Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):Cultura Alimentar

postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 20 de Junho de 2016


Cada vez mais se estreitam as relações entre consumidores e produtores agroecológicos por meio de canais alternativos de comercialização. Em Belém/PA o Instituto Iacitatá tem aproveitado esses momentos para também realizar atividades de educação alimentar e nutricional.

Além do acesso a alimentos orgânicos plantados por agricultores familiares, os consumidores e produtores também têm a oportunidade de trocar experiências e aprofundar o conhecimento sobre o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) - que envolve a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e a Cultura Alimentar. A intenção é possibilitar que cada vez mais os consumidores se tornem conscientes por meio dos processos de educação acerca de práticas alimentares saudáveis.

O evento acontece a cada 15 dias no ponto de Cultura Alimentar Iacitatá, e reúne para realização das atividades de valorização da comida de verdade e do DHAA, o Grupo para Consumo Agroecológico (GRUCA) e Slow Food Amazônia e Colônia Chicano. A “Paneirada” é uma das atividades de um conjunto que também incluem a mobilização de movimentos que trabalham com essas temáticas, identificação de produtores agroecológicos, visitas às comunidades e assentamentos produtores e realização de oficinas sobre a cultura alimentar e consumo agroecológico.       

O grupo relata expectativa de aumentar a frequência dos encontros assim como o contato entre consumidores e produtores. Já é perceptível um aumento de cerca de 30% no consumo de alimentos de base ecológica a cada encontro, revelando um maior engajamento e conhecimento dos consumidores que frequentam os encontros como consequência da integração de atividades de educação.

    

Para acessar a experiência completa clique no link.   


Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Tainá Marajoara, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil.



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Junho de 2016

Você já se perguntou porque alguns de nós comemos predominantemente determinadas frutas e hortaliças? Fatores como preferências alimentares, hábitos familiares e regionalismo são algumas pistas, mas com certeza outras questões determinam os padrões de como nos alimentamos.

A biodiversidade brasileira é mundialmente conhecida por sua riqueza e exuberância que se reflete em cores e também em espécies alimentícias, ainda sim, algumas curiosidades se fazem presentes como o fato de que das frutas mais consumidas pelos brasileiros apenas algumas são nativas daqui, confira. Muitas delas vieram de longe como a maçã, melancia e uva, mas já estão presentes em nossa cultura alimentar por tempo suficiente para serem bastante familiares. Neste ponto as importações e fatores comerciais se apresentam como outro elemento que determina as nossas preferências.

Este fenômeno acontece não apenas em relação as frutas, mas também com hortaliças, tanto é que uma expressiva quantidade de materiais e estudos tem sido desenvolvidos em torno das Plantas alimentícias Não Convencionais (PANC’s). Elas recebem este nome por não serem massivamente comercializadas como as ofertadas nos supermercados por exemplo, e são igualmente saborosas e nutritivas. As PANC’s por serem nativas apresentam também vantagens de serem altamente adaptadas as condições da região e ajudam a preservar e transmitir a cultura e biodiversidade de determinado local. Desta forma, a perda do contato com nossa biodiversidade local pode ser um outro fator determinante dos nossos padrões alimentares.

Vinagreira (hibisco)                                                       Azedinha                                                     Capuchinha                       

Com o intuito de resgatar os alimentos regionais da nossa cultura alimentar e explorar suas potencialidades, foi elaborado o livro Alimentos Regionais Brasileiros. Uma olhada geral nos capítulos e já é possível descobrir alimentos da nossa própria região de que nem fazíamos ideia da existência. Possibilidades das mais variadas de receitas, sabores e texturas estão disponíveis no quintal de casa e as vezes nem nos damos conta. É pouco provável encontrar frutas nativas ou PANC’s nos supermercados, mas sem dúvida estes alimentos sazonais estão sempre disponíveis em feiras alternativas de produtores agroecológicos e agricultores familiares. Procure, além de descobrir novos sabores os preços geralmente são mais em conta.

