Ideias na Mesa - Blog


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postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 11 de Março de 2016

A série “Chef’s Table” – A mesa do chefe, livre tradução – é a nossa recomendação cine-gastronômica para este fim de semana.

Disponível no NetFlix desde julho do ano passado, a primeira temporada é composta por seis episódios que contam sobre as preferências e personalidades de seis chefes de diferentes regiões do mundo. Dirigida por David Gelb, a produção tem uma fotografia impecável, pratos de dar água na boca e histórias com temperos únicos.

Para divulgar a série no Brasil, o artista Kiko Sobrinho e a Chef Carla Pernambuco foram convidados a criar um prato inspirado em ‘Chef’s Table’ unindo o que o programa traz: Comida e arte.

‘A mesa do chefe’ se consagra por ir além dos pratos maravilhosos aos olhos. A proposta não é passar receitas ou criar desafios como na maioria dos programas relacionados a comida da atualidade, mas sim dar sentido à vida através dos alimentos. Cada episódio conta a história de 06 Chefs consagrados no cenário gastronômico internacional que não apenas possuem estrelas Michellin e prestígio, mas possuem uma relação diferenciada com os alimentos oferecidos e o sistema alimentar.

O primeiro episódio se desenvolve a partir da experiência do Chef italiano Massimo Bottura, criticado no início de sua carreira por modernizar a cozinha tradicional italiana, mas que acabou por “salvar” a região da Itália famosa pela produção de queijos Parmigiano Reggiano quando 300mil queijos foram danificados após um terremoto na região.

O Chef americano Dan Barber por sua vez, planta tudo o que é servido em seu restaurante em sua própria fazenda orgânica. A criação de animais e insumos também ocorre de maneira ecológica, contribuindo para um sistema alimentar saudável e sustentável.

A única coisa que provavelmente não é muito acessível (pelo menos para a maioria) na série são os preços das refeições, mas como assistir não custa nada vale o entretenimento (: 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Fim de semana chegando, chance para botar as séries que você não conseguiu assistir durante a semana em dia, e por que não aproveitar e se aventurar na cozinha também?

No quadro de hoje te damos o incentivo que faltava para você combinar dois programas em um só, assistir a sua série favorita e cozinhar um prato que melhor contextualiza a história ou caracteriza algum dos personagens, topa? O programa, Comida de Série, criado pela gastrônoma Isadora Becker dentro do canal Testmade Brasil, é uma ótima fonte de inspiração para aguçar sua criatividade.

Becker separou a 1ª temporada de seu programa em doze episódios nos quais ela prepara comidas das diferentes séries de TV. Para incrementar ainda mais a produção ela também se vestiu a caráter para fazer algumas das receitas como por exemplo no episódio #05 “Blue Sky” em que ela prepara uma bala de menta inspirada em ‘Breaking Bad’.  

Tem preparações para todos os paladares e preferências em termos de séries que vão desde Cheesecake de “Friends” e Bolinhos de Limão de “Game of Thrones”, à Berinjela Parmegiana de “Os Sopranos” e Steak Tartare de “Hannibal”. Os episódios incluem preparações de doze seriados, incluindo tanto os sucessos mais recentes quanto alguns clássicos mais antigos.

Isadora chegou a estagiar em grandes restaurantes, porém, percebeu que sua vontade não era de trabalhar em grandes cozinhas, mas sim de ensinar as pessoas a cozinhar, por isto começou a divulgar receitas através de vídeos. A vocação da gastrônoma se alinha com o IV princípio do Marco de Referência em EAN que enxerga a valorização da culinária enquanto prática emancipatória para uma alimentação e vida mais saudável.

Para conferir todos os episódios acesse o link.


