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postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 27 de Março de 2017

O [Você no Ideias] dessa semana apresenta uma experiência realizada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal que percebendo a escola como um ambiente estratégico para a promoção da saúde e para formação de cidadãos conscientes e críticos em relação à sua alimentação, usou da gastronomia para estimular o consumo de uma alimentação saudável pelos estudantes. 


O projeto ficou conhecido como "Chef e Nutri na Escola” e aconteceu em três encontros, sempre realizados na Unidade Escolar. 

O primeiro encontro teve como objetivo de apresentar o projeto para toda a equipe, planejar datas e definir o cardápio. No segundo, Nutricionistas, chefe de cozinha ou representante de curso de Gastronomia e estudantes (de preferência todos os alunos da UE)debateram sobre alimentação saudável, boas práticas de manipulação e segurança alimentar, por meio de uma palestra, uma oficina ou uma mesa redonda. Além disso, a cozinha era apresentada aos estudantes.

No último encontro era hora de "colocar a mão na massa"! Os alunos eram conviodados a preparar refeições na cozinha da UE com o auxílio de um chefe de cozinha ou estudantes de gastronomia, sob supervisão do professor Gastrônomo, e acompanhamento dos nutricionistas. 

Essa experiência está sendo realizada na Rede de Ensino do DF!

Para ter acesso a essa experiência na íntegra acesse aqui!

 


Em 2017 vamos continuar valorizando a Educação Alimentar e Nutricional. Assim como a Diretoria de Alimentação Escolar - SEDF, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

A equipe do Ideias compartilha no quadro de hoje uma oficina elaborada pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição – Universidade de Brasília (OPSAN/UnB) e aplicada em parceria com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS/OMS) durante o XXIV CONBRAN 2016 em Porto alegre. 

A oficina tem como proposta gerar reflexões e incentivar a mobilização para promover o cozinhar como prática emancipatória baseado nos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para Políticas Públicas e nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Passo a passo:

Primeiramente, uma dinâmica de quebra-gelo foi aplicada para propiciar um contato inicial entre os participantes e para que eles se dividissem em grupos conforme o perfil. Para esta atividade, foi realizada a dinâmica do colar, na qual os próprios participantes confeccionam crachás utilizando materiais de papelaria com informações como a comida e hobby preferidos. Findada a dinâmica inicial, os facilitadores explicaram a oficina e apresentaram a metodologia proposta na qual cada grupo circula pelas 6 estações propostas permanecendo 20 minutos em cada uma delas.

Seguindo dinâmicas e gerando produtos próprios, as estações abordaram  as seguintes discussões:

ESTAÇÃO 1 -  A mulher e o cozinhar

Na primeira estação, foi elaborado um “varal de fotos” contendo uma seleção de imagens, cartazes e frases com retratos de chefes de cozinha do sexo masculino e fotos de merendeiras do sexo feminino. Também foram expostas propagandas de alimentos com discursos machistas além de alguns dados e reflexões.  Os elementos serviram para subsidiar as discussões em grupo sobre o tema central da estação que é “A mulher e o cozinhar”, com questões como a exaltação do prestígio e predominância de Chefs de cozinha do sexo masculino enquanto as atividades ligadas a alimentação doméstica e com menos “glamour” recaem sobre a mulher.

 

ESTAÇÃO 2 - Tempo x Cozinhar

O objetivo dessa estação foi discutir a questão do tempo x cozinhar - um dos grandes desafios da atualidade, e a necessidade de encontrar um tempo para desenvolver habilidades culinárias e evitar os alimentos ultraprocessados, como o Guia Alimentar para a População Brasileira preconiza. Assim, não buscou-se resolver ou dar respostas a este complexo problema, mas refletir e pensar em estratégias.