Nossas escolhas alimentares são determinadas as vezes por fatores que nem nos damos conta, da mesma forma que uma escolha consciente daquilo que plantamos ou compramos pode repercutir positivamente no sistema alimentar e na preservação da biodiversidade. 


 

 



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Sexta-feira, 03 de Junho de 2016

O Poderoso Chefão, (The Godfather, título orginial) é um longa-metragem ficcional dirigido por Francis Ford Coppola lançado em 1972, inspirado pelo livro O Último Chefão e Poderoso Chefão, Mario Puzo, também roteirista da obra.  O filme é conduzido por personagens de uma dinastia patriarcal que dirige uma organização mafiosa, a família Corleone. Aleivosia, homicídio e soberba dão o tom das atuações icônicas de Marlon Brando (Don Vito “Padrinho” Corleone), Al Pacino (Michael Corleone), James Caan (Santino “Sonny” Corleone), Robert Duval (Tom Hagen), entre outros.

Trailer Oficial, 1971

Nesta publicação do [Comida na Tela] analisamos o caráter ritualístico, cultural e simbólico da alimentação usando o filme O Poderoso Chefão como exemplo de movimentos políticos, filosóficos e sociais que confluem quando ante à mesa, mesmo que de maneiras não muito óbvias.

A película é referenciada por sua fotografia, visceralidade, e espontaneidade. Algumas falas e encenações entraram para o ideário popular de forma poucas vezes evidenciada até então. Há quem mesmo sem tê-lo assistido conheça seus diálogos e plot, o que nos faz pensar, quanto da obra deixamos de perceber? As interfaces com a cultura alimentar são diversas, e o exercício proposto é o elencamento de pensamentos semioticamente enviesados. Numa breve síntese, Alexender Pierce, o cunhador do termo semiotic, se trataria de uma doutrina dos signos que a mente faz uso para o entendimento das coisas. (Minute Semiotic)

Uma das falas mais emblemáticas do longa foi performada por Santino, à mesa de jantar quando um de seus lacaios requisita sua atenção dizendo: “Sonny if you have time, I'd like to talk to you maybe after dinner. I could do a lot more for the family…” , em português, Sonny se você tiver tempo gostaria de falar com você talvez depois do jantar. Eu poderia fazer muito mais pela família… A personagem então o interrompe dizendo: “We don’t discuss business at the table.”, Nós não discutimos negócios à mesa.

Aos 1:03

Diversos fãs e críticos já evidenciaram como as cenas envolvendo alimentação são os grandes palcos de desenvolvimento de personagens, em O Poderoso Chefão, por exemplo, a composição das cadeiras é organizada pela hierarquia recaindo a Santino sentar à cabeceira, seus irmãos e tio em suas adjacências e seus lacaios adiante, Constanzia “Connie” Corleone (Talia Shire), sua irmã é incumbida da tarefa de cozer, reafirmando os papéis de gênero hegemônicos no contexto da Nova Iorque de Hell’s Kitchen dos anos 40, as personagens em sua totalidade expressam suas vontades, objetivos e filosofias em suas falas à mesa, como se portam, onde sentam e como comem. Sonny, marcado por seu temperamento irritadiço e ansioso, amor pela família e rigoridade nos negócios, porta-se como um glutão, a devorar os pratos com velocidade, ignorando os protocolos sociais de como suposta deveria se comportar naquela situação. Don Vito, quando presente, senta-se a cabeceira, a personagem marcada por sua sabedoria e paciência de um ancião, faz questão de que cada uma de suas refeições sejam um deleite aos sentidos e que possam ser reverenciadas no seu ritmo, sempre acompanhado de uma taça de vinho, um dos muitos hábitos de sua cidade natal, Corleone, na Itália, refletindo a cultura alimentar de sua comunidade pregressa. Michael, sóbrio, calculista, um homem letrado, o que, em tempos aqueles, eram méritos notórios, é o mais novo dos irmãos, o mais observado, senta-se ao lado pai e do irmão, revelando o apreço destes pela personagem, ingere as porções calmamente, não interrompe as falas alheias, bem como o irmão mais novo deveria se portar.

