja sinônimo de um café da manhã saudável.

4. Misturando tudo

Empresas de marketing estão aconselhando as empresas produtoras de alimentos a criar mix de alimentos ou bebidas novos e diferentes, como os Cronuts (croissant com donuts), ramen burger (hambúrguer que no lugar do pão tem macarrão instantâneo), ou para os brasileiros, hambúrguer no pão de queijo por exemplo.  Segundo essas empresas, os jovens são loucos pela união do gourmet e da emoção na comida.

Talvez era nisso que algumas lanchonetes norte americanas estavam pensando quando criaram algumas das refeições mais não-saudáveis do mundo. Um exemplo é uma lanchonete norte americana de “raspberry” que, no ano passado, foi noticiada pelo USA Today reported pelo enorme sucesso em vendas de bebidas açucaradas com pedaços de doces. Uma das bebidas oferecidas pela rede contem 970 calorias, ou seja, 1 ¼ copos de puro açúcar, tanto açúcar quanto em 1,18L de refrigerante de cereja. Essa bebida recebe o nome de “Xtreme Eating Winners"- Comida Extrema dos Vencedores, livre tradução.

Fique atento!! A união de diversos alimentos pode parecer interessante, mas pode significar ainda mais calorias que o normal. Caso não tenha acesso às informações nutricionais da refeição, prefira a opção tradicional e não deixe que o consumo dessas misturas vire tradição.

5. Rotular produtos como livres de transgênicos

Artigos mostram que os jovens têm uma tendência de comprar produtos que não são geneticamente modificados. Mas quando você vê um alimento com um rótulo "Não transgênico", saiba que a maioria dos alimentos que supostamente contêm OGM, na verdade, não têm qualquer DNA ou proteína geneticamente modificada. Muitos produtos ou alimentos que nunca seriam transgênicos, como o sal por exemplo, acabam recebendo em sua embalagem o dizer "livre de OGM's" para trazer a ilusão de um vantagem competitiva em relação a marcas concorrentes.  

Fique atento!! A cultura dos organismos geneticamente modificados trouxe diversos malefícios para o meio ambiente.

6. Sucos da moda

Lista de ingredientes do produto

Sucos, especialmente os sucos verdes, estão em alta! Mas é possível que você não encontre nada "de verde" neles.

Um exemplo na realidade brasileira são as bebidas de néctar de frutas da marca TAEQ - não podem ser chamados de sucos pois apresentam menos de 30% de fruta na composição - que passaram a utilizar embalagens de vidro e agregar o selo de orgânico nos produtos, mas o conteúdo do produto em si continua com uma longa lista de ingredientes, aditivos e açúcar adicionado.     

As empresas usam frases de impacto como prensado a frio, orgânico, livre de conservantes, livre de corantes, gluten-free  e sem adição de açúcar entre outras revindicações para cativar e muitas vezes iludir os consumidores. Mas na verdade, a maior parte das marcas se utiliza destas alegações para omitir as características reias do produto que incluem uma longa lista de ingrediente, químicos e açúcar.   

Fique atento!! Porque não comer os alimentos ao invés de liquidifica-los? Rúcula, agrião, pepino, espinafre e outros são ricos em  vitaminas A, C, e K, magnésio, potássio, cálcio, ferro e fibras.

7. Produzido com grãos integrais

A geração que nasceu entre 1980 e 2000 também é conhecida como “a geração dos grãos integrais”. Isso pode ser uma boa característica se o consumo de alimentos integrais for maior que o de refinados.  Mas e aqueles produtos que alegam "ser produzidos" com grãos integrais?

As empresas usam o slogan “produzido com grãos integrais” para vender produtos alimentares que são feitos com alguma quantidade de farinha ou grãos integrais e os consumidores acabam acreditando que de fato o alimento é integral. Algumas marcas de pães ou biscoitos, por exemplo, usam em seus rótulos a propaganda “alimento integral”, mas quando analisamos a lista de ingredientes percebemos que o principal ingrediente do produto é a farinha branca, e que na verdade o produto apesar de ser feito com alguns grãos, de integral mesmo só tem o nome.

Fique atento!! Procure produtos 100% integrais quando for comprar pães, biscoitos e cereais. Confira a lista de ingredientes e descubra do que é feito o alimento que você está comprando.

