Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

O comida na tela dessa semana traz uma dica cinematográfica para fechar esse mês de abril no qual tratamos sobre o conflito de interesses.

Tigers do diretor-escritor e vencedor do Oscar, Danis Tanovic, tem 90 minutos de duração e denuncia o lobby da indústria de leite artificial e seu consequente prejuízo à saúde dos bebês.

O filme é baseado na história real de Syed Aamir Raza (Ayan), um paquistanês que, ao trabalhar como representante de vendas da Nestlé em seu país, descobre que está promovendo um produto que causa diversos problemas de saúde em bebês, como desnutrição, diarreia e até mortes.

Apoiado pela sua família e pela Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (Ibfan) do Paquistão, Ayan decide denunciar as estratégias agressivas e ilegais que a empresa utiliza para promover seu produto. Como consequência, ele passa a ser perseguido por seus antigos empregadores.

O prestigiado longa foi lançado no Festival de Cinema de Toronto, Canadá, San Sebastian, Espanha e Zurique, em 2014. Em terras brasileiras, além de ter sido exibido durante a 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo 2016, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, a IBFAN Brasil e o Idec já realizaram duas sessões seguidas de debates com o idealizador do filme e representantes das entidades em 2017. Elas aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, e as entidades também planejam levar o cinedebate para a capital federal.

Além de uma boa opção de entretenimento para o fim de semana, o filme traz um exemplo concreto e verídico sobre como o conflito de interesses está presente em nossa sociedade e passa desapercebido ou é banalizado trazendo inúmeros prejuízos.

 

  


 

 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

A programação do Ideias na Mesa era falar sobre conflitos de interesse no mês de abril, mas essa programação foi feita sem sabermos ao certo que o assunto estaria na pauta de diversas discussões e conquistas do mês. Mas para inciarmos esse post é importante que antes de tentarmos perceber o conflito, tenhamos concordância sobre o que é conflito de interesses. 

Segundo a Lei nº 12.813, 16/5/2013,

Conflito de Interesse é a situação gerada pelo confronto entre interesses públicos e privados que pode comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública.

E relatório publicado Organização Mundial da Saúde, publicado em 2015, conceitua conflito de interesse como:

"um conjunto de condições nas quais o julgamento profissional relativo a um interesse primário [...] tende a ser indevidamente influenciado por um interesse secundário".

Esta definição se aplica igualmente a indivíduos e a instituições. É importante notar que, com esta definição, para que haja um conflito, deve simplesmente haver o potencial para uma influência indevida ocorrer, podendo abranger tanto os conflitos de interesses reais, como os percebidos. Também especifica que um conflito surge quando um interesse privado tem o potencial de influenciar indevidamente o julgamento, introduzindo outros fatores além dos relativos ao interesse público.

Isso mostra que a temática é bastante abrangente e DEVE ser discutida pelas diferentes áreas, como já ouvimos as discussões sobre os conflitos de interesse entre médicos e indústrias farmacêuticas e, mais recentemente, entre os profissionais da saúde e a indústria de órteses e próteses (“máfia das próteses”).

Mas no nosso post de hoje vamos tratar especificamente de conflitos de interesses na área da alimentação e nutrição. Isso porque a indústria de alimentos tem sido identificada como um vetor de doenças devido ao tipo de comida que comercializa, às estratégias de Marketing e à incidência política corporativista que tem exercido.

Segundo Fabio Gomes, no artigo que publicamos aqui semana passada, há um aumento na documentação sobre conflitos de interesse em alimentação e nutrição, nos últimos anos. Esse fato indica uma possível intensificação de conflitos, ampliação do reconhecimento de conflitos como tais e da inconformação frente a eles e/ou uma maior motivação para torná-los visíveis.

Tanto na área de produção de científica, como na elaboração de políticas públicas e na atuação profissional diária, a maior visibilidade e inconformação aos conflitos estão associadas à expansão de falhas nos sistemas alimentares que não tem cumprido a promessa de garantir uma alimentação adequada e saudável às populações. (A propósito, o recente caso da operação “Carne Fraca” e seus resultados, exemplificam isso muito bem!)

Assim, segundo Fabio Gomes, percebemos a existência do conflito de interesses, quando reconhecemos que problemas nutricionais estão associados às falhas em um sistema alimentar que quando desenhado, prometia uma maravilhosa revolução na vida das pessoas. Mas o que temos visto é que o atual sistema além de gerar iniquidades, tem violado vários dos nossos direitos fundamentais, todos os dias.

