Ideias na Mesa - Blog


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.

Manoel de Barros.

O [Biblioteca do Ideias] de hoje apresenta o Caderno Metodológico para formação de multiplicadores em Segurança Alimentar e Nutricional e Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável. O material foi produzido a partir de uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, que selecionou 9 universidades brasileiras para apoiar e assessorar estados, em um arranjo regional, para a implementação do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), no ano de 2014. O Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília, OPSAN/UnB,foi selecionado para este acompanhamento na região Centro-Oeste. Os diferentes cenários políticos da região tecem uma teia de 7 contradições para a construção da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável (DHAAS) nos territórios: os desafios relacionados ao avanço do agronegócio, o uso abusivo de agrotóxicos, a violação de direitos e acesso a terra das populações indígenas e a regulação de publicidade de alimentos, são alguns exemplos. 

O Caderno de Metodologia trabalha em “parceria direta” com o conteúdo de “O Direito Humano à Alimentação Adequada e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional”, publicação de 2013 feita pela Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (ABRANDH).

Esse material apoiou um curso e agora, a RAIS/CO transformou o conteúdo teórico, em um material que dá suporte a um curso presencial participativo. Portanto, as aulas descritas se aproveitam do conteúdo desta publicação, que dá as bases conceituais para o desenvolvimento das atividades e diálogos propostos.

A apostila não está totalmente atualizada para ser um parâmetro de conteúdo para o curso proposto nessa apostila, pois o processo de implementação da política de Segurança Alimentar e Nutricional é contínuo, progressivo e permanente. A expectativa de criação e aplicação desse caderno é criar caminhos e condições críticas de aprendizado para que participantes e facilitadores atualizem as informações necessárias. Assim, o conteúdo do livro-texto serve mais para consulta e estudo do facilitador e/ou facilitadora, do que para os(as) participantes do curso. Estes poderão ter acesso, se desejarem, ao arquivo em PDF, mas não é obrigatório que o estudem. 

O desafio de um curso de formação de multiplicadores nessa temática passa pela lacuna existente sobre o que é e para que precisamos da Segurança Alimentar e Nutricional e do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável –SAN/DHAAS. Esses conceitos possuem grande capacidade de transformação quando reconhecidos pelos sujeitos envolvidos na construção e execução da Política de SAN. Importante lembrar que a Política articula processos intersetoriais, intra e interdependentes e, muitas vezes, já existentes. 

Entende-se que não há SAN/DHAAS sem a disseminação de uma cultura afirmativa de direitos. Diferente do Sistema Único de Saúde, construído a partir de ações e tensões em relação às necessidades de saúde da população brasileira nos territórios, a SAN e o DHAAS vem sendo trabalhados a partir do nível central que optou por estruturar um Sistema: Sistema Nacional de SAN com vistas a assegurar o DHAAS.

Mas onde está a insegurança alimentar e nutricional “de fato e de direito”?

Onde podemos ver suas demandas e necessidades?

Por que caminho podemos acolher as denúncias de violações do direito humano à alimentação adequada e saudável?

Qual a rede de equipamentos públicos e serviços que constituem o SISAN?

Como revelar à sociedade que a alimentação, assim como a saúde e a educação no Brasil, são direitos sociais e como tal, devem ser monitorados pela sociedade para sua garantia?

Estas e outras tantas perguntas, são provocações deste curso para que os sujeitos e atores sociais do cenário nacional possam buscar caminhos e se juntar a esta luta. O curso propõe 15 encontros presenciais e suas atividades foram desenvolvidas pensando no mínimo custo para aplicação.

Conheça essa apostila aqui.

 



Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui