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postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Em seu livro “O dilema do onívoro”, lançado há uma década, Michael Pollan diz que se soubéssemos das mentiras contadas pelo agronegócio, com certeza mudaríamos nossos hábitos alimentares.

Hoje podemos dizer que já conseguimos enxergar melhor essas mentiras da indústria, mas Pollan tem se perguntando se esse novo olhar, por si só, é suficiente.

Em uma entrevista, Pollan disse que o maior acesso à informação não mudou a postura dos consumidores quanto às escolhas alimentares, como ele esperava. Embora ele tenha apontado alguns avanços encorajadores, ele também argumentou que nosso sistema alimentar não está tão diferente de como ele descreveu em 2006. Para que o sistema alimentar de fato mude, serão necessárias algumas conversas consideradas difíceis pelo autor. Ainda é muito necessário discutir sobre políticas que levem ao consumo consciente, sobre os preços dos alimentos e sobre o papel daqueles que “advogam” pela causa.

Para comemorar a década de publicação do livro, confira essa entrevista com o autor.

Michael Pollan: A simples questão que me fez iniciar o livro – “De onde vem nossa comida?” – é agora uma questão para diversas pessoas. Mas eu não quero superestimar a influência do livro, pois o sistema alimentar de hoje é bem parecido com o de 10 anos atrás. Já as estratégias usadas pelos consumidores, para escolher seus alimentos, são um pouco diferentes das usadas em 2006.

A economia que abrange a produção de alimentos também tem mudado. Nos Estados Unidos a venda de alimentos orgânicos tem arrecadado 40 bilhões. Os consumidores também têm dado preferência a alimentos locais e artesanais.

A estimativa é de que hoje a economia que vai contra ao atual sistema alimentar movimenta cerca de 50 bilhões de dólares. Claro que isso não quer dizer que as empresas tradicionais não estão lucrando com a venda de orgânicos também, mas o fato é que eles tiveram que alterar a forma de produção, o que mostra novos rumos no ramo alimentício.

Um dos aspectos positivos de ter várias grandes empresas dominando o cenário da produção de alimentos é que os monopólios, às vezes, podem se mover rapidamente para mudar o sistema. Se você força empresas como McDonald’s, Walmart ou KFC, a mudar a forma de produção, você pode trazer mudanças muito rápidas para o sistema alimentar.  

Muitos dos valores que hoje parecem ser alternativos, como comprar ovos de galinhas que não vivem em gaiolas, em breve será um hábito comum. Eu acho que logo muitas redes de fast food vão começar a vender produtos orgânicos por marketing e muitas outras redes vão seguir essa tendência por perceberem que é uma estratégia que funciona.

É assim que a mudança vai chegar aos Estados Unidos, certo?

Nós temos a tendência de progredir a partir dos desafios, ao invés da revolução e da substituição.  

Não há dúvida de que você verá o mercado alimentício alternativo e tradicional se unirem. Resta será saber se as pessoas vão comemorar ou lamentar essa transição.

Eu frequentemente pergunto às pessoas: Como você se sentiria se o McDonald’s decidisse vender apenas produtos orgânicos? Isso seria uma vitória incrível. Imagina todos os campos que deixariam de receber agrotóxicos e todo o gado pastando na grama. Mas algumas pessoas sempre vão se assustar com essa fantasia. O movimento que luta pela comida de verdade é feito pela sociedade civil que busca novas estruturas para o sistema alimentar e, de certo modo, busca mudar o atual contexto econômico.

Algumas pessoas ficarão deprimidas quando os aspectos desse atual movimento social se tornarem comuns, batidos. Outras se sentirão plenamente realizadas – é assim que a mudança acontece nos EUA. Talvez isso seja o que podemos esperar de melhor.

Enquanto a consciência cultural em torno da comida mudou, nós não fizemos muito progresso mudar as coisas em Washington.

O verdadeiro desafio agora é trazer a luta do consumidor para o cidadão: levar as pessoas a votar em questões alimentares, para que os congressistas votem em melhorias para o sistema alimentar.

A indústria ainda tem forte influência sobre os comitês agrícolas no Congresso e a maioria das reformas que temos visto são realmente pequenas mordidas nas bordas.

Há dinheiro destinado para programas de alimentação escolar e de instituições públicas e de incentivo para a produção local. Hoje a lei para produção agrícola tem algumas boas disposições para as pequenas e diversificadas formas de produção, que nunca existiram antes.

Há muito dinheiro para promover a agricultura local.

Mas os legisladores aumentaram o investimento em sistemas alternativos, sem reduzir o incentivo aos métodos de produção tradicionais.

Vivemos um momento interessante, no qual o poder das corporações é tão pleno que o governo encontra problemas para quebrar esse ciclo, sem que haja um escândalo.

Um ponto postivo para esse movimento é que a fraqueza das grandes corporações tem sido a própria marca. É aí que você vê uma interessante atividade política da sociedade civil representada por grupos como a Coalizão de Trabalhadores de Immokalee, a Oxfam América e a Humane Society. Eles têm ido atrás dessas empresas, fazendo com que elas se sintam forçadas a mudar o próprio comportamento por medo de serem ridicularizadas. 