Um dos principais problemas dos conflitos de interesses é que interesses econômicos tendem a se sobrepor aos interesses da sociedade. Assim, a indústria  (incluindo a alimentícia, mas também a do tabaco, a farmacêutica, entre outras) busca estratégias, lícitas ou não, para defender seus interesses de venda, passando a interferir explícita (p.ex.: em nome da empresa) ou disfarçadamente (p.ex.: por meio de fundações, entidades profissionais, de pesquisa, filantrópicas que defendem os interesses das empresas que as fundaram, financiam ou controlam) no processo de formulação das políticas.

O risco dessas associações são demonstradas por vários estudos na área de psicologia que comprovam que os incentivos, oferecidos pela indústria, para a área da saúde, geram um sentimento de obrigação e lealdade à empresa patrocinadora.


Mas como identificar esses conflitos na área de alimentação e nutrição?

1. Analisar os produtos fabricados pelas empresas:

Se a empresa produz alimentos ultraprocessados, que devem ter seu consumo evitado ou reduzido, de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, já está aí a justificativa para a não interação entre esse fabricante e uma organização de alimentação e nutrição, que tem por princípios promover a Alimentação Adequada e Saudável.

Cuidado para não se perder em discussões sobre os produtos da empresa serem saudáveis ou não. Quando chegar a esse nível de discussão, passe para a análise das políticas e práticas da empresa!

2. Analisar políticas e práticas da empresa (incluindo missão, metas, objetivos, princípios, visão):

As políticas e práticas da empresa mostram seus interesses e os das organizações relacionadas.Tente descobrir se a empresa está relacionada à práticas de trabalho escravo, à destruição do meio ambiente, à desvalorização da cultura local, entre outros aspectos relacionados à infração de direitos.

Por anos os brasileiros aceitaram as carnes oferecidas pela JBS, mas hoje sabemos que além da inadequação sanitária, a empresa está associada a diversas práticas não saudáveis e inadequadas.

A Sadia é uma das empresas que compõem o Grupo JBS! Depois de assinar parceria com alguns estados e com o Jamie Oliver (o chef das boas práticas?) a empresa se propôs a realizar ações de Educação Alimentar e Nutricional em escolas brasileiras …

Analisando dessa forma, o processo passa a ser incoerente e nos explicita a existência de diversos conflitos, não acha?

Essa parceria com as prefeituras de alguns estados não foi pra frente exatamente pela percepção do conflito. Quando entendemos as políticas e práticas da empresa, podemos fazer melhores escolhas sobre com quem nos associar ou fazer parcerias.

Se ainda tiver dúvidas, no artigo escrito por Fábio Gomes, você pode encontrar uma tabela com alguns exemplos de produtos, práticas e políticas das dez maiores corporações transnacionais membros da Aliança Internacional de Alimentos & Bebidas. Essas empresas fabricam produtos e promovem práticas não recomendados como parte de uma alimentação saudável e adequada e adotam políticas que reforçam a expansão de tais produtos e práticas.


3. Considerar organizações e iniciativas nas quais as empresas se inserem:

Algumas empresas acabam se associando à ONGs, entidades filantrópicas, grupos de pesquisa, ou a alguma instituição ou organização que lhe agregue um valor social ou científico.

Dessa forma, as empresas conseguem “justificar” ou “compensar” a produção de produtos que prejudicam a saúde e/ou o exercício de práticas ruins, com atividades sociais, sustentáveis e relevantes, exercendo um “greenwashing”, ou seja, uma espécie de maquiagem verde. Esse é um termo inglês utilizado por uma organização, empresa, instituição, entre outros, com o objetivo de dar à opinião pública uma imagem responsável  dos seus serviços ou produtos, ou mesmo da própria organização. Neste caso, a organização tem, porém, uma atuação contrária aos interesses e bens ambientais. Na temática que estamos debatendo, podemos falar ainda de atuações contrárias aos interesses e bens coletivos e sociais.

