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postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Muitas pessoas que realizam ações de Educação Alimentar e Nutricional relatam dificuldades na etapa de avaliação, por isso o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz esse material que visa orientar a avaliação de práticas educativas envolvendo alimentação nas escolas. O primeiro princípio adotado por esse material é que para avaliar é preciso compartilhar saberes, cumprindo as regras do jogo simbólico em relação ao que é certo, mas sem perder o espírito revolucionário, que busca transformar a imagem de perfeição ou de um final feliz em cotidiano – deixemos os príncipes e princesas em paz em seus castelos medievais europeus. Aqui, se apresenta uma concepção de avaliação que seja útil pra você na prática educativa, reforçando o uso do pensamento mas, sem perder de vista experiências e interpretações individuais sobre o ”comer bem”.

Partimos do princípio que ações de EAN conectam Políticas Públicas, teorias construtivistas e troca de saberes. Avaliar uma prática de EAN é um desafio de interpretação! É necessário se avaliar a todo momento, mas muitas vezes isso parece uma questão nebulosa, algo que causa um certo desconforto, dando uma impressão de acusação. Para acabar com essa perspectiva, a apostila de Avaliação das ações de EAN nas escolas se propõe a conhecer mais profundamente como podemos avaliar ações de EAN para adequar e aumentar as possibilidades do direito de comer bem e da convivência social.

Esse material motiva a construção de critérios e desdobramentos de uma forma de avaliar restrita a ‘sim deu certo’. Há que se planejar uma boa avaliação. O objetivo desta apostila é, portanto indicar parâmetros para análises de EAN no contexto social orientado por Políticas Públicas, certos que politizar é preciso uma vez que “um coletivo organizado pode mais”.

Este material servirá de auxílio prático para redigir uma boa avaliação, mostrando os possíveis caminhos a seguir.

Delicie-se na leitura desse passo-a-passo para uma avaliação eficaz! Acesse a publicação "Avaliação das Ações de EAN na escola" aqui

 



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

No contexto da sociedade brasileira não é incomum encontrar véus que dividem as classes, as raças, etnias e gêneros. Violências do mais diversos tipos, são algumas das diferenças que estes grupos muitas vezes enfrentam. 

Devido ao processo de construção social ou muitas vezes familiar desde a infância, é comum que se doutrine, mesmo que subconscientemente, os indivíduos à projetarem suas personalidades conforme as expectativas socialmente tidas como "normais". Sobre o gênero feminino, com o passar do tempo, ficou incumbida a tarefa de manutenção da instituição familiar, as tarefas domésticas e, por consequência, da alimentação de seus próximos. 

Uma refeição em família é, para muitos, um momento de reunião do núcleo familiar já que a exaustiva jornada de trabalho tende a distanciar o contato entre pais, filhos e cônjuges. Naquele momento trocam-se memórias, divertem-se juntos, comem e bebem, e são realizadas as interações que os laços familiares. Nesse contexto, o [Biblioteca] de hoje destaca o livro Mulheres do recanto: Antes de saber o que eu como, deixa eu contar como eu vivo. 

O livro, tem como objetivo apresentar o processo de ensino-aprendizagem e as repercussões da ação de Educação Alimentar e Nutricional desenvolvida com dois grupos de mulheres da cidade do Recanto das Emas. É fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido por educadoras/pesquisadoras do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), mediante financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A intenção da equipe de educadoras/pesquisadoras era compreender o contexto e as dinâmicas da alimentação na perspectiva de gênero e realizar uma ação de EAN que fosse planejada e executada com a participação ativa das pessoas envolvidas, à luz do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas (MREAN), publicado em 2012. Assim, por meio de um conjunto de oficinas, as diferentes dimensões do espaço social alimentar foram abordadas, discutidas e registradas em imagens, sons e documentação cartográfica.
O documento está disponível, inteiramente, em nossa Biblioteca.




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 05 de Outubro de 2016

Elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, o "Atlas da carne - fatos e números sobre os animais que comemos" apresenta uma pergunta inquietante:

"você sabia que a produção de carne está relacionada ao desmatamento da Amazônia?"

A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e aumenta a desigualdade. 

