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postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Alimentação e arte são campos do conhecimento que possuem grande afinidade apesar de serem distintos. Em outras postagens nós evidenciamos a relação entre estes saberes a partir de obras que são feitas usando alimentos como tema principal para suas composições, relembre: Paisagens comestíveis, última refeição, alimentação e surrealismo.

No quadro de hoje apresentamos algumas obras do prestigiado artista contemporâneo brasileiro Vik Muniz. Nascido em 1961 na cidade de São Paulo, o artista mudou-se para Nova York na vida adulta onde abriu seu próprio ateliê. Consagrou-se no cenário internacional ao criar suas obras a partir de materiais inusitados como arames, linha, resto de obras e lixo. Além destes materiais, Muniz criou retratos usando açúcar e chocolate, associando arte e alimentação.

A série de 6 retratos que compuseram a amostra “Crianças de Açúcar” em 1996 impulsionou a carreira do artista internacionalmente. Ela foi produzida a partir do contato de Vik com crianças caribenhas filhas de plantadores de cana. O artista ficou sensibilizado ao ver de perto a vida dura que os trabalhadores levavam nos canaviais, e principalmente das crianças que os acompanhavam. A escolha de usar açúcar na composição se deu justamente por ser o produto produzido por estes trabalhadores, e também uma maneira de instigar os espectadores de que apesar do dulçor do açúcar a vida destas crianças não é nada doce.

É possível analisar o conteúdo das obras sob o olhar da Segurança Alimentar e Nutricional. A exposição do artista já traz este conceito, uma vez que os pais trabalham em uma monocultura de cana, vivendo em condições não favoráveis, e as crianças bastante magras. Apesar de não ter sido feito nenhum acompanhamento de profissionais da saúde, é possível inferir a partir da observação as vulnerabilidades socioeconômicas e nutricionais as quais as crianças estavam expostas.

Um ano após Crianças de Açúcar, Vik Muniz criou a série “Quadros de chocolate”. O que o motivou foi a parte sensorial e interativa de criar obras com um elemento comestível. Nas palavras do artista: “Chocolate nos faz pensar em amor, luxúria, romance, obesidade, escatologia, manchas, culpa, etc. – associações que, sem dúvida, provocam um curto-circuito no significado da imagem original de que eu me sirvo para desenhar”.

            

A série “Fotos do Lixo, 2008” foi sem dúvida um dos trabalhos de maior expressão do artista, gerando um documentário riquíssimo chamado “Lixo Extraordinário, 2010”. As fotos, a partir de montagens com o lixo, foram tiradas no lixão de Jardim Gramacho em Duque de Caxias – RJ, e tiveram como objetivo expor as condições de vida precária na qual os catadores de lixo vivem.

As obras de Vik Muniz estão intimamente relacionadas com o tema alimentar, seja diretamente através de obras que remetem a questões de SAN e da relação com o alimento através do imaginário sensorial, ou da poluição do solos e água que influenciam negativamente na produção e consumo. 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 16 de Julho de 2015

No mês de maio fizemos uma publicação a respeito da campanha da Organização das Nações Unidas para Alimentação que elegeu 2015 como o Ano Internacional dos Solos, relembre. A entidade realizou uma competição fotográfica no Instagram intitulada #soils4life – solos para vida, livre tradução – com o intuito de retratar os solos com suas potencialidades mas também práticas abusivas que geram degradação.

Você pode conferir as vinte fotos mais curtidas na conta do Instragram @UNFAO. Foram escolhidas três fotos vencedoras que foram selecionadas com base na quantidade de curtidas. Os vencedores verbalizaram o que a foto significou para eles:

Solos: uma potente fonte de vida

Xavier Eduardo Carrera Huerta, Honduras

 

“Nesta fotografia eu estou tentando expressar o poder da natureza frente a exploração humana. Os solos são a fonte de toda a vida e alimentos, mas eles estão sofrendo por consequência da expansão populacional, escassez de recursos naturais e produção extensiva de alimentos. Na Universidade, nós estamos aprendendo constantemente sobre métodos de conservação do solo e como lidar com esta delicada fonte. Como parte de trabalhos no meu curso, eu tenho participado em projetos em comunidades vizinhas para aumentar a conscientização sobre a importância dos solos e as maneiras as quais produtores podem produzir grandes quantidades de alimentos saudáveis sem danificar o solo!”.    

A importância de um manejo sustentável do solo  

Jorge Stiven Chanaluisa Saltos, Honduras

“Esta foto transmite a importância de uma agricultura sustentável e o papel da humanidade em otimizar a produção, devendo ao mesmo tempo proteger e preservar o solo. O solo é a base de tudo. Nele a vida se desenvolve e evolui. É uma importante fonte de alimentos naturais. Sem o solo nós não temos nada, nós não existiríamos e nem teríamos evoluído. Eu estudo na Zamorano, uma Universidade que produz conhecimento para os jovens da América Latina preservarem e tratarem o solo de maneira sustentável. Eu estou aprendendo novas técnicas para quando eu tiver oportunidade aplicar todo conhecimento adquirido para evitar a exploração do solo.”

