Ideias na Mesa - Blog


postado por Maína Pereira em Sexta-feira, 07 de Abril de 2017

Uma série para redescobrir o prazer em comer. Samurai Gourmet é uma série japonesa da Netflix lançada no último mês cuja produção é uma adaptação do mangá Manga-han Nobushi Gourmet.

A produção conta a história de um japonês recém-aposentado que diante desse novo momento da sua vida busca descobrir alguma nova forma de aproveitar melhor seu tempo livre depois de anos de intenso trabalho.

É aí que a comida entra. Ao fazer uma caminhada sem roteiro, o protagonista permite se deliciar com uma boa refeição e percebe que pode fazer isso sempre que desejar. E mais do que isso: agir como um samurai que se deleita sem limites ou regras em um bom prato de comida.

Os doze episódios da primeira temporada falam dos aprendizados que levamos na vida, da relação de afeto que adquirimos com o tempo, de saudades, liberdade, convivência e muito prazer! Como disse Nina Horta em sua recomendação sobre a série: “Se não se puder comer do jeito que se gosta do que adianta comer?”

Confira o trailer da série:

Em tempos que vivemos uma rotina que muitas vezes deixa de lado a alimentação, a série vem enfatizar o que nosso guia alimentar estimula e nos convida a valorizar o ato de comer com atenção desfrutando com todos os nossos sentidos, além de compartilhar em companhia esse momento tão prazeroso.  

Que tal despertar o samurai que há dentro de você também?



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 06 de Abril de 2017

A Escola Pública Capital City, localizada na capital americana Washington, é uma boa representação da mistura de culturas dos Estados Unidos. Muitos de seus 981 estudantes são a primeira geração de americanos de suas famílias, que vieram de várias partes do globo. Por isso, quando a ONG 826DC decidiu publicar um livro colaborativo escrito pelos alunos do segundo ano do ensino médio, a escolha do tema da obra precisava aproveitar toda essa diversidade. O tema escolhido foi algo com o qual todos os alunos podiam se identificar, além de deixar espaço para sua expressão cultural: comida. 

Os instrutores e professores de escrita que acompanharam os alunos pediram que eles pensassem em uma receita de família com história e depois escrevessem uma redação sobre este prato. As 81 receitas e suas respectivas histórias resultaram em um Livro de Receitas de culinária mundial com um toque afetivo, revelando que a contação de histórias pode ser o passo mais importante de uma receita. 

Alguns alunos compartilharam contos de preparações que amavam e, assim, acabaram descrevendo pratos de dar água na boca "E à medida que o vapor do macarrão subia, o aroma parecia ter caído do Céu," escreveu Mark St. John Pete sobre a receita de macarrão com queijo de sua avó.

Outros acabaram escolhendo preparações que não gostavam tanto assim... "Eu acho que tamales não apodrecem, eles podem ficar na geladeira por semanas e continuarem com a mesma aparência," disse Rolando Fuentes, que acabou enjoando de tamales de tanto comer os bolinhos de milho típicos de El Savador feitos por sua mãe.

Escrever essas histórias foi de grande benefício para os alunos, que se preparam para ir para a faculdade ainda neste ano. Além de se tornarem escritores melhores, os estudantes acabaram tendo também a oportunidade de mergulhar em suas identidades e passarem tempo com suas famílias, reforçando relacionamentos antes da saída deles de casa. 

Para preencher lacunas em suas narrativas, muitos dos jovens escritores tiveram que procurar pelos membros mais velhos de sua família para obter informações. Quando eles não sabiam algum detalhe ou ingrediente da receita, os seus professores os encorajavam a conversar som sua família. "Nós dizíamos 'Vá falar com seu pai sobre isso' e quando eles voltavam nos contavam 'Eu falei com meu pai. Nós conversamos e ele me contou um monte de coisas. Eu não fazia ideia de tudo isso!'" disse Lacey Dunham, que faz parte da ONG 826DC.

No último dia do projeto, os alunos celebraram seu sucesso com um almoço comunitário - cada um levou o prato sobre o qual escreveu com tanta dedicação. Alguns até mesmo leram suas histórias para os outros. "É uma maneira divertida de fazer com que os alunos pensem criticamente sobre quem eles são," disse Zachary Clark, diretor executivo da 826DC, "contar as histórias deles por meio de um mecanismo cujo resultado é algo que todos podem comer." 

Abaixo, seguem três das receitas e histórias dos alunos que escreveram a obra Delicious Havoc!