Confira a matéria original no link

Tradução: Ana Maria Maya  


 

 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 18 de Agosto de 2016

Essas ideias foram traduzidas do site “Healthy Food America” que tem como objetivo levar as evidências científicas para a prática, melhorando a saúde da população. Apesar de ser um site americano, ele traze várias ideias e inciativas que podem ser aplicadas nos mais diversos locais do mundo.

Hoje o [Mais que Ideias] apresenta um “kit de ferramentas” disponibilizado nesse site que tem como objetivo apresentar seis estratégias de políticas públicas e ações que visem reduzir o consumo de açúcar.

1. Reduzir a adição de açúcar no processamento de alimentos e bebidas.

Reformular produtos seria uma maneira efetiva de reduzir a exposição ao açúcar. A reformulação tem o potencial de melhorar a qualidade das dietas sem exigir do poder de escolha do consumidor, uma vez que os produtos já são produzidos com menos açúcar. 68% dos alimentos processados têm açúcar em sua composição. É um desgaste muito grande para o consumidor fazer os cálculos de quanto de açúcar ele pode consumir em um dia, tendo ainda que fazer a proporção de açúcar adicionado aos alimentos industrializados. Reformular os produtos e produzi-los com menos açúcar reduz o esforço que o consumidor tem que fazer para manter a sua alimentação equilibrada. E isso pode salvar vidas. Um estudo francês mostrou que as mortes relacionadas à alimentação poderiam ser reduzidas em 5% - centenas de vidas por ano – sendo que os benefícios seriam ainda maiores para pessoas de baixa renda.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Limites na quantidade de açúcar a ser adicionado em certos tipos de alimentos e bebidas;

- Limites no tamanho na porção de certos produtos açucarados.

2. Aumentar o preço para produzir e comprar produtos açucarados.

Se produzir alimentos com açúcar for mais caro, os produtores vão passar a usar menos açúcar. O mesmo acontece com os consumidores. Se o produto com mais açúcar for mais caro, o consumidor passará a comprar aqueles com menor quantidade de açúcar.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Cobrar um imposto ou taxa sobre bebidas açucaradas e /ou outros produtos ricos em açúcar ;

- Limitar o fornecimento de açúcar através da política agrícola ou comercial, aumentando assim o preço do fornecimento de açúcar;

- Impor uma taxa no açúcar.

3. Reduzir a disponibilidade de bebidas açucaradas.

Nas últimas décadas, o consumo de bebidas açucaradas e lanches industrializados tem se tornado inevitável. Esses alimentos conseguiram penetrar as barreiras das escolas, hospitais, creches, postos de gasolina, instituições governamentais, centros de recreação e até mesmo eventos olímpicos. Mas nos últimos anos muito tem se discutido se a disponibilidade desses produtos nesses espaços é apropriada ou não, ainda mais quando o alvo da indústria de alimentos são as crianças.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Retirar produtos com alto teor de açúcar das cantinas escolares;

- Retirar bebidas açucaradas dos hospitais e de outros serviços de saúde;

- Retirar bebidas açucaradas como a bebida padrão para as refeições das crianças em restaurantes

4. Melhorar a rotulagem e embalagem de produtos açucarados.

Rótulos com informações nutricionais podem ajudar os pais, por exemplo, a identificar se um suco de frutas para crianças possui ingredientes indesejáveis, como conservantes, corantes e/ou açúcar.   

Etiquetas de advertência de saúde, dispostas de forma destacada nas embalagens, podem ajudar os consumidores a decidir quais produtos escolher.  O Brasil já possui uma legislação de rotulagem, mas a leitura e interpretação desses instrumentos é difícil e requer que a população seja ensinada a ler e interpretar esse instrumento.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Exigir etiquetas de advertência em recipientes de bebidas açucaradas e / ou em fontes e máquinas de venda automática;

- Divulgação de açúcar adicionado, nos rótulos nutricionais e educar o público sobre como usar essa informação para escolher produtos mais saudáveis.

 

5.       Restringir a propaganda e promoção de produtos açucarados.

Vivemos em uma época na qual somos bombardeados de propagandas e estratégias publicitárias que promovem alimentos e bebidas açucaradas. Empresas americanas, que produzem alimentos ultraprocessados gastam uma média de 1,8 bilhões de dólares por ano para promover seus produtos para o público jovem, principalmente os jovens negros e hispânicos. Limitar as propagandas, especialmente para consumidores mais vulneráveis, como as crianças ??, pode ajudar a limitar a disponibilidade de produtos com excesso de açúcar.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Restringir a publicidade voltada para o público infantil;

- Restringir a publicidade de promoções especiais desses produtos;

- Implementar slogans de “saudáveis” em corredores livres de alimentos ricos em açúcar.