Poluição do solo e não-reciclagem

Milyaev Konstantin, Russian Federation

“Nesta foto eu estou chamando atenção para o problema da falta de reciclagem e poluição do solos férteis que afetam vários países em desenvolvimento. A poluição dos solos está trazendo um impacto extremamente negativo no meio ambiente e nos nossos alimentos, precisando ser solucionada imediatamente. Quando meus pais se aposentaram eles se tornaram fazendeiros. O problema da poluição e degradação dos solos sempre foi uma preocupação para nós. Por um período de dez anos nós recuperamos a nossa terra para que ela produzisse alimentos para alimentar nossa família. O manejo sustentável do solo foi central nesse processo. Eu e meus amigos estamos tentando solucionar estes problemas em nossa região. Eu estou feliz que através desta competição a FAO está chamando atenção para os solos e a necessidade de preservá-los.”

Projeto Kagera – Solos saudáveis para uma vida saudável

O vídeo apresenta a realidade de uma região estratégica no leste da África localizada na fronteira entre quatro países. Um bom controle do regime dos níveis de água é fundamental para o desenvolvimento da região, uma vez que 16 milhões de pessoas vivem na localidade e a maioria depende da pesca e produção de alimentos para sobreviver.    

O projeto ajudou um grupo de 30 produtores a melhorar a produção de alimentos através da instalação de poços artesianos e sistemas de canos. Eles se alimentam com um terço do que produzem e vendem o resto. Além disto, o projeto fomenta práticas agroecológicas que visam a melhoria das condições do solo como a cobertura com matéria orgânica que otimiza a utilização de água e evita a degradação.

O projeto de Manejo Agroecológico entre Fronteiras é um exemplo de sucesso que está mudando a realidade de uma grande quantidade de indivíduos e dando sentido ao conceito de “solos saudáveis para uma vida saudável”.  



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 09 de Julho de 2015

Friedrich Nietzsche já dizia que "Sem a música, a vida seria um erro". Neste sentido, o professor do IF Baiano Sérgio Ricardo Matos Almeida possuí uma proposta bastante interessante utilizando-se da música como ferramenta de ensino em sala de aula.

O trabalho já vem sendo realizado pelo professor há alguns anos, e consiste na divulgação de informações técnico-científicas em forma de versos rimados e síntese de assuntos de Agroecologia abordados em sala de aula. Esta metodologia foi denominada por Sérgio como "Pedagogia da rima" e apresenta grande aceitação entre os estudantes.

No final de maio Sérgio lançou um CD com 8 músicas durante o III Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em Recife - PE. Você pode conferi-las gratuitamente acessando seu canal no youtube. O primeiro CD apresenta faixas sobre os seguintes temas: Agroecologia e Agricultura Orgânica,Tecnologia Tropical, O Solo é um Ser Vivo, Teoria da Trofobiose, Leis da Adubação, Água nossa de cada dia, Canção da Manipueira e O Espelho de Gandhi.  

Neste vídeo sobre trofobiose por exemplo em um dos trechos da música fala sobre os impactos negativos das monoculturas: "Se criam pragas e doenças pelo desequilíbrio, é lógico, ambiental e nutricional e pelo uso de agrotóxicos".

Já neste vídeo as vantagens da agricultura agroecológica e orgânica são abordadas: "Agricultura orgânica é pratica de valor, pois protege a saúde do sábio agricultor. Não usa agroquímicos, produz sem contaminar. Conserva o ambiente a terra, a água e o ar".

A Pedagogia da Rima se mostra como uma ferramenta de educação inovadora que pode aumentar o interesse dos estudantes pelo tema da agroecológico e da alimentação saudável. Além disto, ela pode se configurar como uma estratégia de Educação Alimentar e Nutricional ao passar conceitos.  



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 02 de Julho de 2015

Que as abelhas produzem um delicioso e nutritivo mel não é novidade para ninguém, mas você sabia que sem estes pequenos insetos a formação de várias espécies vegetais estaria comprometida?  

As abelhas tem um papel crucial na polinização das flores, o que significa dizer que elas têm uma relação direta com a produção e diversidade de alimentos. Sem estes insetos, inúmeras plantas que servem de alimentos tanto para nós humanos quanto para outros animais, teria tamanho e formas reduzidas ou até mesmo deixariam de existir.

Em outro momento fizemos uma postagem mostrando os impactos que estavam acontecendo a partir da diminuição do número de abelhas no Brasil, relembre. 

Este animal é extremamente sensível em virtude de seu pequeno porte, logo, alterações na natureza como o uso intensivo de agrotóxicos nas lavouras resultam na eliminação de colônias de abelhas com consequente diminuição da polinização de flores. O prejuízo ambiental principalmente nas populações de abelhas foi identificado pela Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA) através de estudos ao longo de 15 anos. Os resultados foram tão sérios que levou recentemente ao banimento de determinados pesticidas na França.

No Brasil as espécies mais comuns são: Mellifera europeia (comumente conhecidas, amarelas e pretas) com ferrão, e as sem ferrão: Irapuã, Jataí e Mirim.

Reconhecendo a importância deste animal no ecossistema e na produção de alimentos, o [Mais que Ideias] de hoje mostra o projeto de caixas de abelha ecológicas. Idealizado por pai e filho australianos que trabalham há alguns anos com a produção caseira de mel, o desafio era desenvolver um método de produção que agredisse menos as abelhas. As caixas convencionais exigem o manuseio de uma série de etapas que acabam por resultar em estresse e morte de algumas abelhas.

O resultado é apresentado no vídeo abaixo onde eles explicam como o processo funciona. Apesar de o áudio ser em inglês é possível selecionar legendas em português na opção de configuração no canto inferior direito da tela:

A importância destes pequenos seres na nossa vida através da polinização que auxilia na produção de alimentos é bem definida pelos criadores do projeto: “Nós nos desenvolvemos conjuntamente com as colônias de abelhas em uma relação simbiótica. A gente cuida delas e elas polinizam as nossas plantações, e é claro, produzem um delicioso mel”. 

Para quem se interesar o projeto "Bee or not to be?" lançou uma cartilha educativa intitulada Sem Abelha Sem Alimentos, trazendo informações e curiosidades sobre estes pequenos animais.  



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Quem nunca ouviu uma música de Luiz Gonzaga? Ainda mais nessa época de festa junina é quase impossível né?!

Já reparou o tanto que Gonzaga canta as práticas alimentares do Nordeste em suas músicas?

Foi o que analisou a doutora em educação, Ariza Maria Rocha, em seu artigo: Luiz Gonzaga canta as práticas alimentares do nordeste do Brasil, caracterizando a obra como um documento histórico e uma fonte inesgotável para conhecer o “de comer” do nordestino.

O Rei do Baião, como é conhecido em todo o Brasil, cantou com primazia a cultura nordestina, os saberes, hábitos e práticas que envolvem a alimentação da região, com a presença dos alimentos típicos, das feiras características e até algumas festas tradicionais.

"A música tem o poder de expressar os sentimentos, revelar a memória, conhecer as representações sociais, o contexto político e o imaginário popular, além da capacidade de dialogar com o conhecimento histórico"

Por exemplo na música "A Feira de Caruaru", predomina elementos das feiras, alguns alimentos típicos, como a mandioca, o pirão mixido, o angu entre outros, veja no trecho da música abaixo:

A Feira de Caruaru / Faz gosto a gente vê / De tudo que há no mundo / Nela tem pra vendê / Na feira de Caruaru / Tem massa de mandioca / Batata assada, tem ovo cru / Banana, laranja, manga / Batata, doce, queijo e caju / Cenoura, jabuticaba / Guiné, galinha, pato e peru / Tem bode, carneiro, porco / Se duvidá... inté cururu / Tem cesto, balaio, corda / Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu /Tem fumo, tem tabaqueiro / Feito de chifre de boi zebu / Caneco acuvitêro / Penêra boa e mé de uruçú / Tem carça de arvorada / Que é pra matuto não andá nu / Tem rêde, tem balieira / Mode minino caçá nambu / Maxixe, cebola verde / Tomate, cuento, couve e chuchu / Armoço feito nas cordas / Pirão mixido que nem angu / Mubia de tamburête / Feita do tronco do mulungu / Tem louiça, tem ferro véio / Sorvete de raspa que faz jau / Gelada, cardo de cana / Fruta de paima e mandacaru / Bunecos de Vitalino / Que são cunhecidos inté no Sul / De tudo que há no mundo / Tem na Feira de Caruaru (ALMEIDA, 1957. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Gonzaga cantou também elementos bem característicos da cozinha nordestina, como na música "Feijão cum côve", registrando a presença de alimentos que complementam as refeições, como a manteiga, banha ou o açucar:

Ai que será? / Tenho prantado / Muita côve no quintá / Ai o que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? / Cadê a banha? / Pra panela refogá / Cadê açúcar? / Pro café açucará / Cadê manteiga? / Leite e pão / Onde é que tá? / Cadê o lombo? / Cadê carne de jabá? / Já tou cansado / De escutá o doutor falá / Que quarqué dia / As coisas têm que melhorá / Sem alimento / Num se pode trabaiá / Por que será? / Feijão com côve / Que talento pode dá? (GONZAGA; PORTELLA, 1946. In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Na música "Farinhada", o cantor traz a mandioca, alimento tão apreciado na região. "É da mandioca que sai a goma, a farinha, o beiju, a tapioca e os bolos, que são muito apreciados pela região. A transformação da mandioca para o produto final acontece nas Casas de Farinha, e esse processo que compreende desde a colheita da mandioca, ralação, prensa e secagem nos fornos é chamado de farinhada. Este momento é marcado por um árduo trabalho, mas também é um momento de socialização por haver o encontro com vizinhos, de gerações e de casais, surgindo daí alguns namoricos". Veja o trecho abaixo dessa música:

Tava na poeira / Eu tava peneirando / Eu tava no namoro / Eu tava namorando / Na farinhada / Lá na serra do Teixeira / Namorei uma cabocla / Nunca vi tão feiticeira / A meninada / Descascava a macaxeira / Zé Migué no caititu / E eu e ela na poeira / O vento dava / Sacudida a cabeleira / Levantava a saia dela / No balanço da peneira / Fechei os óios / E o vento foi soprando / Quando deu um redemoinho / Sem querer tava espiando / De madrugada / Nós fiquémo ali sozinho / O pai dela soube disso / Deu de perna no caminho / Chegando lá / Até riu da brincadeira / Nós estava namorando / Eu e ela na poeira (GONZAGA; DANTAS, 1982 In. SITE OFICIAL LUIZ LUA GONZAGA, 2013).