Sopa de Quiabo, por Chidinma Lantion - Receita da Nigéria

"Minha mãe chegou a este país na noite de Haloween de 1990 (ela ainda não entende o propósito deste feriado); foi uma experiência. Ela era uma garota nigeriana de 18 anos, pequena e com olhos grandes que nunca tinha saído de seu país, mas era corajosa o bastante para ir em direção ao inesperado. Ela estava lutando por outra vida, fora das expectativas de seus pais em seu país-natal. Estava escuro e frio, e ela se sentiu como se as pequenas crianças de máscaras fossem uma projeção do que ela sentia por dentro. Ela foi para a casa de sua prima, em Rockville, Maryland, e a primeira coisa de comer que tentaram dar a ela foi pizza, mas ela não quis. Havia um excesso de sabores novos e não familiares para ela, tudo em uma fatia com a qual ela não soube lidar. O sabor era artificial. Então ela os obrigou a sair no meio da noite para comprar um pouco de Sopa de Quiabo, porque, depois de uma longa jornada para um país estranho, ela precisava de algo que a lembrasse de casa. Ela precisava da leveza do quiabo e da textura da carne de vaca para fazer com que ela soubesse que, não importava o quão longe ela estava de casa ou o quanto as coisas tinham mudado, ela teria o conforto de que a comida continuaria a mesma." 

Atole de Elote (Atole de Milho), por Jose Ricas - Receita de El Salvador

"Por mais que eu tenha nascido em 26 de Março de 1999, eu sinto que a minha vida só realmente começou quando eu tinha 5 anos de idade. Apesar de muitas pessoas dizerem que lembram de tudo desde que estavam no útero - o que, aliás, eu acho um pouco duvidoso - eu tenho algumas lembranças de quando eu era um menininho. Uma das minhas memórias mais vívidas é de beber arole de elote em um pequeno restaurante em El Salvador perto da vizinhança onde eu costumava morar. Atole de etole é feita de milho e leite. Existem algumas crenças culturais sobre o preparo do atole de elote. Crê-se que apenas uma pessoa pode misturar o atole de elote, se não o sabor será ruim, e que mulhereres grávidas e pessoas de mal humor não podem misturar a bebida também porque isso faz com que o atole de etole fique amargo."

Cháo Bòa, por Ana Nguyen - Receita do Vietnã

"Em um país cheio de várias culturas diversas, eu sempre me senti como uma exilada na escola. Quando aconteciam refeições comunitárias no Natal ou Dia de Ações de Graça, eu era aquela criança que levavam um saco de batata frita, não porque eu não podia levar um prato de comida, mas porque eu, de cultura vietnamita, vivia em uma cultura ocidental. Estou em um país principalmente dominado por comidas que minha família não tem o costume de cozinhar. Quando eu era pequena, nunca comida cereal no café da manhã. Eu o comia em raros lanches, sem leite. Nas poucas vezes que levei minha cultura para a escola, eu recebi comentários como "Tem uma cara estranha," "Me deu vontade de vomitar," e "O que é isso?"...

Um dia, dois bons amigos meus vieram a minha casa. Eles eram americanos-hispânicos comuns. Estávamos no meio de julho, em um calor de 32 graus, e era perto de meio dia. Nós três nos sentamos ao redor de uma pequena mesa de jantar na sala adjacente à cozinha. Então, minha mãe trouxe cháo para comermos. As preparações começaram em minha mente: inventei uma desculpa para minha mãe para explicar porque eles não comeriam o prato, e porque eu comeria quase tudo, e o porque eu pediria para ela não cozinhar comida vietnamita para meus amigos. Eu observei enquanto os meus amigos tomavam um pouco da 'sopa alien'. Um longo silêncio encheu a sala - na realidade, foram muitos segundos - e eu perguntei hesitante, "Como está o prato?" Para a minha surpresa, eles amaram." 

Você sabia que o Ideias na Mesa também tem livros colaborativos? O "Mais que Receitas" já tem duas edições: a primeira é composta por receitas de família e lindos relatos e a segunda traz deliciosas receitas e reflexões sobre o Sistema Alimentar. Acesse e baixe ambas gratuitamente na nossa Biblioteca! 

O post acima foi inspirado e adaptado do The Salt. 



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 06 de Abril de 2017

O Biblioteca do Ideias de hoje traz mais uma novidade na nossa Rede: a publicação "Estudos socioculturais em alimentação e saúde: saberes em rede". A publicação é uma coletânea de estudos organizada pela Rede Ibero-Americana de Pesquisa Qualitativa em Alimentação e Sociadade (a REDE NAUS) e é composta por textos que derivam de diversas pesquisas realizadas por docentes, estudantes e profissionais de variadas formações.