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016

Pesto do Cerrado

Ingredientes:

1 Maço de manjericão fresco

200ml de azeite extra virgem

70g de queijo pecorino (leite de ovelha) ou parmesão

50g de castanha de barú

2 dentes de alho

Pitadas de sal grosso

Como fazer

  1. Selecione um maço de manjericão fresco e com folhas largas
  2. Lave, seque por completo e separe apenas as folhas
  3. Reserve cada ingrediente em um recipiente (barú sem casca)
  4. Bata no processador ou liquidificador metade da quantidade de azeite, das folhas de manjericão e do barú
  5. Adicione todos os ingredientes e repita até que fique homogêneo
  6. Bata uma última vez com a outra metade do barú
  7. Tá pronto! Pode ser usado de imediato ou guardado na geladeira

Rendimento: 300g

Tempo de preparo: 20’

via GIPHY

 

O pesto é um molho simples e extremamente saboroso que vai bem com uma infinidade de alimentos. Ele pode ser utilizado acompanhando pastas como fusilli, na salada, bruschettas ou até como tempero para carnes. Sua origem é italiana, mais especificamente da cidade de Genova, e cada família possui a sua “receita especial” ainda que os ingredientes base não mudem.

Manjericão, azeite de oliva, queijo pecorino e pinoli, quatro ingredientes que contam muito mais do que um prazer gastronômico. O pesto é um exemplo de preparação que surge e leva em consideração os alimentos disponíveis na região, desta forma é possível aproveitar o melhor do sabor e valorizar a produção local. Resgate este que tem sido cada vez mais valorizado na busca por uma alimentação mais saudável e sustentável e recomendado nos documentos de alimentação como o Guia Alimentar e no Marco de referência de EAN.   

Valendo-se de uma licença poética culinária e dos elementos que circundam a origem da receita original, nós substituímos um dos ingredientes da receita para tornar a preparação mais acessível e contextualizada com a nossa disponibilidade local, e por isto, o nome “Pesto do cerrado”. O ingrediente pinoli – oleaginosa típica de pinheiros encontrados no mediterrâneo – é substituído pela versão do centro-oeste brasileiro pertencente ao mesmo grupo, a castanha de barú. A castanha do pará é também um bom substituto. Outro ingrediente passível de substituição é o queijo pecorino. Como a produção de queijos de ovelha e cabra ainda está em crescimento por aqui, estes alimentos são em geral mais caros e de difícil acesso.

Não perca a chance de preparar a receita original quando possível, afinal de contas comer é também um ato de cultura e tradição, mas não deixe de se aventurar na cozinha só porque não encontrou todos os ingredientes. Plantar um pezinho de manjericão em casa já é meio caminho andado para esta receita, e preparar o ‘Pesto do cerrado’ com ingredientes locais torna sua alimentação mais sustentável.        


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Perdeu a receita passada? Confira aqui. 

 

                   

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 05 de Fevereiro de 2016

Já sabe o que vai fazer no carnaval?

Para quem não curte a agitação das festas de fevereiro, o Ideias na Mesa tem uma ótima dica de filme para você assistir sem sair de casa.

O [Comida na Tela] de hoje traz um belíssimo filme que mistura várias sensações, sabores, ingredientes, uma ótima história e muita comida: A 100 Passos de um Sonho.

O filme é dirigido pelo incrível diretor Steven Spielberg e conta a história de Hassam, um simples jovem com o dom da culinária, que após uma tragédia destruir o restaurante de sua família na Índia, eles decidem ir tentar a vida na Europa.

Entretanto, Hassam e sua família vão para o sul da França e instalam seu novo restaurante de frente ao renomado restaurante de Madane Mallory que imediatamente declara guerra ao novo restaurante indiano, temendo concorrência.

A história é recheada de sentimentos, emoções e uma fotografia de tirar o ar de qualquer pessoa com as lindas paisagens do Sul francês e dos preparos das deliciosas receitas de ambos os restaurantes.

 

 A paíxão de Hassam pelo mundo da culinária é de uma fascinação ímpar no filme, a sua devoção pelos ingredientes e temperos é de uma sutileza maravilhosa que dá um tom muito especial para o filme.

  

Veja logo abaixo o trailer:  

 

O Canal do Youtube Tastemade Brasil ensina em um dos vídeos do Comida de Cinema, o famoso omelete do A 100 Passos para um Sonho, confira essa receita no vídeo:

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

A equipe de colaboradores do Ideias na Mesa voltou com força total em 2016 e já preparamos receitas práticas deliciosas, saudáveis e sustentáveis cheias de conteúdo para este ano!