O Atlas registra ainda, como a criação animal em escala industrial traz consequências negativas, como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade é outra grave consequência desse avanço sobre as terras. O Atlas, portanto, indica esses e outros impactos do consumo de carne, seja ela bovina, suína, de aves e de outros tipos como búfalos e ovelhas.

 

A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador.

Se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 agricultores terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética" como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. Traz também alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Com essas alternativas, o atlas mostra ao consumidor os trajetos que a carne percorre e o sistema que tem sido sustentado com o atual consumo.

No Brasil, gastam-se 15 mil litros de água por cada quilo de carne produzido! Esse é um dado que preocupa uma vez que a crise hídrica já bateu à nossa porta.Além disso, a criação intensiva, visando à exportação, leva ao uso de fármacos para erradicar doenças e acelerar a engorda, mas que acabam contaminando o solo e a água.

Mesmo assim, o consumo de carne tem aumentado mais rapidamente nos países emergentes e de forma cadenciada nos Estados Unidos e na Europa.

Esse material já está em sua terceira edição na Alemanha e já foi publicado em espanhol, inglês e francês.

O Brasil ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse produto agrícola. A sanha por terra de produtores de soja e outros levam, muitas vezes, à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas no Brasil. A produção da soja também se desdobra em desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global.

Apesar de toda essa preocupação, o agronegócio tenta abafar os efeitos adversos do nosso alto consumo desses produtos. Propagandas e embalagens  mostram imagens de animais alegres em fazendas felizes. Enquanto na realidade, o sofrimento dos animais, os danos ecológicos e os impactos sociais são varridos para debaixo do tapete. A realidade é que uma em cada sete pessoas no mundo não possui acesso adequado à comida. Nós estamos longe de garantir o direito internacionalmente reconhecido à comida suficiente tanto quantitativamente como qualitativamente.

Em muitos países, consumidores estão fartos de serem enganados pelo agronegócio. Ao invés do dinheiro público ser utilizado para subsidiar fazendas industriais, consumidores querem políticas razoáveis que promovam uma pecuária realmente ecológica, social e ética. Enquanto governos no mundo desenvolvido têm que mudar radicalmente de curso e enfrentar o poder do lobby da agricultura, países em desenvolvimento podem evitar repetir os erros cometidos em outros lugares. Conhecer os efeitos da produção intensiva de carne possibilita o planejamento para uma produção orientada ao futuro que seja social, ética e ambientalmente responsável. Ao invés de tentar exportar seu modelo falho, a Europa e os Estados Unidos deveriam tentar mostrar que a mudança é necessária e possível.

Há alternativas! A carne pode ser produzida mantendo os animais em pastos ao invés de confinados, produzindo e consumindo localmente ao invés de transportá-la por milhares de quilômetros. O esterco não precisa pesar sobre a natureza e na saúde da população local, ele pode ser espalhado pelos campos do próprio fazendeiro enriquecendo o solo.

Esse atlas convida você a viajar ao redor do mundo e oferece informações sobre as conexões globais feitas quando nós comemos carne. Somente consumidores informados e críticos podem tomar a decisão certa e demandar a mudança política necessária.

Confira a publicação completa aqui!



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Florestas e árvores favorecem a agricultura sustentável porque, entre outras coisas, estabilizam os solos e o clima, regulam fluxos de água, fornecem sombra, abrigo e um habitat para polinizadores e predadores naturais de pragas agrícolas. Quando integradas com prudência a terras agrícolas, permitem aumentar a produtividade da agricultura. As matas também ajudam a garantir a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas, para as quais são fontes importantes de alimentos, energia e renda, especialmente em momentos difíceis. No entanto, a agricultura continua a ser o principal fator de desmatamento em todo o mundo, e muitas vezes as políticas agrícolas, florestais e de uso da terra não estão harmonizadas.

Essas são algumas das constatações do relatório "O estado das Florestas do Mundo 2016 - Florestas e agricultura: desafios e oportunidades em relação ao uso da terra (SOFO)" que o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz. Lançado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), mostra, a partir da análise de esforços bem sucedidos de sete países (Chile, Costa Rica, Gâmbia, Geórgia, Gana, Tunísia e Vietnã), que é possível ser capaz de conciliar as aspirações dos diferentes setores e aumentar a produtividade e a segurança alimentar de suas populações e, ao mesmo tempo, parar ou mesmo reverter o desmatamento.