A publicação correponde ao quinto volume da Série Sabor Metrópole e nela estão presentes expressões do pensamento que se voltam para as relações sociais construídas em torno de discursos e práticas alimentares e corporais, tendo como objetivo central e final a saúde. A coletânea se tornou, portanto, um espaço de reflexões sobre a comunicação dirigida à comida e ao corpo, compreendidos na cultura, na sociedade e na história.

Na publicação, encontra-se textos em português e em espanhol. Ela dirige-se a estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais que atuam nos campos da Alimentação e Nutrição, Saúde e Humanidades.

Para acessar esta publicação e baixá-la, clique aqui e visite a nossa Biblioteca.



postado por Marina Morais Santos em Quarta-feira, 05 de Abril de 2017

Comida não nutre apenas o corpo, mas também a alma, as memórias, o coração. Mas o que alimenta a sua alma?

Para mim, filha de goianos que sempre gostaram da culinária tradicional e de explorar sabores de outras culturas, comfort food é um frango ao molho de açafrão da terra servido com um angu de milho bem quente e uma saladinha de tomate com repolho picadinhos. Não, espera, acho que comfort food mesmo é um belo prato de macarrão com molho de tomate e carne moída bem temperadinha, minha mãe sempre fez muito esse prato quando eu era criança. Ou melhor aquele carinho que um mingau de aveia com maçã e canela faz na gente colherada por colherada? A verdade é que não sei escolher apenas um prato que represente o meu jeito de comer. Já até tentei.

"Se tivesse que escolher um prato para comer o resto da vida, qual seria?" Já ouviu essa pergunta? Me fizeram este questionamento uma vez, em tom de brincadeira obviamente, mas eu devo confessar que levei a pergunta à sério. Me veio uma sensação de pânico ao tentar escolher uma resposta, um sentimento de terror em ter que abrir mão de sabores, aromas e texturas que formam minha identidade para resumir tudo em um só prato. Concluí que é um trabalho impossível (e torturante).  

O que cozinhamos e o que comemos é uma acumulação de experiências, já pensou nisso? O que aprendemos, a nossa família, os lugares onde moramos ou destinos que visitamos, os amigos acumulados durante os anos são todos formadores do nosso conhecimento e do nosso gosto. Ao longo da vida, construímos o nosso jeito de pensar, o nosso jeito de vestir e também o nosso jeito de comer.

Na infância, quando somos apresentados aos primeiros sabores, começamos o nosso repertório. Entram as frutas cheirosas e maduras comidas depois do almoço de baixo do pé, o feijão com caldo grosso e tão quente que chega sai "fumacinha"  da panela quando tira-se a tampa, as verduras batidinhas e refogadas com bastante cheiro verde para colorir... Comida simples, comida de mãe e de vó, comida que tem afeto e que faz carinho do estômago quando a gente come.

Quando deixamos a casa da nossa infância e passamos a integrar o grande mundo que nos esperava, começamos a deixar de lado um pouco dessa nossa "cultura-mãe". De acordo com Jennifer Berg, pesquisadora do assunto na Universidade de Nova York, alguns aspectos dessa cultura-mãe perdem-se mais rápido do que outros: "O primeiro a ser influenciado é a maneira como nos vestimos, porque queremos nos misturar ou ser parte de uma cultura maior. As coisas que são mais visíveis são as mais facilmente modificadas." Segundo ela, com a comida a história é diferente: "Comer é algo que se faz pelo menos três vezes ao dia, existem mais oportunidades de se conectar com a memória, família e lugar. É mais difícil abrir mão disso."

Eu diria ainda mais: a comida da nossa infância, que formou nosso paladar e nossas memórias nunca serão deixadas de lado, elas são a base da construção do nosso gosto e hábitos alimentares. O que experimentamos mais tarde e adicionamos ao repertório são feitos sobre essa fundação de memórias alimentares afetivas, ligadas a nossa identidade como família, comunidade e povo. Comer é cultura, porque comer é um ato social também. A primeira experiência social que temos é quando somos amamentados. O ato social do comer é parte do que nos faz humanos e assim aprender a comer é aprender a ser humano.

Escolher o que vamos comer, preparar os alimentos, aprender receitas com a família e comer ao redor de uma mesa com outros é exercer essa identidade. É trazer a tona quem somos, quem fomos e o quem esperamos ser também. Abrir mão da sua herança alimentar, das receitas da sua família, das escolhas alimentares que você faz com consciência, da partilha da comida com outras pessoas é abrir mão de um pedacinho da gente. E, infelizmente, isso tem ficado cada vez mais comum. 

