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postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 06 de Abril de 2017

A Escola Pública Capital City, localizada na capital americana Washington, é uma boa representação da mistura de culturas dos Estados Unidos. Muitos de seus 981 estudantes são a primeira geração de americanos de suas famílias, que vieram de várias partes do globo. Por isso, quando a ONG 826DC decidiu publicar um livro colaborativo escrito pelos alunos do segundo ano do ensino médio, a escolha do tema da obra precisava aproveitar toda essa diversidade. O tema escolhido foi algo com o qual todos os alunos podiam se identificar, além de deixar espaço para sua expressão cultural: comida. 

Os instrutores e professores de escrita que acompanharam os alunos pediram que eles pensassem em uma receita de família com história e depois escrevessem uma redação sobre este prato. As 81 receitas e suas respectivas histórias resultaram em um Livro de Receitas de culinária mundial com um toque afetivo, revelando que a contação de histórias pode ser o passo mais importante de uma receita. 

Alguns alunos compartilharam contos de preparações que amavam e, assim, acabaram descrevendo pratos de dar água na boca "E à medida que o vapor do macarrão subia, o aroma parecia ter caído do Céu," escreveu Mark St. John Pete sobre a receita de macarrão com queijo de sua avó.

Outros acabaram escolhendo preparações que não gostavam tanto assim... "Eu acho que tamales não apodrecem, eles podem ficar na geladeira por semanas e continuarem com a mesma aparência," disse Rolando Fuentes, que acabou enjoando de tamales de tanto comer os bolinhos de milho típicos de El Savador feitos por sua mãe.

Escrever essas histórias foi de grande benefício para os alunos, que se preparam para ir para a faculdade ainda neste ano. Além de se tornarem escritores melhores, os estudantes acabaram tendo também a oportunidade de mergulhar em suas identidades e passarem tempo com suas famílias, reforçando relacionamentos antes da saída deles de casa. 

Para preencher lacunas em suas narrativas, muitos dos jovens escritores tiveram que procurar pelos membros mais velhos de sua família para obter informações. Quando eles não sabiam algum detalhe ou ingrediente da receita, os seus professores os encorajavam a conversar som sua família. "Nós dizíamos 'Vá falar com seu pai sobre isso' e quando eles voltavam nos contavam 'Eu falei com meu pai. Nós conversamos e ele me contou um monte de coisas. Eu não fazia ideia de tudo isso!'" disse Lacey Dunham, que faz parte da ONG 826DC.

No último dia do projeto, os alunos celebraram seu sucesso com um almoço comunitário - cada um levou o prato sobre o qual escreveu com tanta dedicação. Alguns até mesmo leram suas histórias para os outros. "É uma maneira divertida de fazer com que os alunos pensem criticamente sobre quem eles são," disse Zachary Clark, diretor executivo da 826DC, "contar as histórias deles por meio de um mecanismo cujo resultado é algo que todos podem comer." 

Abaixo, seguem três das receitas e histórias dos alunos que escreveram a obra Delicious Havoc!

Sopa de Quiabo, por Chidinma Lantion - Receita da Nigéria

"Minha mãe chegou a este país na noite de Haloween de 1990 (ela ainda não entende o propósito deste feriado); foi uma experiência. Ela era uma garota nigeriana de 18 anos, pequena e com olhos grandes que nunca tinha saído de seu país, mas era corajosa o bastante para ir em direção ao inesperado. Ela estava lutando por outra vida, fora das expectativas de seus pais em seu país-natal. Estava escuro e frio, e ela se sentiu como se as pequenas crianças de máscaras fossem uma projeção do que ela sentia por dentro. Ela foi para a casa de sua prima, em Rockville, Maryland, e a primeira coisa de comer que tentaram dar a ela foi pizza, mas ela não quis. Havia um excesso de sabores novos e não familiares para ela, tudo em uma fatia com a qual ela não soube lidar. O sabor era artificial. Então ela os obrigou a sair no meio da noite para comprar um pouco de Sopa de Quiabo, porque, depois de uma longa jornada para um país estranho, ela precisava de algo que a lembrasse de casa. Ela precisava da leveza do quiabo e da textura da carne de vaca para fazer com que ela soubesse que, não importava o quão longe ela estava de casa ou o quanto as coisas tinham mudado, ela teria o conforto de que a comida continuaria a mesma." 

Atole de Elote (Atole de Milho), por Jose Ricas - Receita de El Salvador

"Por mais que eu tenha nascido em 26 de Março de 1999, eu sinto que a minha vida só realmente começou quando eu tinha 5 anos de idade. Apesar de muitas pessoas dizerem que lembram de tudo desde que estavam no útero - o que, aliás, eu acho um pouco duvidoso - eu tenho algumas lembranças de quando eu era um menininho. Uma das minhas memórias mais vívidas é de beber arole de elote em um pequeno restaurante em El Salvador perto da vizinhança onde eu costumava morar. Atole de etole é feita de milho e leite. Existem algumas crenças culturais sobre o preparo do atole de elote. Crê-se que apenas uma pessoa pode misturar o atole de elote, se não o sabor será ruim, e que mulhereres grávidas e pessoas de mal humor não podem misturar a bebida também porque isso faz com que o atole de etole fique amargo."

Cháo Bòa, por Ana Nguyen - Receita do Vietnã

"Em um país cheio de várias culturas diversas, eu sempre me senti como uma exilada na escola. Quando aconteciam refeições comunitárias no Natal ou Dia de Ações de Graça, eu era aquela criança que levavam um saco de batata frita, não porque eu não podia levar um prato de comida, mas porque eu, de cultura vietnamita, vivia em uma cultura ocidental. Estou em um país principalmente dominado por comidas que minha família não tem o costume de cozinhar. Quando eu era pequena, nunca comida cereal no café da manhã. Eu o comia em raros lanches, sem leite. Nas poucas vezes que levei minha cultura para a escola, eu recebi comentários como "Tem uma cara estranha," "Me deu vontade de vomitar," e "O que é isso?"...

Um dia, dois bons amigos meus vieram a minha casa. Eles eram americanos-hispânicos comuns. Estávamos no meio de julho, em um calor de 32 graus, e era perto de meio dia. Nós três nos sentamos ao redor de uma pequena mesa de jantar na sala adjacente à cozinha. Então, minha mãe trouxe cháo para comermos. As preparações começaram em minha mente: inventei uma desculpa para minha mãe para explicar porque eles não comeriam o prato, e porque eu comeria quase tudo, e o porque eu pediria para ela não cozinhar comida vietnamita para meus amigos. Eu observei enquanto os meus amigos tomavam um pouco da 'sopa alien'. Um longo silêncio encheu a sala - na realidade, foram muitos segundos - e eu perguntei hesitante, "Como está o prato?" Para a minha surpresa, eles amaram." 

Você sabia que o Ideias na Mesa também tem livros colaborativos? O "Mais que Receitas" já tem duas edições: a primeira é composta por receitas de família e lindos relatos e a segunda traz deliciosas receitas e reflexões sobre o Sistema Alimentar. Acesse e baixe ambas gratuitamente na nossa Biblioteca! 

