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postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 08 de Março de 2017

Hoje, no dia 8 de março, muitas acordaram com mensagens de "parabéns pelo seu dia" no feed do facebook ou por mensagens no whatsapp e seguiram algumas tradições de comemorativas com rosas, músicas e discursos bonitos, mas que às vezes, ainda guardam algumas palavras opressoras que passam despercebidas em momentos de festa. Na verdade, o dia hoje é de muita reflexão. Que não só as mulheres, mas que todos reflitam sobre a retirada de direitos, sobre os casos de femincídio, sobre a cultura do estupro, sobre a desigualdade nos ambientes de trabalho, sobre "piadas" e discursos machistas, enfim hoje é dia de lutar por TODOS os direitos das mulheres! #nenhumdireitoamenos

E para essa discussão, o [Biblioteca do Ideias] de hoje compartilha uma cartilha com reflexões e propostas, produzida pela FIAN Colômbia com o título "O Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável das Mulheres: expandindo horizontes para a construção da cidadania pela".

Segundo Maria Emília Pacheco, Presidente do Consea, no Dia Internacional da Mulher devemos nos questionar sobre:

- Como atuam as mulheres na defesa e promoção da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional?

- Que obstáculos superar para garantir a igualdade nas relações sociais de gênero?

- Que propostas e mecanismos inovar ou aperfeiçoar para a efetivação dos direitos das mulheres na Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional? 

E essa cartilha da FIAN contribui para refletirmos sobre esses questionamentos.

O documento faz parte das discussões da FIAN Colômbia que trabalha para, por e com as mulheres, com o objetivo de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável(DHAA). O trabalho desenvolvido pela FIAN Colômbia busca debater com as mulheres alguns paradigmas do pensamento de caráter predominantemente eurocêntrico, totalitário e familicista, buscando desvendar as desigualdades históricas das mulheres e seu compromisso com a transformação de um sistema de opressão patriarcal, que envolve o DHAA, tal sistema é encontrado no meio de grupos armados, tráfico de drogas, apropriação de terras, de monoculturas de dendezeiros e cana-de-açúcar, de um Estado fraco, oligárquico e corrupto.

A partir dessa experiência, a FIAN produziu essa cartilha que tem como objetivo contribuir para o monitoramento do  DHAA a partir do enfoque dos Direitos Humanos das Mulheres. Busca também, além da categoria de gênero, fornecer ao leitor uma análise das experiências, lugares e diferentes sistemas (sexo / gênero, raça e classe) relacionados à alimentação, que estão ao redor das mulheres. Nesse sentido, o dcumento se afasta de posições tradicionais para avançar em uma leitura feminista da lei, colocando o patriarcado e o capitalismo como os principais obstáculos para o avanço da cidadania plena, que permite a garantia do DHAA das mulheres, de sua autonomia e soberania alimentar.

A cartilha se dirige a mulheres, líderes de organizações, Universidades e ao público em geral com interesse em acompanhar importante relação entre as mulheres e o DHAA. Ela é composta por quatro partes que tratam de questões como a situação alimentar das mulheres, os regulamentos relacionados a esse direito e como são abordados; e, por fim, sugere um instrumento que visa acompanhar o status do DHAA das mulheres e das políticas ou ações públicas relacionadas às mulheres, permitindo a exigibilidade política e social do DHAA.

O DHAA, a partir de uma perspectiva dos Direitos Humanos das Mulheres, confronta a questão da desigualdade entre os sexos em todas as escalas e dimensões sociais, econômicas e culturais para garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.

Assim, a discussão sobre o DHAA das mulheres é muito mais do que estar "livre da fome" ou estar em situação de "segurança alimentar". Ela significa desfrutar de uma vida digna, em que a alimentação não é ameaçada ou restrita, e se desenvolve respeitando as decisões autônomas das comunidades e das mulheres que decidem como será seu sistema alimentar; isto é dizer o que produzem, o que trocam, de que maneira processam os alimentos, como comem, como os ciclos alimentares são recriados, e como tudo isso se desenvolve harmonicamente com as culturas, com a natureza e com o direito das gerações futuras aproveitarem também as condições necessárias para garantir o abastecimento.