O documento pretende servir de base para os países desenvolverem planos, políticas e programas para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os quais possuem "caráter integrado e indivisível". Alimentação, meios de subsistência e gestão de recursos naturais não podem ser considerados separadamente, é necessário abordagens coerentes e integradas de sustentabilidade em todos os setores agrícolas e sistemas alimentares. A publicação traz também a importância da inclusão participativa significativa das partes interessadas para garantir a legitimidade da implementação e do monitoramento de tais processos de planejamento integrado do uso da terra.

Assim, "O estado das Florestas do Mundo 2016" apresenta dados importantes que evidenciam a necessidade de harmonia e conexão entres as áreas para que se estabeleça condições que tornem possível alcançar a agricultura sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade climática. Lembrando que tais mudanças e reformulações precisam ser buscadas com urgência.

Leia em nossa biblioteca a versão do estudo em espanhol, ou veja aqui a versão em inglês.

A FAO também produziu dois pequenos vídeos baseados no SOFO 2016, um que foca nos exemplos dos países em destaque e outro que mostra infográficos didáticos que resumem o tema. Veja aqui as versões em espanhol:

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Acreditando que o conceito de nutrição relacionado com o Direito Humano à Alimentação Adequada e a garantia da Segurança Alimentar e Nutricional vai muito além do que a mera medição dos nutrientes nos alimentos e no corpo humano, o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz um documento que através de alguns artigos denuncia que e a separação artificial entre a nutrição e os sistemas alimentares sustentáveis- cada vez mais defendida pela agenda corporativa- resulta em soluções verticais, técnicas e baseadas em produtos, que ignoram as determinantes sociais, econômicas, políticas, ambientais, culturais e relacionadas com a saúde.

O Observatório do Direito à Alimentação e Nutrição 2015 – “A nutrição dos povos não é um negócio” – faz uma revisão do estado atual dos direitos humanos e do impacto das operações empresariais em comunidades de todo o mundo. Quais são as principais causas que explicam por que centenas de milhões de pessoas estão subnutridas, enquanto 500 milhões sofrem de obesidade? O que é necessário para garantir que a nutrição pertence aos povos e não às corporações?

O documento denuncia como o crescente controle das corporações sobre os sistemas alimentares e sobre os espaços políticos está a colocar em sério risco a soberania dos povos e os direitos humanos. "A luta social pela nutrição, como elemento inerente ao direito à alimentação adequada, ganhou um impulso significativo no final de 2014, com a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (CIN2). Entretanto, as negociações falharam ao não reconhecer o atual modelo do sistema alimentar e de produção agroindustrial hegemônico, ditado pela agenda liderada pelas corporações, como uma das principais causas das diferentes formas de má-nutrição e da diminuição da diversidade e qualidade das dietas. Nesse sentido, cabe-nos perguntar: estará a nutrição a tornar-se parte de um negócio em vez de um direito humano?" questiona a publicação.

      

Tendo em conta as adversidades específicas que as mulheres e meninas enfrentam diariamente, o Observatório chama também a atenção para a ligação entre o Direito à Alimentação Adequada e à Nutrição e a plena realização dos direitos das mulheres e meninas.

Ao final o documento chega as seguintes conclusões:

• As políticas públicas têm de abordar a produção de alimentos e a nutrição humana em simultâneo e em todos os quadros juridicamente vinculativos para a realização da alimentação e da nutrição adequadas para todas as pessoas;

• Todos os países (incluindo os mais avançados) devem criar e implementar programas de apoio abrangentes para o desenvolvimento de sistemas de produção alimentar sustentáveis que garantam a Segurança Alimentar e a economia nacional;

• A realização dos direitos humanos das mulheres predetermina o direito humano à alimentação e à nutrição adequada de todos os povos; a sua liderança e participação na governança alimentar e nutricional desde o nível doméstico à escala internacional tem de ser uma prioridade;

• O CSA tem sido a arena internacional preferida para os movimentos sociais rurais que procuram um espaço de política alternativa à OMC e ao Banco Mundial. O seu trabalho para fortalecer os sistemas alimentares locais que promovem resultados nutricionais de sucesso baseada na agrobiodiversidade deve continuar e expandir-se;