O cenário dessa estação foi composto com um calendário mensal grande com diversas atividades e compromissos, sem nenhuma programação para compras ou para cozinhar. Além deste elemento, o facilitador também exibiu alguns vídeos, para a partir da análise de discursos, aprofundar as discussões sobre as estratégias de propaganda  que a indústria alimentar utiliza. Segue um exemplo:

ESTAÇÃO 3- Tradição e Memória

Para compor essa parte da oficina, foram selecionados e dispostos em forma de varal, vários alimentos característicos de todas as regiões brasileiras, como por exemplo cuscuz, sagu de vinho, galinhada, bacalhau, tapioca, milho, peixe frito, além de  frutas como pitanga, acerola, caju entre outras. Ademais, também foram colocadas no varal frases inspiradoras sobre alimentação e imagens que representavam a comensalidade, comidas típicas de datas comemorativas entre outras.

Com o objetivo de trabalhar a temática “tradição e memória”, foi proposto que os participantes de cada grupo escolhessem uma imagem ou frase que os representassem ou que remetesse alguma história pessoal. Após a escolha, cada um deveria contar para todos motivo da sua escolha.

Na segunda parte, foi proposto que os participantes brincassem de “Qual é a música?” com o intuito de lembrar de letras de músicas que contenham alimento, como por exemplo café e frutas. A descontração tomou conta de todos os grupos, possibilitando também uma troca de boas lembranças em relação aos alimentos e as músicas.

 

ESTAÇÃO 4- Sistema alimentar sustentável através do cozinhar

A estação 4 teve como proposta discutir alternativas e caminhos sustentáveis a partir das escolhas alimentares e fazendo uma interface com o cozinhar. Para tanto, foram disponibilizados 6 “kits” para que os participantes escolhessem com qual trabalhar (um pra cada grupo) contendo um alimento in natura e um produto industrializado correspondente, foram eles: Tomate x molho de tomate enlatado; frango caipira x nuggets; leite tipo A x achocolatado; laranja x suco industrializado de caixinha; limão x picolé de limão; milho x pipoca de microondas.

Para os alimentos in natura, os participantes eram convidados a criar um caminho, desde a produção até o consumo e destinação final de eventuais cascas e bagaços, que fosse inclusivo, saudável e sustentável. Já para os industrializados,  a proposta foi de criar uma lógica oposta, identificando os impactos negativos para o meio ambiente, o agricultor e a saúde humana. O intuito foi propiciar uma reflexão sistêmica acerca dos impactos das nossas escolhas alimentares e contrapor diferentes modelos de produção. 

ESTAÇÃO 5 - Comensalidade

Nesta estação, os participantes foram convidados a compartilharem de uma refeição juntos e construírem o conceito de comensalidade (ato de comer junto) com um jogo de palavras.

A cenografia contava com toalha de piquenique, flores, preparações regionais, frutas, sucos e livros de contos, crônicas e outros estilos literários que abordam a alimentação. Isso proporcionou um ambiente agradável e convidativo para a participação.

O facilitador era como um anfitrião que convidava todos a comerem juntos e conversarem sobre o tema. No jogo era possível formar diferentes frases, poesias, esquemas com palavras que iam desde tipos de refeições, pessoas, verbos, características, lugares e emoções.

ESTAÇÃO 6 - Conflito de interesses    

Para trabalhar a temática “Conflito de Interesse” a equipe decidiu que traria à tona a discussão sobre um caso real, atual e polêmico, a recente associação do chefe de cozinha Jamie Oliver, que ganhou projeção internacional ao promover uma alimentação adequada e saudável (AAS), à empresa Sadia.

A dinâmica utilizada foi a simulação de um julgamento sobre a conduta do chefe e o questionamento do julgamento era: “Há conflito de interesses na associação de um chefe de cozinha, promotor mundial da alimentação adequada e saudável, com uma multinacional, produtora de alimentos ultraprocessados, responsável por 20% da produção mundial de frangos?”. O caso dizia respeito ao Chef Jamie Oliver, mas a ideia principal era julgar o conflito de interesses e discutir a conduta de um chefe, ou qualquer outro profissional que constrói a sua imagem promovendo AAS mas, que em um determinado momento, se entrega aos interesses da indústria de alimentos.

Encerramento

Depois que todos os grupos passaram pelas 6 estações, eles foram convidados a apresentar os cartazes e fazer um breve relato sobre as discussões que tiveram. Os facilitadores da oficina encerraram a atividade destacando a correlação de cada estação com o tema principal da atividade, e a importância da compreensão desses elementos para promoção da Alimentação Adequada e Saudável.             