Para deixar ainda mais claro como se dão esses conflitos na prática, listamos alguns exemplos:

- indústria de fórmulas infantis x promoção do aleitamento materno (o filme Tigers denuncia esse conflito em uma perspectiva muito interessante)

- publicidade infantil X promoção da alimentação adequada e saudável

- ações de Educação Alimentar e Nutricional realizadas pela indústria de alimentos, em espaços educacionais ou de promoção da saúde  X ambientes promotores de saúde

- oferta de alimentos ultraprocessados doados pela indústria a Equipamentos Públicos de SAN X DHAA

- financiamento de pesquisas e eventos na área de alimentação e nutrição X liberdade do pesquisador e compromisso com a verdade

Claro que existem muitos outros, esses são apenas alguns exemplos que nos ajudam a perceber os conflitos de forma mais real.

Também não podíamos deixar de apresentar os avanços dessa área:

  • Desde o mês passado, todo material publicado no Pubmed deve declarar sua fonte de financiamento e informações sobre a existência de conflitos de interesses durante a produção da pesquisa.

  • Já foram realizados alguns eventos de Alimentação e Nutrição sem financiamento da indústria, mostrando que é possível (World Nutrition, Conbran 2016)

Se lendo esse texto você percebeu que tem passado por situações de conflito de interesse, denuncie e peça ajuda. Você pode entrar em contato com a Frente pela Regulação da Relação Público Privada.


Referências Bibliográficas:

Abordagem para identificar e monitorar sistematicamente a atividade política da indústria de alimentos

Abordar e Gerir conflitos de interesses no planejamento e execução de programas nacionais de nutrição

Conflito de interesses na formação e prática do nutricionista: regulamentar é preciso

Conflitos de interesse em alimentação e nutrição

LEI Nº 12.813, DE 16 DE MAIO DE 2013

 


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

Estamos chegando ao fim do mês de abril e claro que as discussões sobre conflitos de interesses entre a indústria de alimentos e a saúde pública brasileira não vão se esgotar. Na verdade, essa discussão tem se mostrado extremamente importante. É nesse sentido que o post do [Biblioteca do Ideias] de hoje apresenta um artigo de revisão com o seguinte título “Uma proposta de abordagem para identificar e monitorar sistematicamente a atividade política da indústria de alimentos, em relação à saúde pública usando informações publicamente disponíveis”.

Esse artigo científico tem dois objetivos:

- Propor um quadro para a classificação do CPA* da indústria de alimentos, que diz respeito à saúde pública e

- Propor uma abordagem para identificar e monitorar sistematicamente o CPA* da indústria de alimentos, a nível nacional.

*CPA: termo usado no artigo para se referir a tentativas corporativas de moldar a política do governo de forma favorável à empresa.

CPA relacionado às políticas públicas em saúde tem sido descritos a partir da perspectiva da indústria do tabaco. Esses estudos permitiram a identificação de seis estratégias de ação política corporativa, utilizadas pela indústria de alimentos para influenciar as políticas e os resultados da saúde pública:

 1. Informação e mensagens

Fazer lobby junto a tomadores de decisão; 
                Enfatizar a importância econômica da indústria;
                Promover desregulação;
                "Moldar" o debate sobre questões de alimentação e saúde;
                Formar a base de evidências sobre alimentação e saúde.

 2. Incentivo financeiro

Financiar e prover incentivos a partidos políticos e tomadores de decisão

 3. Construção de opinião pública favorável

Buscar envolvimento na comunidade;
Estabelecer relações com formuladores de políticas; mídia; formadores de opinião e organizações de saúde.

 4. Medidas legais

Usar ação legal (ou ameaçar usá-la) contra políticas públicas ou opositores;
                Influenciar o desenvolvimento de acordos comerciais e de investimento.

 5. Substituição de políticas

Desenvolver e promover alternativas às políticas (ex: auto-regulação).

 6. Fragmentação e desestabilização da oposição

Criticar os defensores da saúde pública;
                Criar vozes múltiplas contra medidas de saúde pública;
                Infiltrar-se junto a, monitorar e distrair defensores da saúde pública, grupos e organizações.

Mas é importante ressaltar que essa classificação é importante para fins de compreensão das estratégias, mas no caso da indústria de alimentos, muitas vezes elas são utilizadas de forma conjunta. Por exemplo, se a indústria alimentar emitir um comunicado de imprensa para destacar sua nova política para reduzir o teor de sal de seus produtos, ele poderia ser classificado como:

- uma estratégia de informação e de mensagem: "enfrentar o debate sobre questões relacionadas à alimentação e à saúde pública: enfatizar as ações da indústria de alimentos para abordar questões relacionadas com a alimentação e a saúde pública".