• Os acordos comerciais internacionais, principalmente nos setores da alimentação e da agricultura, não devem ser assinados sem haver total transparência e sem a participação das OSC e das comunidades defensoras dos interesses públicos. Os interesses desses tratados nunca devem sobrepor-se ao direito à alimentação adequada e à nutrição;

• Os governos têm a obrigação de promover os direitos humanos através da educação e da capacitação daqueles, em particular, cujos direitos humanos foram violados, bem como através da disponibilização de mecanismos eficazes para que os detentores de direitos humanos possam obter compensações por essas violações;

• A ligação entre a produção, o acesso e a nutrição alimentar deve ser fortalecida através da promoção e da proteção de sistemas alimentares de mão de obra intensiva e local, baseados em métodos agroecológicos sustentáveis, através do acesso seguro, de mulheres e homens, à terra em contexto rural, e também urbano, e através da recuperação dos direitos tradicionais ao cultivo e à reutilização de sementes. A nutrição é inerente às pessoas, não às corporações. Não deve existir para venda ou para obtenção de lucro. A soberania alimentar dos povos e uma perspectiva de direitos humanos são fundamentais para combater todas as formas de desigualdade, opressão e discriminação e para democratizar as sociedades a nível nacional e global. Os povos devem responsabilizar os seus governos pela implementação das obrigações nacionais e extraterritoriais dos Estados sobre os direitos humanos.

Leia a publicação completa em nossa biblioteca. 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 03 de Agosto de 2016

Hoje, o [Biblioteca do Ideias] vem apresentar uma revista científica que reflete uma temática que muito nos interessa: Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)". 

Passada a Conferência Nacional de SAN, em 2015, continuamos o trabalho para garantia do Direito Humano a Alimentação Adequada, promovendo Segurança Alimentar e Nutricional. Assim, parece oportuno dar voz e dialogar com as organizações sociais que atuam e militam nesses contextos. A SAN é seguramente uma temática, de âmbito nacional e internacional, que abrange um número expressivo e diversificado de organizações e movimentos sociais que enfrentam os múltiplos e cotidianos problemas gerados pela ausência de garantia de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. Esses segmentos buscam ter uma atuação participativa e de destaque nas arenas de debates, contribuindo para a formulação de políticas públicas sociais voltadas para a materialização do direito humano à alimentação adequada (DHAA) e para a conquista da soberania alimentar.

O conjunto de ações e programas que constituem a política de SAN, apesar de ainda insuficientes, tem avançado e se tornado mais concretos, com resultados mais efetivos. O combate à fome e à insegurança alimentar, amparado por programas de transferência direta de renda, acarretou a saída do Brasil do mapa da fome, divulgado pelo Relatório 2014 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - Brasil (FAO), considerado um resultado positivo nesse panorama. Entretanto, os desafios ainda são grandes, a fome persiste nos grupos mais vulneráveis, como crianças e comunidades tradicionais, e as doenças advindas da alimentação inadequada, como a obesidade, se alastram e se agravam.

Assim, dar visibilidade às questões pertinentes à materialização da segurança alimentar e nutricional como um direito humano à alimentação adequada e a garantia da soberania alimentar parece fundamental na perspectiva de avançar nesta construção. A concretização desse direto no Brasil e no mundo é um pressuposto da justiça e da igualdade social, do fortalecimento da democracia e uma condição inegociável para conquista da cidadania. Esse é o propósito com o tema e os textos apresentados. 

Os títulos dos artigos que compõem a Revista são:

- PANORAMA DA AGRICULTURA URBANA E A CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL (página 7)

- O JUÇAÍ E SUAS INÚMERAS POSSIBILIDADES DE APROVEITAMENTO ALIMENTAR (página 18)

- COMIDA: ESSE DIÁLOGO SEM PALAVRAS (página 23)

- APLICAÇÃO DA ESCALA BRASILEIRA DE INSEGURANÇA ALIMENTAR EM POPULAÇÕES INDÍGENAS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA (página30)

- DOENÇA CELÍACA – PROPOSTAS PARA A REDUÇÃO DOS CUSTOS DA ALIMENTAÇÃO E MELHORA DO PERFIL NUTRICIONAL DO CELÍACO (página 36)

- DESAFIOS PARA A REPRESENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE NO CONTEXTO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL (página 42)

- OBESIDADE E O PESO DO INTERESSE DO CAPITAL (página 55)

- CONFERÊNCIAS DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO BRASIL: caminhos para a garantia do direito humano à alimentação adequada e soberania alimentar em uma conjuntura de crise política e econômica (página63)

Além de artigos você vai encontrar uma entrevista com Rosa Maria Cordeiro Alvarenga, Presidente do CONSEA do Rio de Janeiro, no biênio de 2013/2015. 