O post acima foi inspirado e adaptado do The Salt. 



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 30 de Março de 2017

O padrão alimentar tradicional brasileiro é uma beleza: arroz, feijão, carne, salada e vegetais são um almoço completo e delicioso! Temos ótimos hábitos como os momentos de socialização com o nosso cafezinho, nossa infinidade de variações de verduras refogadas, batidinhas e ensopadas, além de culinárias regionais muito ricas! Mas isso não siginifica que não podemos aprender com outras culturas hábitos para deixar o nosso dia a dia ainda mais cheio de saúde, prazer e equiilíbrio! Hoje, selecionamos 5 hábitos alimentares saudáveis de outros países para pegarmos emprestados por aqui! 

1) Japão: comida tem que ser gostosa e BONITA.

A culinária japonesa tem grande ênfase na apresentação de seus pratos! Porções pequenas, apresentações minimalistas e com alimentos coloridos como vegetais da estação aumentam o apelo visual das preparações! Pratos tradicionais como sushi, sukiyaki, soba, udon e sashimi são lindas construções com cores, sabores e texturas! Preparar alimentos e se preocupar com a aparência deles é uma ótima estratégia para fazermos da experiência de comer algo ainda mais prazeroso, afinal, comemos também com os olhos, certo?

Aprenda com os japoneses: use vegetais e frutas da estação para deixar seus pratos mais coloridos e bonitos e escolha porções pequenas para um visual minimalista.

2) França: coma comida de verdade, sem culpa.

Os franceses adoram boa comida: queijos, pães, chocolates, sobremesas, pratos tradicionais feitos com bastante manteiga e creme de leite fresco. Assim, este povo costuma associar a comida com prazer primeiro, sem pensar demais nos nutrientes que elas possuem. Nos Estados Unidos, por exemplo, a história é diferente: os americanos, que tem índices de obesidade e doenças crônicas muito mais altos do que os dos franceses, estão muito mais preocupados com os aspectos nutricionais dos alimentos. Nos EUA, uma sobremesa lembra primeiramente culpa, enquanto na França, a ideia que vem à mente quando se fala dessas delícias é a de prazer, festa, comemoração. 

Com essa mentalidade, os franceses são capazes de comer pratos tradicionais como confit de pato, macarrons e queijos artesanais com o mesmo prazer que consomem deliciosas frutas e hortaliças sazonais e locais. Tudo com moderação e sempre com prazer!

Aprenda com os franceses: coma comida de verdade, feita com ingredientes justos, sustentáveis, locais e gostosos, sempre com moderação e nunca com culpa. 

3) Etiópia: partilhe as refeições.

Na Etiópia, comer é quase sempre um ato comunitário! A comida é servida em um grande prato com o Injera, um pão tradicional feito com farinha de tefe, uma gramínea comum da região. Come-se com as mãos e o Injera é usado no lugar dos talheres, para pegar os vegetais, molhos e ensopados servidos. Os etíopes tem até o hábito de darem de comer um pouco de injera uns aos outros: o nome desse ato que simboliza amizade e amor é Gursha (ou goorsha ou gorsha) e acontece quando alguém enrola o injera com um pouco de comida com sua mão direita e oferece esse alimento direto na boca para outra pessoa. 

Aprenda com os etíopes: faça suas refeições com amigos e família, dividindo não somente comida, mas também amor!


 

4) Índia: use especiarias, temperos e tudo o que tiver direito! 

A culinária indiana é vibrante, alegre e muito bem temperada! Na Índia, os temperos e especiarias adicionam cor, sabor, aroma e muita saúde aos pratos. Gengibre, pimentas, açafrão-da-terra, cebola, alho, cardamomo, cominho, tamarindo, sementes de coentro e de mostarda, canela e cravo são utilizados separadamente e também em misturas tradicionais como o curry e o garam masala. Esses elementos são tão importantes na cultura indiana, que cada região ou até mesmo cada família cria sua própria mistura de especiarias e temperos, que dá uma personalidade única aos pratos. Essas receitas são geralmente passadas de geração em geração e tem grande valor afetivo!

Aprenda com os indianos: não tenha medo de criar suas combinações de temperos e especiarias, e não se esqueça de dividir essas receitas com a sua família! Comida constrói a nossa identidade também!

5) Coreia do Sul: respeite os mais velhos.

A culinária da Coreia do Sul é rica e cheia de história! Os pratos são feitos com deliciosos vegetais frescos, grãos, leguminosas e carnes, além de preparados fermentados extremamente vivos, sabororos e tradicionais como o kimchi. Mas o que mais chamou nossa atenção em relação aos hábitos alimentares coreanos é como o ato de comer em conjunto oferece mais uma oportunidade de demostrar respeito, oportunidade essa que os coreanos sempre aproveitam! Lá é um sinal de honra e respeito deixar que os mais velhos se sirvam antes dos mais novos, costume tradicional difundido até hoje. 

Aprenda com os coreanos: o jeito de ser comportar a mesa pode demostrar respeito também! Demostre amor, respeito e honra aos mais velhos oferecendo a eles os alimentos antes de se servir! Essa é uma lição muito legal de altruísmo para ensinar para as crianças também!



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Marion Nestle é professora no Departamento de Nutrição, Estudos Alimentares e Saúde Pública da Universidade de Nova Iorque. Nestle é autora de nove livros, incluindo Política dos alimentos: Como a indústria de alimentos influencia a Nutrição e a Saúde.

Em entrevista, Nestle fala sobre como e por que a indústria de alimentos investe na ciência da nutrição.

P: O financiamento da indústria de alimentos influencia os cientistas?

R: Sim. Estudo pós estudo e comentário pós comentário mostram que influencia. Isso tem sido visto nas pesquisas sobre o tabaco, os produtos químicos e as drogas farmacêuticas, que, nessa perspectiva, são as mais próximas aos alimentos.

A pesquisa sobre a influência da “Big Pharma” nas práticas de prescrição ou de investigação dos médicos iniciou há 40 anos. Há evidências de que um presente minúsculo da indústria farmacêutica, como uma caneta ou um bloco de papel, é suficiente para mudar as práticas de prescrição. E os médicos não conseguem perceber isso.

 

P: Eles não são conscientes sobre essa influência?

R: Não, é inconsciente. Eles acham que outras pessoas são influenciadas pela indústria, mas eles não. Eles não têm a intenção de vender um produto. Na verdade, eles negam veementemente essa prática.

Muitas vezes, eles não se aproximam das empresas de alimentos que financiam pesquisas, pois têm uma ideia de que estariam sendo comprados para garantir o cumprimento dos interesses da indústria e essa não é a intenção. A intenção era apenas para obter dinheiro para a pesquisa. O efeito não é reconhecido, não é intencional, mas inconsciente.

 

P: O que sua pesquisa mostrou?

R: Durante um ano, coletei estudos que foram financiados pela indústria de alimentos. Esta foi uma coleta casual. Dos 168 estudos que encontrei 156 deles tiveram resultados que foram favoráveis ao patrocinador e apenas 12 não.

 

P: As revisões sistemáticas concordam?