6. Educar a população e fazer “contra propaganda”.

Lutar contra o marketing “apaixonante” das empresas multibilionárias pode parecer frustrante, mas algumas pessoas já têm encontrado alternativas criativas e efetivas de fazer uma “contra propaganda” dos produtos dessas empresas. Em São Francisco, na Califórnia, por exemplo, existem outdoors que promovem a saúde.

Exemplos desse tipo de estratégia podem incluir:

- Lançar campanhas públicas de sensibilização e de “contra propaganda” para produtos açucarados;

- Exigir etiquetas de advertência nas embalagens ou publicidade para bebidas açucaradas;

- Realizar atividades de educação alimentar e nutricional em escolas, ambientes de trabalho e ambientes comunitários.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

O marketing é uma estratégia extremamente eficaz para divulgação e construção da imagem de determinados produtos, e por isso, é amplamente utilizada por uma grande variedade de indústrias incluindo a alimentícia.

No que diz respeito a este setor em específico, são inúmeras as campanhas publicitárias que exploram o aspecto afetivo, do prazer, e até mascaram os aspectos prejudiciais destes produtos atribuindo um outro valor na criação de uma nova imagem para marca. Alimentos ultraprocessados apresentam uma grande concentração de sódio, açúcar, gordura e aditivos químicos, prejudiciais à saúde quando consumidos com frequência. Ciente destes aspectos, as marcas que trabalham com alimentos processados investem grandes quantias para criar slogans positivos que vinculem seus consumidores.

Em março compartilhamos a campanha #DietaFail da ONG Aliança de Controle ao Tabagismo (ACTbr), que compartilhou imagens para conscientizar sobre as verdadeiras consequências associadas aos produtos, relembre aqui o post.    

Recentemente o Catraca Livre publicou uma matéria com imagens criadas pelo publicitário e designer Fabrício Fajardo seguindo a mesma proposta, confira: 

A Coca-Cola, além das campanhas clássicas, está trazendo ao Brasil um novo produto cujo objetivo é passar a imagem de um produto mais saudável, mas que na prática, continuam vendendo um velho produto com uma nova “roupagem”. Leia a matéria




postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 21 de Julho de 2015

O novo vídeo do grupo Americano “Centro para Ciências no Interesse Público (CSPI)” revela algumas das estratégias sorrateiras que as empresas de alimentos e redes de supermercados utilizam para influenciar as nossas compras sem que nós notemos.

*Você pode selecionar a tradução automática para obter legendas em português, porém, o conteúdo talvez não seja equivalente

A primeira questão levantada no vídeo, é de que mesmo indivíduos conscientes sobre a própria alimentação acabam sendo fisgados por algumas estratégias auspiciosas. Um exemplo acontece ao final do dia quando pais estão voltando do trabalho, muitas vezes apressados, e se deparam com promoções nas lojas encerrando o expediente: “compre um produto e leve outro de graça”, ou “OFERTA produtos a preços irrisórios”. Outro ponto abordado é conhecido como “compras espontâneas”. Este fenômeno acontece quando as pessoas ao percorrerem as prateleiras acabam comprando produtos que elas não precisam ou não queriam.

A explicação do porquê situações como estas acontece se relaciona com fatores descritos como: mente inconsciente, padronização de sabores e das reservas de força de vontade. Começando pela primeira, somos constantemente bombardeados com uma série de anúncios de produtos alimentares na televisão, em cartazes, nas rádios e até dentro dos supermercados. Por isto, ao entrar nas lojas a nossa consciência já está predisposta a determinados produtos.

Um artifício utilizado é a disposição em lugares estratégicos dos produtos nas prateleiras dos mercados. Estudos comprovam que as pessoas compram mais itens localizados perto do alcance da vista, por isto, empresas de alimentos pagam cotas maiores aos mercados para que seus produtos fiquem em espaços privilegiados. Outra estratégia de persuasão são corredores intermináveis que vão se afunilando a medida em que a saída se aproxima, praticamente obrigando os clientes a consumir mais.

Em relação a padronização, a indústria de alimentos não-saudáveis está constantemente modelando o paladar dos consumidores através do desenvolvimento de substâncias altamente palatáveis, para que eles se tornem reféns de seus produtos. Outra maneira de padronização se dá no fato das empresas ditarem combinações alimentares. No anos 60 os sanduíches costumavam ser acompanhados por picles, entretanto, a indústria convencionou o acompanhamento por batas que é o acompanhamento número um de sanduíches nos dias de hoje.  

