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postado por Carla Tavares de Moraes Sarmento em Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

erro

 

O educador, pensador, antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin apresenta em seu livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, um conjunto de reflexões que nos permitem repensar a educação. Este livro tem influenciado não apenas a prática educacional mas a formação geral de inúmeras categorias profissionais.

Os saberes são:

  1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão
  2. Os princípios do conhecimento pertinente
  3. Ensinar a condição humana
  4. Ensinar a identidade terrena
  5. Enfrentar as incertezas
  6. Enfrentar a compreensão
  7. A ética do gênero humano

 Neste texto vamos abordar os dois primeiros princípios.


As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão

Morin afirma que todo conhecimento apresenta o risco do erro e da ilusão. No entanto, a ciência tem construído seus pilares justamente afastando o erro, estimulando dogmas  de saberes e verdades inquestionáveis.

Para Morin, o erro faz parte sim do processo, e bem como a ilusão, ambos estão ligados à percepção, ou seja, cada indivíduo percebe uma mesma informação de maneira diferente. 

Os erros podem ser classificados em:

  • Erro mental - a mente pode ser seletiva e acreditar no que for mais conveniente ou tiver mais afinidade;
  • Erro intelectual - se manifesta quando uma pessoa acredita fortemente em uma teoria sem nenhum tipo de questionamento;
  • Erro da razão - onde a racionalidade é a melhor proteção contra o erro e a ilusão. Porém, é necessário aprender a controlar a razão porque uma “certa dose” de incerteza racional é importante, pois permite aceitar o inesperado sem perder o questionamento.

Todos os saberes são incorporados gradativamente à pessoa desde o seu nascimento sem muita ênfase na possibilidade de que estejam errados, podendo gerar no indivíduo, um comportamento passivo ou até conformado.  Isso significa dizer que as crenças, valores e percepções que vamos acumulando ao longo da vida e que estão diretamente relacionadas com nossas emoções passam a ser nossas verdades que, muitas vezes, não deixam espaço para o novo.

O educador deve estar preparado para despertar nos educandos a infinidade de possibilidades de novos saberes.

Como contextualizar a importância de se compreender o erro como parte do processo da educação alimentar e nutricional? Sabemos que o conhecimento é sempre uma tradução seguido de uma reconstrução e que a percepção do educando interfere na reconstrução do conhecimento. Ou seja, cada educando terá a sua percepção e construirá o seu conhecimento.

Como valorizar os saberes alimentares de um indivíduo, que são baseados na sua experiência de vida? Nesse caso, talvez, não exista o que comumente chamamos de “práticas erradas”, uma vez que toda prática é tradução de um saber aprendido. Temos o desafio de integrar o ”erro” ao processo para que o conhecimento do novo avance. É necessário muito respeito, compreensão, afeto e empatia para que esse novo saber seja incorporado como uma grande possibilidade sem desmerecer o outro e seus saberes e práticas originais.

 

Os princípios do conhecimento pertinente

O conhecimento pertinente é aquele que contextualiza as informações de modo que uma pessoa seja capaz de compreender o todo e não apenas partes fragmentadas do conhecimento. E, para existir de fato, são necessárias as seguintes dimensões:

  • Contexto – uma informação de forma isolada não é eficiente. Deve ocorrer dentro de um contexto para fazer sentido e ser compreendida;
  • Global – são as diversas partes de um conhecimento ligadas de maneira organizada;
  • Multidimensional – não se pode isolar uma parte do conhecimento no momento de contextualizar a informação. O ser humano é um exemplo de unidade complexa porque é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social, afetivo e racional;
  • Complexo – são os elementos diferentes que, apesar de apresentarem uma unidade, são inseparáveis do todo. E aqui o ser humano também serve como exemplo porque é um ser complexo.

Na formação de um profissional, o desenvolvimento do conhecimento deve contemplar todas estas dimensões. O conhecimento fragmentado impede que o educando  construa o seu saber e, consequentemente, isso irá se refletir na sua atuação. Um bom exemplo é o ensino da ética profissional. Como o futuro profissional poderá ser capaz de contextualizar a ética se todo conhecimento, em geral é desenvolvido de forma isolada? A valorização da ética e de todas as suas dimensões, desdobramentos e aplicações dependem da compreensão da ciência da nutrição e das áreas de atuação profissional .

Ensinar a pertinência do conhecimento talvez seja um dos maiores desafios para o professor.  É preciso repensar os objetivos do curso em relação a como o processo de conhecimento é desenvolvido e redireciona-lo para um caminho que nos leve ao profissional que queremos formar. Nesse sentido, o professor precisa rever suas estratégias e métodos para despertar no educando a percepção para a necessidade de conhecer o todo. 


 (Fonte foto: paulobraccini-filosofo.blogspot.com)



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