Portanto, o DHAA das mulheres implica no próprio reconhecimento delas como sujeitos políticos, autônomos e dignos que participam e decidem sobre as etapas do sistema alimentar (produção, comercialização e marketing, processamento, consumo e utilização biológica), nas áreas público e privado. Exigindo assim, o acesso a uma alimentação justa e o reconhecendo como direito, assim como o acesso à saúde, à educação, à terra e ao trabalho.

As mulheres são as principais produtoras de alimentos e compõem este grupo indígenas, camponesas, operárias e trabalhadoras afrodescendentes que muito contribuem para a produção de alimentos.

Dentro dos processos de luta por sua identidade, podem persistir tensões de caráter etnocêntrico e essencialista, de caráter endógeno e exógeno, pelo direito à terra, à soberania alimentar, ao reconhecimento pela contribuição das mulheres em torno do DHAA. Atualmente, as lutas das mulheres pelo DHAA, com vistas à cidadania plena, devem ser compostas por uma diversidade de mulheres, detentoras de múltiplos saberes e que vivem nos mais diversos locais.

A luta pelo DHAA das mulheres busca expandir os horizontes da cidadania plena dentro de uma democracia que permite o reconhecimento, redistribuição e justiça para as mulheres!

Confira o documento completo aqui



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

No contexto da sociedade brasileira não é incomum encontrar véus que dividem as classes, as raças, etnias e gêneros. Violências do mais diversos tipos, são algumas das diferenças que estes grupos muitas vezes enfrentam. 

Devido ao processo de construção social ou muitas vezes familiar desde a infância, é comum que se doutrine, mesmo que subconscientemente, os indivíduos à projetarem suas personalidades conforme as expectativas socialmente tidas como "normais". Sobre o gênero feminino, com o passar do tempo, ficou incumbida a tarefa de manutenção da instituição familiar, as tarefas domésticas e, por consequência, da alimentação de seus próximos. 

Uma refeição em família é, para muitos, um momento de reunião do núcleo familiar já que a exaustiva jornada de trabalho tende a distanciar o contato entre pais, filhos e cônjuges. Naquele momento trocam-se memórias, divertem-se juntos, comem e bebem, e são realizadas as interações que os laços familiares. Nesse contexto, o [Biblioteca] de hoje destaca o livro Mulheres do recanto: Antes de saber o que eu como, deixa eu contar como eu vivo. 

O livro, tem como objetivo apresentar o processo de ensino-aprendizagem e as repercussões da ação de Educação Alimentar e Nutricional desenvolvida com dois grupos de mulheres da cidade do Recanto das Emas. É fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido por educadoras/pesquisadoras do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), mediante financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A intenção da equipe de educadoras/pesquisadoras era compreender o contexto e as dinâmicas da alimentação na perspectiva de gênero e realizar uma ação de EAN que fosse planejada e executada com a participação ativa das pessoas envolvidas, à luz do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas (MREAN), publicado em 2012. Assim, por meio de um conjunto de oficinas, as diferentes dimensões do espaço social alimentar foram abordadas, discutidas e registradas em imagens, sons e documentação cartográfica.
O documento está disponível, inteiramente, em nossa Biblioteca.




postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 08 de Junho de 2016

Você conhece as mulheres camponesas do interior paulista atingidas por barragens que passam por dificuldades na produção e comercialização de seus produtos?

E as mulheres indígenas e quilombolas que lutam por mudanças no cardápio das escolas?

O [Biblioteca do Ideias] de hoje apresenta o caderno "Mulheres do campo construindo autonomia - experiências de comercialização" que traz essas e outras histórias de grupos de mulheres que enfrentam dificuldades para se inserir em mercados formais de distribuição de alimentos. 

As mulheres no Brasil têm papel fundamental na agricultura familiar, sendo responsáveis por boa parte dos alimentos consumidos pela população brasileira, como 87% da mandioca e 70% do feijão. Elas também promovem a agroecologia, produzindo alimentos saudáveis e diversificados, sem utilizar agrotóxicos, conservando as sementes, cultivando plantas medicinais e contribuindo para o fortalecimento da biodiversidade. Mas, apesar da representatividade e dos benefícios da presença feminina na produção de alimentos, elas ainda encontram dificuldades para se inserir no mercado, como protagonistas de sua própria produção.