As escolhas alimentares do dia a dia têm ficado cada vez mais distantes deste desejo de expressar identidade, de agradar o estômago e também a alma. Ao invés disso, muitas vezes, as escolhas alimentares do nosso povo estão mais ligadas à praticidade e ao apelo publicitário daquela refeição. Trocamos o feijão com arroz por um sanduíche em um fast food ou por uma lasanha congelada, comidas essas que não expressam nem a nossa cultura brasileira nem a de ninguém. Esquecemos que cada refeição realizada é uma oportunidade de expressar nossa identidade e até mesmo descobrirmos algo novo em nós mesmos. 

Se você se vê nessa posição, não precisa se preocupar: existe solução. E ela começa na reflexão, passando pela memória e chegando a escolhas alimentares mais verdadeiras. O resultado é uma alimentação cheia da comida que não alimenta apenas o seu corpo, mas também a sua alma. 

Por isso, eu pergunto de novo: o que alimenta a sua alma? É massa fresca feita pela nonna? É açaí e farinha de peixe? Moqueca com urucum ou com dendê? É roubar um pé de moleque ainda morno do tabuleiro? Ou o cheirinho da cuca saindo do forno? É a receita que você aprendeu com um amigo em um intercâmbio? Ou será que é a velha e incansável dupla de feijão com arroz? 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Quem acompanha o Ideias na Mesa sabe que sexta feira é dia de unir comida, entretenimento e uma boa pitada de reflexão. Na coluna de hoje, compartilhamos a série de vídeos elaborada pelo "Comer Pra Quê?".

O nome é instigante por si só, afinal de contas pra quê nos alimentamos? De relance, a resposta para essa pergunta parece simples, e pode até ser  dependendo da percepção e vivência de cada um. O que passa desapercebido por grande parte das pessoas no entanto, é que as nossas escolhas alimentares são determinadas por fatores que nem nos damos conta, e que através do comer podemos influenciar relações que beneficiem à saúde, o meio ambiente e formas de comércio socialmente justas.   

Dentro deste cenário, foi iniciado no Rio de Janeiro o Movimento Comer Pra Quê?. A partir da ação de diferentes parceiros e universidades, o movimento é: "direcionado  à juventude brasileira com objetivo de gerar consciência crítica sobre as práticas alimentares. Pensar a comida de verdade além de seus aspectos nutricionais é descobrir as dimensões ambiental, psicossocial, cultural, econômica e biológica do alimento. É um pensar que vai do sabor ao saber, do quintal à mesa".

Foram desenvolvidos dez vídeos a partir dos temas mobilizadores problematizados colaborativamente entre os jovens e a equipe técnica do movimento. Eles apresentam o formato de entrevistas e animações, e abordam desconhecidos em diferentes capitais brasileiras para conversar sobre conteúdos relacionados à alimentação de maneira descontraída. As temáticas variam desde questionar o "por que cozinhar?" ou "de onde vem nossa comida?", passando pela influência do marketing e publicidade nas nossas escolhas, até a dimensão política do ato de comer.

Assista: 

Por que cozinhar?                                                                                            De one vem nossa comida? 

      

Comer é um ato político 

Para acessar os outros vídeos e materiais elaborados pelo movimento acesse o link e curta a página no facebook.  




postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 30 de Março de 2017

O padrão alimentar tradicional brasileiro é uma beleza: arroz, feijão, carne, salada e vegetais são um almoço completo e delicioso! Temos ótimos hábitos como os momentos de socialização com o nosso cafezinho, nossa infinidade de variações de verduras refogadas, batidinhas e ensopadas, além de culinárias regionais muito ricas! Mas isso não siginifica que não podemos aprender com outras culturas hábitos para deixar o nosso dia a dia ainda mais cheio de saúde, prazer e equiilíbrio! Hoje, selecionamos 5 hábitos alimentares saudáveis de outros países para pegarmos emprestados por aqui! 

1) Japão: comida tem que ser gostosa e BONITA.

A culinária japonesa tem grande ênfase na apresentação de seus pratos! Porções pequenas, apresentações minimalistas e com alimentos coloridos como vegetais da estação aumentam o apelo visual das preparações! Pratos tradicionais como sushi, sukiyaki, soba, udon e sashimi são lindas construções com cores, sabores e texturas! Preparar alimentos e se preocupar com a aparência deles é uma ótima estratégia para fazermos da experiência de comer algo ainda mais prazeroso, afinal, comemos também com os olhos, certo?