- uma estratégia de substituição de políticas. Nestes casos, a prática pode ser classificada como servindo ambas as estratégias.

Também é importante ressaltar que essa proposta de classificação não é definitiva, mas deve ser modificada à medida que surjam novas conclusões sobre o CPA da indústria alimentar.

A partir dessa perspectiva, os estudos têm mostrado que a indústria do álcool e de alimentos usam estratégias muito parecidas às do tabaco para influenciar a construção e os resultados das políticas públicas. Por isso, a análise das estratégias, desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde, para combater a influência da indústria do tabaco, foram traduzidas nesse artigo que apresenta a seguinte proposta para realização do monitoramento da ação política da indústria de alimentos:

A proposta feita por esse artigo para monitoramento da ação da indústria de alimentos poderia ser utilizada para destacar vários aspectos da CPA da indústria com o objetivo de aumentar a transparência relativa à potencial influência dos interesses comerciais sobre as políticas e os resultados da saúde pública. A intenção é que a abordagem de monitoramento proposta seja implementada a nível nacional, por organizações da sociedade civil, incluindo pesquisadores que trabalham na CPA e organizações não-governamentais relacionadas a interesses de saúde pública e / ou de consumidores.

A vantagem da abordagem proposta é que o monitoramento é focado nas empresas que provavelmente terão maior influência em cada país. Já uma limitação é que ela só identificará informações publicamente disponíveis, que podem ser incompletas, não representativas de todas as práticas e, muitas vezes, carecem de detalhes. CPA também se reflete através de conexões pessoais, discussões informais e outras atividades (por exemplo, almoços) Que não serão capturados com a abordagem proposta.

Para superar parcialmente esta limitação, a abordagem proposta poderia ser complementada com entrevistas com as principais partes interessadas, tais como políticos, funcionários públicos ou defensores da saúde pública, bem como denunciantes da indústria de alimentos.

O raciocínio subjacente à abordagem proposta nesse artigo é que ao monitorar e acompanhar a CPA ao longo do tempo, a transparência e a responsabilidade da indústria de alimentos podem ser aumentadas. Além disso, a implementação da abordagem de monitoramento proposta poderia ajudar a identificar mecanismos que melhorassem os interesses públicos e comerciais relacionados à política de saúde pública.

Apesar de estar o inglês, vale o acesso ao artigo que incentiva a participação social contra o lobby da indústria de alimentos no processo de planejamento das políticas sociais voltadas à saúde da população. Para ter acesso ao documento completo, clique aqui.



postado por Marina Morais Santos em Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Você já deve ter notado que o principal assunto deste mês de Abril aqui do Ideias na Mesa é o de Conflito de Interesses, certo? E apesar da existência destes conflitos no campo da alimentação e nutrição não ser recente, ela tem se intesificado e sido bastante documentada na última década. Desde os anos 1970, foram publicados mais de oito mil artigos sobre conflitos de interesse em bases de dados bibliográficas de ciências da saúde (MEDLINE e LILACS).No entanto, há poucas dezenas de publicações sobre a temática relacionadas à alimentação e/ou nutrição, e elas se restringem apenas às últimas duas décadas, das quais.

O aumento recente na documentação sobre conflitos de interesse em alimentação e nutrição é proporcionalmente maior do que o observado para o total de publicações nas mesmas bases de dados. Isso indica uma possível intensificação de conflitos, ampliação do reconhecimento de conflitos como tais e da inconformação frente a eles e/ou uma maior motivação para visibilizá-los. O artigo de destaque do [Biblioteca do Ideias] dessa semana aborda justamente este assunto.

O artigo, de autoria de Fabio da Silva Gomes, foi publicado no Caderno de Saúde Pública em outubro de 2015 e identifica e discute diversos conflitos de interesse nos setores da alimentação e nutrição. Vale a pena a leitura deste material, que já está diponível na nossa Biblioteca



postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

 

A experiência de hoje foi aplicada por estudantes da disciplina de "Ações de Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva" da Universidade Federal de Lavras e teve como objetivo conscientizar moradores de Lavras sobre o conteúdo dos alimentos ultraprocessados e a Diabetes.

Os alunos destacaram o alto consumo de alimentos industrializados pela população brasileira e as doenças crônicas não transmissíveis, em especial a diabetes, como os principais motivadores e referenciais para realizar a ação. A atividade aconteceu nos supermercados da cidade de Lavras, já que este é o principal ambiente de comercialização de produtos processados. Um cartaz contendo as quantidade de açúcar presente em produtos alimentícios foi exibido para os frequentadores do mercado, e na ocasião, também foi distribuído um panfleto explicando sobre o diabetes.     