A: Apenas cerca de uma dúzia de opiniões têm olhado sobre isso. A maioria das evidências é consistente em relação aos estudos apresentados, sobre a indústria farmacêutica . Eles acham que os estudos financiados pela indústria são mais propensos a favorecer os produtos dos financiadores. Isso tem sido mostrado tantas vezes que é um dado. Exceções existem, mas são raras.

 

P: O quanto a indústria está envolvida?

R: É quase impossível obter evidências sobre isso, porque você não está lá enquanto os estudos estão sendo feitos.

Mas alguns e-mails foram reveladores. Por exemplo, em 2015, o New York Times obteve e-mails revelando que a Coca-Cola estava intimamente envolvida com pesquisadores cujos estudos visavam minimizar os efeitos das bebidas açucaradas sobre a obesidade.

 

P: E o recente estudo afirmando que o conselho de comer menos açúcar é baseado em pesquisas fracas?

R: Os autores disseram que o patrocinador do estudo, o “Instituto Internacional de Ciências da Vida (ILSI)”, financiado pela indústria de alimentos e de bebidas açucaradas, não tinha nada a ver com o estudo. Mas Candice Choi, uma repórter, tinha e-mails mostrando que o financiador tinha muito a ver com o estudo.

 

P: Os repórteres não podem pegar as falhas em estudos financiados pela indústria?

R: Até eu posso ter problemas com isso. Às vezes é óbvio, mas às vezes não é. E pode não haver nada de errado com a forma como a ciência é feita. É como a pergunta foi feita, a pesquisa foi projetada, ou como os resultados foram interpretados que conta.

Ou você poderia ter um resultado que é equívoco, mas você pode rodar os resultados de forma positiva. Eu vi muitos exemplos disso nos 156 estudos que coletei.

 

P: Quais empresas do ramo alimentício financiam pesquisas?

R: É difícil pensar em uma empresa alimentos que não. Eles descobriram que se eles têm um produto que parece ruim, eles podem fazer pesquisas para lançar dúvidas sobre essa ciência e destacar os benefícios da comida. Isso inclui açúcar, chocolate, Coca-Cola, carne bovina, carne de porco e laticínios.

 

P: E quanto a estudos sobre alimentos mais saudáveis?

R: Há também pesquisa sobre blueberries, amêndoas, caju, pecans, abacates, romãs. Assim, eles podem anunciar esses alimentos como “superfoods”. E funciona. Essa prática salvou a indústria do mirtilo de Maine. Alguém descobriu que as “blueberries” tinham um monte de antioxidantes, e eles começaram a publicidade sobre isso.

 

P: O que as pessoas podem fazer?

R: Desconfiar. Ter mais do que o nível habitual de ceticismo sobre um único estudo. Faça uma pergunta muito simples: Por que esta empresa pagou por este estudo? O que a empresa ganha com isso?

 

P: Os cientistas não precisam divulgar seu financiamento?

R: A maioria das revistas científicas exige divulgação, mas às vezes os autores esquecem. E raramente há consequências se o fizerem. E até mesmo a divulgação completa não controla o problema. Isso faz com que as pessoas pensem que tudo está sendo cuidado.

Pior, há um corpo substancial de pesquisa que mostra que a divulgação pode ter efeitos perversos. Para algumas pessoas, ver a divulgação faz com que confiem mais em um estudo, talvez porque pensem que os autores estão sendo honestos.

 

P: Você não é a favor da divulgação?

R: Absolutamente. Mas precisamos de uma declaração de divulgação unificada, para que todos tenham de revelar a mesma coisa.

 

P: Não se trata apenas de financiar um estudo?

R: Certo. Alguns conflitos são pessoais. Por exemplo, os pesquisadores teriam de dizer que são consultores da Coca-Cola, fizeram pesquisas no passado com a Coca-Cola, tiveram despesas de viagem pagas pela Coca-Cola, ou qualquer outra coisa.

E mesmo quando se trata do estudo, há gradações. Os pagamentos incluem salários para os investigadores, materiais, pagamentos aos sujeitos? Ou é algo tão pouco como o fornecimento de vitaminas?

A literatura da indústria farmacêutica diz que dar aos médicos uma caneta e uma almofada de prescrição é suficiente para mudar suas práticas de prescrição, mas se essas grandes empresas pagam viagens ou sua educação continuada, isso tem um efeito mais forte.

 

P: Algumas pessoas não acreditam que o financiamento da indústria seja apenas um tipo de viés?

R: Sim. Eles argumentam que todos os pesquisadores têm conflitos intelectuais de interesse. Isso é verdade. Você não faria ciência se não tivesse interesses intelectuais.

No entanto, esses estudos são susceptíveis de ser repetido por pessoas que têm interesses intelectuais diferentes. É por isso que na ciência, um estudo não faz uma conclusão.

Mas financiamento da indústria tem apenas uma finalidade, que é vender produtos alimentares. Essa é a principal diferença entre o viés de qualquer cientista e os vieses da indústria.

 

P: Como os cientistas respondem a você?

R: Muitos estão ofendidos. "Você está tentando dizer que todo o financiamento da indústria é ruim?", eles perguntam. Não. Estou dizendo que a pesquisa financiada pela indústria é mais provável de ser feita para fins de marketing. Enormemente mais provável.



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017


Proporcionar o abastecimento de alimentos orgânicos com processos e insumos sustentáveis, favorecer os circuitos curtos de comercialização e promover a segurança alimentar e nutricional são algumas das potencialidades da agricultura praticada dentro e nas redondezas das cidades.     

Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) é um conceito multidimensional que pode, em linhas gerais, ser definido como o plantio de alimentos e criação animal no perímetro das cidades. A AUP é considerada um elemento para o desenvolvimento sustentável dos centros urbanos. Apesar de ser uma prática milenar, a agricultura urbana vem se reposicionando dentro das metrópoles principalmente a partir de 1990, fruto da expansão da população urbana e do êxodo rural. O tema é pauta de organismos internacionais como a FAO que tem promovido o tema e documentado experiências em diversas regiões, já que alternativas para produção de alimentos saudáveis dentro de sistemas com resiliência ambiental são de extrema relevância uma vez que a população nas cidades não para de crescer assim como os agravos resultantes das mudanças climáticas.  

A AUP se relaciona de forma direta com pelo menos três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio, como os ODS 2 "Fome Zero e Agricultura Sustentável"; ODS 11 "Cidades e Comunidades Sustentáveis"; e ODS 13 "Ação Contra a Mudança Global do Clima, e dialoga de maneira transversal com as outras agendas. Ela pode dar uma importante contribuição para segurança alimentar e nutricional, especialmente em regiões de desertos alimentares. O processo produtivo  da AUP é predominantemente realizado de forma coletiva, empoderando os grupos envolvidos, proporciona o consumo de alimentos saudáveis e pode gerar renda a partir da comercialização de alimentos frescos e com um menor custo.

A transformação de Detroit

A AUP proporciona que as pessoas se sensibilizem de maneira prática e direta com questões ambientais, assim como também podem ser locais de expressão e aprendizagem associados à produção de alimentos.