O último aspecto diz respeito as reservas de força de vontade. A frase de Oscar Wilde descreve um pouco este conceito: “Eu consigo resistir a qualquer coisa, menos a tentação”. A maioria das pessoas resiste a tentações regularmente, mas é difícil fazê-lo quando nossas reservas de força de vontade estão baixas, como por exemplo quando estamos cansados, sobrecarregados ou estressados.

Aplicando este conceito a uma compra no supermercado, existe uma diferença significativa de se fazer as compras com mais tranquilidade em um sábado por exemplo, ou durante a semana logo após o trabalho. Quando estamos cansados fica mais difícil de lidar com as investidas da indústria que também se utiliza do público infantil com marketing específico para atingir pais e responsáveis.

Utilizar da mente inconsciente, da padronização de sabores e da vulnerabilidade da força de vontade dos indivíduos são as formas com que a indústria mina a escolha dos consumidores. Uma solução apontada pela CSPI é o redirecionamento das sessões nos mercados, destacando frutas e hortaliças em detrimento dos produtos não-saudáveis, e o fim da publicidade destinada ao público infantil. 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Este é o título da campanha lançada no dia 23 de junho pela Center For Science in The Public Interest (CSPI) em Washington, EUA. A campanha trás pessoas afetadas na vida real por diabetes, decaimento dentário, ganho de peso e outras doenças associadas ao consumo de refrigerantes, participando da regravação e paródia de um anúncio icônico realizado pela Coca-Cola em 1971 intitulado "Hilltop" - no topo da montanha, livre tradução.      

O anúncio de 1971 terminava com os atores cantando "Eu gostaria de ensinar o mundo a cantar em perfeita harmonia", "Eu gostaria de comprar uma coca e manter a companhia". De acordo com a organização sem fins lucrativos pela Defesa da Saúde que dirigiu o vídeo da CSPI, é a hora de mudar a melodia, e é esta a mensagem que o vídeo passa.

"Nos últimos 45 anos, a Coca-Cola e outras marcas de refrigerantes se utilizaram das mais sofisticadas e manipuladoras técnicas de marketing para convencer crianças e adultos de que um bebida promotora de doenças vai fazer eles se sentirem felizes", conta o Micheal F. Jacobson, diretor executivo da CSPI. Ele completa, "É uma campanha de lavagem cerebral multibilionária desenvolvida para distrair-nos da diabetes com pensamentos felizes. Nós achamos que era a hora de mudar a melodia".    

Refrigerantes e outras bebidas açucaradas são as principais fontes de calorias na dieta dos Americanos, e aumentam os riscos de desenvolver diabetes, decaimento dentário, e ganho de peso - condições encontradas nos pacientes do Hospital de Denver que participaram da filmagem.

"Estas bebidas são apenas uma das várias razões que contribuem para doenças, porém é a mais significativa", afirma Dr. Jeffry Gerber, um dos médicos do Hospital que aparecem na gravação. "Por ser um médico que pergunta aos meus pacientes sobre os alimentos e bebidas que eles escolhem, eu vejo a conexão entre consumo de bebidas e condições crônicas como as aqui descritas. É difícil de pedir aos pacientes que façam o consumo moderado quando anúncios presentes em vários lugares os persuade a um consumo exacerbado."

Você pode ajudar a campanha divulgando mensagens e compartilhando o vídeo nos seguintes meios virtuais:

Twitter

Facebook: 





postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 02 de Junho de 2015

Hoje apresentamos o texto reflexão escrito pela Camilla Ceylão, Nutricionista, defensora do direito humano à alimentação adequada e integrante do Projeto RAIS/CO, OPSAN-UnB. Nele, é abordado uma reflexão mais profunda sobre o conceito de Alimentação Saudável que tem sido utilizado de maneira oportunista como estratégia de marketing pela indústria alimentar.

Muito se tem falado e polemizado, atualmente, sobre os excessos e absurdos cometidos pelas propagandas de alimentos não saudáveis. Mas por que pegam tanto no pé de algumas empresas que fazem propagandas tão bonitas e divertidas? Qual é o problema delas? Será que tem uma explicação para essa crítica toda?