Essas foram alguma reflexões que motivaram o seminário “Gênero e Mercados Inclusivos” promovido pela agência ecumênica de cooperação britânico-irlandesa Chirstian Aid e seus parceiros: Sempreviva Organização Feminista (SOF), Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Realizado em 2015, na cidade de São Paulo, reuniu cerca de 25 mulheres entre agricultoras familiares, indígenas, trabalhadoras assentadas, atingidas por barragens e representantes dessas entidades e movimentos. Por dois dias, foram discutidas estratégias e desafios para a auto-organização, produção e comercialização, dando visibilidade à contribuição econômica das mulheres e fortalecendo-as nesse processo.

O caderno "Mulheres do campo construindo autonomia - experiências de comercialização" é resultado desse encontro e traz reflexões sobre o tema, a partir de diferentes experiências de grupos de mulheres rurais de todo Brasil.

O ponto inicial de reflexão é que para compreender as desigualdades entre homens e mulheres no acesso aos mercados institucionais, é necessário, em primeiro lugar, reconhecer a importância econômica do autoconsumo, da doação e da troca, além da essencial contribuição feminina com todo o trabalho de cuidado da casa, das pessoas e da natureza. Nesses debates, ficam claras as inter-relações entre a autonomia econômica, política e pessoal das mulheres, como processos simultâneos, um sustentando o outro.

Assim, compõem o caderno assuntos como a agricultura familiar, agroecologia, autoconsumo, cooperativas, economia solidária, entre outras práticas de grande relevância para as mulheres, abordando seus desafios e potencialidades.

Leia o caderno na íntegra aqui.



postado por Débora Castilho em Sexta-feira, 20 de Maio de 2016

“A contribuição econômica das mulheres do campo muitas vezes se oculta em relações que não necessariamente passam pelo dinheiro, como autoconsumo, trocas e doações daquilo que elas produzem. Retirar do próprio quintal quase toda a alimentação da família, intercambiar com a vizinha hortaliças por ovos, produzir plantas medicinais que substituem medicamentos, presentear com frutas parentes e amigos que vêm visitar no final de semana. São algumas atividades corriqueiras das mulheres rurais, cujo significado econômico nem sempre é levado em conta (Mulheres do campo construindo autonomia. Experiências de comercialização, 2016).”

 

 

O [Comida na Tela] de hoje traz o curta-metragem "Semeando autonomia". Em animação, o curta-metragem sobre mulheres rurais, foi produzido pela Maria Baderna Filmes para a Christian Aid com o apoio da Sempreviva Organização Feminista (SOF)  e outras entidades.

Em menos de dez minutos, “Semeando autonomia” traz a história de Maria e sua descoberta das possibilidades de produção e comercialização de alimentos a partir de seu próprio quintal. O vídeo incentiva a valorização das mulheres no campo e faz referência a programas de grande relevância, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de incentivar a participação em feiras e a auto-organização das mulheres em grupos.

O curta teve base nos acúmulos do seminário sobre gênero e mercados inclusivos, que reuniu em 2015 mulheres rurais representantes de diversas entidades e estados. Também foi fruto deste projeto a publicação “Mulheres do campo construindo autonomia”.

 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 09 de Março de 2016

Sabemos que o lugar das mulheres é onde elas quiserem, seja dentro de um escritório, um laboratório cientifico, dirigindo um ônibus, mas é inegável o papel pioneiro que estas possuem no cozinhar e na alimentação.

Mas como disse a agrônoma Miriam Nobre, em sua entrevista para a 6ª Revista Ideias na Mesa: “Gostaria muito que a gente exercitasse mais o cozinhar coletivamente”, e que o cozinhar não seja reduzido à figura da mulher e perpetue mais preconceitos e estigmas.

Contudo, como já dito, o protagonismo no cozinhar ainda é feminino, principalmente nas cozinhas das escolas e creches de todo o mundo, com a figura das merendeiras.

Dessa forma, hoje na [Biblioteca do Ideias] trazemos o Manual da Merendeira,  para valorizar e colaborar ainda mais o papel dessas mulheres, assim como a sua função de alimentar as/os estudantes.

O PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) compreende o papel que a merendeira desempenha como agente condutora das técnicas adequadas para o preparo da merenda e das informações sobre os bons hábitos alimentares.

Sabido uma alimentação saudável e adequada é e extrema importância para o rendimento das/dos estudantes em sala de aula.

O Manual conta com algumas noções sobre alimentação e nutrição, orientações para a elaboração do cardápio escolar, cuidados sobre a higiene pessoal e dos alimentos, dicas para o armazenamento dos gêneros alimentícios, entre outros.

 

 

Confira todas essas dicas e orientações do Manual da Merendeira completas na [Biblioteca do Ideias].



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 14 de Agosto de 2015

Como foi noticidado por todo o Brasil, aconteceu em Brasília, nos dias 11 à 13 de agosto a Marcha das Margaridas, cujo lema foi: “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”.

Aproveitando essa temática o [Comida na Tela] apresenta hoje o documentário "As Sementes", uma produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O filme reúne inúmeros relatos e experiências de mulheres protagonistas do movimento agroecológico por todo o Brasil, como no Assentamento Mulunguzinho no Rio Grande do Norte, o Assentamento Dandara dos Palmares na Bahia, entre outros.

 

O cenário construído pelas mulheres e a agroecologia modificou a cultura da exploração que permeava esses lugares, onde explorava-se as mulheres, a terra e a natureza. Contudo pelo pilar agroecológico isso foi modificado ao longo dos anos e refletiu mudanças sociais, econômicas, culturais e ambientais, visíveis nas comunidades e principalmente na vida dessas mulheres. 

  

Através de políticas públicas e incentivos governamentais e não-governamentais, como o PAA e o Pnae, essas mulheres modificaram suas realidades e conquistaram autonomia para viver no mundo público e estabelecer uma nova relação com o meio ambiente, garantindo a sua segurança alimentar e nutricional e de toda sua família. 

"Eu acho que a agroecologia para mim virou isso, virou você pensar no futuro, o futuro sem aquecimento global, o futuro pensando em tudo que você possa imaginar que é natureza", diz uma das agricultoras no filme.

Você pode conferir esse documentário completo na [Biblioteca do Ideias], clicando aqui.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

Valorizando o papel das mulheres roceiras, doceiras, poetisas, feirantes, trabalhadoras rurais e urbanas dentro do contexto da educação alimentar e nutricional o [Pensando EAN] e aproveitando 5ª Edição da Marcha das Margaridas que tem por lema esse ano: “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”abordará algumas reflexões da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia: Mulheres roceiras, mulheres doceiras e as muitas mulheres que convivem numa só, sobre o papel dessas mulheres em seus contextos sociais e familiares com a alimentação.

É inegável o papel da mulher, seja nossa avó, mãe ou tias, dentro da cultura e na formação da identidade alimentar de nossas vidas. O papel das mulheres como produtoras de bens, gestoras do ambiente e portadoras de uma lógica não destruidora da natureza, já é visto como fundamental dentro de nossa sociedade e mostrou-se necessário a necessidade do empoderamento destas perante a sociedade, dando-lhes autonomia econômica, cutural e política.

Cora Coralina, doceira, poeta e agricultora, partilhou a ideia de que várias mulheres convivem numa só: “vive dentro de mim a mulher cozinheira (…); a mulher do povo (…); a mulher roceira, (…), trabalhadeira, madrugadeira, bem parideira, bem criadeira (…)”

Cora, escritora exímia e doceira de mão cheia, que sempre trouxe em suas poesias referências e um resgate ao comer, militou em diversas causas a favor da mulher, entre as quais, o voto feminino e sua história é revivida repetidas vezes sem perder a força e graça na vida de mulheres do campo.

"É o caso de Dona Juju, de 69 anos, moradora do município de Magé, Região Metropólitana do Rio de Janeiro. De família de agricultores, nasceu e foi criada na roça. Já foi cozinheira, costureira, garçonete, serviu cafezinho na rádio Tupi, onde até fazia comentários no ar, mas foi na lavoura que encontrou motivação e prazer. Juju conta das dificuldades em ser reconhecida como agricultora tanto pelo sindicato rural como pelas entidades governamentais de assessoria técnica. O caminho para se manter na roça começou pelos doces. Numa cozinha comunitária, junto com as amigas Lourdes e Guida, transformou sua colheita em geleias e compotas". 