Aprenda com os japoneses: use vegetais e frutas da estação para deixar seus pratos mais coloridos e bonitos e escolha porções pequenas para um visual minimalista.

2) França: coma comida de verdade, sem culpa.

Os franceses adoram boa comida: queijos, pães, chocolates, sobremesas, pratos tradicionais feitos com bastante manteiga e creme de leite fresco. Assim, este povo costuma associar a comida com prazer primeiro, sem pensar demais nos nutrientes que elas possuem. Nos Estados Unidos, por exemplo, a história é diferente: os americanos, que tem índices de obesidade e doenças crônicas muito mais altos do que os dos franceses, estão muito mais preocupados com os aspectos nutricionais dos alimentos. Nos EUA, uma sobremesa lembra primeiramente culpa, enquanto na França, a ideia que vem à mente quando se fala dessas delícias é a de prazer, festa, comemoração. 

Com essa mentalidade, os franceses são capazes de comer pratos tradicionais como confit de pato, macarrons e queijos artesanais com o mesmo prazer que consomem deliciosas frutas e hortaliças sazonais e locais. Tudo com moderação e sempre com prazer!

Aprenda com os franceses: coma comida de verdade, feita com ingredientes justos, sustentáveis, locais e gostosos, sempre com moderação e nunca com culpa. 

3) Etiópia: partilhe as refeições.

Na Etiópia, comer é quase sempre um ato comunitário! A comida é servida em um grande prato com o Injera, um pão tradicional feito com farinha de tefe, uma gramínea comum da região. Come-se com as mãos e o Injera é usado no lugar dos talheres, para pegar os vegetais, molhos e ensopados servidos. Os etíopes tem até o hábito de darem de comer um pouco de injera uns aos outros: o nome desse ato que simboliza amizade e amor é Gursha (ou goorsha ou gorsha) e acontece quando alguém enrola o injera com um pouco de comida com sua mão direita e oferece esse alimento direto na boca para outra pessoa. 

Aprenda com os etíopes: faça suas refeições com amigos e família, dividindo não somente comida, mas também amor!


 

4) Índia: use especiarias, temperos e tudo o que tiver direito! 

A culinária indiana é vibrante, alegre e muito bem temperada! Na Índia, os temperos e especiarias adicionam cor, sabor, aroma e muita saúde aos pratos. Gengibre, pimentas, açafrão-da-terra, cebola, alho, cardamomo, cominho, tamarindo, sementes de coentro e de mostarda, canela e cravo são utilizados separadamente e também em misturas tradicionais como o curry e o garam masala. Esses elementos são tão importantes na cultura indiana, que cada região ou até mesmo cada família cria sua própria mistura de especiarias e temperos, que dá uma personalidade única aos pratos. Essas receitas são geralmente passadas de geração em geração e tem grande valor afetivo!

Aprenda com os indianos: não tenha medo de criar suas combinações de temperos e especiarias, e não se esqueça de dividir essas receitas com a sua família! Comida constrói a nossa identidade também!

5) Coreia do Sul: respeite os mais velhos.

A culinária da Coreia do Sul é rica e cheia de história! Os pratos são feitos com deliciosos vegetais frescos, grãos, leguminosas e carnes, além de preparados fermentados extremamente vivos, sabororos e tradicionais como o kimchi. Mas o que mais chamou nossa atenção em relação aos hábitos alimentares coreanos é como o ato de comer em conjunto oferece mais uma oportunidade de demostrar respeito, oportunidade essa que os coreanos sempre aproveitam! Lá é um sinal de honra e respeito deixar que os mais velhos se sirvam antes dos mais novos, costume tradicional difundido até hoje. 

Aprenda com os coreanos: o jeito de ser comportar a mesa pode demostrar respeito também! Demostre amor, respeito e honra aos mais velhos oferecendo a eles os alimentos antes de se servir! Essa é uma lição muito legal de altruísmo para ensinar para as crianças também!



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 29 de Março de 2017

A palavra Tekoha significa “o lugar onde somos o que somos”.

É a maneira como os povos Guarani e Kaiowá referem-se à sua terra tradicional. No Tekoha, deve haver matas (ka’aguy), com frutos para coleta, plantas medicinais, águas piscosas, matéria-prima para seus artefatos, áreas para plantio da roça familiar ou coletiva, para a construção de suas habitações e lugares para atividades religiosas.

Mas o direito a um lugar que lhes garanta a realização de seu próprio "modo de ser", lhes tem sido negado.