O quadro de hoje é dedicado a tornar sua alimentação mais saudável e natural se livrando de um produto ultraprocessado muito utilizado dentro de casa: Preparado de caldo de carne/legumes conhecidos como ”realçadores de sabor”. A receita de hoje foi testada e enviada por Gisele Fernandes, estudante de arquitetura que busca uma alimentação mais natural.  

CALDO DE FRANGO NATURAL

Ingredientes:

Carcaça de 1 frango
4L de agua
3 Talos de salsão
1 Talo de alho poró
1 Cenoura
1 Cebola
3 Ramos de alecrim
1 Ramo de tomilho
4 dentes de alho
2 folhas de louro
Pimenta em grãos e pitadas de sal

Como fazer:

    1. Reserve a carcaça de um frango inteiro e utilize para o caldo
    2. Colha os temperinhos que tiver em casa e compre os demais ingredientes preferencialmente em feiras orgânicas/agroecológicas
    3. Descasque apenas a cebola e a cenoura e corte os ingredientes maiores em metades   
    4. Coloque tudo na panela e despeje a água ainda fria
    5. Deixe em fogo alto até ferver e diminua o fogo de forma que fique levemente borbulhando
    6. Ferva com a tampa na panela por aproximadamente 3 horas mexendo ocasionalmente
    7. Espere esfriar e coe em uma peneira
    8. Guarde em recipientes e leve ao congelador

via GIPHY

 

Dicas!

Este caldo pode tanto ser utilizado na hora como base para risotos quanto congelado e acrescentado em preparações futuras. O mesmo processo pode ser utilizado para produzir caldos de carne, peixe ou apenas de vegetais, basta usar carcaças de peixe (ou cascas de camarão) e ossos e miúdos de carne bovina;

Em relação ao passo 1: Se programe para quando consumir um frango inteiro aproveitar a carcaça para o caldo, além de diminuir o desperdício ossos a miúdos dão o sabor da preparação;

Em relação ao passo 6: Além do tempo, um bom indicador de que está pronto é quando o caldo engrossa e os vegetais perdem a cor; 

Escolhemos o Caldo de Frango Natural como a receita de hoje pois ao preparar a versão caseira, você torna sua alimentação mais saudável por não consumir alguns ingredientes comumente encontrados no caldo industrial como gordura vegetal, condimento preparado, realçadores de sabor glutamato monossódico, aromatizantes e corantes. 


 

Para além desta receita é mportante entender o que vem a ser um produto “ultraprocessado” e porque devemos excluí-los de nossa alimentação. O Guia Alimentar para População Brasileira os define da seguinte forma:

“São formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes). Técnicas de manufatura incluem extrusão, moldagem, e pré-processamento por fritura ou cozimento”.

Os malefícios destes alimentos são:                  

“Eles são nutricionalmente desbalanceados por conta de sua formulação e apresentação e tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. As formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente”.

O conceito de alimentos in natura, processados e ultraprocessados está presente nos diversos grupos alimentares, e o Guia Alimentar define como a Regra de Ouro que se prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados.

As figuras a seguir ilustram alguns exemplos destes três tipos de alimentos:

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Perdeu a receita passada? Confira aqui. 




postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

Na última quarta-feira a equipe do Ideias na mesa se encontrou no Cine Brasília para assistir e analisar o filme “18 Comidas”.

De nacionalidade espanhola e direção de Jorge Coiria Nieto, a trama traz o enredo de diferentes personagens, que as vezes se entrecruzam, onde as principais refeições do dia - café da manhã, almoço e jantar - servem como pano de fundo para interação entre os envolvidos. O número 18 surge a partir de seis histórias que acontecem em diferentes lugares em uma cidade na Espanha durante o período de cada refeição.

Distintas situações que acontecem cotidianamente entre as pessoas são retratadas com extrema naturalidade. Um músico de rua solitário que cruza com um imigrante da Macedônia, uma mulher casada descrente com sua relação, um irmão que não aceita a opção sexual de seu caçula, um casal de idosos e sua rotina e dois amigos tentando manter-se o dia todo embriagados. Estes são alguns dos elementos que dão liga à produção, e claro, tudo acontece em torno da comida.