Os alimentos presentes nas músicas do Rei do Baião representam o patrimônio imaterial e revela aspectos da identidade alimentar da região nordeste do Brasil, fazendo sua obra uma das mais importantes da música popular brasileira.



postado por Débora Castilho em Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

O [Mais que Ideias] de hoje traz textos escritos por Raul Lody, antropólogo, escritor e especialista em antropologia da alimentação com projetos de pesquisas no Brasil e no exterior a partir de 1972. Raul é criador do Grupo de Antropologia da Alimentação (Fundação Gilberto Freyre). O antropólogo escreve para o Site Brasil Bom de Boca, que é um site de uma coluna da Revista Nova Raiz. O site é dedicado ao livre pensar sobre a comida e a alimentação. Para inaugurar a coluna, Raul escreve sobre um dos pioneiros da compreensão cultural da comida, Gilberto Freyre.

Segue os textos:

Em Gilberto Freyre cada comida é um sentimento

Certamente é no cotidiano, nas festas, e nas celebrações religiosas que a comida e a bebida expõem a história, o meio ambiente e as matrizes étnicas. E assim, ingredientes, receitas, alimentação, e ecologia, misturam-se; e tudo isto possibilita uma compreensão inovadora, contemporânea, atual para época, e para os dias de hoje. A comida foi uma escolha de Gilberto para interpretar o brasileiro. As muitas questões e revelações de Gilberto Freyre sobre a comida na sua dimensão sociocultural é, ainda, um tema tratado por poucos estudiosos.

A verdadeira “civilização da comida” dá uma importância especial à obra de Gilberto, especialmente nos contextos de multiculturalidade e de uma busca cada vez maior no mundo contemporâneo pela soberania alimentar.

E como dizia Gilberto:

“Uma cozinha em crise é uma sociedade em crise…”

Sarapatel bom é o de feira!

Gilberto Freyre afirma que o “sarapatel bom é o de feira”; e com este sentimento diz ainda que certas comidas têm um sabor diferente quando estão nos seus espaços de consagração, atribuindo-lhes um valor contextual, um sentido de território.

Na construção deste olhar, Gilberto aponta para uma leitura contemporânea de lugares patrimoniais onde se vivem e se exercem rituais sociais singulares, únicos, por serem autorais e manifestarem as identidades de pessoas, de grupos, de segmentos profissionais; neste caso, os cozinheiros e as cozinheiras. Sem dúvida, a escolha do local para comer é sentimental, e a feira, com o seu cozinheiro ou cozinheira [já que ainda não se vivia a glamourização do chef], ser cozinheiro, à época, ocupava lugar de merecida honra.
Os saberes da cozinha são familiares, experimentais, vocacionais, pois o ofício da cozinha exige conhecimento, trabalho e invenção; mesmo em receitas que são repetidas há séculos.

Para Gilberto [creio], o sarapatel traz a marca e o significado telúrico, sendo o mesmo que comer a feira, o mercado, e Pernambuco. Ele dá à comida um valor de representação da memória e do pertencimento a uma história, a um lugar. E é a feira, para ele, um lugar privilegiado para se viver as relações sociais, pois é um lugar se encontros, de comunicação, de representação do que é possível ser consumido.
A feira é um registro social e econômico, e assim o sarapatel da feira está temperado com temperos reais e simbólicos, ambos com profundo sabor. [Nesse momento, eu gostaria de “abrir” este banquete com uma “purinha”, “água que passarinho não bebe”, a boa cachaça, e então com o paladar aberto, pronto para receber a comida, encontrar-me com o idealizado e aguardado sarapatel].

Tão doce, tão muçulmano, tão brasileiro. O arroz doce.

“O português com seu gênio de assimilação trouxera para sua mesa alimentos, temperos, doces, aromas, cores, adornos de pratos, costume e ritos de alimentação das mais requintadas civilizações do Oriente e do Norte da África. Esses valores e esses ritos se juntaram a combinações já antigas de pratos cristãos com mouros e israelitas (…)”. (Gilberto Freyre in Manifesto Regionalista, 1926.)

Um dominante conceito de mundialização está em Gilberto Freyre, especialmente quando se trata das comidas, dos seus processos culinários e dos rituais de servir e de comensalidade; pois ele escolheu a comida, e seus complexos processos e símbolos, como um dos seus mais estimados métodos para interpretar o brasileiro. Gilberto sempre notabilizou o homem muçulmano (mouro) na formação brasileira, e na construção da civilização Ibérica, principalmente nas bases culturais e sociais de Portugal. Desta maneira, o nosso colono oficial português já trazia uma formação afro-islâmica que estava presente na comida, na estética, no idioma, na música, na arquitetura; e em tantos outros temas que marcantes que determinaram as nossas características de povo.

Dessas tradições luso-muçulmanas, chegam elaboradas técnicas culinárias, ingredientes, receitas; e a valorização estética das comidas e dos utensílios da mesa, havendo uma grande importância nos rituais da comensalidade. Tudo isso passa a marcar os nossos hábitos e preferências alimentares, e consequentemente na formação de nosso paladar.