Resultados observados:

As inscrições na oficina foram feitas por e-mail, e após a atividade 11 dos 50 participantes responderam espontaneamente à pesquisa de opinião com impressões sobre a atividade. Em resposta a experiência de participação na oficina, 8 pessoas deram nota máxima para atividade em uma escala de 0-10, enquanto 3 pessoas deram notas entre 8 e 9. Os mesmos números foram observados para aprovação da metodologia utilizada. A oficina atendeu às expectativas de 90% e parcialmente de 10% dos que responderam à pesquisa. E ainda, 100% dos que responderam ao questionário gostaram da escolha do tema principal da oficina e também julgaram os temas das estações como pertinentes.

Para além dos dados quantitativos, alguns comentários também foram observados como: “Continuem disseminando essa oficina. Eu gostei muito, aprendi muito, reforcei muitos entendimentos e levarei esse conhecimento para a vida e para a minha prática profissional”.

Para conferir os materiais de apoio utilizados e a experiência na íntegra acesse aqui.


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postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

"Como é possível que estejamos tão afoitos para assistir outras pessoas dourando cubos de carne na tela, mas tão pouco interessados em dourá-las nós mesmos?".

Michael Pollan, autor de "O Dilema do Onívoro", "Cozinhar" - livro que inspirou a série documental homônima da rede Netflix - e "Em Defesa da Comida", foi quem escreveu esta frase há mais de oito anos atrás, para uma matéria no New York Times. Anos depois, o apontamento feito por Pollan ainda se mostra real e, cada vez mais pertinente.

A ascensão de Julia Child como ícone cultural e, posteriormente, o estrelato de chefs como Alex Atala, Jamie Oliver, Paola Carosella, Gordon Ramsay, Anthony Bourdain coincidiu, paradoxalmente com o crescimento da Indústria de Alimentos, do Fast Food e da comida pronta e também com o declínio das refeições caseiras do dia a dia. A verdade é que nunca passamos tão pouco tempo na cozinha e, ainda sim, nossa obsessão com comida nunca foi tão grande.

Em tempos de MasterChef, Tastemade e Instagram, a quantidade de conteúdo na mídia sobre comida que consumimos todos os dias é enorme. Devoramos vídeos e fotos de comida em quase todas as mídias, adicionando também às Redes Sociais nossas próprias contribuições com imagens de cafés "gourmet" que experimentamos e check-ins em restaurantes da moda.

Para um gourmet moderno, não é necessário cozinhar ou ter amplo entendimento sobre a origem dos alimentos e seu modo de preparo. Os pré-requisitos obrigatórios são uma boa câmera no celular, a iluminação adequada e um conhecimento bacana sobre as melhores hashtags e filtros. Assim, ser apaixonado por comida e apaixonado por cozinhar são duas coisas bem diferentes.

O crescimento do tópico "comida" nas redes sociais e mídias com receitas infindáveis no Feed de Notícias, programas de culinária em diversos canais e o estrelato de chefs e cozinheiros deixa claro que nós valorizamos o cozinhar. Ainda sim, há uma desconexão entre o tempo que gastamos na cozinha e a quantidade de conteúdo gastronômico que consumimos. Por que estamos cozinhando menos?

Tempo, custo e falta de habilidade culinária figuram os principais motivos pelos quais deixamos de cozinhar e muitas receitas e dicas aparecem em livros e internet para tentar solucionar essas questões. Nem sempre, essas soluções são suficientes: para quem não tem prática na cozinha, uma receita de "30 minutos" pode demorar horas para ficar pronta, deixando um rastro de louças sujas e dedos queimados e gerando um prato bem menos satisfatório do que o resultado apresentado na televisão. A verdade é que cozinhar é um processo, que exige tempo e dedicação e prevê vários fracassos até se tornar natural.

Cozinhar se tornou opcional para muita gente, quando é possível comprar refeições de quase todas as regiões do mundo até por meio de aplicativos nos celulares, mas isso não significa que perdemos as razões para cozinhar, pelo contrário, elas ficaram ainda mais evidentes. Você já deve imaginar que cozinhar é um caminho para uma alimentação mais saudável, considerando que quando a indústria e redes de fast food cozinham em nosso lugar, elas acabam produzindo alimentos com alto lucro comercial e também altos teores de gordura, sal, açúcar e aditivos químicos. Mas não é somente isso que torna o ato de cozinhar primordial.

