Ideias na Mesa - Blog


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postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

Durante o 1º Encontro da Rede Ideias na Mesa tivemos a palestra com a Prof. Dra. Maria Marlene Marques do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará sobre Metodologias participativas e a experiência da educação popular na perspectiva da EAN e SAN dentro da sua participação no projeto “Construindo Capacidades em Segurança Alimentar e Nutricional” em parceria com o Centre for Studies in Food Security da Ryerson University/Toronto.

A partir dessa experiência foi possível a formulação de um material educativo que funciona como uma ferramenta educativa para a promoção da segurança alimentar e nutricional em comunidades e baseia-se nas experiências das animadoras sociais das organizações não governamentais Associação Semente de Amor, Associação Sonho Infantil e Projeto Comunitário Sorriso da Criança, que desenvolveram atividades com famílias de alguns bairros de Fortaleza (CE), a fim de fortalecer as ações voltadas à alimentação e nutrição destas famílias.

 

Esse material é o post de hoje da [Biblioteca do Ideias]!

Toda as ações presentes no material fizeram parte do Projeto “Criando Capacidades em SAN” desenvolvido no Brasil e na Angola (PCCSAN) e teve por finalidade a capacitação técnica para a discussão, planejamento e a implementação das políticas e programas de segurança alimentar e nutricional nestes países.

No Brasil, mais especificadamente em Fortaleza (Ceará) a experiência foi realizada com cerca de 43 animadoras sociais e cada uma acompanhou cerca de 150 famílias.

Dentre as suas atividades estavam a realização sistemática de uma pesquisa socioeconômica junto às famílias e com posse dessas informações as associações teriam um retrato da situação das famílias, das crianças, principais beneficiárias das ações desenvolvidas, entre as quais algumas eram voltadas à alimentação.

No geral, na publicação é possível encontrar todas as reflexões e discussões para a reconstrução dos caminhos para trabalhar a segurança alimentar e nutricional nas comunidades por meio de metodologias problematizadoras e ativas com base na pedagogia de Paulo Freire, além de outras ferramentas de base freiriana e saberes populares.

 

Por fim colocamos em nossa biblioteca fragmentos de uma cartilha que traz ainda alguns fatores que implicam a insegurança alimentar, esclarece o que ela é, como combate-la, além de fortalecer o direito à alimentação e da segurança alimentar e nutricional nas comunidades.

Você pode conferir todo o instrumento na [Biblioteca do Ideias] e também uma cartilha explicativa que auxiliou na ação.

Desde já agrademos a Professora Maria Marlene pela sua participação enriquecedora em nosso evento e também pode nos deixar disponibilizar esse material que temos a certeza que contribuirá para o fortalecimento da EAN e da SAN em todo o Brasil. 



postado por Débora Castilho em Terça-feira, 21 de Julho de 2015

O [Pensando EAN] traz hoje o texto escrito pela pesquisadora Daniela Frozzi (PALIN/FioCruz Brasília) para o site da  AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia.

A pesquisadora traz a interpretação do texto de Freire para o universo da alimentação, aproximando os significados de “Eva viu a uva” com as dimensões e relações intrínsecas na leitura do mundo. Para Daniela, “trata-se de um conhecimento aprofundado, amadurecido, buscado e trabalhado, que amplie nossas visões sobre o assunto, e nos instigue questionamentos”.

Confira:

“Eva é uma personagem singular na alfabetização brasileira. Ela é a protagonista da frase que se tornou emblemática no aprendizado infantil: “Eva viu a uva”. O educador Paulo Freire utilizou esse exemplo para mostrar que antes de ler a “palavra” mundo é preciso ler o mundo. Assim, ele chama atenção para o fato de que não basta saber que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho. 

Desde 2009, a Lei de Alimentação Escolar (11.947) aperfeiçoou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), indicando caminhos para que a escola pudesse ler o mundo a partir dos modos de produzir, distribuir e consumir alimentos. Duas inovações passaram a fazer parte do programa, que completará 60 anos em 2015. A primeira é que 30% dos alimentos para o preparo das refeições escolares devem ser comprados da Agricultura Familiar, de cultivo orgânico e agroecológico. A segunda é que a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) deva perpassar o processo de ensino-aprendizagem.

Assim, Eva tem a chance de descobrir uma diversidade de frutas, verduras e hortaliças saudáveis, livres de agrotóxicos, e que valoriza o trabalho de quem planta, em sua região. Aprenderá também que as feiras orgânicas e agroecológicas e os mercados locais são ambientes férteis para ler o seu mundo e, consequentemente, a sua sociedade. Em 2013, a Lei 11.947 acrescentou outros aspectos que ajudaria Eva a compreender seu contexto social. O alimento passou a ser considerado como uma ferramenta pedagógica (Resolução FNDE Nº 26). No entanto, para que a estudante faça essas conexões, há um longo caminho a percorrer. A começar pelo fato que a agricultura camponesa é invisibilizada por um conjunto de fatores econômicos e sociais, desde a colonização do Brasil e seu auge na modernização e industrialização da agricultura brasileira na década de 70.

Se Eva mora na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, não é fácil encontrar alimentos cultivados na sua refeição escolar. Uma ideia hegemônica é a de que o município do Rio de Janeiro não tem agricultura – ou seja, não há espaço delimitado legalmente para o cultivo local. Com isso, a compra de alimentos da agricultura familiar em espaços urbanos é dificultada. Os gestores da Alimentação Escolar passam a buscar alimentos fora do município e do Estado, conforme a orientação da Lei 11.947. Essa invisibilidade está registrada no Plano Diretor da Cidade do Rio ao excluir a área rural do município e considerá-lo exclusivamente urbano. Se partíssemos somente desta direção, os agricultores da região estariam impossibilitados de fornecer seus alimentos para o PNAE. Isso se dá porque os agricultores familiares precisam obter a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento de identificação para acessar políticas direcionadas a eles. Se esse obstáculo não estivesse sendo vencido com luta, Eva continuaria vendo somente a uva [...]”

Daniela conclui o texto dizendo:

“Seguindo os ensinamentos de Paulo Freire, não basta Eva ver a uva. A mobilização social vem mostrando a potência de outros modos de ver, produzir, viver e comer”.

Para ler o texto completo clique aqui.

 



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