O relatório divulgado no post da [Biblioteca do Ideias] de hoje,  apresenta os resultados da visita da comitiva coordenada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) às comunidades indígenas (acampamentos e reservas) das etnias Guarani e Kaiowá do Cone Sul do estado de Mato Grosso do Sul. A missão ocorreu entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro de 2016 com o objetivo de propiciar espaço de escuta às comunidades sobre as manifestações de violação do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e direitos territoriais, bem como debater com os órgãos públicos os desafios e propostas para a garantia desses direitos.

No mapa a seguir podem ser visualizadas as regiões visitadas pela comitiva:

A abordagem adotada pela comitiva durante as visitas e reuniões com as comunidades indígenas foi a escuta direta dos(as) indígenas, no território onde habitam, sem interferência de terceiros ou mediadores. Depois disso, o relatório construído foi baseada nas percepções dos(as) integrantes da comitiva, nos relatos das comunidades indígenas, nos dados oficiais coletados em documentos produzidos por órgãos de governo e por entidades da sociedade civil.

O documento está dividido em cinco partes:

1. breve contextualização histórica,

2. iniciativas do Consea na defesa dos direitos dos povos Guarani e Kaiowá,

3. relatos indígenas sobre as violações de direitos e suas reivindicações,

4. atuação e perspectivas do Poder Público

5. conclusões e encaminhamentos.

Nas conclusões da comitiva fica evidente que a realidade vivida pelos povos Guarani e Kaiowá pode ser denominada como uma tragédia humanitária e denota explicitamente a negação sistemática de direitos humanos em função da omissão do Poder Público.

Pela leitura do relatório também pode-se constatar que, nas comunidades visitadas, há fome e desnutrição, precariedade do acesso a saúde, a água e a educação, ausência de documentação civil, um constante sentimento de medo de ataques violentos por ordem dos fazendeiros da região e uma forte criminalização das lideranças indígenas que resistem e reagem aos abusos de poder dos órgãos de polícia.

Apesar dessas condições ficam destacados o sentimento e a atitude firme de resistência dos povos Guarani e Kaiowá, a forte disposição de continuar lutando por seus direitos, bem como a convicção do direito ao território e das garantias constitucionais apesar de todas as adversidades e retrocessos.

Para ter acesso ao documento, acesse aqui.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 27 de Março de 2017

O [Você no Ideias] dessa semana apresenta uma experiência realizada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal que percebendo a escola como um ambiente estratégico para a promoção da saúde e para formação de cidadãos conscientes e críticos em relação à sua alimentação, usou da gastronomia para estimular o consumo de uma alimentação saudável pelos estudantes. 


O projeto ficou conhecido como "Chef e Nutri na Escola” e aconteceu em três encontros, sempre realizados na Unidade Escolar. 

O primeiro encontro teve como objetivo de apresentar o projeto para toda a equipe, planejar datas e definir o cardápio. No segundo, Nutricionistas, chefe de cozinha ou representante de curso de Gastronomia e estudantes (de preferência todos os alunos da UE)debateram sobre alimentação saudável, boas práticas de manipulação e segurança alimentar, por meio de uma palestra, uma oficina ou uma mesa redonda. Além disso, a cozinha era apresentada aos estudantes.

No último encontro era hora de "colocar a mão na massa"! Os alunos eram conviodados a preparar refeições na cozinha da UE com o auxílio de um chefe de cozinha ou estudantes de gastronomia, sob supervisão do professor Gastrônomo, e acompanhamento dos nutricionistas. 

Essa experiência está sendo realizada na Rede de Ensino do DF!

Para ter acesso a essa experiência na íntegra acesse aqui!

 


Em 2017 vamos continuar valorizando a Educação Alimentar e Nutricional. Assim como a Diretoria de Alimentação Escolar - SEDF, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Marion Nestle é professora no Departamento de Nutrição, Estudos Alimentares e Saúde Pública da Universidade de Nova Iorque. Nestle é autora de nove livros, incluindo Política dos alimentos: Como a indústria de alimentos influencia a Nutrição e a Saúde.

Em entrevista, Nestle fala sobre como e por que a indústria de alimentos investe na ciência da nutrição.

P: O financiamento da indústria de alimentos influencia os cientistas?

R: Sim. Estudo pós estudo e comentário pós comentário mostram que influencia. Isso tem sido visto nas pesquisas sobre o tabaco, os produtos químicos e as drogas farmacêuticas, que, nessa perspectiva, são as mais próximas aos alimentos.

