Ideias na Mesa - Blog


postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Hoje tem novidade na Rede Ideias na Mesa! Toda sexta-feira apresentaremos as notícias e posts mais relevantes da semana para você!

Assista o vídeo e acesse as matérias na íntegra nos posts abaixo:

De jaleco e cocar, índia terena se forma em Nutrição e faz festa na aldeia, acesse aqui. 

Revelando o açúcar escondido nos alimentos industrializados, acesse aqui. 

[Pensando EAN] Por que somos obcecados por comida e ainda assim não cozinhamos?, acesse aqui 

[Você no Ideias] Alimentação, Higiene e Saúde na APAE de Palmas-TO, acesse aqui.



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

No [Você no Ideias] de hoje, destacamos uma experiência de EAN realizada com alunos de Nutrição, em uma disciplina de tema muito relevante da Universidade Federal de Campina Grande: Sistemas Alimentares Sustentáveis. A partir da disciplina, foram criadas aulas práticas para que os alunos ampliassem seus horizontes para as correntes alimentares, aprendendo a respeitar as individualidades de diferentes grupos, sendo eles os da Alimentação Vegana, a Culinária Crudívora e a Alimentação com uso de PANCs (plantas alimentícias não convencionais).

As aulas práticas foram realizadas em três oficinas culinárias, onde os alunos e professora cozinhavam juntos receitas que representassem as correntes alimentares escolhidas. Além do preparo das receitas, a professora dissertava também acerca da importância de cada corrente alimentar, das individualidades de cada uma e sobre valores nutricionais daqueles alimentos. ˜Vimos que é possível se promover alimentação saudável, adequada e acessível através de cardápios diferenciados, além de contribuir para a preservação dos recursos naturais finitos." relatou Yasmin Santos de Araújo, que cadastrou a experiência na nossa Rede.

Salada de Folhas Verdes com Lentilha Germinada - Receita Crudívora


Entre as receitas realizadas nas oficinas  estão Purê de Banana Verde, Charutos de Repolho com Arroz, Suco de Limão com Capim Santo, Mexido Mineiro com Beldroega, Arroz com Bredo, Mousse de Hibisco, Salada de Flores Comestíveis e Macarrão de Abobrinha. Todas as receitas, fotos e detalhes da experiência estão disponíveis na página da experiência, que você pode acessar aqui.

Macarrão de Abobrinha - Receita Crudívora

Mousse de Hibisco - Receita com PANC

Quanto aos resultados das oficinas, Yasmin destacou: ˜Os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar a disciplina de forma teórico prático, a experiência possibilita pôr em prática o que foi adquirido, tanto individualmente como quando estiverem atuando como profissionais da nutrição. Além de contribuir com a visão de que alimentação anda lado a lado com a sustentabilidade. ˜


Charuto de Repolho com Arroz - Receita Vegana




Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Yasmin Santos de Araújo, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Se você ainda não conhece, pelo menos já ouviu falar do novo sucesso entre as séries, “Orange is the new black”. A série lançada em 2013 é uma produção original da Netflix e conta a história de Piper Chapman, uma mulher por volta de seus 30 anos que é sentenciada a 15 meses de prisão por envolvimento com lavagem de dinheiro para um cartel de drogas internacional. Piper troca a sua vida confortável de Nova York, com o noivo Larry, pelo macacão laranja e cumpre sua sentença na Penitenciária Feminina de Litchfield. Para sobreviver, ela precisa aprender a conviver com as outras detentas, como Red, Nicky, Taystee e Crazy Eyes.

Subjugadas e desafiadas pelo autoritarismo, as protagonistas de Orange is the new black buscam alternativas para lidar com a opressão que sofrem não só como mulheres, mas também como mulheres negras, idosas, lésbicas e transsexuais. Diante dessa situação, as detentas buscam maneiras de enfrentamento, que vão desde o isolamento, a loucura, o apego religioso e o sexo à formação de guetos raciais, étnicos e etários.

É nesse contexto que a comida e o acesso a seu preparo se transformam em um arsenal identitário, uma ferramenta de pertencimento, poder e controle. Isso pode ser percebido no status social dado aos que trabalham na cozinha. A cozinheira que comanda o espaço usa jaqueta e o chapéu, uniforme dos chefes profissionais, que por sua vez escolhem suas funcionárias, que usam aventais e toucas, o que as diferencia das demais.