 Muitas vezes geridos coletivamente, esses locais tornam-se novos espaços de cidadania. Um exemplo exitoso é o que tem acontecido em Detroit. A cidade que já foi uma das mais importantes dos EUA, por abrigar sedes e grande parte da produção das principais montadoras americanas, Chrysler, Ford e General Motors, viu sua “Era de Ouro” chegar ao fim com a crise de 2008. Houve um grande êxodo e, em pouco tempo, a cidade quebrou. Detroit virou uma cidade fantasma. Hoje a cidade conta com diversos projetos que buscam transforma-la em um lugar mais saudável, seguro e verde através de projetos de agricultura urbana para recuperação dos espaços.

O projeto de recuperação, por meio da agricultura, foi iniciado em 2012 por iniciativa da ONG Michigan Urban Farming Initiative (MUFI). O cultivo conta com mais de 8 mil voluntários e já produz o suficiente para atender gratuitamente mais de duas mil famílias que moram na região . O projeto abrange uma área de 30 mil metros quadrados. O complexo conta com mais de 200 árvores frutíferas, hortaliças e vegetais diversos, um jardim sensorial para as crianças e muito mais. Conforme o levantamento da organização, são mais de 300 variedades de vegetais. Desde o início do projeto, a colheita já rendeu mais de 22 mil quilos de alimentos, todos distribuídos gratuitamente à comunidade.

Experiências Brasileiras

Assim como em Detroit, existem diversas outras iniciativas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que mudaram a realidade de comunidades através da agricultura urbana. O documentário "Saindo da Caixinha" mostra iniciativas de AUP na cidade de São Paulo e como a experiência transformou a saúde de indivíduos além de tornar os ambientes urbanos mais verdes e saudáveis. Outra iniciativa é a "Revolução dos Baldinhos" na cidade de Florianópolis que faz a gestão comunitária de resíduos orgânicos sincronizada à prática da AUP, significando uma diminuição da produção do que antes era tido como "lixo" nas cidades e gerando adubo de alta qualidade com inclusão social.

A partir de exemplos como estes, a AUP tem sido incentivada pelos benefícios que tem trazido como: promoção  da soberania alimentar; incentivo ao comércio e distribuição de alimentos e agricultores locais; criação de emprego e geração de renda; redução dos impactos ambientais; e participação social e empoderamento. Os desafios são otimizar cada vez mais a utilização dos insumos, como água por exemplo, e associar a prática da AUP com outras técnicas para conservação e geração de sistemas sustentáveis e integrados garantindo mais equidade e responsabilidade ambiental nas cidades. 

Você conhece ou participa de alguma experiência de agricultura urbana ? Conta para nós na página do FB do Ideias na Mesa !





postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

Há cinco anos, quando o Centro Médico “Lankenau” foi confrontado com provas de que estava servindo a comida menos saudável da Pensilvânia, o hospital decidiu abraçar os resultados com uma abordagem não convencional:

construindo uma fazenda orgânica que forneceria alimentos frescos aos pacientes.

Em 2011, enquanto o hospital de ensino e pesquisa fazia sua própria pesquisa sobre as necessidades de saúde de seus pacientes, a Fundação “Robert Wood Johnson” divulgou os resultados de uma pesquisa sobre o estado de saúde da população que vive na Pensilvânia. O hospital “Lankenau” está localizado no Condado de Montgomery, um dos mais saudáveis do estado, levando em conta fatores como taxas de obesidade e acesso à alimentação adequada. Mas a área de abrangência do hospital o leva a receber muitos pacientes do condado de Filadélfia, classificado como o menos saudável de todos os 67 municípios analisados.

"Isso foi realmente revelador porque mostrou que estávamos atendendo pacientes muito diversos", disse Chinwe Onyekere, administradora associada do Lankenau, sobre as revelações do estudo. Os resultados mostram que os pacientes do hospital apresentavam diferentes níveis de conhecimento sobre nutrição e de acesso a alimentos de qualidade.

Estima-se quem todos os EUA, cerca de metade dos americanos tenham algum tipo de doença crônica decorrente de hábitos não saudáveis como a falta de exercícios físicos, o tabagismo e a alimentação inadequada. O tratamento para essas doenças, que incluem a asma, doença cardíaca ou diabetes, foi responsável por mais de 75% das internações hospitalares e consultas médicas, nos últimos anos.

Isso tem feito com que alguns hospitais procurem maneiras de promover a saúde antes que a condição dos pacientes seja tão crítica a ponto de que uma visita ao hospital seja necessária.

No hospital Lankenau, isso significou melhorar o acesso de seus pacientes à alimentos saudáveis!

Como os médicos, enfermeiros e outros funcionários não eram especialistas em agricultura, o hospital fez parceria com a Greener Partners, uma organização sem fins lucrativos que luta por sistemas alimentares locais e que construiu e faz a manutenção da fazenda “Deaver Wellness”. Onyekere, que dirige os programas de necessidades da comunidade para o hospital, supervisiona o projeto.

Desde a inauguração em 2015, a fazenda forneceu mais de 4 mil kg de alimentos orgânicos para os pacientes do hospital, sem nenhum custo. Os produtos são usados em atividades de educação alimentar e nutricional e servidos no refeitório do hospital.

A partir de uma avaliação das necessidades da comunidade, a equipe de funcionários de Lankenau aprendeu que muitos de seus pacientes não tiveram o acesso à informação sobre o valor nutricional e a importância do consumo dos alimentos in natura, como as frutas e os vegetais.

Agora, enquanto os pacientes esperam suas consultas, podem escolher alimentos frescos como couve, brócolis, tomates, berinjela, rúcula e outros. O hospital também fornece receitas e, durante a consulta, os médicos usam o produto escolhido na sala de espera, para mostrar como o paciente pode fazer escolhas mais saudáveis.

Ainda nas salas de espera de Lankenau, alguns funcionários do hospital conduzem cursos e oficinas sobre alimentação saudável. Um funcionário pode, por exemplo, trazer os ingredientes, para uma salada de cenoura, discutir o valor nutricional de cada ingrediente e, em seguida, cortar e montar a salada na frente dos pacientes. Depois os pacientes recebem alguns ingredientes e receitas que podem ser feitas em casa.

Durante anos, antes da fazenda, os educadores de saúde do hospital realizavam aproximadamente 14 programas de educação em saúde em um centro, com duas salas de aula, no meio das instalações hospitalares. Entre 7 e 10 mil alunos, do jardim de infância ao 12º ano, fizeram cursos todos os anos sobre saúde, como nutrição, saúde social, bullying e assédio.

Agora, segundo Onyekere, a fazenda do hospital deve funcionar como um "laboratório de aprendizagem" para aulas sobre alimentação saudável, oferecendo a oportunidade de se ter experiências práticas com os alimentos. Assim os alunos podem aprender sobre alimentação saudável, cultivo orgânico, hortas e construção de hábitos saudáveis.

Fora das paredes do hospital, a instituição Lankenau - em parceria com o Food Trust e o Departamento de Saúde Pública de Filadélfia - incentiva a compra de alimentos saudáveis, oferendo cupons chamados “Philly Food Bucks”. Os cupons são válidos para a compra de frutas e legumes frescos, em mais de 30 mercados de agricultores, e são dados aos pacientes que manifestam o interesse em ter um melhor acesso a alimentos saudáveis.

