Ideias na Mesa - Blog


postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

 

Muito provavelmente todas as pessoas na casa dos 20 anos em diante já assistiram ou pelo menos ouviram falar do filme "Super Size Me: A dieta do palhaço". Lançado em 2004, o documentário é considerado um dos pioneiros à denunciar de forma explícita os malefícios que o consumo de produtos industrializados trazem a saúde e apontar alguns dos responsáveis.

"Super Size Me", nome que faz alusão as porções de tamanho exagerado popularizadas com as redes de fast food, foi criado pelo diretor e também "cobaia" do próprio roteiro Morgan Spurlock. Durante trinta dias, Spurlock levou seu autoexperimento a sério e se alimentou única e exclusivamente de produtos da rede McDonald's, monitorando seu peso e exames sanguíneos antes do início e ao final do mês. O filme além das 7 premiações e outras indicações como para o Oscar de melhor documentário em 2005, rendeu ao diretor um porção de quilos extras e uma mudança radical nos exames sanguíneos.

Ainda que o filme tenha um viés mais sensacionalista e seja centrado em uma experiência individual, assisti-lo 13 anos depois de sua primeira exibição nos permite refletir sobre o cenário à época e o que (não) mudou de lá pra cá. Enquanto Morgan Spurlock explora a "dieta do palhaço" nele próprio, a trama revela a forma com que a indústria de produtos fast food impacta a saúde dos norte-americanos os levando ao patamar de país com o maior número de pessoas obesas e com sobrepeso naquele ano.

A primeira cena traz escolares cantando e dançando uma música ensaiada com os dizeres "pizza hut, KFC (marca de frango frito) e McDonald's", e a frase que se segue, ilustra o que estava por traz daquele fenômeno: "Cuide dos seus clientes e os negócios vão cuidar de si mesmos" - Rai Kroc, fundador do McDonald's. Já naquela época o filme denunciava a influência que a indústria de alimentos ultraprocessados causava no público infantil e adolescente entrando inclusive nos ambiente escolares com estratégias de marketing associadas às suas marcas. No Brasil e no mundo esse modelo também é replicado, ao passo que a epidemia global de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis continua avançando à passos largos.   

Para quem não assistiu ainda “Supersize Me” é praticamente um filme obrigatório no catálogo dos documentários sobre alimentação, e pra quem já viu, vale a pena rever com os olhos e o panorama que chegamos em 2017.


     

     

 

 

 



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