Ideias na Mesa - Blog


postado por Maína Pereira em Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

aprender a cozinhar

Se a cozinha fosse uma língua, qual seria o seu nível de fluência ou o seu sotaque? O desenvolvimento de habilidades culinárias tem sido recomendado como estratégia de superação dos obstáculos para se obter uma alimentação mais adequada e saudável. Além disso, o ato de cozinhar pode ser um momento prazeroso e de muitas descobertas que marcam histórias e gerações.

Para refletir um pouco sobre a linguagem da cozinha, delicie-se com esta crônica de Nina Horta:

“Só conseguindo reunir as peças da comida em alguma coisa bem aceitável quando se aprende as técnicas básicas, quando se lê muito (melhor dizendo, quando se vive muito), quando se tem o olho vivo e a língua curiosa, quando o erro é o melhor condutor, quando se quebra a cabeça misturando os ingredientes com muita obediência e outras vezes com liberdade total.

Quem se lembra do primeiro semestre da faculdade, quando o sociologês, o filosofês, o antropologês eram um obstáculo desolador, quase impossível de ser resolvido? E, dois anos depois, Deus nos perdoe de jargões tão feios, falávamos felizes em epistemologia, doxa, duração, hubris, como se fosse a lista do supermercado? Ou uma língua como o alemão, que se apresenta como muralha e vai ver é a mais fácil de todas?

A linguagem oculta da cozinha também pode ser um obstáculo. É preciso estuda-la como estudamos qualquer outra matéria. Claro que alguns terão mais facilidade do que outros, alguns vão parecer que nasceram sabendo, alguns vão desistir e mudar de rumo, tudo igualzinho às outras disciplinas do vestibular. É preciso estudo, experiência, memória, imaginação, abertura, prazer, ritmo, astúcia e visão da comida como uma língua a se aprender e que devemos interpretar segundo nossas possibilidades e vivências.

E não é maravilhoso que não exista um cozinhês? Grande vantagem. Um bom feijão grosso todo mundo entende. Quase todo mundo.” (Linguagem da Cozinha, Nina Horta)

E que tal estudar essa matéria tão saborosa? Já parou para pensar em como a cozinha torna-se um ambiente de aprendizagem repleto de ferramentas e materiais para experimentar? Estar na cozinha e se aventurar é uma forma de se conectar com a comida e toda sua simbologia, envolve afeto, emoções, histórias, pessoas em uma variedade de ingredientes culinários. É uma prática que quanto mais exercida gera mais autonomia. E não existe um cozinhês, você vai descobrindo e se expressando da sua maneira, no seu ritmo, do seu jeito. Por isso, vale a pena se arriscar e descobrir sua própria linguagem da cozinha!



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