Vamos tentar explicar citando alguns exemplos, como o daquela empresa que vende alimentos ultraprocessados embutidos e congelados e recentemente vem veiculando uma campanha intitulada “Crônicas da Vida Moderna”. A campanha mostra uma mãe e seu filho. A mãe aparece com um celular na mão, sendo convencida – por dados disponíveis na internet – de que ele pode comer aquele alimento, já que é feito “com 100% de peito de frango”. A criança comemora.

Fonte: MILC

Outro exemplo é a nova campanha da maior marca de refrigerantes do mundo, intitulada “Mesa da felicidade”, que incentiva o compartilhamento de refeições entre família e amigos. A propaganda mostra famílias felizes compartilhando uma refeição, regada pelo refrigerante, produto principal, da empresa.

Mas, afinal, qual é o problema? Bom, o problema é que essas propagandas só ajudam a reforçar um conceito simplista e insuficiente de alimentação saudável, levando as pessoas a acreditarem que alimentos ultraprocessados (cheios de gorduras, açúcares, sódio e aditivos químicos, que endossam um modelo injusto e insustentável de produção de alimentos) podem fazer parte de uma alimentação considerada saudável e, por isso, serem consumidos sem restrições. O que não é verdade.

Veja, no primeiro exemplo, considera-se que uma criança pode comer um alimento ultraprocessado, pois entre seus ingredientes está o peito de frango – alimento considerado saudável. Porém a propaganda omite algumas informações importantes e “esquece” de dizer que o peito de frango não é o único ingrediente do produto – ele contém também vários outros ingredientes que não podem ser considerados saudáveis – que o alimento contém grandes quantidades de sódio e que é pré-frito.

Fica a pergunta: considerando todos esses aspectos, o produto ainda pode ser consumido sem restrições, só porque contém peito de frango?

Já no segundo exemplo, o da campanha do refrigerante, valoriza-se o compartilhamento de refeições, que vem sendo apontado por diversas pesquisas nacionais e internacionais, e inclusive pelo Ministério da Saúde, como uma prática saudável. Porém, a campanha peca ao relacionar esta prática a um produto ultraprocessado e, sabidamente, não saudável.

É importante saber que a alimentação saudável é composta por alimentos de verdade, aqueles que contêm e fornecem nutrientes, que são produzidos de forma social e ambientalmente justa, que estão livres de contaminantes físicos, químicos, biológicos e de organismos geneticamente modificados, que respeitam a cultura popular local, que são combinados e preparados com atenção, consumidos de forma regular e, de preferência, em boa companhia.*

Perceba que todos esses aspectos juntos influenciam a saúde e o bem-estar. Alimentação saudável é muito mais do que a ingestão de calorias e de nutrientes.

Assim, uma vez que se entende a alimentação saudável como algo muito mais complexo e amplo do que vem falando por aí, é possível perceber que o problema dessas propagandas está nos valores e interesses por trás do discurso bonito e divertido – porém insuficiente e pouco honesto – sobre a alimentação.

A utilização desse discurso tem se mostrado como uma boa estratégia de marketing e vendas para a indústria alimentícia, que conquista cada vez mais espaço na mesa das famílias brasileiras. Notícia boa para eles, porém preocupante para a nossa saúde.”

Acesse a fonte da notícia neste link. 


*Para saber mais sobre alimentação saudável, recomendamos a leitura do Guia Alimentar para População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo e com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde.



postado por Larissa Chaves Figueiredo em Terça-feira, 01 de Outubro de 2013

O que você acha do marketing de alimentos e bebidas dirigido às crianças?

O site Food MythBusters (Caçadores de mitos sobre a comida) traz uma reflexão sobre o conflito entre marketing de alimentos e o consumo de alimentos saudáveis e sobre a influência deste nos hábitos alimentares de crianças e adolescentes.

As grandes empresas de alimentos e bebidas gastam cerca de 2 bilhões ao ano com publicidade, para dizer às crianças e adolescentes o que elas devem comer, além de promoverem promoções e patrocínios.

Nos EUA as cadeias de fast food estão tomando o lugar das mercearias e mercados, reduzindo a disponibilidade de opções alimentares saudáveis.

Por essas e outras questões, que também são abordadas no vídeo de Anna Lappé, precisamos promover a alimentação saudável defendendo a comida de verdade e trabalhando para reduzir cada vez mais o marketing de alimentos não saudáveis voltado para crianças e adolescentes!

Confira o vídeo a seguir e reflita:

Fonte: PropagaNUT



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