"A partir do momento que o paciente entra pela porta até o momento em que deixa o consultório, toda essa experiência está focada em melhorar sua saúde", disse Onyekere.

Drew Harris, Diretor de Políticas de Saúde e Saúde da População, da Faculdade de Saúde da População, da Universidade Thomas Jefferson, disse que apenas recentemente os profissionais de saúde começaram a assumir a responsabilidade por não tratar da alimentação. Um médico aposentado, especialista em diabetes, se lembra de ter uma filosofia muito diferente sobre doenças crônicas e saúde geral dos pacientes.

"Como muitos médicos, eu sempre culpei os pacientes por não ficarem bem", disse ele. “Mas não me fiz a pergunta: Será que os pacientes tinham as informações necessárias e o acesso a uma alimentação adequada para diabéticos?".

"Não ter segurança alimentar - não saber de onde sua próxima refeição virá ou se você pode comprar tudo o que precisa, quando precisar - é um grande desafio", disse ele.

Embora a insegurança alimentar não seja uma questão nova, ele acha que a educação médica está apenas começando a ter uma abordagem mais holística.

"Há um incentivo muito maior para se preocupar porque os pacientes não estão melhorando e o que podemos fazer para evitar que eles fiquem doentes, o que temos que enxergar é que isso tem muito a ver com o seu ambiente social e o seu acesso a alimentos saudáveis", disse o médico.

Onyekere estima que Lankenau forneceu produtos agrícolas para cerca de 400 pacientes até o momento e o hospital está prestes a lançar uma pesquisa aos pacientes com o objetivo de entender melhor o impacto do programa.

Embora ela tenha dito que os pacientes expressaram que a fazenda está fazendo a diferença e aumentando a conscientização de como fazer escolhas saudáveis no dia a dia, a pesquisa será um recurso valioso para outros provedores de saúde considerando iniciativas semelhantes.

A equipe que cuida da fazendo tomou a superação das expectativas de produção para 2016, como um sinal de que pode aumentar ainda mais a produção. Onyekere disse que Lankenau também está procurando doar seus alimentos para outros parceiros, como bancos de alimentos locais.

Lankenau não é o único hospital que construiu uma fazendo no país. Outros, incluindo “St. Joseph Mercy Ann Arbor” e “Henry Ford West Bloomfield Hospital”, ambos no Michigan; e “St. Luke's University Health Network” na  Pensilvânia. Mas Onyekere não conhece nenhum outro que tenha incorporado tão extensivamente seus próprios alimentos orgânicos ao dia a dia hospitalar.

Para que a América enfrente a crescente epidemia de doenças crônicas, essa integração é fundamental e, como mostram esses hospitais, ela já está acontecendo. “Estamos começando a olhar para além do paciente, percebendo o ambiente no qual ele vive”, disse Harris.

 

Trauzido por Ana Maria Maya, de https://goo.gl/VgpNWA.



postado por Marina Morais Santos em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Por Memo Bautista (https://goo.gl/64OA0z)

 

Reduzir o cacau somente ao chocolate é limitar um dos alimentos mais versáteis que existem. A pasta de cacau não processada é espessa e, se acrescida de canela e baunilha, se torna sobremesa; mas se for adicionada água, ela se transforma em uma incrível solução perfumada. Existem ainda seus componentes benéficos como os antioxidantes, os seus minerais e vitamina C. Sem falar que o cacau também é delicioso. Não foi ao acaso que o cientista Carl Linnaeus nomeou este fruto de "Theobroma cacao": A Comida dos deuses, algo que os antigos habitantes do continente americano já sabiam muito antes da chegada dos espanhóis.

Durante o quarto "Festival do Cacau e do Chocolate" realizado no Museu Nacional de Culturas Populares, na Cidade do México, conheci três cozinheiros artesanais que estavam redescobrindo as variadas formas que seus antepassados mexicanos costumavam consumir esse alimento incrível.

Espuma de Cacau - Hortensia (Cholula, Puebla)

Hortensia crava o molinillo em sua panela de barro, uma espécie de moedor e batedor. Suas palmas agarram o cabo de madeira e ela começa a   esfregá-las vigorosamente. O moedor gira de um lado para o outro, revolvendo e misturando as águas de cacau com um toque de milho, açúcar e gelo. Começa a magia. O batido faz com que a gordura natural do cacau suba em forma de espuma. Pronto, o líquido se transforma em uma espessa camada de bolhas castanhas.

A mulher pega uma jícara (um copo típico no formato de pêra, que lá é inspirado no formato de uma abóbora regional) e serve uma bebida que parece um frappé. "É uma bebida tradicional pré-hispânica. Bebida dos deuses.", me disse Hortensia, que vende esta bebida há 7 anos em Tepozotlán.

A espuma derrete na boca, deixando uma sensação refrescante. É inevitável pensar que é mais amargo que chocolate. A boca é deixada limpa, sem a sensação de gordura deixada por chocolates de qualdiade ruim. "Eu preciso de outra." , pensei.

A receita é de família - um segredo. Durante a infância, a mãe de Hortensia a ensinou a preparar a bebida. Ela compra tudo o que precisa na Central de Abastecimento e faz todo o processo de transformação do cacau: limpa, tosta, mói, mistura com o milho e açúcar, dissolve em água com gelo e bate durante o dia todo.

"Qual é o segredo para que forme tanta espuma?", pergunto.

"O segredo é o molinillo", me disse Hortensia sem parar de bater. "Tem que bater durante o dia todo".

"É preciso ter um bom braço", brincou.  "Bem, toque-o" Ela expõe o braço direito para que eu possa tocar. E sim, Hortensia é uma mulher com braços fortalecidos pelo cacau.

Tejate - Leticia Ruíz (San Andrés Huayapam, Oaxaca)

Leticia perde sua seriedade e um sorriso ilumina seu rosto toda vez que fala sobre Tejate, a bebida refrescante que herdou de seus pais.

"É o que realizamos em nossa comunidade, é o pilar da nossa economia. Aprendemos primeiro por necessidade, e depois porque é uma arte, uma coisa maravilhosa", me conta sem deixar de mexer a mistura refrescante feita com milho, cacau, amêndoas de mamey e flores de cacau, que ela e todos os que preparam a Tejate chamam de "rosita".

As mulheres zapotecas e mistecas de San Andrés Huayapam, o povo que inventou essa bebida há mais de mil anos, se instalam nos mercados de Oaxaca com grandes tachos e panelas de barro contendo esse líquido grumoso. Lericia não vende mais nos Centros de Abastecimento, mas em Santa María Hornos,  muito perto do centro de Oaxaca. Essa nova geração de mulheres de San Andrés Huayapam ultrapassaram suas antecessoras, elas estão experimentando novos jeitos de comer o tejate: em biscoitos, bolos, com gelo, em forma de pó e em nicuatole (uma sobremesa tradicional oaxaquena parecida com gelatina).