É o caso do tão querido e popular “roz bil halibi”, o nosso arroz doce.  Sobremesa do cotidiano, comum, que pode ser enriquecida com leite de coco, raspas de limão, gemas de ovos; e, muita, muita canela para enfeitar o prato, para dar gosto e cheiro. O arroz, ainda quente, na travessa ou prato, é pulverizado com a canela, que exala o perfume do Oriente. Canela vinda do Ceilão, da Índia.  E o açúcar, sim, muito açúcar, pois, tradicionalmente a nossa doçaria é muito doce, nossos preparos são dulcíssimos, o que afirma uma civilização dominante da cana sacarina no Brasil. Assim, o nosso arroz doce, cujas receitas nacionais nascem da tradição do norte da África, aproxima-se também de outros processos culinários como misturar o leite, o arroz e o açúcar, na milenar e tradicional cozinha indiana; com o pongal ou makar-sankranti e o kheer, pratos oferecidos no festival Jyaishtha Ashthami.

A canela possibilita criar no arroz doce elementos visuais, desenhos, numa estética para ser saboreada. Ainda, pode-se realizar desenhos impressos com o uso da técnica do ferro quente colocado sobre camadas generosas de canela [o que faz exalar o aroma dominante que anuncia o doce, o prazer da comida doce]. Lembrança do deliciosocrème brulee; também alvo de uma camada crocante feita pelo emprego deste ferro, que é um utensílio culinário especial, ou se pode usar o contemporâneo maçarico culinário. Gilberto Freyre também é um apreciador declarado do arroz doce feito com leite, baunilha, açúcar, e muita canela.

Bolos de Pernambuco, interpretações em Gilberto Freyre

Que o brasileiro se identifica com o doce é um fato real, simbólico, e também civilizador por meio do açúcar processado da cana sacarina. E assim muitas receitas mostram como o entendimento do que é doce funciona em cenários da nossa história multicultural, que reúne receitas em abundância conforme os conceitos dos povos do Ocidente e do Oriente. Com certeza, o brasileiro se identifica à mesa com as comidas doces. Possibilidades de encontros ancestrais e fundamentais com a nossa própria formação cultural, que se dá nas experiências com os muitos preparos feitos a partir do açúcar; açúcar da cana de açúcar.

Gilberto reúne no seu livro Açúcar, a partir de seu olhar etnográfico para um acervo de receitas, a grande ocorrência de tipos e de vocações autorais dos bolos que marcam um trajeto e um retrato social e regional de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.

Para Gilberto, cada bolo é muito mais do que uma receita.  Ele, o bolo, traz uma variedade de temas, de personagens, de localidades, de santos de devoção, entre tantos outros motivos.  Cada bolo tem a sua individualidade, e marca, e assim constrói seus territórios de afetividade, de celebração, de religiosidade, de homenagem. Cada bolo é certamente uma realização gastronômica de estética e de sabor, e na sua maioria traz ingredientes nativos, “da terra”, mais uma maneira de atestar identidade.

Assim, bolo São Bartolomeu, bolo Divino, bolo São João, bolo Souza Leão; bolo Souza Leão à moda da Noruega, bolo Souza Leão-Pontual, bolo de milho D. Sinhá; bolo de milho Pau-d’alho, bolo Guararapes, bolo Paraibano, bolos fritos do Piauí; bolo de bacia à moda de Pernambuco, bolo de rolo pernambucano, entre tantos.

O bolo traz uma intenção, uma assinatura, uma receita; uma intenção pessoal ou coletiva, regional.  Ele marca o terroir do doce em Pernambuco.

Também o significado de um bolo é repleto de valores familiares, de festas, de ritos de passagem; dos prazeres de se viver o milho, a mandioca, o chocolate, as frutas, os cremes; as coberturas de açúcar e frutas cítricas com a técnica do “glacê mármore”, branco e compacto, uma verdadeira delicia de cobertura, e se o bolo for o de frutas secas mergulhadas no vinho do Porto ou Moscatel, com a estimada receita de “bolo de noiva”, uma releitura do bolo de frutas inglês, um bolo do tipo “bolo-presente” para festas e celebração.



postado por Débora Castilho em Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

A jornalista brasiliense Nathalia Henderson escreveu um artigo no site Tudo Interessante sobre as refeições servidas nos hospitais de diversos países.

Através das imagens por ela descritas, pode-se perceber como a cultura alimentar de cada país é diversificada em vários aspectos. E a ideia serve para reforçar como é necessário respeitar a cultura alimentar e a necessidade de valorizar as diferentes expressões da identidade alimentar da população local.

Segue abaixo:

“Cada país tem suas características peculiares e a culinária é uma das áreas mais interessantes para se explorar um pouco da cultura de cada um. Não é à toa que há pessoas que são fãs de diversas comidas típicas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. E por falar nisso, você já teve curiosidade de saber como são as refeições servidas nos hospitais de outros países?

É lógico que ao falar de comida de hospital, associamos isso a algo ruim. Mas as fotos abaixo mostram exatamente o contrário: que elas podem sim ser de boa qualidade em algumas partes do mundo.”

 

1 – China

Arroz com uma seleção de curries

 

 

2 – Massachusetts, Estados Unidos

Sopa de galinha, salada e biscoitos cream cracker

 

 

3 – Alemanha

Bife empanado, spätzle (um prato de bolinho de massa de macarrão), salada e bolo

 

 

4 – Jacarta, Indonésia

Macarrão, frango, ovos, caldo de carne e mingau de arroz

 

 

5 – Nova Iorque, Estados Unidos

Rissóis de salmão com molho de creme açafrão, arroz, abóbora, espargos e pão de banana

 

 

6 – Dubai, Emirados Árabes

Espaguete, salada, pão, legumes e bolo

 

 

7 – Tóquio, Japão

Pickles, sopa de missô, arroz e frango

 

 

8 – Japão

Box recheado com legumes frescos, carne, peixe, macarrão e tempurá

 

 

9 – Polônia

Pedaço de pão com manteiga, picles e salsicha

 

 

10 – Noruega

Salada, empada de hambúrguer e uma fatia de pão

 

 

11 – Sydney, Austrália

Sopa de abóbora, ervilhas, batata triturada e frango com abricó

 

 

12 – Malvern, Austrália

Tagine de cordeiro com sanduíches, brócolis, milho, frutas e pão

 

 

13 – Malásia

Frango frito e macarrão

 

 

14 – Grã-Bretanha

Sopa italiana, torta de bife com cebola, legumes no vapor e uma banana

 

 

15 – Richmond, Canadá

Carne de porco, couve-chinesa, arroz branco e melão

 

 

16 – Estônia

Purê de batatas, carne e repolho cozido, legumes, leite, bolo e massa folhada

 

 

17 – Paris, França

Salada de salmão defumado, frango com abobrinhas, baguete e uma fatia de torta

 

 

É importante lembrar que a alimentação saudável deve estar em acordo com as necessidades de cada fase do ciclo da vida; baseada na cultura alimentar e nas dimensões de gênero, raça e etnia; em harmonia em relação à quantidade e qualidade; e com quantidades mínimas de contaminantes físicos, químicos e biológicos, e basear-se em práticas produtivas adequadas e sustentáveis.

E você já teve curiosidade de saber como são as refeições servidas nos hospitais do Brasil? Se tiver alguma foto nos envie!

 

 

Fonte original: Dose

 



postado por Ideias na Mesa em Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

Cozinhar tem sido um ato cada dia mais valorizado em nosso país. O Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas tem como um de seus princípios a culinária enquanto prática emancipatória. Concomitante, o novo Guia Alimentar para a População Brasileira incentiva o desenvolvimento, exercício e a partilha de habilidades culinárias como um importante passo para a alimentação saudável.

Falar de cozinhar é também falar desse ambiente importante e aconchegante em todo lar: a cozinha. Mas já parou para pensar que nem toda cozinha é acessível a todos?

Como no caso da pessoa com deficiência física, ela muita das vezes pode se sentir incapaz de trabalhar em uma cozinha. A perda da mobilidade e de independência pode levar à frustração e desistência de cozinhar. Portanto, fazer mudanças para um melhor acesso é importante para tornar a cozinha um espaço mais amigável, importante que contribua para a saúde e o bem-estar geral dela.

Pensando nisso, fizemos uma relação de cozinhas e até mesmo utensílios pensados para este público. Afinal, cozinhar é um prazer que deve ser acessível a todos, independente da sua condição física.

O designer alemão Dirk Biotto projetou uma cozinha prática e acessível, intitulada ChopChop, especialmente para pessoas com deficiência física e idosos:

 

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O arquiteto Marco Miscioscia criou a cozinha Hability, desenvolvida especialmente para os cadeirantes que adoram preparar deliciosos quitutes. A cozinha é toda em aço inoxidável e as bancadas permitem o acesso da cadeira de rodas. Tem um sistema de encaixes para que o deficiente físico possa manusear panelas e outros utensílios sem o risco de escorregar ou escapar de suas mãos. Tudo foi ergonomicamente estudado para que pessoas sem deficiência possam utilizar a cozinha também. Assim, o cadeirante pode convidar seus amigos para um almoço, criando um amistoso clima de confraternização. 

 

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A empresa italiana Snaidero criou uma cozinha baseada em estudos ergonômicos sobre o manejo de pessoas idosas e de pessoas com deficiências físicas e criaram uma bela e moderna cozinha. Não existem quinas nessa cozinha e o cadeirante ou idoso não corre o risco de se machucar ou esbarrar em algo. O ambiente também possui módulos com prateleiras e pia mais rasa que permitem a aproximação da cadeira de rodas.

 

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A cozinha desenvolvida pela empresa americana Freedom Lift Systems, literalmente se movimenta através de um sistema de elevadores para atender as necessidades de uma família. Ela foi criada não somente pensando nos cadeirantes, mas para que uma criança, uma pessoa de baixa ou alta estatura possam usar as cozinhas sem dificuldades. Tudo é operado através de botões ou controle remoto. Os armários e bancadas sobem e descem, possibilitando que todos da família usufruam da cozinha sem problemas ou constrangimentos.

Veja mais no vídeo abaixo:

 

 

E ainda, pensando nas pessoas com deficiência visual, a designer Neora Zigler criou uma coleção de panelas e utensílios para a cozinha com qualidades táteis, para fácil identificação e manipulação. As peças são também voltadas a pessoas que estão ainda aprendendo a cozinhar, pois são resistentes ao fogo e fáceis de manusear, além de terem um belo visual. 

Entre os utensílios está uma espécie de funil, que tem o objetivo de facilitar o processo de passar legumes, carnes e verduras picados na tábua de corte para a panela. 

 

utensilios1

 

No vídeo, com legendas em inglês, um usuário mostra como utilizá-los:

 

 

Como visto, existem vários modelos de cozinhas e utensílios que contribuem para a acessibilidade de idosos e pessoas com deficiência, mas certamente a aquisição desses produtos ainda não está disponível a todos.