Cena d'O Podereso Chefão pt. II (flashback)

A liturgia do comer, a sentença que denomina essa matéria, trata-se de uma reflexão em si, pode-se inferir à ela como um hábito, palco de um habitus, como Bordieu o diria, palco de falas de caráter simbólico, que excitam o expectador a refletir sobre os significantes e significados dos signos da mesa. Pensar sobre como algumas manifestações de poder, hábito, cultura se expressam em um jantar em família,  almoço no trabalho, ou numa mesa de bar.

A comida enquanto signo é comum e boa, mas seus significantes, infinitos ante às intersubjetividades individuais, expressam relações nem sempre mútuas, plausíveis, e constantes, a mesa é um rito diário comumente valorizado, a távola redonda de Artur, o palco das mais minuciosas expressões d’algo podemos chamar de humanidade.

Imagem de capa: Sharang Sharma, Nova Deli, 2013.
 

via GIPHY



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Um dos princípios de EAN é a valorização da cultura alimentar local e a sustentabilidade social, ambiental e econômica. Pensando nisso o [Você no Ideias] de hoje traz a experiência que produziu o Livro de Receitas dos Agricultores de Itanhaém: "Feiras Gourmet".

Em 2011 foi implementado o Projeto Feiras Populares em Itanhaém, que é gestado com a participação de em média 30 agricultores familiares e que teve como objetivo geral a implantação de mais um Equipamento Público de Abastecimento local, buscando a geração de renda no campo, a diversificação da produção agrícola, a comercialização direta dos produtos da agricultura familiar, resgate da cultura-culinária caiçara e o estímulo à prática de agricultura natural e orgânica.

Então observou-se dois fenômenos que ocorreram simultaneamente: A percepção por parte dos agricultores da importância da diversificação da produção (antes baseada na monocultura de banana) para a sustentabilidade da Feira e a partir daí a possibilidade de revitalização de antigos hábitos alimentares locais por meio de preparações de pratos com variedade de produtos que começaram a cair no gosto dos frequentadores.

Diante disso, concebeu-se a ideia de produzir um Livro de Receitas, que pudesse traduzir toda esta transformação, e que principalmente pudesse dar maior visibilidade a esta retomada criativa da comercialização rural direta, que valorizasse a cultura gastronômica local, aumentasse significativamente o volume de venda da Feira, e que servisse de mais uma iniciativa exitosa para ações de divulgação de SAN.

O livro pode ser baixado online, e você pode acompanhar noticias da feira agrícola de Itanhaém a partir do blog.

Veja a experiência completa aqui!


Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Luciana de Melo Costa, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015

Para o quadro de hoje traduzimos o texto de Amy S. Choi sobre cultura alimentar que reuniu relatos de chefes, professores e pesquisadores de diferentes culturas. O texto foi publicado no site TED "Explore ideias que valem a pena ser espalhadas"

"A comida alimenta a alma. Levando-se em consideração que todos se alimentam e tem alma, a comida é o elemento unificador através das culturas. Mas o que alimenta a sua alma?"  Amy S. Choi.

Para mim, uma koreana/americana, um alimento carregado de memória é um prato tradicional da Korea chamado Kimchi, feito com arroz branco, ovos fritos, carne de frango ou porco e conserva de repolho. Tais preferências que suscitam identidade são pessoalmente e culturalmente significativas. Alimentos com caráter afetivo mapeiam quem nós somos, de onde viemos e o que aconteceu ao longo de nossas vidas. O que a gente escolhe cozinhar e comer é um acumulo de situações que vivenciamos, pessoas que nos relacionamos e coisas que aprendemos. Provavelmente existem alguns elementos de outras culturas também, mas nós vamos sempre comer alimentos que signifiquem algo para nós.     