"Preparar tejaste é uma arte", me conta Leticia. Além de saber o ponto exato de cozimento do milho e como tostar corretamente os outros ingredientes, também é preciso misturar a massa com as mãos e bater constantemente ao adicionar a água gelada. Não é a toa que Leticia e suas conterrâneas tem braços fortes e musculosos.  

Ela pega um copo e serve um pouco de calda de açúcar já preparada e então adiciona o tejate. É assim que a bebida é adoçada: a gosto do freguês. Ela me entrega o copo e eu bebo. É refrescante e, mesmo tendo colocado bastante calda de açúcar, não é doce demais. A bebida é leve e no primeiro gole, se enche a boca com o sabor de milho e cacau.  Mais um gole e sente-se o toque das amêndoas de mamey. É preciso dar um bom e generoso gole na bebida para identificar todos os sabores que formam o tejate. Pequenos goles aqui não servem.

 

Bebidas Medicinais do Código Florentino - Fernando Rodríguez (San Juan Teotihuacán, Estado de México)

Para o senhor Fernando, não foi suficiente apenas ler no Código Florentino - texto em que Fray Bernardino de Sahagun descreve os costumes antigos do povo mexicano - sobre os ingredientes com que as cozinheiras preparavam bebidas de cacau no antigo mercado de Tlatelolco. Ele quis reproduzí-las.

"Com a conquista, se destruíram todas essas receitas. Através do Código e seus  relatos de pessoas que costumavam preparar essas bebidas, resgatamos algumas informações," conta ele. "E com o que recuperamos, sabemos as especiarias, as ervas, as sementes, mas não as receitas."

Faz oito anos que começou sua caminhada com o cacau. Em sua livraria e cafeteria, em San Juan Teotihuacán, começou a ler livros que narravam a vida no México antigo. Livros como o Popol Vuh e o próprio Código Florentino - escrito entre 1540 e 1585 - permitiram que Fernando se aproximasse do cacau. Então, a livraria e cafeteria pararam de existir e Fernando direciona seus esforços às bebidas de cacau, que decidiu fazer doces.

"Faz uns seis ou oito anos, não havia nenhuma iconografia sobre o cacau; quando chegamos em Teotihuacán, começamos a estudar como os teotihuacanos tomavam o cacau". Pouco a pouco, Fernando começou a misturar a pasta de cacau com outras ervas. Mas não antes de consultar os médicos tradicionais da região, que deram a ele as instruções sobre as propriedades das plantas.  

"Não falamos para as pessoas beberem a bebida porque servem para isso ou para aquilo. Vendemos porque tem um sabor bom, apesar de sabermos que elas têm algo a mais, que elas contribuem. As pessoas não sabem, mas as bebidas ajudam."

A primeira bebida que reproduziu foi a "Atlaquetzali", um líquido muito especial ou muito apreciado, já que seu nome significa "Água Preciosa". É uma combinação de pétalas de flor de magnólia, folha de azevinho, pimentão e pimenta. A sensação é picante, a pimenta e o pimentão são protagonistas, sem serem agressivos. "

O homem, de pele bronzeada pelo sol, que está sempre com um sombreiro de abas largas, me dá outra bebida para provar: "Quetzalpapalotl", com alecrim, gengibre, canela e cacau. Tem um sabor doce, sente-se o gengibre no paladar e a canela e o alecrim perfumam a mistura. Mesmo que esta mistura não seja pré-hispânica, porque a canela e gengibre tem origem asiática, ela tem o sabor do México.

"Deixe-me dizer-lhe que essa é uma receita para tosse. A única coisa que fiz foi adicionar o cacau. E ugh! É extraordinária." Em seguida, me ofereceu outra. Esta se chama "Tlexóchitl" ou "A flor de fogo" e é preparada com damiana, menta e cacau. É refrescante e nada enjoativa, tomada em um lugar quente, seria um alívio e, asssim como o Quetzalpapalotl, é um remédio para dor de estômago.

A última bebida que provei foi uma preparada com cacau, aveia, amaranto e milho. Ela se chama "Sementes de Vida", um nome adequado para uma bebida que reúne elementos que praticamente forjaram as civilizações ao longo da história da humanidade.

"Estamos prestes a lançar um pozol (bebida fermentada pré-hispânica) com três tipos de milho: o branco, o vermelho e o azul. Os maias faziam só com o milho comum, aqui será no estilo teotihuacano", me disse com um sorriso. Estou certo de que leu meu pensamento. "Porque os maias eram excêntricos como os teotihuacanos e penso que se existissem todos esses milhos, eles os fariam assim também."

Não há dúvidas, ele leva o povo no sangue.

 Traduzido de Munchies (https://munchies.vice.com/es/)



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2017

Autor: Jill Neimark

Fonte: https://goo.gl/WFOIJn

Um pequeno amendoim rosa não é um rinoceronte branco. Nem é uma tartaruga verde ou um tigre de Bengala. Mas até alguns anos atrás, o amendoim africano da Carolina - antigamente o amendoim mais elogiado do Sul, repleto de sabor e rico em óleo - era muito parecido com o rinoceronte, a tartaruga e o tigre. Ou seja, estava quase extinta.

O amendoim africano da Carolina, como muitos dos cultivos tradicionais do sul dos Estados Unidos, foi trazido a América no século 17 por africanos ocidentais escravizados, que o cultivavam nos fundos de seus quintais. Era a castanha ancestral do sul, celebrada em canções, tradicionais frituras e sopas de amendoim e no tradicional bolo de amendoim com melaço de Charleston (Carolina do Sul).

De acordo com relatos da época, os vendedores de bolos de amendoim desciam até os cais da cidade quando os barris de melaço estavam sendo descarregados, raspando-os para ferver para os bolos, adicionando manteiga, clara de ovo, amendoim e cascas de limão. Os bolos eram vendidos por um tostão por mulheres negras livres chamadas "maumas" sentadas em banquinhos de três pernas do amanhecer ao anoitecer. Todas as vendas em que as maumas do amendoim se instalavam foram fechados como parte dos esforços locais de saneamento da Primeira Guerra Mundial estabelecidas por Herbert Hoover.

Chloe Jenkins (1843-1899), fotografada em Charleston por volta de 1897, era um chamada "mauma", uma mulher negra livre que vendia bolinhos de amendoim por um centavo cada.

 

Já nos anos da Grande Depressão, os amendoins tradicionais já tinham quase desaparecido - substituídos pelos populares amendoins da Espanha e da Virgínia (os amendoins da Virgínia foram trazidos da Bolívia nos anos 1840).  Apenas 40 sementes do amendoim africano sobreviveram, escondidas pelos na década de 1930 em um banco de sementes em armazenamento frio na Universidade da Carolina do Norte.

Agora, o amendoim africano da Carolina está de volta.

A primeira safra comercial, que contou com 15 milhões de amendoins, foi colhida em novembro passado e foi distribuída a chefes de cozinha e fabricantes artesanais de manteiga e óleo de amendoim.  