Portanto faz-se necessário uma maior atenção para este publico, realizando ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) com o objetivo de empodera-los a respeito da sua alimentação, para que assim se efetive a promoção do Direito Humano á Alimentação Adequada (DHAA).



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

Em março foi celebrado mais um dia mundial da água, que foi criado em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esta data é dedicada à conscientização, reflexão, e problematização de soluções para um uso mais racional e sustentável deste bem natural. Cerca de dois terços do planeta terra é composto por água, entretanto, apenas uma pequena fração desta água, majoritariamente vinda de rios, lagos, e nascentes, é própria para o consumo.

A atividade predatória do homem, como a poluição da água potável e seu desperdício, são fatores que comprometem a viabilidade de um abastecimento sustentável, que caso não repensado, continuará a causar graves consequências. Visando a sensibilização de governos e indivíduos, a ONU elaborou a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. 

É importante ter consciência de medidas a nível individual que possibilitem a economia de água, como restringir o uso nas atividades diárias (escovar os dentes, banho, lavar louças, calçadas e carros). Apesar de estas medidas serem necessárias, é fundamental se ter a dimensão de que as atividades socioeconômicas são as principais consumidoras das fontes hídricas.

De acordo com a Food and Agriculture Organazation (FAO), a agropecuária é a campeã no consumo de água, utilizando 70% da água disponível no planeta para irrigação de lavouras. Uma outra questão relacionada a este setor, é a contaminação dos solos e rios por agrotóxicos, comprometendo a qualidade da água. A atividade industrial é o segundo maior responsável pelo consumo, correspondendo a 22% do total. O consumo doméstico se apresenta como o terceiro maior contribuidor.  

Para quantificar o consumo de água vamos aos seguintes exemplos: para cada quilo de soja produzido são utilizados 1,8 mil litros de água. Levando-se em consideração que o Brasil é o maior produtor e segundo maior exportador do alimento no mundo, você pode imaginar a quantidade de água usada. Ainda, para produzir 1 kilo de carne bovina são necessários 15,4 mil litros de água.

Medidas em várias esferas são necessárias para o uso sustentável da água. Neste sentido, práticas e tecnologias que visam o uso consciente no Brasil e no mundo tem surgido. 

Alternativas para o uso sustentável da água: Permacultura e Ecovilas

O termo "Permacultura" foi criado em 1970 pelos ecologistas australianos David Holmgren e Bill Mollison, e resulta da contração das palavras "agricultura permanente". O conceito se estabelece por meio da criação de sistemas humanos que sejam: ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. Desde a sua criação as bases da permacultura ganharam força e se espalharam pelo mundo. Atualmente, o número de sítios de Permacultura e Ecovilas no Brasil vem crescendo significativamente.

Seguem exemplos de algumas organizações governamentais e não governamentais que aplicam os conceitos da permacultura em suas ações.

Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado IPEC: Centro de referência em práticas sustentáveis

A organização não governamental (ONG) Ecocentro IPEC localizada na cidade de Pirenópolis-GO foi fundada em 1998 com a finalidade de criar soluções para os problemas da atual sociedade. O intuito é viabilização de uma cultura sustentável, que oportunize experiências educativas, e dissemine modelos no Brasil. Os idealizadores do projeto são o Permacultor André Soares e a pedagoga e escritora Lucy Legan.

Desde sua fundação o Ecocentro propiciou vivências para brasileiros e estrangeiros nas áreas de saneamento responsável, energia renovável, segurança alimentar, cuidado com a água e processos de educação, além do desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias sustentáveis, difundidos por meio de oficinas e cursos.

Várias iniciativas e tecnologias sustentáveis tem sido aplicadas no Ecocentro IPEC, confira algumas que visam otimizar a utilização de água: 

Estação de tratamento natural de água Biorremediação 

Estação de tratamento de água Por meio da cascata de etapas que vão do estágio 1 ao 9, a água utilizada é tratada por agentes naturais incluindo bactérias e outros micro-organismos, que geram como produto intermediário gases capazes de ser reaproveitados na cozinha. Do produto final resulta uma água limpa, que apesar de não ser considerada potável para beber, pode ser utilizada na irrigação ou para retornar aos rios e solo sem prejuízos ambientais    

Sanitários compostáveis 

Sanitário compostável

 

No IPEC o banheiro seco é tido como a solução para o tratamento e início de um novo ciclo para uma questão que é encarada como um problema e o último estágio da alimentação: os dejetos humanos.  Em um banheiro convencional 20 litros de água são não apenas desperdiçados mas poluídos, comprometendo o uso da água que é desperdiçada nos esgotos. Nestes sanitários, além de a água não ser utilizada, as fezes humanas passam por um processo de eliminação de patógenos através do uso da serragem combinado com elevada temperatura. Ao final de um ciclo de seis meses, as fezes estão higienizadas e prontas para servirem de um potente adubo natural. Confira na íntegra o TEDx realizado pelo fundador do IPEC André Soares, que explica a tecnologia e levanta boas reflexões.

  

No site do IPEC você pode encontrar outras tecnologias e experiências que são desenvolvidas. 