Em grande parte da China, apenas pessoas de gerações mais antigas ainda fazem compras em feiras todos os dias e depois vão para casa cozinhar pratos tradicionais.

A diretora de graduação do curso de alimentos Jennifer Berg da Universidade de Nova York conta que alimentação é de particular importância quando nos mudamos para um país ou cultura diferente da nossa. É o último vestígio de cultura que as pessoas sustentam. Existem alguns aspectos da cultura originária que perdemos logo de cara, como por exemplo o jeito de se vestir, é uma forma de se adaptar ao novo contexto. Com alimentação é diferente, nós estamos em contato pelo menos 3 vezes ao dia, e portanto, com mais oportunidades de nos conectarmos com as memórias da família e lugares através deste elemento.

Identidade alimentar

A maioria das culturas não relaciona sua cozinha com uma monotonia de pratos. As cozinhas mexicana, chinesa e francesa por exemplo compreendem uma enorme variedade de comidas regionais.

O chefe americano Dan Barber faz um contraponto em relação a cultura alimentar americana através da reflexão: Se o que comemos traduz o que somos, o que seriam os americanos? Ora, Carne. Barber diz que se os norte-americanos possuem alguma unificação de identidade alimentar é em torno da carne. Fruto de uma cultura criada pelo mercado que agora é exportada para o resto do mundo.

Comida como sobrevivência    

Algumas vezes comida significa sobrevivência. Enquanto os cozinheiros que exportaram a cozinha chinesa pelo mundo se alimentam da autêntica cozinha em casa, os alimentos que eles servem, de fato criando um cozinha completamente nova, são baseadas em necessidades econômicas. A cozinha chinesa hegemônica nos Estados Unidos é darwiniana, pois foi uma maneira que os chineses que lá viviam encontraram para tirar um sustento. Apenas recentemente comidas mais autênticas chegaram ao país, mostrando a cozinha do país de uma forma mais abrangente.

Na China acontece um fenômeno diferente, apenas os avós ainda estão comendo e cozinhando da forma que pessoas de fora da China imaginam a "comida chinesa". A maioria dos jovens e adultos nascidos após a Revolução Cultural não sabe cozinhar. Esta geração esteve focada apenas em estudar, e seus pais não os ensinou a preparar o seu próprio alimento. Portanto, eles são educados mas estão comendo fast-food e comidas processadas em grande quantidade.

Comida como prazer

A comida na França ainda é primeiramente sobre prazer, e cozinhar e comer são tanto passa tempo quanto prazer, conta Mark Singer, diretor técnico de cozinha do Le Cordon Bleu em Paris. Entretanto, muitas coisas mudaram ao longo dos últimos 20 anos no que diz respeito à alimentação. O fato de comer que era quase um evento diário foi diminuindo lentamente a significância, e passou a ser mais presente em celebrações como aniversários, natal e ano novo.

No caso italiano, conta Marco Bolasco - Diretor editorial do Slow Food, o comer rápido não é predominante na cultura, apesar de ter crescido bastante. Nossas refeições são relaxadas mesmo durante o intervalo de almoço. Comida na Itália é amor, depois nutrição, história, e então prazer. A primeira experiência de uma criança italiana com comida não é com pães, arroz ou ovos, mas provavelmente sorvete observa Bolasco.

Comida enquanto comunidade     

Nas culturas árabes a comunidade é a chave da cultura alimentar. O iftar, momento que significa o término do jejum durante o Ramadan (mês sagrado), apresenta pratos tradicionais da cultura árabe que são compartilhados por todos da família. Esta celebração ocorre de maneira particular nos domicílios de cada um, mas também são abertas e compartilhadas com a população em geral nas mesquitas, escolas, feiras e outras organizações. O ato de comungar da comida é semelhante com hábitos chineses por exemplo, onde todos os membros da família dividem a refeição e não apenas o próprio prato.