E aí, ficou animado para mergulhar um pouquinho mais na SAN e enfrentar novos desafios? 

Para acessar a Revista completa clique aqui!



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

 

Desde a última década o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos e possui um problema antigo de subnotificação de intoxicação por esses produtos. Pensando nisso o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz o "Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil", lançado esse ano pela geógrafa Larissa Mies Bombardi que a cinco anos tem se dedicado a estudar o impacto do uso dos agrotóxicos no país, em especial a partir do mapeamento dos casos de intoxicação.

Larissa, Coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, buscou com esse material facilitar a busca por mapeamentos que subsidiem o debate sobre a agricultura brasileira e, particularmente, naquilo que se refere ao uso de agrotóxicos. Calcula-se que a cada brasileiro cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja, e, segundo a professora, de 2007 a 2014 foram notificados 1186 casos de morte por intoxicação com agrotóxicos.

A pesquisadora reuniu os dados sobre os venenos agrícolas em uma sequência cartográfica que dá dimensão complexa a um problema pouco debatido no país. Os mapas presentes no material são chocantes, pois mostram a realidade: mortes por intoxicação, mortes por suicídio, entre outras.

Mas como a pesquisadora coloca na apresentação do artigo: “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, pois apesar de levar em conta os registros do Ministério da Saúde para enfermidades agudas (aquelas direta e imediatamente conectadas aos agrotóxicos) ficam de fora dos cálculos às doenças crônicas, aquelas provocadas por anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer. Nesse contexto muitas pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) e muitos profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que muitas vezes se confundem com doenças corriqueiras.

Além disso, ela ressalta que os dados apresentados referem-se àqueles que vieram a ser notificados e calcula-se, que no Brasil, para cada caso de intoxicação por agrotóxico notificado, tenhamos cinquenta outros não notificados. Isto significa que temos uma subnotificação da ordem de 1 para 50. Assim, se tivemos 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014, multiplica-se o número por 50 e chega-se mais próximo da realidade: 1,25 milhão de casos em sete anos.

Esse material é um ensaio para uma publicação maior que abrangerá todo material reunido por Larissa, o "Atlas do Uso de Agrotóxicos no Brasil", com previsão para lançamento no segundo semestre e que trará um mapeamento bastante abrangente e com dados recentes.

Veja aqui o material completo na nossa biblioteca.

E aqui uma entrevista com a geógrafa Larissa Mies Bombardi falando sobre o tema.



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

O Brasil atualmente passa por uma transição epidemiológica e nutricional, com um aumento significativo de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e importantes mudanças no consumo alimentar da população brasileira. O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz a publicação: "Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica", que foi desenvolvida como desdobramento do Guia Alimentar para a População Brasileira, pensando nas demandas de tal cenário por uma orientação na mudança de prática no que se refere à abordagem da promoção da saúde.

O material - que foi desenvolvido pela Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/DAB/SAS/MS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/Brasil)- faz parte de uma série de publicações que visam apoiar o planejamento e o desenvolvimento de ações coletivas de promoção da alimentação adequada e saudável no Sistema Único de Saúde (SUS), em especial na Atenção Básica, apresentando propostas de metodologias com suporte teórico e prático. Veja aqui os outros materiais desenvolvidos.

Tendo em vista que no mundo atual é indiscutível a necessidade da realização de ações de melhorias da saúde pautadas na autonomia e no empoderamento, espera-se que o documento transforme os gestores e trabalhadores do SUS em multiplicadores e criadores de estratégias, além de qualificar as ações de educação alimentar e nutricional desenvolvidas nos serviços de saúde.