A pesquisa sobre a influência da “Big Pharma” nas práticas de prescrição ou de investigação dos médicos iniciou há 40 anos. Há evidências de que um presente minúsculo da indústria farmacêutica, como uma caneta ou um bloco de papel, é suficiente para mudar as práticas de prescrição. E os médicos não conseguem perceber isso.

 

P: Eles não são conscientes sobre essa influência?

R: Não, é inconsciente. Eles acham que outras pessoas são influenciadas pela indústria, mas eles não. Eles não têm a intenção de vender um produto. Na verdade, eles negam veementemente essa prática.

Muitas vezes, eles não se aproximam das empresas de alimentos que financiam pesquisas, pois têm uma ideia de que estariam sendo comprados para garantir o cumprimento dos interesses da indústria e essa não é a intenção. A intenção era apenas para obter dinheiro para a pesquisa. O efeito não é reconhecido, não é intencional, mas inconsciente.

 

P: O que sua pesquisa mostrou?

R: Durante um ano, coletei estudos que foram financiados pela indústria de alimentos. Esta foi uma coleta casual. Dos 168 estudos que encontrei 156 deles tiveram resultados que foram favoráveis ao patrocinador e apenas 12 não.

 

P: As revisões sistemáticas concordam?

A: Apenas cerca de uma dúzia de opiniões têm olhado sobre isso. A maioria das evidências é consistente em relação aos estudos apresentados, sobre a indústria farmacêutica . Eles acham que os estudos financiados pela indústria são mais propensos a favorecer os produtos dos financiadores. Isso tem sido mostrado tantas vezes que é um dado. Exceções existem, mas são raras.

 

P: O quanto a indústria está envolvida?

R: É quase impossível obter evidências sobre isso, porque você não está lá enquanto os estudos estão sendo feitos.

Mas alguns e-mails foram reveladores. Por exemplo, em 2015, o New York Times obteve e-mails revelando que a Coca-Cola estava intimamente envolvida com pesquisadores cujos estudos visavam minimizar os efeitos das bebidas açucaradas sobre a obesidade.

 

P: E o recente estudo afirmando que o conselho de comer menos açúcar é baseado em pesquisas fracas?

R: Os autores disseram que o patrocinador do estudo, o “Instituto Internacional de Ciências da Vida (ILSI)”, financiado pela indústria de alimentos e de bebidas açucaradas, não tinha nada a ver com o estudo. Mas Candice Choi, uma repórter, tinha e-mails mostrando que o financiador tinha muito a ver com o estudo.

 

P: Os repórteres não podem pegar as falhas em estudos financiados pela indústria?

R: Até eu posso ter problemas com isso. Às vezes é óbvio, mas às vezes não é. E pode não haver nada de errado com a forma como a ciência é feita. É como a pergunta foi feita, a pesquisa foi projetada, ou como os resultados foram interpretados que conta.

Ou você poderia ter um resultado que é equívoco, mas você pode rodar os resultados de forma positiva. Eu vi muitos exemplos disso nos 156 estudos que coletei.

 

P: Quais empresas do ramo alimentício financiam pesquisas?

R: É difícil pensar em uma empresa alimentos que não. Eles descobriram que se eles têm um produto que parece ruim, eles podem fazer pesquisas para lançar dúvidas sobre essa ciência e destacar os benefícios da comida. Isso inclui açúcar, chocolate, Coca-Cola, carne bovina, carne de porco e laticínios.

 

P: E quanto a estudos sobre alimentos mais saudáveis?

R: Há também pesquisa sobre blueberries, amêndoas, caju, pecans, abacates, romãs. Assim, eles podem anunciar esses alimentos como “superfoods”. E funciona. Essa prática salvou a indústria do mirtilo de Maine. Alguém descobriu que as “blueberries” tinham um monte de antioxidantes, e eles começaram a publicidade sobre isso.

 

P: O que as pessoas podem fazer?

R: Desconfiar. Ter mais do que o nível habitual de ceticismo sobre um único estudo. Faça uma pergunta muito simples: Por que esta empresa pagou por este estudo? O que a empresa ganha com isso?

 

P: Os cientistas não precisam divulgar seu financiamento?

R: A maioria das revistas científicas exige divulgação, mas às vezes os autores esquecem. E raramente há consequências se o fizerem. E até mesmo a divulgação completa não controla o problema. Isso faz com que as pessoas pensem que tudo está sendo cuidado.

Pior, há um corpo substancial de pesquisa que mostra que a divulgação pode ter efeitos perversos. Para algumas pessoas, ver a divulgação faz com que confiem mais em um estudo, talvez porque pensem que os autores estão sendo honestos.