Comida como humanidade  

A alimentação é a manifestação física de nossas relações com o mundo natural. É onde cultura e ecologia se interceptam. Ela pode se tornar ainda mais importante do que a linguagem, e até geografia quando o assunto é cultura. Nossas primeiras relações enquanto seres humanos é com a comida, afirma Richard Wilk, professor antropologista da Universidade de Indiana. Ele completa que a nossa primeira experiência é ser colocado para amamentar . O ato social de se alimentar é parte de como nós nos tornamos humanos, tanto quanto falar e cuidar de nós mesmos. Aprender a comer é aprender a se tornar humano.


Para conferir os originais do artigo acesse o link.

 

       

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

A experiência do [Você no Ideias] de hoje traz uma experiência que aborda a diversidade dos alimentos, da culinária e de etnias que compõem a alimentação brasileira.

A iniciativa tinha por objetivo apresentar para os alunos das escolas da Maracajá (Santa Catarina) a diversidade da culinária de outros estados e etnias de todo o Brasil.

   

E também proporcionar a degustação de sabores diferentes para os alunos durante as ações, permitindo estes conhecerem a imensidão da diversidade de culturas sem sair do lugar e mostrar que por trás de cada preparação possui uma história especifica.

As ações são feitas com a preparação das comidas típicas no cardápio de algum estado ou etnia preparado pelas merendeiras das escolas e proporcionar aos alunos outros sabores fora do seu cotidiano alimentar.

Essa experiência é genial e você pode seguir esse exemplo para a promoção dos alimentos e da cozinha regional do Brasil, a nova edição do livro Alimentos Regionais Brasileiros pode ser uma ótima ajuda no desenvolvimento de sua atividade de EAN.

Confira a experiência completa aqui.


Você no Ideias na Mesa!     

Em 2015 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Claudia Beatriz de Medeiros, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Alimentação também é cultura!

E no Dia Mundial da Alimentação, que comemoramos no dia de hoje, o [Comida na Tela] traz o documentário: "Engenhos de Cultura - Teias Agroecológicas" que ilustra bem aquela frase inicial.

O documentário foi realizado pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha/CEPAGRO em conjunto com os movimentos Cultura Viva, Rede Ecovida de Agroecologia e o Sloow Food.

Por meio depoimentos de e com o objetivo de dar voz às agricultoras e agricultores familiares, o filme mostra suas visões e saberes sobre a agricultura, além do resgate sobre a cultura de engenhos que predominava na região do litoral do estado de Santa Catarina.

 

Esses engenhos eram e ainda são considerados importantes espaços de encontros e festas que permeiam a cultura alimentar dessas populações, que, entretanto, sofreram perdas significativas de valor ao longo dos anos, por conta da legislação sanitária que vigora nos dias de hoje.

A cultura dos engenhos agrega significado cultural e é de fundamental importância para a promoção da agroecologia, alimentação saudável e para a valorização do patrimônio alimentar da região.

 

Como foco do documentário, a mandioca permeia o complexo cultural e de patrimônio das ações de resgate e fortalecimento dos engenhos, visto seu potencial como um alimento que exerce um importante papel na questão da segurança alimentar e nutricional e no direito humano a alimentação saudável e adequada.

Confira o documentário completo logo abaixo:

doc ENGENHOS DA CULTURA • Teias Agroecológicas from VAGALUZES FILMES on Vimeo.



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

O [Biblioteca do Ideias] traz hoje um artigo que exprime um dos símbolos mais verdadeiramente brasileiros: a feijoada. Publicação de 2015, o autor expressa em seu trabalho muito mais do que um significado meramente cultural; abarca raízes de cunho político, social e artístico.

No Rio de Janeiro, a relação é ainda mais especial: o prato está presente em diversos points gastronômicos, no almoço de cada dia, nos encontros aos domingos, em eventos carnavalescos e até nas comemorações do Dia da Consciência Negra.

Neste artigo, ilustra-se didaticamente toda a sua trajetória histórica, que sofreu momentos de rejeição e de plena aceitação nacional. Para se ter uma ideia, no Rio de Janeiro, em tempos de controle sanitário por volta de 1850, culpava-se a iguaria pela disseminação da febre amarela além de outras mazelas, discurso propagado pela elite sanitarista. Com o avanço da ciência e movimentação de camadas populares, a feijoada foi ganhando cada vez mais seu espaço, até virar hoje uma verdadeira paixão nacional, um dos mais importantes símbolos de identidade cultural do povo brasileiro, um patrimônio.

 

E você? Que tal cozinhar uma feijoada com a sua família nesse final de semana e partilhar um momento especial à mesa? Lembre-se de comprar os ingredientes na feirinha agroecológica mais perto de você!

Para saber mais da história da feijoada, acesse o artigo na íntegra na nossa biblioteca: http://goo.gl/LNPtUw

Vale a pena a leitura!



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 06 de Outubro de 2015

Apresentamos no quadro de hoje um artigo escrito pela Lígia Amparo Santos - Doutora em Ciências Sociais - e publicado na Revista de Nutrição em 2013. Nele, Lígia propõe uma reflexão sobre avanços e desdobramentos para EAN a partir do lançamento do Marco de Referência. Dentre os aspectos positivos a serem destacados no marco, Santos comenta a respeito da construção coletiva do documento que contou com significativa contribuição da sociedade civil.

Ela também valoriza em seu artigo a dimensão cultural da alimentação:

“No que se refere aos aspectos culturais da alimentação, a compreensão do ato alimentar como uma prática social que traz à tona as dimensões socioculturais, valores simbólicos, afetivos e sensoriais da alimentação, do alimento e do comer, bem como a valorização das diferentes expressões de identidade e cultura alimentar e do fortalecimento de hábitos alimentares regionais, já é assegurada no corpus das políticas públicas de alimentação e nutrição produzidas particularmente no decorrer da primeira década deste século.”

No trecho seguinte, Lígia contextualiza o fortalecimento do conceito de tradições alimentares no âmbito da nutrição, ao passo que gastronomia e a nutrição como ciência reconhecem e valorizam esta importante dimensão:

“O que mais interessa neste processo de alargamento das formas de ver e pensar a tríade do comer, alimentar e nutrir é como elas dialogam com as dimensões forjadas pela biomedicina, eixo central da Ciência da Nutrição desde seu nascimento. Em outras palavras, como promover mudanças nas práticas alimentares dos sujeitos sob a ótica do saudável e, ao mesmo tempo, respeitar os seus hábitos alimentares, as tradições e a cultura alimentar de um povo? Essa questão, um dilema talvez, que percorre as políticas e as práticas, irá encontrar na educação alimentar e nutricional um nó górdio; cabe, portanto, refletir sobre o tema. Dentre inúmeros outros aspectos, compete também pensar que o principal "instrumento" da educação alimentar e nutricional é o diálogo, elemento fundante de existência humana coletiva, e que seu sucesso depende fundamentalmente da agência dos sujeitos. Para além dos corpos-máquinas, norteados pelo conhecimento biomédico, são sujeitos que vivem em relação, produtos e produtores do seu tempo e do seu lugar no mundo. A existência humana concreta desafia os saberes disciplinares tal como a ciência hegemônica se estruturou, compartimentalizando os conhecimentos em categorias excludentes, a exemplo de natureza versus cultura, social versus biológico, comer versus nutrir. Ao considerar que a EAN se configura no encontro entre sujeitos e que tais dimensões se apresentam entrelaçadas no cotidiano das nossas práticas, pode-se inferir que esse diálogo de saberes se constitui uma das maiores provocações que o Marco traz para a sociedade brasileira. É desse modo que o cenário das práticas educativas dá visibilidade à insuficiência do cartesianismo e se torna um terreno fértil que produz objetos de estudos da EAN. Assim, um desafio é construir uma Ciência da Nutrição que dê conta ao mesmo tempo das diferentes dimensões implicadas nas práticas alimentares dos sujeitos.”