"O amendoim", diz o chef Forrest Parker, nomeado chef embaixador da Carolina do Sul em 2016, "é pequeno ao ponto de ser diminutivo, mas quando torrado tem o sabor mais intenso de amendoim que já experimentei e continua a ser uma revelação toda vez que provo".  

O amendoim deve seu avivamento ao historiador gastronômico David Shields, autor de 'Southern Provisions'. "Eu tinha visto uma fotografia do amendoim em uma colação na Biblioteca Britânica" relembra Shields, que perguntou a Tom Isleib, um produtor e pesquisador de amendoins da Universidade da Carolina do Norte, se a universidade tinha o amendoim na sua coleção. "Eles tinham preservado a semente, mas ela era chamada apenas de Carolina N° 4" relembra Shields.

Logo, o horticultor Brian Ward, do Centro de Pesquisa Costeira e Educação da Universidade Clemson, em Charleston (Carolina do Sul) foi encarregado de plantar 20 dessas 40 sementes restantes Doze brotaram. Sabendo que essas 12 eram o remanescente precioso de um amendoim quase extinto, ele cuidou delas de forma especial. "Eu as plantei bem aqui do lado do meu laboratório" lembra Ward, "assim eu era capaz de vigiá-las o dia todo."

Quando os primeiros amendoins floresceram no verão de 2013, Ward e Shields tinham certeza de que haviam recuperado o há muito perdido Amendoim Africano da Carolina. O resultado era exatamente igual às antigas fotos.

"Sabíamos no momento em que vimos a multidão de amendoins pendurados em seus pedicelos", diz Shields.

Naquela ano, 12 sementes se tornaram 1200, e então 60.000 em 2014, 1 milhão em 2015 e, em 2016, 15 milhões. Cerca de 30 pequenos agricultores também produziram pequenas colheitas do amendoim em 2016.

Chef Parker diz que criou um prato inspirado nos bolos de amendoim e melaço tradicionais para um jantar beneficente que teve como objetivo levantar fundos para reviver a culinária de fusão que antes prosperava desde a Carolina do Norte até Jacksonville (Florida). "Nós usamos o bolo de amendoim como inspiração, mas intitulamos nosso doce de 'Veludo Elvis'. Ele era feito de creme de banana assada, amendoim torrados, bacon e uma redução de molho de pimenta e melaço, tudo dentro de uma massa folheada."

Neste ano, segundo Parker, ele está recebendo galões enormes de amendoins produzidos pelo paisagista e agricultor tradicional Nat Bradford que produziu 1000 quilos de amendoim este ano. "O sabor é intenso", disse Bradford. "É como se você tivesse aumentado o volume de um amendoim. Até a fragrância do arbusto do amendoim é incrível."

O avivamento deste amendoim vem em um bom momento para os produtores da Carolina do Sul, que estão se voltando para os tradicionais amendoim da Virgínia e o africano da Carolina do Sul para as colheitas do futuro. "Há uma Renascença do amendoim acontecendo no  estado", disse Ward.

Em 2003, os amendoins foram cultivados em apenas 19 mil acres das terras agrícolas da Carolina do Sul. Hoje, várias variedades de amendoim são cultivadas em 110 mil hectares e o tradicional amendoim da Carolina será adicionado em breve à mistura.

"E pensar que aquelas 40 eram as únicas sementes viáveis no planeta" reflete Ward, "É muito especial trazê-las de volta". 

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No Brasil e no Mundo, vem se fortalecendo o conceito de Comida como Patrimônio. Ele surgiu da necessidade de se perpertuar preparações e métodos de produção extremamente representativos da cultura de um povo. O retorno do amendoim africano da Carolina e a tradição de fazer os bolos de amendoim das maumas devem ser discutidos à luz deste conceito. Reconhecer um alimento como patrimônio é um processo complexo que não ocorre de maneira impositiva, mas sim como resultado do acúmulo cultural em torno de determinada prática ou alimento.

Discutir a relação da dimensão cultural com a segurança alimentar e nutricional é necessário e pode se mostrar estruturante na medida em que nos ajuda a discutir até mesmo o processo de produção dos alimentos. Quando fala-se em alimentos tradicionais e regionais, fala-se de modos de preparos únicos, passados de geração em geração e conectados com a identidade cultural, o bioma local e o cultivo e produção de alimentos. Resgatar o amendoim africano da Carolina só foi possível com a integração de pesquisadores, pequenos produtores, chefs e cozinheiros, que interligaram os aspectos culturais e tradicionais deste alimento com seu potencial gastrônomico e de produção agrícola.



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016

Neste ano, o aniversário do Ideias vai ser muito bem comemorado com o Piquenique de Ideias! No dia 3 de dezembro, celebraremos juntos a comida de verdade em todo o Brasil com piqueniques realizados por nossos usuários! Todos estão convidados a serem anfitriões conosco e organizarem um piquenique em sua cidade, para saber mais sobre como participar, clique aqui!

E para ajudar os nossos anfitriões a organizarem piqueniques bem gostosos, selecionamos essas ideias divertidas para animar o evento!

1. Sirva comida no espetinho!

Servir comida no palito que nem picolé ou no espetinho como se fosse um churrasquinho é uma ideia divertida e muito fácil de executar! Com essa dica, simples pedaços de frutas ficam mais bonitos e atrativos e também fáceis de comer! Você pode fazer isso com um ou mais tipos de fruta e também com outros alimentos como esse espetinho de queijo branco, tomate cereja e manjericão! Gostou da ideia?

2. Prepare o ambiente com toalhas e almofadas!

O seu piquenique pode ficar ainda mais bonito se você caprichar no ambiente! Uma ideia é escolher, além de uma bela toalha, almofadas para que os convidados se sentem com mais conforto! Outra opção é usar caixas e palets para fazer "mesinhas" para o seu piquenique! Fica muito bonito, não é? 

3. Decore!

Um piquenique com decoração legal anima todo mundo! Junte seus amigos e bole decorações bonitas que aproveitem a natureza e ambiente ao seu redor! Você pode usar cartazes, balões, banderolas e até guarda-chuvas! Que tal?

4. Inove dentro de casa!

Se o dia amanhecer chuvoso ou se você não tiver um local ao ar livre a sua disposição para fazer o piquenique, não desista da ideia: é só chamar os amigos para fazer um piquenique dentro de casa! Use a mesa de centro da sala e convide as pessoas a se sentarem em almofadas, prepare uma ambiente bonito a luz de velas ou construa com as crianças uma árvore de papel e traga a natureza até você! 

5. Volte à infância!

No piquenique, vocês receberão pessoas de todas as idades, por isso, uma boa ideia é servir pratos que todo mundo vai apreciar! Quitutes que comíamos na infância são perfeitos para o clima alegre e descontraído do piquenique como dimdim, bolo, pipoca! Tudo isso pode ser preparado com ingredientes in natura e minimamente processados, assim, você terá comida de verdade com gostinho de infância!

6. Planeja atividades!

Um bom piquenique não tem só boa comida, mas também brincadeiras e atividades para o pessoal se divertir! Estimule os convidados a levarem jogos de tabuleiro, pipas, bolas, raquetes para brincar durante o piquenique! Você também pode inventar atividades diferentes como oficinas em que os convidados ensinam um a outro, compartilhando conhecimento e habilidades! Nossas sugestões são oficinas de artesanato, ioga, alongamento e dança! 

 



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Para comemorar nosso aniversário de 4 anos, nada melhor do que um piquenique! E por que não, vários piqueniques ao redor do país? 

Dia 3 de dezembro de 2016 será o Piquenique de Ideias, um evento para celebrar o Ideias na Mesa, a comida de verdade e mais um ano que se passa! Para isso, contaremos com anfitriões em todo o Brasil que organizarão pirqueniques em suas cidades! Se você quer ser anfitrião acesse o toolkit e se quiser ideias sobre o que levar para o piquenique, fique ligado na nossa seleção de receitas perfeitas para a ocasião!

 

Bombanana

Com este nome divertido e cara de comida gostosa, o Bombanana conquista corações e paladares! Ele é um docinho de banana com amendoim e cacau criado pela Luana Vaz como uma opção vegana para quem ama um docinho! Além de super democrático, esta receita é fácil de preparar e transportar para o seu piquenique! Para pegar a receita completa, dá uma olhada na página 88 do Mais que Receitas: Comida de Verdade.

Peta de Polvilho Doce

Peta é uma daquelas comidas boas de dividir, certo? Então que tal levar um pouco de peta caseira para o seu piquenique? Na receita da Rosimar Barcellos, você encontra o passo a passo para fazer essa receita ela está na página 116 do nosso livro Mais que Receitas: Comida de Verdade.

Pão de Queijo de Tapioca

Pão de queijo em lanches e piqueniques não é novidade, mas esta receita vai surpreender a todos! Estes são os pães de queijo de tapioca que a Lara Oliveira Lins enviou para o nosso primeiro Mais que Receitas, a receita completa, de tradição nordestina, você encontra na página 50!

"Empadinhas" de Vegetais

Essa receita de empadinhas é, com certeza, a mais fácil que você vai aprender na vida! Perfeita para lanches compartilhados, essas empadinhas levam ingredientes agroecológicos e aproveitados integralmente como o espinafre, que vai na receita com talo e tudo! Ficou com vontade de experimentar essa delícia vegetariana? Então acessa o Mais que Receitas: Comida de Verdade na página 131 e pega a receita, eviada pela Nathália Bandeira!

Bolo de Arroz Cuibano

Estes bolinhos de arroz tradicionais da cozinha matro-grossense, são boas ideias para um piquenique! Além de fáceis de transportar e de servir, já que ficam prontos em formato individual! Esses bolinhos também não possuem glúten e ovos, podendo ser apreciados por celíacos e alérgicos a ovo! Quer a receita? Esta é da Aída Couto e está disponível na página 16 do nosso primeiro Mais que Receitas

Bolo Churros de Banana Vegano

Os bolos são uma ótima pedida para piqueniques: todo mundo gosta e são fáceis de preparar e de transportar! Além de tudo isso, esse bolo de banana é uma delícia! Ele vem com uma calda deliciosa de canela que deixa ele com aquele gostinho de churros! A receita, que a Camila Muradas mandou pro nosso livro, está na página 28 do Mais que Receitas: Comida de Verdade.

Ricota de Amêndoas

Patês e pastas são ótimas ideias para piqueniques e essa ricota de amêndoas é uma deliciosa opção para servir com pãezinhos e biscoitos. Aliás, nós temos receitas incríveis destes três elementos para você. A de Ricota de Amêndoas, da Carla Maia, está na página 24 do Mais que Receitas: Comida de Verdade; a de Pão de Melado, da Bernadete Marschall, está no primeiro Mais que Receitas na página 54; e as Bolachinhas de Ervas e Sementes da Gianne de Azambuja estão na página 51 do Mais que Receitas: Comida de Verdade.

Broa de Fubá de Canjica

Que tal um pouco de mineirice no seu piquenique com essas Broas de Fubá de Canjiquinha do nosso primeiro Mais que Receitas? Essa receita da Suzane Pereira Lopes é perfeita pra servir de lanche com uma geleia bem gostosa e um café quentinho. Você pode pegar a receita completinha na página 116 do livro

 

Smoothie de Framboesa

Além de sucos, água e chás, o smoothie pode ser uma boa opção de bebida geladinha para o seu piquenique! Esta receita da Isabela Feitosa do Valle é feita com polpa de framboesa, banana, iogurte natural caseiro, mel e óleo de coco e não poderia ser mais fácil de executar: é só colocar tudo no liquidificador e bater! Pra levar este delicioso smoothie para o piquenique, sugerimos uma caixa de gelo ou térmica com bastante gelo dentro e garrafas individuais ou uma garrafa grande, para armazenar a bebida! A receita completa está na página 77 do Mais que Receitas: Comida de Verdade!

Pão de Q de Batata Doce

A gente já deu uma receita maravilhosa de pão de queijo neste post, e agora vai mais uma opção deliciosa deste lanchinho que todo mundo ama: Pão de Q de Batata Doce! O Pão de Q é a versão vegana do Pão de Queijo e promete agradar à todos! A receita da Carla Maia está no Mais que Receitas: Comida de Verdade na página 53! 

 

Gostou das receitas que selecionamos? Então, hora de colocar a mão na massa e celebrar juntos a Comida de Verdade! 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

No dia a dia do cozinhar muitas vezes deixamos de prestar atenção em todos os detalhes que envolvem esse contexto. Algumas minúcias escondidas que possuem, dependendo do olhar, facetas incrivelmente artísticas e belas. Pensando nisso, no [Mais que Ideias] de hoje vamos mostrar uma série fotográfica que traz um aspecto interessante de algumas misturas de alimentos cotidianas, porém vistas de um jeito inusitado: através das lentes de uma câmera fotográfica.

O projeto Bubbles foi feito em parceria pelo fotógrafo Adrian Mueller e a food stylist Takako Kuniyuki, e consiste em, com uma lente macro, fotografar algumas misturas sendo aquecidas em uma cozinha-estúdio. O resultado são imagens  surpreendentes que mostram como o ato de cozinhar pode ser alçado à categoria de arte.

Eles concentram-se em realçar as interações de ingredientes comuns que muitas vezes são negligenciados e geralmente não são imediatamente apreciados. Visando os detalhes que normalmente não vemos nem reconhecemos quando cozinhamos e comemos, a dupla se esforça para mostrar a beleza de pequenas coisas: os padrões maravilhosos que ocorrem quando diferentes ingredientes são misturados. Eles nos dão uma representação de diferentes combinações que o nariz poderia facilmente discernir, mas o cérebro não consegue traduzir visualmente do que se trata de uma forma tão direta.

Veja abaixo algumas das belas imagens, e aqui o projeto completo :

Azeite de oliva, gordura de frango, vinagre balsâmico, sal, pimenta e vinho branco

Ginger Ale, whiskey e gelo

Azeite, vinagre de sumo de maçã, vinagre de arroz e molho de soja

Vinagre de vinho tinto, cidra e azeite

Champanhe e pimenta caiena

E você, já parou pra reparar nas possiblidades e belezas artísticas das misturas alimentares?



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