Durante a ação, as alunas aproveitaram para conversar sobre os benefícios de uma alimentação saudável com as pessoas que paravam para observar o cartaz. Ele continha embalagens de alguns produtos industrializados, como achocolatado, refrigerante cola, biscoito recheado,  e um saquinho mostrando a quantidade de açúcar em cada produto. Além disso, todos os que passavam pela atividade  receberam folders com conteúdos sobre Diabetes, os tipos de açúcar descrito nas embalagens de alimentos, e dicas para a leitura de rótulos.

A equipe que aplicou a experiência observou alguns pontos em relação ao processo:

"Foi uma ótima experiência pois as pessoas que passavam por ali mesmo com muita pressa tinham interesse em saber mais sobre rotulagem de alimentos, como prevenir o Diabetes e outras doenças, e várias outras dúvidas relacionadas a alimentação. Foi muito interessante perceber que as crianças tinham muito interesse em saber mais sobre o assunto, porque geralmente são alimentos que elas consomem, e muitas falaram que ia tentar mudar seus hábitos e falar para os pais."

"Outro ponto relevante foi o susto que as pessoas tinham ao ver a alta quantidade de açúcar que elas consomem com frequência. Portanto essa ação foi muito importante para mostrar pra população que a industria de alimentos é muito enganadora dizendo que seus alimentos são cheios de vitaminas quando na verdade fazem mais mal à saúde do que bem."

  

 

Confira a experiência completa e outras imagnes clicando aqui.


 

Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Grayce Kelly de Andrade você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!  

 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 12 de Abril de 2017

Durante o mês de abril, o Ideias na Mesa tem trazido algumas discussões relacionadas aos Conflitos de Interesse em Alimentação e Nutrição. Por isso, hoje o [Biblioteca do Ideias] vai apresentar um relatório produzido pela OMS, em 2015.

Esse relatório surgiu de uma discussão entre especialistas na área de Conflito de Interesses em Alimentação e Nutrição, sobre como atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que recomenda a criação de:

"Um ambiente propício para a implementação de políticas globais de alimentação e nutrição" e exorta os Estados Membros a "estabelecer um diálogo com os partidos nacionais e internacionais relevantes e formar alianças e parcerias para expandir as ações de nutrição com o estabelecimento de mecanismos adequados para proteger contra potenciais conflitos de interesse".

Esses especialistas vieram de Universidades, sociedade civil, Ministros da Saúde e representantes do Sistema das Nações Unidas.

Como primeira etapa no desenvolvimento de ferramentas de avaliação, divulgação e gestão de risco de conflitos de interesses, esta reunião teve como objetivo estabelecer a discussão, identificar áreas-chave de trabalho e iniciar a coleta de melhores práticas e estudos de caso de cada país.

Os objetivos desta consulta foram:

(i)                  desenvolver definições, critérios e indicadores para ajudar a identificar e priorizar conflitos de interesse no desenvolvimento e implementação de políticas recomendadas pelo Plano Integral de Implementação sobre nutrição materno infantil e infantil a nível nacional;

(ii)                identificar situações em que o desenvolvimento e a implementação dessas políticas envolvam interações entre governos e atores não-estatais (com foco no setor privado) que podem levar a conflitos de interesse;

(iii)               identificar uma lista de ferramentas, metodologias e abordagens que possam ajudar a identificar e gerenciar conflitos de interesse. Este foi visto como um primeiro passo essencial antes de outras ações poderem seguir.

Para subsidiar as discussões apresentadas nesse relatório, foi entregue aos participantes um documento com uma série de definições.

O primeiro define um conflito de interesses como "um conjunto de condições nas quais o julgamento profissional relativo a um interesse primário [...] tende a ser indevidamente influenciado por um interesse secundário".

 Segundo o autor do documento de base, esta definição se aplica igualmente a indivíduos e a instituições. É importante notar que, com esta definição, o julgamento de um funcionário ou instituição não precisa, de fato, ser influenciado por um interesse secundário indevido para que haja um conflito, simplesmente tem que haver o potencial para uma influência indevida ocorrer.

A definição abrange tanto os conflitos de interesses reais, como os percebidos. Ele também especifica que um conflito surge quando um interesse privado tem o potencial de influenciar indevidamente o julgamento - ou seja, introduzindo outros fatores além dos relativos ao interesse público.