 

P: Você não é a favor da divulgação?

R: Absolutamente. Mas precisamos de uma declaração de divulgação unificada, para que todos tenham de revelar a mesma coisa.

 

P: Não se trata apenas de financiar um estudo?

R: Certo. Alguns conflitos são pessoais. Por exemplo, os pesquisadores teriam de dizer que são consultores da Coca-Cola, fizeram pesquisas no passado com a Coca-Cola, tiveram despesas de viagem pagas pela Coca-Cola, ou qualquer outra coisa.

E mesmo quando se trata do estudo, há gradações. Os pagamentos incluem salários para os investigadores, materiais, pagamentos aos sujeitos? Ou é algo tão pouco como o fornecimento de vitaminas?

A literatura da indústria farmacêutica diz que dar aos médicos uma caneta e uma almofada de prescrição é suficiente para mudar suas práticas de prescrição, mas se essas grandes empresas pagam viagens ou sua educação continuada, isso tem um efeito mais forte.

 

P: Algumas pessoas não acreditam que o financiamento da indústria seja apenas um tipo de viés?

R: Sim. Eles argumentam que todos os pesquisadores têm conflitos intelectuais de interesse. Isso é verdade. Você não faria ciência se não tivesse interesses intelectuais.

No entanto, esses estudos são susceptíveis de ser repetido por pessoas que têm interesses intelectuais diferentes. É por isso que na ciência, um estudo não faz uma conclusão.

Mas financiamento da indústria tem apenas uma finalidade, que é vender produtos alimentares. Essa é a principal diferença entre o viés de qualquer cientista e os vieses da indústria.

 

P: Como os cientistas respondem a você?

R: Muitos estão ofendidos. "Você está tentando dizer que todo o financiamento da indústria é ruim?", eles perguntam. Não. Estou dizendo que a pesquisa financiada pela indústria é mais provável de ser feita para fins de marketing. Enormemente mais provável.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Março de 2017


O dia 22 de março é anualmente conhecido como o Dia Mundial da Água desde 1992 quando foi instituído como tal pela Organização das Nações Unidas. A cada ano, a data que é “celebrada” para conscientizar a população sobre a importância deste valioso recurso natural ganha um significado ainda maior.

Ao redor do globo e mais especificamente no Brasil, as seguidas crises hídricas somadas a realidade de regiões que ainda sofrem com a falta de acesso à água potável e saneamento, não deixam dúvidas de que é urgente a tomada de decisões para preservar as reservas e aquíferos. É também evidente que para gerir esse recurso de maneira sustentável, não basta aguardar de forma passiva que os regimes de chuva reponham indefinidamente os reservatórios de água enquanto acontecem as mais diversas formas de desperdício e a má utilização da água. Estratégias que garantam uma utilização mais responsável e consciente dos recursos hídricos são imprescindíveis para a sustentabilidade de diferentes sistemas.  

Nesse contexto, disponibilizamos em nossa biblioteca um material informativo elaborado pela ONU lançado para o Dia Mundial da Água 2017 intitulado “Por que desperdiçar água?”. Nele, são compartilhadas informações relacionadas às potencialidades da reutilização de águas residuais assim como a tomada de atitudes para minimizar os desperdícios. O folheto foi desenvolvido no contexto do Objetivo Para o Desenvolvimento Sustentável do Milênio número 6 que tem como premissa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para a população.   

Algumas das principais mensagens da publicação:

  • Mais de 80% das águas residuais geradas pela sociedade flui de volta para o ecossistema sem ser tratada ou reutilizada
  • 1,8 bilhão de pessoas usam uma fonte de água potável contaminada com diferentes poluentes. Água insalubre e saneamento e higiene deficientes causam cerca de 842.000 mortes a cada ano
  • Até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades, em comparação com 50% atualmente
  • A maioria das cidades nos países em desenvolvimento não tem infraestrutura e recursos adequados para lidar com a gestão das águas residuais de uma maneira eficiente e sustentável
  • Os custos da gestão de águas residuais são grandemente compensados pelos benefícios à saúde humana, ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade ambiental, oferecendo novas oportunidades de negócios e criando mais empregos “verdes”

Além dos padrões de consumo e o não reaproveitamento de água que acontecem a nível residencial, o documento traz uma reflexão sobre os dois setores que juntos correspondem por mais de 80% de toda água consumida no planeta, e por consequência, contabilizam a maior parte dos desperdícios e contaminações. Acesse a íntegra do documento em nossa biblioteca.   


 



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