Em relação ao papel da EAN dentro da Universidade, é abordado a inserção dentro do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão, e foi observado a necessidade de se trabalhar a EAN como uma prática mais participativa e emancipatória por parte dos educadores. O Marco como o próprio nome diz, serve como um elemento norteador dentro de diferetes esferas para se desenvolver a temática. 

Lígia conclui o artigo da seguinte forma:

“Os comentários aqui traçados são esperançosos e têm como perspectiva que o Marco de Referência de EAN para Políticas Públicas possa vir a ser um documento vivo para o campo e que essa culminância seja um começo. Espera-se que ainda possa ser tratado como também um"marco" divisor de águas no qual nós, astrônomos e cartógrafos da alimentação e da nutrição, possamos navegar com mais segurança. Que seja uma bússola que, com frequentes ajustes, assegure a possibilidade de desbravar novas terras e que possa contribuir para o nosso objetivo: garantir à sociedade brasileira o direito a uma alimentação adequada e saudável”.

O Marco de Referência foi lançado no final de 2012 e este artigo publicado em um momento inicial ao lançamento do mesmo, contextualizando o cenário da época. Três anos se passaram desde o lançamento, e de que maneiras o Marco contribuiu e continuará a contribuir para a consolidação das práticas em Educação Alimentar e Nutricional referidas?      

Clique aqui para acessar o artigo na íntegra.


 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

Você teria coragem de largar a estabilidade da sua vida em sua cidade e viajar durante um ano por todo o mundo em busca de reconectar-se com seu "EU" verdadeiro de novo?

Temos hoje no [Comida na Tela] um novo clássico do cinema: Comer, rezar e amar, uma adaptação do livro best seller autobiográfico da autora Elizabeth Gilbert, que fez exatamente isso, largou sua vida de conforto e partiu a desbravar o mundo.

O filme é estrelado e protagonizado pela belíssima atriz Julia Roberts e ainda possui o elenco nomes como James Franco, Viola Davis, Javier Bardem, entre outros.

Comer, rezar e amar conta a história de Liz, que percebe a infelicidade com a vida que leva, seu casamento, o trabalho, a família e por fim decidi mudar tudo e ir em busca de autoconhecimento.

Dessa forma Liz decide viajar durante um ano visitando três destinos fantásticos ao redor do mundo, sendo: Itália, Índia e Indonésia, respectivamente.

Na Itália, ela decide voltar a ter “apetite” pela vida.  No filme, Elizabeth diz à amiga que costumava ter fome e sentir somente os sabores e cheiros daquilo que comia. Pois se sentia influenciada pelos padrões impostos do “corpo perfeito”.  Então ela se vê livre desses padrões   e começa a comer de forma a envolver todos os sentidos, de encontro aos sabores. “Estou tendo um relacionamento com a pizza, quase um caso de amor”, diz a protagonista, enquanto devora uma pizza margherita, que foi comer na origem, em Nápoles.

Ela decide viver um período sem culpas e de entrega à culinária italiana, apreciando a tão famosa cultura alimentar local com vinhos, diversas massas e simpatia italiana.

Na Índia explora seu lado espiritual por meio do poder da meditação, do autoconhecimento e do perdão. Em Bali, na Indonésia encontra sua paz interior, equilíbrio e a possibilidade de um novo amor.

O filme nos faz mergulhar nas emoções e sentimentos de Liz por meio de seus pensamentos e análises da vida. E para quem ama ou gosta de viajar, Comer, rezar e amar, é uma ótima pedida, a sua fotografia é totalmente um convite para embarcar em um próximo avião.

O canal Tastemade Brasil, junto com o Gastronomismo lançaram no Comida de Cinema a receita de uma das comidas que Liz conheceu em um dos seus destinos de viagem. E o prato escolhido foi a pizza margherita tão famosa na Itália.

Confira no vídeo logo abaixo:



Go to page:
Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui