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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Conflito de interesses, já ouviu falar? Como o próprio termo explica, é utilizado para descrever situações em que a imparcialidade da informação ou de determinadas atividades estão comprometidas pelos interesses de quem os financia. Esse assunto, e principalmente a necessidade de conversar sobre ele, vem ganhando corpo no campo da nutrição e da saúde pública em função de acontecimentos recentes.

A coluna investigativa do jornal americano Associated Press preparou um dossiê intitulado “Como a Indústria Alimentícia molda a nutrição”. Nele, são apresentados inúmeros casos de estudos financiados pela indústria de alimentos que trazem achados duvidosos, que enaltecem ingredientes de determinados produtos ou marcas. Pontos em comum entre todos eles: o conflito de interesses e a utilização dos artigos acadêmicos em campanhas de marketing.

“Crianças que comem doces tendem a pesar menos do que as que não consomem” estampou a manchete de um jornal americano. “Bebidas diet são melhores para perda de peso do que água”, foi o que o canal CBS de Denver, Colorado, noticiou. Ambos artigos foram classificados como frágeis do ponto de vista da qualidade e publicados em periódicos que são conhecidos por publicar artigos que não são considerados de “alto rigor” científico. O primeiro artigo, relacionando o consumo de doces em crianças, foi financiado pela corporação que representa os doces e chocolates ‘Butterfingers’, ‘Hershey’ e ‘Skittles’, e o segundo, relacionado a bebidas diet, pelo grupo de lobby da Coca e Pepsi.  

Inúmeros outros artigos de diferentes grupos de lobby e corporações seguem a mesma tendência, confira na tradução do dossiê feita pela equipe do Ideias mais alguns exemplos. Marion Nestle, pesquisadora em saúde pública e professora de nutrição da Universidade de Nova York, constatou que no último ano, 156 dos 168 estudos financiados pela indústria de alimentos por ela revisados mostraram resultados favoráveis aos financiadores, e acrescentou que “evidenciar vantagens nutricionais se tornou uma ferramenta de marketing crítica para a competitiva indústria de alimentos”.    

Apesar de parecer um horizonte distante, o conflito de interesses em financiamento de pesquisas está mais próximo da realidade brasileira do se imagina. No primeiro semestre deste ano foi lançado um artigo intitulado “Comparação de almoços de crianças no Brasil” que “demonstrou” que refeições para crianças comercializadas por empresas de fast food no Brasil são tão boas quanto a alimentação "média" de crianças brasileiras. Assim como no caso dos artigos norte-americanos, o artigo foi financiado pelo McDonald’s, e professores e pesquisadores brasileiros renomados da saúde pública também questionaram a qualidade científica do artigo. A professora Marion Nestle do departamento de nutrição da Universidade de Nova York que comentou o dossiê da Associated Press também publicou em seu blog denunciando o artigo brasileiro financiado pela rede de fast food.   


 

 



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