O documento também propôs algumas definições mais específicas:

1. Ocorre um conflito de interesses real quando um interesse adquirido tem o potencial de influenciar indevidamente o julgamento ou ação do funcionário ou agência através dos benefícios monetários ou materiais que confere ao funcionário ou agência.

2. Um conflito de interesses aparente surge quando um interesse adquirido tem o potencial de influenciar indevidamente o julgamento ou ação do funcionário ou agência por meio das influências não monetárias ou não materiais que ele exerce sobre o funcionário ou agência.

3. Um conflito de interesses baseado em resultados surge quando um interesse adquirido, envolvido no processo de definição de políticas ou de implementação de políticas, procura resultados que são inconsistentes com o interesse público demonstrável. Isto aplica-se a questões em que há consenso sobre o interesse público e onde um interesse particular, pela natureza de sua missão, persegue objetivos que estão em contradição com esse interesse.

Os resultados esperados com o encontro e descritos nesse relatório foram encontrar:

1. Definições, critérios e indicadores para ajudar a identificar conflitos de interesse no desenvolvimento e implementação de políticas a nível nacional;

2. Exemplos de situações em que o desenvolvimento e a implementação de políticas defendidas envolvem interações entre governos e Intervenientes não estatais (sobretudo do setor privado) susceptíveis de gerar conflitos de interesses;

3. Exemplos de ferramentas, metodologias e abordagens que podem ajudar a identificar e gerenciar conflitos de interesse.

Os principais assuntos tratados pelo documento são amamentação, fortificação e suplementação e sobrepeso infantil. 

 

A discussão final reforçou pontos, como a necessidade de se concentrar na prevenção de influência indevida e conflitos de interesses.

Embora ainda exista a necessidade de mais discussões para distinguir melhor entre a identificação de riscos de influência indevida de conflitos de interesses de indivíduos e instituições, destacou-se que o objetivo final de todas as medidas deve ser a preservação da integridade institucional, independência, credibilidade e confiança pública.

Para saber mais sobre esse relatório acesse aqui.



postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 11 de Abril de 2017


postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

No começo deste ano compartilhamos a experiência aplicada pela equipe do OPSAN com o título "A ressignificação do cozinhar - Um caminho para a comida de verdade", relembre aqui. Durante o mês de abril, estaremos discutindo o conflito de interesses em nossa rede, e por isso, destacamos na publicação de hoje uma das estações onde a temática foi trabalhada.

A oficina foi conduzida durante o Congresso Brasileiro de Nutrição 2016 em Porto Alegre, e contou com a participação de 50 inscritos entre nutricionistas, educadores e estudantes. Dentre as seis estações que discutiram assuntos diversos, uma foi dedicada a problematizar o conflito de interesses.

Para conduzir essa estação, a equipe decidiu que traria à tona a discussão sobre um caso real, atual e polêmico, a recente associação do chefe de cozinha Jamie Oliver, que ganhou projeção internacional ao promover uma alimentação adequada e saudável (AAS), à empresa Sadia.

A dinâmica utilizada foi a simulação de um julgamento sobre a conduta do chefe e o questionamento do julgamento era: “Há conflito de interesses na associação de um chefe de cozinha, promotor mundial da alimentação adequada e saudável, com uma multinacional, produtora de alimentos ultraprocessados, responsável por 20% da produção mundial de frangos?”. O caso dizia respeito ao Chef Jamie Oliver, mas a ideia principal era julgar o conflito de interesses e discutir a conduta de um chefe, ou qualquer outro profissional que constrói a sua imagem promovendo AAS e a utiliza associada aos interesses financeiros e mercadológicos da indústria de alimentos.

Para o julgamento, os participantes eram divididos da seguinte forma: um grupo de acusação (defendiam que existe conflito de interesse), um grupo de defesa (defendiam que não existe conflito de interesse) e um juiz. Ao escolher o juiz, antes mesmo de saber o caso, a pessoa era informada de que deveria contar com a imparcialidade para exercer esse papel.

O produto final dessa estação era o veredicto final do juiz, dizendo se existiu ou não conflito de interesse e justificando o seu posicionamento.   

Durante o julgamento coube ao facilitador moderar os grupos que passaram pela estação, e observou-se um bom engajamento da maioria dos grupos que se envolveram para embasar as argumentações de ambos os lados.