No seriado, Red chefia um grupo de presas e se comporta como mãe de todas, ilustrando relações de dominação e submissão devido à sua influência como chefe da cozinha e por seu acesso aos ingredientes. Além disso, sem que os guardas saibam, a chefe tem autoridade para decidir quem vai ou não receber a bandeja de comida: em seu primeiro dia na prisão, Piper comete uma gafe com Red, a chefe da cozinha, e acaba passando dias sem comer.

Diante desse cenário, vários fatos interessantes, relacionados à comida, acontecem nos episódios, como no dia que Piper vê uma galinha no pátio e, sem querer, cria uma comoção entre as detentas, principalmente em Red, que afirma sonhar com uma galinha que sobreviveu ao abate em uma fazenda vizinha da penitenciária. No sonho da cozinheira, a ave aparece temperada e usando uma cartola, e diz à Red que logo estariam juntas. Ao descobrir que as presas criaram uma onda de boatos afirmando que a ave estava recheada com drogas, armas ou doces, Red se decepciona com a competição, dizendo que só queria “comer a galinha que foi mais esperta do que todas as outras galinhas para absorver o seu poder”. Esse episódio mostra a crença de que alguns alimentos transferem ao comensal suas supostas características, como a força e nobreza da carne de boi ou a repugnância e furtividade da carne de rato.

Em outros episódios, o seriado também mostra como usamos a comida para dizer quem somos e a que grupos pertencemos em nosso dia a dia.

Há, como exemplos, o contrabando de guloseimas proibidas e a secreta fabricação de bebida alcóolica de Poussey (Samira Wiley), que usa ketchup, pão mofado e um “ingrediente secreto”. Em outro momento, quando uma manobra corporativa troca a comida preparada na prisão por sacos "cheios de gororoba" que já chegam prontos, as detentas traçam estratégias para melhorar a refeição. Piper, que havia decidido vender calcinhas usadas pelas presas para “pervertidos” na internet, adota como salário envelopes de tempero de macarrão instantâneo para mascarar o sabor das novas receitas. Enquanto isso, algumas detentas fingem ser judias para comer as refeições congeladas casher (ou kosher), preparadas de acordo com as leis alimentares judaicas, cujo sabor é elogiado repetidamente, mas o sentido religioso, completamente ignorado até que a administração chama um rabino para avaliar quem tem ou não direito ao menu especial.

Várias presas são vistas tentando tirar comida da cafeteria para consumi-la mais tarde, onde quiserem, mas a infração é geralmente mediada por um policial, que pode ser proibitivo ou conivente. Nesse cenário, a comida dá o tom da personalidade da quieta e isolada Chang. O episódio que conta parte de seu passado mostra como ela é discreta e autossuficiente ao conseguir retirar ervilhas em conserva da cafeteria sem ser percebida, amassá-las e misturá-las com salgadinhos.

São diversos os episódios que mostram como a comida pode ser usada como moeda de troca, de convencimento e de submissão. O status social dado à cozinheira que comanda a cozinha mostra como o acesso a bens alimentícios pode possibilitar poder e controle. O seriado também mostra como os alimentos podem ser usados para se manifestar, se rebelar e até mesmo se representar.

Pra quem ainda não assistiu vale a pena conferir e pra quem já é fã da série, vale a pena apurar um pouquinho mais o olhar para esses contrastes. O post do [Comida na Tela] de hoje usou como referências a série “Orange is the new black” e o artigo disponível aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

Há cinco anos, quando o Centro Médico “Lankenau” foi confrontado com provas de que estava servindo a comida menos saudável da Pensilvânia, o hospital decidiu abraçar os resultados com uma abordagem não convencional:

construindo uma fazenda orgânica que forneceria alimentos frescos aos pacientes.

Em 2011, enquanto o hospital de ensino e pesquisa fazia sua própria pesquisa sobre as necessidades de saúde de seus pacientes, a Fundação “Robert Wood Johnson” divulgou os resultados de uma pesquisa sobre o estado de saúde da população que vive na Pensilvânia. O hospital “Lankenau” está localizado no Condado de Montgomery, um dos mais saudáveis do estado, levando em conta fatores como taxas de obesidade e acesso à alimentação adequada. Mas a área de abrangência do hospital o leva a receber muitos pacientes do condado de Filadélfia, classificado como o menos saudável de todos os 67 municípios analisados.

"Isso foi realmente revelador porque mostrou que estávamos atendendo pacientes muito diversos", disse Chinwe Onyekere, administradora associada do Lankenau, sobre as revelações do estudo. Os resultados mostram que os pacientes do hospital apresentavam diferentes níveis de conhecimento sobre nutrição e de acesso a alimentos de qualidade.