As ações que compõem o instrutivo compreendem a noção de que o desenvolvimento da alimentação adequada e saudável deve ser composto por estratégias que proporcionem aos indivíduos e às coletividades a realização de práticas alimentares apropriadas aos seus aspectos biológicos e socioculturais, bem como ao uso sustentável do meio ambiente - aspecto presente na Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan)-. Foram propostas em uma perspectiva prática e efetiva, para serem realizadas por todos profissionais de saúde e sua construção buscou integrar-se às ações na Atenção Básica (AB), por este ser o lócus com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, ocorrendo no local mais próximo da vida das pessoas.

Veja o material completo aqui.



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

O gênero feminino fora e é subjugado em numerosos aspectos da vida social, ora por longas jornadas de trabalho, tarefas domésticas e menoridade salarial em relação a contra parte masculina desse sistema trabalhista, ora pela objetificação e invasão de seus corpos, mente e alma.

A despeito de ao redor do globo existirem cerca de 2,5 milhões pequenas agricultoras, criadoras, habitantes das florestas e pescadoras, cujos conhecimentos e trabalho cumprem papel fundamental na sustentabilidade dos diversos sistemas alimentares; e a comunidade mulheril agrícola e extrativista somar 15 milhões de pessoas, representando 47,8% do montante de moradores do meio rural, apenas 16% destas são titulares das terras onde moram. Artigos mostram o quanto as mulheres trabalham e como estão engajadas em praticamente todas as atividades agrícolas e extrativistas, assumindo jornadas de trabalho muito extensas. Mesmo assim, elas continuam com restrição de acesso aos recursos produtivos, bem como o reconhecimento do seu trabalho ainda é colocado em questão.

senhora na fazenda

 

O [Biblioteca do Ideias] desta semana destaca o editorial de Maria Emília Lisboa Pacheco na revista Agricultura V.6 nº 4, sobre as ações do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). Esta mostra a forma com que esse movimento busca construir um projeto de agricultura camponesa baseado nos princípios da Agroecologia. Um projeto que garanta a soberania alimentar enquanto direito, questione o patriarcado, afirme a auto-organização das mulheres e as reconheça como sujeitos políticos. A Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis expressa a dupla face de questionamento, tanto do modelo de produção capitalista quanto da opressão patriarcal vivida pelas mulheres.

Os dados apresentados são ponto de deflagração para pautas de economia feminista no campo, e não feminina, como Hildete Melo, coautora de um estudos da revista, o dissera no lançamento da revista, uma vez que este visa lançar um olhar engajado, buscando desvendar as mulheres que normalmente as estatísticas econômicas ignoram.

O artigo está disponível na Biblioteca.


Por Giphy

foto de capa: Morguefile



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

 

O Brasil, de acordo com suas raízes históricas, culturais e econômicas, usufrui majoritariamente de um modelo de agricultura pautado no agronegócio. Este sistema econômico dá origem a inúmeras consequências sociais, conflitos de terras, apropriação de bens de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, intoxicação humana pelo manejo de pesticidas, além do próprio impacto nos recuros naturais 

O Mato Grosso, inclusive, é um estado brasileiro que possui uma conformação econômica voltada aos latifúndios de exportação de commodities. Detentor da maior produção de soja, milho, gado e algodão do país, ocupa também o lugar de maior consumidor de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz à tona um documento divulgado recentemente pelo IPES – Food (Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis), uma organização não governamental, que reúne diversos especialistas na construção de debates, materiais e análises de temas como desnutrição, obesidade, insegurança alimentar e degradação ambiental no olhar do sistema alimentar.

 

 

O documento em questão se chama “Da Uniformidade à Diversidade: Uma mudança de paradigma da agricultura industrial para sistemas agroecológicos diversificados ", que analisa os mais recentes dados sobre os resultados dos diferentes modelos de produção, e identifica oito principais razões do porquê a agricultura industrial ocupa o seu lugar de status, apesar de seus resultados negativos. Ele também traça uma série de passos para quebrar esses ciclos.

 

 

O estudo reforça ainda que apesar das inúmeras evidências científicas a respeito da viabilidade econômica e social da agroecologia, o agronegócio ainda predomina no cenário atual pelo seu maior potencial de geração de lucros, mesmo que insustentáveis, às empresas.

Apesar deste material estar em inglês, vale a pena dar uma conferida! O documento encontra-se em nossa biblioteca.

Para saber mais sobre o IPES- Food, acesse aqui. 



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