No final, porém, você tem que refletir sobre as mudanças que essas empresas sofrem. É necessário que exista uma regulamentação legal que de fato consagre essas mudanças. Temos muitos exemplos de empresas que fazem promessas atrativas, mas que deixam de ser cumpridas quando o público não está prestando atenção.

O McDonald’s recentemente prometeu que não comercializaria carnes de frango produzidas com antibióticos mas, em seguida, um repórter descobriu que eles tinham feito a mesma promessa há exatos dez anos. Será que a indústria mantém todas as promessas que fez à Michelle Obama, depois que ela está fora do escritório? E existe um mecanismo para garantir que eles de fato cumpram?

É importante votar com seu garfo, não ache que é trivial.

E isso é necessária, mas não suficiente, pois também temos que votar com nossos votos.

Uma coisa positiva que o governo poderia fazer é oferecer à agricultura orgânica, os mesmos subsídios que oferece à agricultura convencional. Ainda assim, é provável que o preço dos alimentos orgânicos não sejam tão competitivos quanto os produzidos pela agricultura tradicional, em parte porque esses preços baixos não refletem o verdadeiro custo do produto.

Nós pagamos pelos alimentos convencionais de outras maneiras: na saúde pública, em danos ao meio ambiente e em subsídios do contribuinte.

À medida que conseguirmos reformar o sistema, eu acho que vamos ver que o baixo custo foi uma ilusão, pois você não pode produzir alimentos mais baratos, sem que alguém pague o custo real. E esse custo tem sido pago pela saúde e meio ambiente.

Minha esperança é que as pessoas comecem a ver os alimentos como algo que vale a pena gastar mais dinheiro, quando possível. Afinal de contas, a maioria dos americanos vive em uma situação confortável e paga centenas de dólares em contas de telefone ou em canais de TV. Eu acho que uma fatia significativa do público consumidor está se acostumando com a ideia de que alimentos produzidos de forma alinhada aos seus valores pessoais, vão custar mais caro. Mas claro, que ainda existem pessoas que não serão capazes de arcar com os preços mais altos dos alimentos sustentáveis e é aí que surge a dificuldade. Como podemos permitir o acesso de todos à esses alimentos?

Penso eu que esse seja o maior desafio do movimento pela comida de verdade: democratizar o acesso à alimentos produzidos de forma sustentável e ética.

É por isso que é muito encorajador ver ativistas pela comida de verdade se envolverem com questões de trabalho, abordando os salários e não apenas a produção de alimentos. Há um reconhecimento de que uma grande quantidade de trabalhadores são empregados da indústria de alimentos e estão sendo explorados por ela. Se pudermos consertar o erro e aumentar os salários de quem não pode pagar por alimentos sustentáveis, isso permitirá que mais de nós sejam capazes de pagar o verdadeiro custo dos alimentos.

 

Tradução: Ana Maria Maya

Fonte: http://newfoodeconomy.com/michael-pollans-new-dilemma/



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Terça-feira, 21 de Junho de 2016

A estrutura de produção e industrialização de alimentos está corrompida, o dizem. Usamos excessivamente agrotóxicos que contaminam nossos corpos e ambientes, distribuímos erroneamente a comida produzida, desmatamos nossas florestas, desperdiçamos nossas reservas de água, etc.


AFP/Archives


O [Pensando EAN] desta semana apresenta o discurso de Tristam Stuart, pesquisador, escritor, comunicador, empresário, e especialista nos impactos ambientas e sociais do desperdício de comida; em uma apresentação de seu TEDTalks, O escândalo global de desperdício de comida, tradução livre.

Stuart apresenta o desperdício e a exclusão de alimentos por motivos estéticos e superfluos como aparência e tamanho.

O autor sugere que um bom lugar para se começar a pensar sobre o desperdício são os supermercados. Suas lixeiras representam um colossal desperdício de alimentos, o diz. E conforme Stuart, "Quando você começa a subir a cadeia de abastecimento irá constatar onde o real desperdício de alimentos está acontecendo em uma escala gigantesca".


Sua análise é focada em aspectos comportamentais individuais, corporativos e estatais, o diagrama criado é o de uma cadeia alimentar na qual seus atores, em diversos níveis impactam, direta ou indiretamente, a problemática da fome, seja com o desperdício de alimentos sobressalentes, ou com a peneiragem estética, a qual os produtos primários são expostos.


Fazendeiros, por exemplo, descartam até um terço ou mais de suas colheitas, por conta de padrões estéticos. Tristam apresenta o exemplo de um fazendeiro o qual investiu 16.000 libras numa plantação de espinafre e nada foi colhido, a razão? Por haver grama crescendo entre eles. Bananas no Equador, Chirvias e laranjas na Flórida são descartadas pelos mesmos motivos.


 

 


Assista à palestra completa aqui:


 

 



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