Estima-se quem todos os EUA, cerca de metade dos americanos tenham algum tipo de doença crônica decorrente de hábitos não saudáveis como a falta de exercícios físicos, o tabagismo e a alimentação inadequada. O tratamento para essas doenças, que incluem a asma, doença cardíaca ou diabetes, foi responsável por mais de 75% das internações hospitalares e consultas médicas, nos últimos anos.

Isso tem feito com que alguns hospitais procurem maneiras de promover a saúde antes que a condição dos pacientes seja tão crítica a ponto de que uma visita ao hospital seja necessária.

No hospital Lankenau, isso significou melhorar o acesso de seus pacientes à alimentos saudáveis!

Como os médicos, enfermeiros e outros funcionários não eram especialistas em agricultura, o hospital fez parceria com a Greener Partners, uma organização sem fins lucrativos que luta por sistemas alimentares locais e que construiu e faz a manutenção da fazenda “Deaver Wellness”. Onyekere, que dirige os programas de necessidades da comunidade para o hospital, supervisiona o projeto.

Desde a inauguração em 2015, a fazenda forneceu mais de 4 mil kg de alimentos orgânicos para os pacientes do hospital, sem nenhum custo. Os produtos são usados em atividades de educação alimentar e nutricional e servidos no refeitório do hospital.

A partir de uma avaliação das necessidades da comunidade, a equipe de funcionários de Lankenau aprendeu que muitos de seus pacientes não tiveram o acesso à informação sobre o valor nutricional e a importância do consumo dos alimentos in natura, como as frutas e os vegetais.

Agora, enquanto os pacientes esperam suas consultas, podem escolher alimentos frescos como couve, brócolis, tomates, berinjela, rúcula e outros. O hospital também fornece receitas e, durante a consulta, os médicos usam o produto escolhido na sala de espera, para mostrar como o paciente pode fazer escolhas mais saudáveis.

Ainda nas salas de espera de Lankenau, alguns funcionários do hospital conduzem cursos e oficinas sobre alimentação saudável. Um funcionário pode, por exemplo, trazer os ingredientes, para uma salada de cenoura, discutir o valor nutricional de cada ingrediente e, em seguida, cortar e montar a salada na frente dos pacientes. Depois os pacientes recebem alguns ingredientes e receitas que podem ser feitas em casa.

Durante anos, antes da fazenda, os educadores de saúde do hospital realizavam aproximadamente 14 programas de educação em saúde em um centro, com duas salas de aula, no meio das instalações hospitalares. Entre 7 e 10 mil alunos, do jardim de infância ao 12º ano, fizeram cursos todos os anos sobre saúde, como nutrição, saúde social, bullying e assédio.

Agora, segundo Onyekere, a fazenda do hospital deve funcionar como um "laboratório de aprendizagem" para aulas sobre alimentação saudável, oferecendo a oportunidade de se ter experiências práticas com os alimentos. Assim os alunos podem aprender sobre alimentação saudável, cultivo orgânico, hortas e construção de hábitos saudáveis.

Fora das paredes do hospital, a instituição Lankenau - em parceria com o Food Trust e o Departamento de Saúde Pública de Filadélfia - incentiva a compra de alimentos saudáveis, oferendo cupons chamados “Philly Food Bucks”. Os cupons são válidos para a compra de frutas e legumes frescos, em mais de 30 mercados de agricultores, e são dados aos pacientes que manifestam o interesse em ter um melhor acesso a alimentos saudáveis.

"A partir do momento que o paciente entra pela porta até o momento em que deixa o consultório, toda essa experiência está focada em melhorar sua saúde", disse Onyekere.

Drew Harris, Diretor de Políticas de Saúde e Saúde da População, da Faculdade de Saúde da População, da Universidade Thomas Jefferson, disse que apenas recentemente os profissionais de saúde começaram a assumir a responsabilidade por não tratar da alimentação. Um médico aposentado, especialista em diabetes, se lembra de ter uma filosofia muito diferente sobre doenças crônicas e saúde geral dos pacientes.

"Como muitos médicos, eu sempre culpei os pacientes por não ficarem bem", disse ele. “Mas não me fiz a pergunta: Será que os pacientes tinham as informações necessárias e o acesso a uma alimentação adequada para diabéticos?".

"Não ter segurança alimentar - não saber de onde sua próxima refeição virá ou se você pode comprar tudo o que precisa, quando precisar - é um grande desafio", disse ele.

Embora a insegurança alimentar não seja uma questão nova, ele acha que a educação médica está apenas começando a ter uma abordagem mais holística.