Outro exemplo de trabalho desenvolvido pela ONG IPOEMA:

Águas do cerrado – O futuro em nossas mãos 

Emblema da campanha

O projeto visa a recuperação das áreas perto das bacias do Lago Paranoá e do Rio São Bartolomeu por meio do reflorestamento. Estas são as principais fontes de água para o Distrito Federal que se encontra em risco devido ao incipiente processo de degradação de seus córregos resultante do acelerado processo de urbanização. Paralelamente ao programa, são realizadas atividades de educação socioambiental e capacitação de jovens no intuito de aumentar a consciência ambiental, ampliando a capacidade de se discutir políticas públicas voltadas a este tema.

Tecnologia sustentável aplicada a nível governamental:

Programa água para todos – Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) 

Desde 2011 o programa já entregou mais de 804 mil cisternas para armazenamento de água direcionadas a famílias do sertão brasileiro. É um modelo de tecnologia social que além de trazer melhorias na forma com que famílias captam água, anteriormente mulheres e crianças tinham que andar longas distâncias para coletar água em baldes, e que gera renda envolvendo a comunidade na construção das cisternas. A água também pode ser utilizada nas lavouras e para a criação de animais.

Ainda, pra quem se interessar, a Prefeitura de São Paulo disponibilizou um guia de permacultura para administradores de parques. 

A partir de práticas como estas que visam solucionar aquilo que são os problemas crônicos nos grandes centros urbanos, mostra-se possível um caminho para utilização dos recursos naturais de forma ambientalmente sustentável, socialmente justa e financeiramente viável.

 

Foto capa: Caco Araújo



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 19 de Março de 2015

De modo geral, ao falar em sustentabilidade, as ações mais comuns que vêm à nossa cabeça são: o não poluir o ar, evitar o consumo desenfreado, preservar a biodiversidade, reciclar o lixo, economizar água e energia, entre muitos outros.

A alimentação também pode gerar fortes impactos no meio ambiente, seja por meio do uso intensivo de insumos agrícolas tóxicos para o meio ambiente e para a saúde humana nas plantações ou do uso excessivo e agressivo do solo por meio da monocultura, ou ainda por outros fatores.

Dessa forma, considerar o comer como ato político, como bem abordado na última edição da Revista Ideias na Mesa, é uma forma cidadã de praticar atitudes sustentáveis, que contribuam para o bem estar e a saúde das pessoas e do meio ambiente.

Atualmente muitos movimentos em prol da sustentabilidade acontecem em todo o Brasil. Hoje em nosso post iremos mostrar alguns deles.

Viajando e vivenciando de bike

A fim de reintegrar e construir uma relação saudável entre o ser humano e meio ambiente, o projeto Gaia, do casal Débora e Guilherme, tem como proposta difundir ações e práticas sustentáveis, como a simplicidade, a difusão da agroecologia e a permacultura, a alimentação saudável, a conservação e preservação da natureza, a busca pela espiritualidade, a esperança na educação das crianças e a valorização das culturas.

Através de viagens de bicicleta por todo o Brasil e alguns países da América Latina, o casal busca trocas de experiências e vivências, em exercício de alteridade com outros povos e culturas respeitando todos os aspectos e contextos sociais, econômicos e culturais de cada lugar.

A primeira parada foi em Batatais/SP na casa de um casal de amigos que são adeptos ao movimento Slow Food. Eles criaram a Slow Chácara em sua propriedade, que é um espaço onde recebem crianças de várias faixas etárias, com as quais fazem vivências de culinária, teatro, música, antroposofia, sobre o movimento do Slow Food, permacultura e outras coisas. Seguindo a viagem, a próxima parada foi em terras mineiras, onde o casal se deliciou com paisagens exuberantes de cachoreiras e a vegetação do cerrado, até atravessarem a Serra da Canastra para chegarem ao Parque Nacional da Serra da Canastra e dormirem por lá. Ao acordarem o próximo destino seria rumo a São Roque de Minas em busca da cachoreira Casca D'Anta que desce por um vale acompanhado pelo Rio São Francisco que proporcionou um magnifíco visual ao casal aventureiro.

Acompanhe toda a viagem do casal por aqui: www.ciclogaia.com.br

Transformação Sustentável

Pensando ainda em sustentabilidade e alimentação, foi iniciada em 2008, uma experiência no Distrito Federal, chamada: “Biodiversidade e Transição Agroecológica de Agricultores Familiares”, um projeto com agricultores das comunidades próximas ao DF em conjunto com o governo local, para abordar a sustentabilidade em todos os aspectos sociais. Esse projeto visa desenvolver os desafios de transição para uma agricultura agroecológica aos produtores da região.

Como continuidade do projeto foi desenvolvida a Feira Orgânica da Estação Biológica em 2001, onde são comercializados os produtos agroecológicos desses agricultores capacitados, dando espaço a produtos livres de agrotóxicos, transgênicos e insumos químicos prejudiciais ao meio ambiente e ao ser humano.

Seguindo a ideia de uma alimentação saudável tanto em termos nutricionais quanto em preservação ambiental, a Organização Cidades sem Fome, transforma terrenos públicos e particulares da Zona Leste de São Paulo em hortas comunitárias. A região é conhecida pela vulnerabilidade social e em situação de insegurança alimentar.

Com isso o projeto vem a beneficiar de várias formas os moradores da região, seja com a capacitação técnica com orgânicos, a comercialização destes produtos ou pela agricultura urbana de subsistência, promovendo melhorias nas condições de vida da população com a oferta de alimentos saudáveis.

E você, conhece alguma iniciativa como essas ou até faz parte de uma? Conta pra gente! 



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