Confira a experiência completa.

  


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como o Ideias na Mesa, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 



postado por Maína Pereira em Sexta-feira, 07 de Abril de 2017

Uma série para redescobrir o prazer em comer. Samurai Gourmet é uma série japonesa da Netflix lançada no último mês cuja produção é uma adaptação do mangá Manga-han Nobushi Gourmet.

A produção conta a história de um japonês recém-aposentado que diante desse novo momento da sua vida busca descobrir alguma nova forma de aproveitar melhor seu tempo livre depois de anos de intenso trabalho.

É aí que a comida entra. Ao fazer uma caminhada sem roteiro, o protagonista permite se deliciar com uma boa refeição e percebe que pode fazer isso sempre que desejar. E mais do que isso: agir como um samurai que se deleita sem limites ou regras em um bom prato de comida.

Os doze episódios da primeira temporada falam dos aprendizados que levamos na vida, da relação de afeto que adquirimos com o tempo, de saudades, liberdade, convivência e muito prazer! Como disse Nina Horta em sua recomendação sobre a série: “Se não se puder comer do jeito que se gosta do que adianta comer?”

Confira o trailer da série:

Em tempos que vivemos uma rotina que muitas vezes deixa de lado a alimentação, a série vem enfatizar o que nosso guia alimentar estimula e nos convida a valorizar o ato de comer com atenção desfrutando com todos os nossos sentidos, além de compartilhar em companhia esse momento tão prazeroso.  

Que tal despertar o samurai que há dentro de você também?



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 06 de Abril de 2017

A Escola Pública Capital City, localizada na capital americana Washington, é uma boa representação da mistura de culturas dos Estados Unidos. Muitos de seus 981 estudantes são a primeira geração de americanos de suas famílias, que vieram de várias partes do globo. Por isso, quando a ONG 826DC decidiu publicar um livro colaborativo escrito pelos alunos do segundo ano do ensino médio, a escolha do tema da obra precisava aproveitar toda essa diversidade. O tema escolhido foi algo com o qual todos os alunos podiam se identificar, além de deixar espaço para sua expressão cultural: comida. 

Os instrutores e professores de escrita que acompanharam os alunos pediram que eles pensassem em uma receita de família com história e depois escrevessem uma redação sobre este prato. As 81 receitas e suas respectivas histórias resultaram em um Livro de Receitas de culinária mundial com um toque afetivo, revelando que a contação de histórias pode ser o passo mais importante de uma receita. 

Alguns alunos compartilharam contos de preparações que amavam e, assim, acabaram descrevendo pratos de dar água na boca "E à medida que o vapor do macarrão subia, o aroma parecia ter caído do Céu," escreveu Mark St. John Pete sobre a receita de macarrão com queijo de sua avó.

Outros acabaram escolhendo preparações que não gostavam tanto assim... "Eu acho que tamales não apodrecem, eles podem ficar na geladeira por semanas e continuarem com a mesma aparência," disse Rolando Fuentes, que acabou enjoando de tamales de tanto comer os bolinhos de milho típicos de El Savador feitos por sua mãe.

Escrever essas histórias foi de grande benefício para os alunos, que se preparam para ir para a faculdade ainda neste ano. Além de se tornarem escritores melhores, os estudantes acabaram tendo também a oportunidade de mergulhar em suas identidades e passarem tempo com suas famílias, reforçando relacionamentos antes da saída deles de casa. 

Para preencher lacunas em suas narrativas, muitos dos jovens escritores tiveram que procurar pelos membros mais velhos de sua família para obter informações. Quando eles não sabiam algum detalhe ou ingrediente da receita, os seus professores os encorajavam a conversar som sua família. "Nós dizíamos 'Vá falar com seu pai sobre isso' e quando eles voltavam nos contavam 'Eu falei com meu pai. Nós conversamos e ele me contou um monte de coisas. Eu não fazia ideia de tudo isso!'" disse Lacey Dunham, que faz parte da ONG 826DC.

No último dia do projeto, os alunos celebraram seu sucesso com um almoço comunitário - cada um levou o prato sobre o qual escreveu com tanta dedicação. Alguns até mesmo leram suas histórias para os outros. "É uma maneira divertida de fazer com que os alunos pensem criticamente sobre quem eles são," disse Zachary Clark, diretor executivo da 826DC, "contar as histórias deles por meio de um mecanismo cujo resultado é algo que todos podem comer." 