"Há um incentivo muito maior para se preocupar porque os pacientes não estão melhorando e o que podemos fazer para evitar que eles fiquem doentes, o que temos que enxergar é que isso tem muito a ver com o seu ambiente social e o seu acesso a alimentos saudáveis", disse o médico.

Onyekere estima que Lankenau forneceu produtos agrícolas para cerca de 400 pacientes até o momento e o hospital está prestes a lançar uma pesquisa aos pacientes com o objetivo de entender melhor o impacto do programa.

Embora ela tenha dito que os pacientes expressaram que a fazenda está fazendo a diferença e aumentando a conscientização de como fazer escolhas saudáveis no dia a dia, a pesquisa será um recurso valioso para outros provedores de saúde considerando iniciativas semelhantes.

A equipe que cuida da fazendo tomou a superação das expectativas de produção para 2016, como um sinal de que pode aumentar ainda mais a produção. Onyekere disse que Lankenau também está procurando doar seus alimentos para outros parceiros, como bancos de alimentos locais.

Lankenau não é o único hospital que construiu uma fazendo no país. Outros, incluindo “St. Joseph Mercy Ann Arbor” e “Henry Ford West Bloomfield Hospital”, ambos no Michigan; e “St. Luke's University Health Network” na  Pensilvânia. Mas Onyekere não conhece nenhum outro que tenha incorporado tão extensivamente seus próprios alimentos orgânicos ao dia a dia hospitalar.

Para que a América enfrente a crescente epidemia de doenças crônicas, essa integração é fundamental e, como mostram esses hospitais, ela já está acontecendo. “Estamos começando a olhar para além do paciente, percebendo o ambiente no qual ele vive”, disse Harris.

 

Trauzido por Ana Maria Maya, de https://goo.gl/VgpNWA.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Lançado no final de 2016, a publicação se debruçou nas ações, desafios e perspectivas do papel da cidade na alimentação para reunir os principais avanços e acúmulos relativos a Segurança Alimentar e Nutricional implantados na cidade desde 2003.

O livro foi feito por meio de uma parceria entre o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comusan), a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo e o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (PMA/ONU), que incentiva a troca de experiências exitosas a respeito do tema junto a outros países. Ele é fruto de um trabalho multiprofissional, reunindo mais de 27 autores, e interdisciplinar.

Dividido em 12 capítulos, o livro traz em suas primeiras partes uma explicação sobre a metodologia de organização e um diagnóstico sobre a SAN em São Paulo, evidenciando além dos já conhecidos problemas decorrentes da falta de acesso à alimentos e renda, consumo de alimentos não saudáveis e obesidade, a necessidade da criação de indicadores para o abastecimento nos circuitos curtos que valorizem os pequenos agricultores e os alimentos sem agrotóxicos.

Outro aspecto destacado é a incidência de controle social a partir da consolidação do CONSEA municipal da cidade de São Paulo, e as experiências direcionadas a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).

A importância de temáticas como Educação Alimentar e Nutricional, Agricultura Urbana e Periurbana, educação ambiental e o papel do Banco de Alimentos para garantia da SAN também foram levantadas. Dentre algumas iniciativas que significaram avanços neste campo, a Lei nº 16.140/2015, que visa à inclusão de alimentos orgânicos na alimentação escolar; a criação da zona rural na cidade; e o lançamento do 1º Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

A publicação encontra-se disponível para leitura e download em nossa biblioteca, acesse aqui




postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

"Como é possível que estejamos tão afoitos para assistir outras pessoas dourando cubos de carne na tela, mas tão pouco interessados em dourá-las nós mesmos?".

Michael Pollan, autor de "O Dilema do Onívoro", "Cozinhar" - livro que inspirou a série documental homônima da rede Netflix - e "Em Defesa da Comida", foi quem escreveu esta frase há mais de oito anos atrás, para uma matéria no New York Times. Anos depois, o apontamento feito por Pollan ainda se mostra real e, cada vez mais pertinente.

A ascensão de Julia Child como ícone cultural e, posteriormente, o estrelato de chefs como Alex Atala, Jamie Oliver, Paola Carosella, Gordon Ramsay, Anthony Bourdain coincidiu, paradoxalmente com o crescimento da Indústria de Alimentos, do Fast Food e da comida pronta e também com o declínio das refeições caseiras do dia a dia. A verdade é que nunca passamos tão pouco tempo na cozinha e, ainda sim, nossa obsessão com comida nunca foi tão grande.