"Mesmo em meio aos vários papéis que exercem no dia a dia, essas guerreiras não perdem a força nem o riso. Sempre sorriem quando olham para o futuro. E se são indagadas sobre o que é ser agricultora, as roceiras, doceiras e feirantes, descobrem-se poetas. A poesia também é para comer. Se a comida alimenta o corpo, as palavras alimentam a alma". 

De acordo com Renata Souto, assessora técnica da AS-PTA revela o quanto os quintais domésticos são relevantes para autonomia dessas mulheres e que a agricultura urbana deve ser incentivada: “O quintal é o lugar da segurança alimentar, da tradição, da complementação da renda da família e de estratégias de conservação da biodiversidade”.

"No lugar onde florescem frutos e folhas que alimentam e cuidam de suas casas, florescem as oportunidades para superar as condições desiguais das relações sociais de gênero". 

O reconhecimento da mulher na produção de alimentos vem sendo reivindicada e discutida com maior abrangência tanto nas organizações da sociedade civil e Estado e hoje inúmeras políticas públicas visam diminuir essas disparidades de gênero que existem, principalmente entre mulheres e homens do campo, ressaltando a sua importância em busca da segurança alimentar e nutricional e de uma alimentação saudável e adequada a todos. 

"Essa é uma luta constante, em que as mulheres, tal como escreveu Cora Coralina, vão descobrindo as muitas mulheres que convivem numa só. É a roceira, a doceira, a gestora do ambiente, a empoderada, a militante, a engajada, a guerreira, a batalhadora e vencedora, que estão sempre em marcha".

 
 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 06 de Maio de 2015

Em março deste ano o Ministério do Desenvolvimento Agrário lançou a “Coletânea sobre estudos rurais e gênero – Prêmio Margarida Alves 4ª Edição – Mulheres e agroecologia” que dá visibilidade às práticas agrícolas desenvolvidas pelas mulheres rurais, que representam 47,9%, segundo o IBGE, de toda a população rural do país.

As suas práticas são fortes ferramentas para estimular a igualdade de gênero na agricultura e na sociedade em geral e acaba gerando um espaço de visibilidade às lutas dessas mulheres se firmarem como protagonistas de transformações no meio social e cotidiano.

A Coletânea lançada dialoga com as políticas públicas desenvolvidas pelo governo federal que visam estimular a agroecologia e a produção de orgânicos no país, como o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, executado pelo MDA, além de outras. Contudo o foco de todas é o mesmo, estimular o desenvolvimento da agroecologia em conjunto com uma economia feminista solidária e a segurança alimentar e nutricional.

“A agroecologia é instrumento de empoderamento das mulheres, é resistência e mecanismo de superação da dominação patriarcal, se vista sob a ótica feminista” diz Magnólia e Sarah, autoras de um dos ensaios que fazem parte da publicação.

Essa edição da Coletânea aborda trabalhos com temas diversos como: protagonismo das mulheres na produção e comercialização agroecológica, saberes tradicionais, políticas públicas, organização social, articulação em redes, entre outros.

Por finalidade esses temas buscam promover o papel das mulheres dentro do movimento agroecológico e como a participação de acadêmicas (os), das trabalhadoras rurais e das entidades representativas podem desenvolver políticas públicas que fortalecerão os movimentos de mulheres, da segurança alimentar e nutricional e da agroecologia.

O Prêmio Margarida Alves de Estudos Rurais e Gênero e a coletânea de artigos são promovidos pelo MDA – por meio da Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais e Quilombolas (DPMR) e do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) –, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O nome do prêmio é uma homenagem a Margarida Maria Alves, a primeira mulher eleita, em 1973, para a presidência do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Em plena ditadura militar, Margarida foi uma das pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais. Ela tornou-se um símbolo político e tem seu nome carregado em uma marcha que reúne todos os anos, em Brasília, no dia 12 de agosto, milhares de mulheres trabalhadoras rurais: a Marcha das Margaridas.

Confira essa coletânea de trabalhos aqui na Biblioteca do Ideias!



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