Abaixo, seguem três das receitas e histórias dos alunos que escreveram a obra Delicious Havoc!

Sopa de Quiabo, por Chidinma Lantion - Receita da Nigéria

"Minha mãe chegou a este país na noite de Haloween de 1990 (ela ainda não entende o propósito deste feriado); foi uma experiência. Ela era uma garota nigeriana de 18 anos, pequena e com olhos grandes que nunca tinha saído de seu país, mas era corajosa o bastante para ir em direção ao inesperado. Ela estava lutando por outra vida, fora das expectativas de seus pais em seu país-natal. Estava escuro e frio, e ela se sentiu como se as pequenas crianças de máscaras fossem uma projeção do que ela sentia por dentro. Ela foi para a casa de sua prima, em Rockville, Maryland, e a primeira coisa de comer que tentaram dar a ela foi pizza, mas ela não quis. Havia um excesso de sabores novos e não familiares para ela, tudo em uma fatia com a qual ela não soube lidar. O sabor era artificial. Então ela os obrigou a sair no meio da noite para comprar um pouco de Sopa de Quiabo, porque, depois de uma longa jornada para um país estranho, ela precisava de algo que a lembrasse de casa. Ela precisava da leveza do quiabo e da textura da carne de vaca para fazer com que ela soubesse que, não importava o quão longe ela estava de casa ou o quanto as coisas tinham mudado, ela teria o conforto de que a comida continuaria a mesma." 

Atole de Elote (Atole de Milho), por Jose Ricas - Receita de El Salvador

"Por mais que eu tenha nascido em 26 de Março de 1999, eu sinto que a minha vida só realmente começou quando eu tinha 5 anos de idade. Apesar de muitas pessoas dizerem que lembram de tudo desde que estavam no útero - o que, aliás, eu acho um pouco duvidoso - eu tenho algumas lembranças de quando eu era um menininho. Uma das minhas memórias mais vívidas é de beber arole de elote em um pequeno restaurante em El Salvador perto da vizinhança onde eu costumava morar. Atole de etole é feita de milho e leite. Existem algumas crenças culturais sobre o preparo do atole de elote. Crê-se que apenas uma pessoa pode misturar o atole de elote, se não o sabor será ruim, e que mulhereres grávidas e pessoas de mal humor não podem misturar a bebida também porque isso faz com que o atole de etole fique amargo."

Cháo Bòa, por Ana Nguyen - Receita do Vietnã

"Em um país cheio de várias culturas diversas, eu sempre me senti como uma exilada na escola. Quando aconteciam refeições comunitárias no Natal ou Dia de Ações de Graça, eu era aquela criança que levavam um saco de batata frita, não porque eu não podia levar um prato de comida, mas porque eu, de cultura vietnamita, vivia em uma cultura ocidental. Estou em um país principalmente dominado por comidas que minha família não tem o costume de cozinhar. Quando eu era pequena, nunca comida cereal no café da manhã. Eu o comia em raros lanches, sem leite. Nas poucas vezes que levei minha cultura para a escola, eu recebi comentários como "Tem uma cara estranha," "Me deu vontade de vomitar," e "O que é isso?"...

Um dia, dois bons amigos meus vieram a minha casa. Eles eram americanos-hispânicos comuns. Estávamos no meio de julho, em um calor de 32 graus, e era perto de meio dia. Nós três nos sentamos ao redor de uma pequena mesa de jantar na sala adjacente à cozinha. Então, minha mãe trouxe cháo para comermos. As preparações começaram em minha mente: inventei uma desculpa para minha mãe para explicar porque eles não comeriam o prato, e porque eu comeria quase tudo, e o porque eu pediria para ela não cozinhar comida vietnamita para meus amigos. Eu observei enquanto os meus amigos tomavam um pouco da 'sopa alien'. Um longo silêncio encheu a sala - na realidade, foram muitos segundos - e eu perguntei hesitante, "Como está o prato?" Para a minha surpresa, eles amaram." 

Você sabia que o Ideias na Mesa também tem livros colaborativos? O "Mais que Receitas" já tem duas edições: a primeira é composta por receitas de família e lindos relatos e a segunda traz deliciosas receitas e reflexões sobre o Sistema Alimentar. Acesse e baixe ambas gratuitamente na nossa Biblioteca! 

O post acima foi inspirado e adaptado do The Salt. 



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