Em tempos de MasterChef, Tastemade e Instagram, a quantidade de conteúdo na mídia sobre comida que consumimos todos os dias é enorme. Devoramos vídeos e fotos de comida em quase todas as mídias, adicionando também às Redes Sociais nossas próprias contribuições com imagens de cafés "gourmet" que experimentamos e check-ins em restaurantes da moda.

Para um gourmet moderno, não é necessário cozinhar ou ter amplo entendimento sobre a origem dos alimentos e seu modo de preparo. Os pré-requisitos obrigatórios são uma boa câmera no celular, a iluminação adequada e um conhecimento bacana sobre as melhores hashtags e filtros. Assim, ser apaixonado por comida e apaixonado por cozinhar são duas coisas bem diferentes.

O crescimento do tópico "comida" nas redes sociais e mídias com receitas infindáveis no Feed de Notícias, programas de culinária em diversos canais e o estrelato de chefs e cozinheiros deixa claro que nós valorizamos o cozinhar. Ainda sim, há uma desconexão entre o tempo que gastamos na cozinha e a quantidade de conteúdo gastronômico que consumimos. Por que estamos cozinhando menos?

Tempo, custo e falta de habilidade culinária figuram os principais motivos pelos quais deixamos de cozinhar e muitas receitas e dicas aparecem em livros e internet para tentar solucionar essas questões. Nem sempre, essas soluções são suficientes: para quem não tem prática na cozinha, uma receita de "30 minutos" pode demorar horas para ficar pronta, deixando um rastro de louças sujas e dedos queimados e gerando um prato bem menos satisfatório do que o resultado apresentado na televisão. A verdade é que cozinhar é um processo, que exige tempo e dedicação e prevê vários fracassos até se tornar natural.

Cozinhar se tornou opcional para muita gente, quando é possível comprar refeições de quase todas as regiões do mundo até por meio de aplicativos nos celulares, mas isso não significa que perdemos as razões para cozinhar, pelo contrário, elas ficaram ainda mais evidentes. Você já deve imaginar que cozinhar é um caminho para uma alimentação mais saudável, considerando que quando a indústria e redes de fast food cozinham em nosso lugar, elas acabam produzindo alimentos com alto lucro comercial e também altos teores de gordura, sal, açúcar e aditivos químicos. Mas não é somente isso que torna o ato de cozinhar primordial.

Cozinhar é declarar a sua independência das grandes corporações que buscam transformam todos os nossos momentos em situações de consumo; é resgatar uma das artes formadoras da nossa cultura e identidade; é se conectar com as leis da física que química que regem o Universo e as transformações culinárias. O ato de cozinhar tem o poder de transformar não somente os alimentos que manipulamos, mas também de pouco a pouco e sutilmente transformar a nossa identidade e o Sistema Alimentar em que vivemos.

Não é a toa que o Marco de Referência de EAN para as Políticas Públicas aponta o cozinhar como prática emancipatória e princípio para ações de Educação Alimentar e Nutricional. Refletindo sobre essas dimensões, o Cozinhar se torna formador de indivíduos e pode ultrapassar as telas de celulares e televisões, tornando-se uma construção gratificante e muito valiosa! Lembre-se que o melhor jeito de aprender a cozinhar é cozinhando, vivendo um fracasso e conquista de cada vez.



postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

No quadro de hoje compartilhamos uma experiência realizada por alunos do curso de nutrição da Universidade Federal de Tocantins em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) TO.

A atividade fez parte da disciplina "Prática Clínica Integrada: intervenção em grupos populacionais" e teve como objetivo levar educação alimentar e nutricional a um público ao qual ações educativas costumam ser escassas. Para tanto, o grupo de estudantes procurou conscientizar os alunos da APAE sobre a importância de uma alimentação saudável e a prática da higienização das mãos antes do consumo de alimentos. As atividades de integração foram realizadas com duração de 60 minutos e o grupo participante foi composto por 11 alunos, abrangendo a faixa etária de 15 a 35 anos.

A experiência de trocas foi dividida inicialmente em duas etapas, a primeira aconteceu em uma sala ampla da APAE para que os alunos se sentissem à vontade. Inicialmente tanto os facilitadores quanto os alunos da apae se apresentaram interagindo brevemente   para gerar empatia. Feito isso, um aluno de cada vez foi convidado para analisar os alimentos que estavam representados pelas figuras de EVA (banana, leite, bombom, pastel, suco de caixa, biscoito, bolo, queijo, maçã, abacaxi, laranja, limão, abacate, refrigerante, etc.) dispostos sobre uma mesa e escolheram dois alimentos sem intervenção de nenhum dos ministrantes.