Apesar do nome, “18 Comidas” não é um filme centrado na gastronomia ou que conta a história de 18 comidas típicas, mas sim uma película onde a comida é o veículo para que 18 histórias aconteçam. A comida por tanto levaria, no mínimo, o prêmio de “melhor coadjuvante”, sem a qual o enredo dificilmente bastaria.         

As refeições por mais simples e rotineiras que sejam tem o poder de reunir as pessoas para compartilhar algo, seja a comida em si, os métodos de preparo ou interagir uns com os outros. A comida tem um papel que vai além do aspecto biológico de se alimentar, ela serve também para que sentimentos e vontades se concretizem. 


 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2015

[Mais que ideias] Patrimônio Alimentar

O conceito de Comida como Patrimônio vem se fortalecendo no Brasil e no mundo. Ele é fruto do reconhecimento e da necessidade de se perpetuar preparações e métodos de produção que são extremamente representativos da cultura de uma população e de determinada região. Reconhecer um alimento como patrimônio é um processo complexo que não ocorre de maneira impositiva, mas sim como resultado do acumulo cultural em torno de determinada prática ou alimento.

O conceito de patrimônio alimentar se insere dentro do conceito de  Patrimônio Imaterial apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que define:   

"O Patrimônio  Cultural Imaterial é transmitido de geração a geração, constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana."

Sendo assim, apresentamos alguns alimentos e preparações ao redor do mundo que são considerados patrimônio imaterial apresentados em matéria do La Nación em espanhol.  

Baianas do acarajé - Brasil

O ofício das baianas de acarajé, registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Iphan é a prática tradicional de produção e venda nos espaços públicos, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás, amplamente disseminadas, principalmente na cidade de Salvador.

O acarajé foi reconhecido como patrimônio imaterial não apenas pela grande aceitação do alimento, mas também por salvaguardar métodos de preparo e cultura passadas de geração a geração pelas baianas.  

Comida Mexicana

Os pratos mexicanos não entraram na seleta lista apenas pela variedade de ingredientes de forte sabor empregados em sua cozinha, mas sim por ser um modelo cultural integral que inclui aspectos como a agricultura tradicional, práticas, rituais e costumes ancestrais. Ingredientes como o milho, feijão e a pimenta estão no coração da comida mexicana e somados a estes ingredientes estão modos de preparo bastante únicos.  

Corea do Norte Kimchi 

Este prato tradicionalmente coreano é uma preparação de vegetais fermentados, principalmente repolho, temperado com mariscos. A iguaria é reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pois além de ser amplamente reconhecida e consumida pela população do país é produzido a partir de uma mescla de tradições sociais que envolvem a comunidade. O prato surgiu da necessidade de garantir alimentos durante o verão que pudessem ser consumidos no inverno.   

Pão de gengibre - Croácia 

A tradição de fazer o pão remonta a idade média quando os biscoitos eram cozinhados em monastérios, e posteriormente, nas casas dos artesãos principalmente na região da Europa. A receita leva ingredientes básicos, farinha, açúcar e especiarias, o diferencial entretanto está na decoração que cada padeiro cria.

Washoku Japonês  

Em um tradução literal significa "cuia" e foi incluída como patrimônio pelo reconhecimento do espírito essencial de respeito à natureza que esta relacionado com o uso sustentável dos recursos naturais. A cozinha nipônica tradicional se baseia em ingredientes locais como arroz, pescado, vegetais e plantas silvestres comestíveis.

Café Turco   

É fruto da combinação de técnicas de maceração e repouso seguida de um lento processo para ser servido em jarras de cobre, o que dá uma característica cremosa e doce. Apesar do sabor autêntico, o que elevou a bebida no hall de patrimônio foi a cerimônia de reunir as pessoas em torno da mesa do café como um símbolo de hospitalidade, amizade e entretenimento.

Gastronomia francesa  

A comida na França é uma prática social para celebrar momentos importantes na vida das pessoas e grupos segundo a Unesco. Este fato associado a cuidadosa seleção de receitas e ingredientes e combinação de pratos com vinhos envoltos em uma cuidadosa decoração da mesa, mostram uma relação com o alimento que transcende o simples ato de coloca-los na boca. Esta combinação de fatores incluí a cozinha francesa na lista.  