Na segunda etapa, cada aluno deslocou-se para o centro da roda, mostrou os alimentos escolhidos, disse se os consumia e em seguida fixou as figuras em um quadro contendo dois campos para colagem, divididos em “saudáveis e não saudáveis” conforme o que eles achavam. Findada esta parte, iniciou-se uma conversa sobre a importância do consumo dos alimentos saudáveis e porque os “não saudáveis” devem sem consumidos com menor frequência, ressaltando-se os prejuízos à saúde do consumo excessivo de sal, gordura e açúcar .

Na atividade foram utilizados materiais de papelaria (E.V.A, pistola de cola quente, tesoura..), frutas in natura (mamão, laranja, abacaxi, banana, maçã, manga e melão) e potes descartáveis e talheres descartáveis.

A avaliação da atividade foi baseada na participação e interação dos alunos entre si e com a equipe de facilitadores e foi bastante positiva. Como dificuldade observou-se em alguns momentos uma dificuldade de compreensão por parte dos alunos pois estavam associando ‘alimentos saudáveis” com os que eles gostam. As atividades de Educação Alimentar e Nutricional com alunos com deficiência visual e múltipla trouxe aos acadêmicos de nutrição uma nova visão desse grupo que notou que com atenção, linguagem simples e criativa pode-se promover qualidade de vida individual e para as famílias.

Para conferir a experiência completa e outras imagens acesse aqui. 


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Fabiane Aparecida Rezende e sua equipe, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 

    



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

"Mostrar soluções e contar algumas boas histórias. Estas podem ser as melhores formas de solucionar as crises ecológica, econômica e social que os países tem enfrentado". É nesse espírito que os franceses e Diretores Mélanie Laurent e Cyril Dion reuniram uma equipe de mais quatro integrantes e rodaram por dez países para produzir o filme 'Demain - Amanhã'.

Instigados com uma publicação periódica da Nature que anunciou a possibilidade de extinção de parte da humanidade antes do final do século 21, os diretores decidiram iniciar uma investigação passando por diferentes continentes para descobrir o que poderia causar esse desastre e como preveni-lo.

O filme documental tem duração de 1h e 58 minutos e ganhou um prêmio "César Awards", equivalente francês do Oscar, como melhor documentário de 2015. Diferentemente de outros documentários do gênero, Demain opta  por destacar as alternativas que têm sido colocadas em prática em várias localidades ao invés de focar nos aspectos "catastróficos" gerados por desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos. O filme por si só já é um colírio para os olhos e música para os ouvidos com uma fotografia linda e trilha sonora impecável, e para além das qualidades sensoriais, os temas investigados são de extrema sensibilidade.

O documentário é dividido em 5 partes que apresentam como as pessoas tem reinventado os campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação para um mundo mais justo e consciente. Durante a jornada foram visitados dez diferentes países incluindo Europa, Índia e Estados Unidos da América, e entrevistados ativistas, diretores, economistas e coordenadores de ONG's e projetos entre outros.

É sem dúvida um dos documentários mais interessantes que fala sobre segurança alimentar e nutricional contextualizada com outras temáticas socioambientais, não deixe de assistir!

O filme está disponível no Netflix (procure pelo nome em francês Demain) e também é possível encontrá-lo legendado no youtube. Os diretores criaram um site compilando as informações, personalidades e experiências compartilhadas durante o longa.          



 



postado por Marina Morais Santos em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Por Memo Bautista (https://goo.gl/64OA0z)

 

Reduzir o cacau somente ao chocolate é limitar um dos alimentos mais versáteis que existem. A pasta de cacau não processada é espessa e, se acrescida de canela e baunilha, se torna sobremesa; mas se for adicionada água, ela se transforma em uma incrível solução perfumada. Existem ainda seus componentes benéficos como os antioxidantes, os seus minerais e vitamina C. Sem falar que o cacau também é delicioso. Não foi ao acaso que o cientista Carl Linnaeus nomeou este fruto de "Theobroma cacao": A Comida dos deuses, algo que os antigos habitantes do continente americano já sabiam muito antes da chegada dos espanhóis.

Durante o quarto "Festival do Cacau e do Chocolate" realizado no Museu Nacional de Culturas Populares, na Cidade do México, conheci três cozinheiros artesanais que estavam redescobrindo as variadas formas que seus antepassados mexicanos costumavam consumir esse alimento incrível.

Espuma de Cacau - Hortensia (Cholula, Puebla)

Hortensia crava o molinillo em sua panela de barro, uma espécie de moedor e batedor. Suas palmas agarram o cabo de madeira e ela começa a   esfregá-las vigorosamente. O moedor gira de um lado para o outro, revolvendo e misturando as águas de cacau com um toque de milho, açúcar e gelo. Começa a magia. O batido faz com que a gordura natural do cacau suba em forma de espuma. Pronto, o líquido se transforma em uma espessa camada de bolhas castanhas.

A mulher pega uma jícara (um copo típico no formato de pêra, que lá é inspirado no formato de uma abóbora regional) e serve uma bebida que parece um frappé. "É uma bebida tradicional pré-hispânica. Bebida dos deuses.", me disse Hortensia, que vende esta bebida há 7 anos em Tepozotlán.

A espuma derrete na boca, deixando uma sensação refrescante. É inevitável pensar que é mais amargo que chocolate. A boca é deixada limpa, sem a sensação de gordura deixada por chocolates de qualdiade ruim. "Eu preciso de outra." , pensei.

A receita é de família - um segredo. Durante a infância, a mãe de Hortensia a ensinou a preparar a bebida. Ela compra tudo o que precisa na Central de Abastecimento e faz todo o processo de transformação do cacau: limpa, tosta, mói, mistura com o milho e açúcar, dissolve em água com gelo e bate durante o dia todo.

"Qual é o segredo para que forme tanta espuma?", pergunto.

"O segredo é o molinillo", me disse Hortensia sem parar de bater. "Tem que bater durante o dia todo".

"É preciso ter um bom braço", brincou.  "Bem, toque-o" Ela expõe o braço direito para que eu possa tocar. E sim, Hortensia é uma mulher com braços fortalecidos pelo cacau.

Tejate - Leticia Ruíz (San Andrés Huayapam, Oaxaca)

Leticia perde sua seriedade e um sorriso ilumina seu rosto toda vez que fala sobre Tejate, a bebida refrescante que herdou de seus pais.

"É o que realizamos em nossa comunidade, é o pilar da nossa economia. Aprendemos primeiro por necessidade, e depois porque é uma arte, uma coisa maravilhosa", me conta sem deixar de mexer a mistura refrescante feita com milho, cacau, amêndoas de mamey e flores de cacau, que ela e todos os que preparam a Tejate chamam de "rosita".

As mulheres zapotecas e mistecas de San Andrés Huayapam, o povo que inventou essa bebida há mais de mil anos, se instalam nos mercados de Oaxaca com grandes tachos e panelas de barro contendo esse líquido grumoso. Lericia não vende mais nos Centros de Abastecimento, mas em Santa María Hornos,  muito perto do centro de Oaxaca. Essa nova geração de mulheres de San Andrés Huayapam ultrapassaram suas antecessoras, elas estão experimentando novos jeitos de comer o tejate: em biscoitos, bolos, com gelo, em forma de pó e em nicuatole (uma sobremesa tradicional oaxaquena parecida com gelatina).

"Preparar tejaste é uma arte", me conta Leticia. Além de saber o ponto exato de cozimento do milho e como tostar corretamente os outros ingredientes, também é preciso misturar a massa com as mãos e bater constantemente ao adicionar a água gelada. Não é a toa que Leticia e suas conterrâneas tem braços fortes e musculosos.  

Ela pega um copo e serve um pouco de calda de açúcar já preparada e então adiciona o tejate. É assim que a bebida é adoçada: a gosto do freguês. Ela me entrega o copo e eu bebo. É refrescante e, mesmo tendo colocado bastante calda de açúcar, não é doce demais. A bebida é leve e no primeiro gole, se enche a boca com o sabor de milho e cacau.  Mais um gole e sente-se o toque das amêndoas de mamey. É preciso dar um bom e generoso gole na bebida para identificar todos os sabores que formam o tejate. Pequenos goles aqui não servem.

 

Bebidas Medicinais do Código Florentino - Fernando Rodríguez (San Juan Teotihuacán, Estado de México)

Para o senhor Fernando, não foi suficiente apenas ler no Código Florentino - texto em que Fray Bernardino de Sahagun descreve os costumes antigos do povo mexicano - sobre os ingredientes com que as cozinheiras preparavam bebidas de cacau no antigo mercado de Tlatelolco. Ele quis reproduzí-las.

"Com a conquista, se destruíram todas essas receitas. Através do Código e seus  relatos de pessoas que costumavam preparar essas bebidas, resgatamos algumas informações," conta ele. "E com o que recuperamos, sabemos as especiarias, as ervas, as sementes, mas não as receitas."

Faz oito anos que começou sua caminhada com o cacau. Em sua livraria e cafeteria, em San Juan Teotihuacán, começou a ler livros que narravam a vida no México antigo. Livros como o Popol Vuh e o próprio Código Florentino - escrito entre 1540 e 1585 - permitiram que Fernando se aproximasse do cacau. Então, a livraria e cafeteria pararam de existir e Fernando direciona seus esforços às bebidas de cacau, que decidiu fazer doces.

"Faz uns seis ou oito anos, não havia nenhuma iconografia sobre o cacau; quando chegamos em Teotihuacán, começamos a estudar como os teotihuacanos tomavam o cacau". Pouco a pouco, Fernando começou a misturar a pasta de cacau com outras ervas. Mas não antes de consultar os médicos tradicionais da região, que deram a ele as instruções sobre as propriedades das plantas.  

"Não falamos para as pessoas beberem a bebida porque servem para isso ou para aquilo. Vendemos porque tem um sabor bom, apesar de sabermos que elas têm algo a mais, que elas contribuem. As pessoas não sabem, mas as bebidas ajudam."

A primeira bebida que reproduziu foi a "Atlaquetzali", um líquido muito especial ou muito apreciado, já que seu nome significa "Água Preciosa". É uma combinação de pétalas de flor de magnólia, folha de azevinho, pimentão e pimenta. A sensação é picante, a pimenta e o pimentão são protagonistas, sem serem agressivos. "

O homem, de pele bronzeada pelo sol, que está sempre com um sombreiro de abas largas, me dá outra bebida para provar: "Quetzalpapalotl", com alecrim, gengibre, canela e cacau. Tem um sabor doce, sente-se o gengibre no paladar e a canela e o alecrim perfumam a mistura. Mesmo que esta mistura não seja pré-hispânica, porque a canela e gengibre tem origem asiática, ela tem o sabor do México.

"Deixe-me dizer-lhe que essa é uma receita para tosse. A única coisa que fiz foi adicionar o cacau. E ugh! É extraordinária." Em seguida, me ofereceu outra. Esta se chama "Tlexóchitl" ou "A flor de fogo" e é preparada com damiana, menta e cacau. É refrescante e nada enjoativa, tomada em um lugar quente, seria um alívio e, asssim como o Quetzalpapalotl, é um remédio para dor de estômago.

A última bebida que provei foi uma preparada com cacau, aveia, amaranto e milho. Ela se chama "Sementes de Vida", um nome adequado para uma bebida que reúne elementos que praticamente forjaram as civilizações ao longo da história da humanidade.

"Estamos prestes a lançar um pozol (bebida fermentada pré-hispânica) com três tipos de milho: o branco, o vermelho e o azul. Os maias faziam só com o milho comum, aqui será no estilo teotihuacano", me disse com um sorriso. Estou certo de que leu meu pensamento. "Porque os maias eram excêntricos como os teotihuacanos e penso que se existissem todos esses milhos, eles os fariam assim também."

Não há dúvidas, ele leva o povo no sangue.

 Traduzido de Munchies (https://munchies.vice.com/es/)



postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

Como é a disciplina de Educação (alimentar e) nutricional do seu curso de graduação em Nutrição? Quais conteúdos se destacam? Quais metodologias de ensino são utilizadas? O que precisa ser melhorado para aprimorar a formação do nutricionista em EAN?

Um artigo recém-publicado do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB) analisou planos de ensino da disciplina Educação Nutricional nos cursos de nutrição do país.

A análise dos planos de ensino contribuiu para diversas reflexões a respeito da formação dos futuros profissionais, destacando a abordagem do ensino e as estratégias pedagógicas na disciplina, assim como os conteúdos disciplinares.

Uma leitura recomendada para docentes da área e demais interessados, o artigo contribui na discussão da Educação Alimentar e Nutricional como tema transversal a ser abordado em todo o curso da graduação em Nutrição e revela a necessidade de alinhamento aos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as políticas públicas, às Diretrizes Curriculares Nacionais e ao Consenso sobre Habilidades e Competências do Nutricionista no âmbito da Saúde Coletiva.

Diante dos desafios da alimentação que surgem a cada dia, torna-se necessário repensar uma educação crítica e que integre a teoria com a prática com o foco de promover a saúde de forma mais problematizadora e humanizada.

O artigo, em inglês, encontra-se disponível em nossa biblioteca aqui e faz parte da sessão temática de Educação Alimentar e Nutricional da edição de novembro/dezembro de 2016 da Revista de Nutrição que contém outros artigos de estudos em EAN. 

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