Confira o texto em espanhol.

Imagens BBC   



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015

Para o quadro de hoje traduzimos o texto de Amy S. Choi sobre cultura alimentar que reuniu relatos de chefes, professores e pesquisadores de diferentes culturas. O texto foi publicado no site TED "Explore ideias que valem a pena ser espalhadas"

"A comida alimenta a alma. Levando-se em consideração que todos se alimentam e tem alma, a comida é o elemento unificador através das culturas. Mas o que alimenta a sua alma?"  Amy S. Choi.

Para mim, uma koreana/americana, um alimento carregado de memória é um prato tradicional da Korea chamado Kimchi, feito com arroz branco, ovos fritos, carne de frango ou porco e conserva de repolho. Tais preferências que suscitam identidade são pessoalmente e culturalmente significativas. Alimentos com caráter afetivo mapeiam quem nós somos, de onde viemos e o que aconteceu ao longo de nossas vidas. O que a gente escolhe cozinhar e comer é um acumulo de situações que vivenciamos, pessoas que nos relacionamos e coisas que aprendemos. Provavelmente existem alguns elementos de outras culturas também, mas nós vamos sempre comer alimentos que signifiquem algo para nós.     

Em grande parte da China, apenas pessoas de gerações mais antigas ainda fazem compras em feiras todos os dias e depois vão para casa cozinhar pratos tradicionais.

A diretora de graduação do curso de alimentos Jennifer Berg da Universidade de Nova York conta que alimentação é de particular importância quando nos mudamos para um país ou cultura diferente da nossa. É o último vestígio de cultura que as pessoas sustentam. Existem alguns aspectos da cultura originária que perdemos logo de cara, como por exemplo o jeito de se vestir, é uma forma de se adaptar ao novo contexto. Com alimentação é diferente, nós estamos em contato pelo menos 3 vezes ao dia, e portanto, com mais oportunidades de nos conectarmos com as memórias da família e lugares através deste elemento.

Identidade alimentar

A maioria das culturas não relaciona sua cozinha com uma monotonia de pratos. As cozinhas mexicana, chinesa e francesa por exemplo compreendem uma enorme variedade de comidas regionais.

O chefe americano Dan Barber faz um contraponto em relação a cultura alimentar americana através da reflexão: Se o que comemos traduz o que somos, o que seriam os americanos? Ora, Carne. Barber diz que se os norte-americanos possuem alguma unificação de identidade alimentar é em torno da carne. Fruto de uma cultura criada pelo mercado que agora é exportada para o resto do mundo.

Comida como sobrevivência    

Algumas vezes comida significa sobrevivência. Enquanto os cozinheiros que exportaram a cozinha chinesa pelo mundo se alimentam da autêntica cozinha em casa, os alimentos que eles servem, de fato criando um cozinha completamente nova, são baseadas em necessidades econômicas. A cozinha chinesa hegemônica nos Estados Unidos é darwiniana, pois foi uma maneira que os chineses que lá viviam encontraram para tirar um sustento. Apenas recentemente comidas mais autênticas chegaram ao país, mostrando a cozinha do país de uma forma mais abrangente.

Na China acontece um fenômeno diferente, apenas os avós ainda estão comendo e cozinhando da forma que pessoas de fora da China imaginam a "comida chinesa". A maioria dos jovens e adultos nascidos após a Revolução Cultural não sabe cozinhar. Esta geração esteve focada apenas em estudar, e seus pais não os ensinou a preparar o seu próprio alimento. Portanto, eles são educados mas estão comendo fast-food e comidas processadas em grande quantidade.

Comida como prazer

A comida na França ainda é primeiramente sobre prazer, e cozinhar e comer são tanto passa tempo quanto prazer, conta Mark Singer, diretor técnico de cozinha do Le Cordon Bleu em Paris. Entretanto, muitas coisas mudaram ao longo dos últimos 20 anos no que diz respeito à alimentação. O fato de comer que era quase um evento diário foi diminuindo lentamente a significância, e passou a ser mais presente em celebrações como aniversários, natal e ano novo.

No caso italiano, conta Marco Bolasco - Diretor editorial do Slow Food, o comer rápido não é predominante na cultura, apesar de ter crescido bastante. Nossas refeições são relaxadas mesmo durante o intervalo de almoço. Comida na Itália é amor, depois nutrição, história, e então prazer. A primeira experiência de uma criança italiana com comida não é com pães, arroz ou ovos, mas provavelmente sorvete observa Bolasco.

Comida enquanto comunidade     

Nas culturas árabes a comunidade é a chave da cultura alimentar. O iftar, momento que significa o término do jejum durante o Ramadan (mês sagrado), apresenta pratos tradicionais da cultura árabe que são compartilhados por todos da família. Esta celebração ocorre de maneira particular nos domicílios de cada um, mas também são abertas e compartilhadas com a população em geral nas mesquitas, escolas, feiras e outras organizações. O ato de comungar da comida é semelhante com hábitos chineses por exemplo, onde todos os membros da família dividem a refeição e não apenas o próprio prato.

Comida como humanidade  

A alimentação é a manifestação física de nossas relações com o mundo natural. É onde cultura e ecologia se interceptam. Ela pode se tornar ainda mais importante do que a linguagem, e até geografia quando o assunto é cultura. Nossas primeiras relações enquanto seres humanos é com a comida, afirma Richard Wilk, professor antropologista da Universidade de Indiana. Ele completa que a nossa primeira experiência é ser colocado para amamentar . O ato social de se alimentar é parte de como nós nos tornamos humanos, tanto quanto falar e cuidar de nós mesmos. Aprender a comer é aprender a se tornar humano.


Para conferir os originais do artigo acesse o link.

 

       

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

Você gosta de se aventurar na cozinha ou falta apenas um empurrãozinho para aquecer as panelas? No quadro de hoje você vai encontrar a inspiração que faltava.

Te convidamos a se deliciar com o canal e blog culinário Caramelo Salgado criado pela nutricionista e gastrônoma Karoline Cruvinel. O objetivo principal é o compartilhamento de receitas através de vídeos para que as pessoas possam reproduzi-las em casa. Além de pratos deliciosos, a bela estética das imagens e cenas torna o canal uma experiência sensorial ainda mais completa.

O Ideias na Mesa entrevistou Karoline para saber algumas curiosidades a respeito da concepção e conceitos do canal, confira:

Ideias na Mesa: Como surgiu a ideia de criar o blog/canal "Caramelo Salgado" e como se deu a escolha do nome?

Karoline Cruvinel: A ideia surgiu quando senti a necessidade de compartilhar dicas e receitas para amigos e conhecidos, que sempre me pediam receitas, de várias coisas... acho que mais fácil do que escrever a receita é ver a pessoa fazendo, né? Sempre pesquisei muito na internet e ficava decepcionada quando recriava uma receita e ela dava errado, e por isso adoro ver tudo em vídeo. Também foi uma forma de me manter sempre atualizada, pois como estipulei uma frequência de postagem fixa semanal, estou sempre fazendo receitas diferentes e estudando mais sobre gastronomia, que é minha paixão.

O nome é caramelo salgado por dois motivos: 1. É um dos meus sabores preferidos

2. Apesar da minha preferência pela confeitaria, o blog e canal tem receitas doces (“caramelo”) e salgadas (“salgado”)

IM: Na descrição do blog você conta que o interesse por culinária começou cedo. Existe algum alimento ou preparação que te vem a memória desta época? E que lembranças te trás?

KC: Nossa, muitas! Um clássico é o tradicional bolo de cenoura com casquinha de chocolate, que comia quentinho. Outro que me vem a cabeça é um prato que minha mãe sempre fez no natal, um frango recheado, e que sempre, sempre, até hoje, tem o mesmo gosto de infância. As memórias são maravilhosas, da época que eu era pequena e sempre ficava atrás da minha mãe quando fazia creme de confeiteiro, pra lamber a panela. Ou de quando fiz minha primeira receita sozinha, foi uma torta de frango que demorei umas 4 horas pra fazer rs. Eu me inscrevi no vestibular para Nutrição depois de ver que podia ser uma nutricionista que modificava receitas (logo depois de uma matéria no globo repórter que mostrava nutris que trabalhavam com técnica dietética). Essas lembranças me trazem muita alegria, eu realmente amava e ainda amo muito ficar na cozinha.

IM: De que forma você acredita que as práticas culinárias podem contribuir para uma vida mais saudável?

KC: Principalmente pela capacidade que temos de usar as práticas culinárias para fazer COMIDA DE VERDADE, de fugir da indústria e das comidas prontas. Se você ensina uma pessoa a fazer o próprio molho de tomate em casa, você ensina essa pessoa a não comprar molhos prontos, a ter mais saúde no prato, a usar os tomates que estavam esquecidos na geladeira e consequentemente diminuir o desperdício. É um ciclo do bem. Uma vida saudável, no meu ponto de vista, engloba o lado emocional dos alimentos, e a cozinha caseira, sem porcarias prontas, preparada com carinho em casa, faz parte dessa saúde.

Não sou a favor do terrorismo nutricional, da guerra contra o glúten e a lactose. Vejo muitas pessoas que decidem não comer glúten por modismo e começam a se entupir de biscoitos e barrinhas industrializadas, e que condenam a ideia de fazer um pãozinho caseiro na própria cozinha. Acredito que tudo deve ser colocado na balança e sempre deve prevalecer o mais perto de uma comida de verdade.  


Para acompanhar as publicações e dicas de Caramelo Salgado inscreva-se no canal.      

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 08 de Outubro de 2015

Aproveitando a comemoração do Dia das Crianças na próxima segunda (12 de outubro), dedicamos o quadro de hoje para ensinar uma preparação que é sem dúvida uma unanimidade quando o assunto é infância e festividades.

Acreditamos que a nutrição dentro do contexto alimentar não se reduz a ingestão de nutrientes e energia, envolvendo também memória, tradições, aspectos sensoriais e cultura. Por outro lado, não podemos desconsiderar os prejuízos para saúde que os alimentos ultraprocessados ricos em sódio, açúcar e gorduras estão gerando na população. Especificamente em relação ao público infantil, uma em cada três crianças brasileiras entre 5-9 anos estão com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Levando-se em consideração estes aspectos, nós convidamos familiares e crianças para juntos desfrutar um tempinho na cozinha preparando esta delícia nacional, no intuito de mostrar que é possível preservar afeto e tradição usando comida saudável e de verdade.

Ingredientes

  • 500g de inhame  
  • 70g de leite em pó integral
  • 50 de cacau em pó (50 ou 70%)
  • 30g de açúcar mascavo
  • 15g de manteiga
  • Granulado (opcional)

Passo a passo

  1. Descasque e cozinhe o inhame usando cuscuzeira ou panela com água fervendo até amolecer apro. 15min
  2. Pique o inhame e reserve em um pote. Faça o mesmo com os outros ingredientes
  3. Passe o inhame no processador ou amasse até ficar uniforme  
  4. Unte a panela com manteiga e misture todos os ingredientes sem ligar o fogo
  5. Mexa em fogo baixo até dar o ponto aprox. 12min
  6. Deixe esfriar e enrole no granulado ou cacau em pó

Dicas

Passo 1 - O inhame costuma liberar um líquido, por isso cozinhar na cuscuzeira é uma boa opção, além de usar menos água  

Passo 3 – Passar no processador deixa com uma textura homogênea, mas corre o risco de ficar muito líquido

Passo 6 – A opção pelo granulado ou cacau depende do gosto, eu particularmente prefiro cacau, mas para crianças que vão experimentar pela primeira vez o granulado preserva mais as características do brigadeiro 

Aproveite o Dia da Criança para se aventurar na cozinha com a criança amada ou para relembrar a infância de uma maneira mais saudável e não menos saborosa. 

Gostou? Tentou e algo deu errado? Compartilhe sua experiência na cozinha publicando a foto da receita com as hashtags #receitafotografica #comidadeverdade no Instagram e Facebook.

Perdeu a receita passada? Confira aqui. 




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