Cozinhar é declarar a sua independência das grandes corporações que buscam transformam todos os nossos momentos em situações de consumo; é resgatar uma das artes formadoras da nossa cultura e identidade; é se conectar com as leis da física que química que regem o Universo e as transformações culinárias. O ato de cozinhar tem o poder de transformar não somente os alimentos que manipulamos, mas também de pouco a pouco e sutilmente transformar a nossa identidade e o Sistema Alimentar em que vivemos.

Não é a toa que o Marco de Referência de EAN para as Políticas Públicas aponta o cozinhar como prática emancipatória e princípio para ações de Educação Alimentar e Nutricional. Refletindo sobre essas dimensões, o Cozinhar se torna formador de indivíduos e pode ultrapassar as telas de celulares e televisões, tornando-se uma construção gratificante e muito valiosa! Lembre-se que o melhor jeito de aprender a cozinhar é cozinhando, vivendo um fracasso e conquista de cada vez.



postado por Maína Pereira em Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

aprender a cozinhar

Se a cozinha fosse uma língua, qual seria o seu nível de fluência ou o seu sotaque? O desenvolvimento de habilidades culinárias tem sido recomendado como estratégia de superação dos obstáculos para se obter uma alimentação mais adequada e saudável. Além disso, o ato de cozinhar pode ser um momento prazeroso e de muitas descobertas que marcam histórias e gerações.

Para refletir um pouco sobre a linguagem da cozinha, delicie-se com esta crônica de Nina Horta:

“Só conseguindo reunir as peças da comida em alguma coisa bem aceitável quando se aprende as técnicas básicas, quando se lê muito (melhor dizendo, quando se vive muito), quando se tem o olho vivo e a língua curiosa, quando o erro é o melhor condutor, quando se quebra a cabeça misturando os ingredientes com muita obediência e outras vezes com liberdade total.

Quem se lembra do primeiro semestre da faculdade, quando o sociologês, o filosofês, o antropologês eram um obstáculo desolador, quase impossível de ser resolvido? E, dois anos depois, Deus nos perdoe de jargões tão feios, falávamos felizes em epistemologia, doxa, duração, hubris, como se fosse a lista do supermercado? Ou uma língua como o alemão, que se apresenta como muralha e vai ver é a mais fácil de todas?

A linguagem oculta da cozinha também pode ser um obstáculo. É preciso estuda-la como estudamos qualquer outra matéria. Claro que alguns terão mais facilidade do que outros, alguns vão parecer que nasceram sabendo, alguns vão desistir e mudar de rumo, tudo igualzinho às outras disciplinas do vestibular. É preciso estudo, experiência, memória, imaginação, abertura, prazer, ritmo, astúcia e visão da comida como uma língua a se aprender e que devemos interpretar segundo nossas possibilidades e vivências.

E não é maravilhoso que não exista um cozinhês? Grande vantagem. Um bom feijão grosso todo mundo entende. Quase todo mundo.” (Linguagem da Cozinha, Nina Horta)

E que tal estudar essa matéria tão saborosa? Já parou para pensar em como a cozinha torna-se um ambiente de aprendizagem repleto de ferramentas e materiais para experimentar? Estar na cozinha e se aventurar é uma forma de se conectar com a comida e toda sua simbologia, envolve afeto, emoções, histórias, pessoas em uma variedade de ingredientes culinários. É uma prática que quanto mais exercida gera mais autonomia. E não existe um cozinhês, você vai descobrindo e se expressando da sua maneira, no seu ritmo, do seu jeito. Por isso, vale a pena se arriscar e descobrir sua própria linguagem da cozinha!



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Nossa dica de entretenimento engajado para quem procura ampliar a visão sobre o sistema alimentar é a web série ‘Cozinhar’.  A série, disponível no netflix, é baseada no mais recente livro escrito pelo renomado jornalista e ativista pró-alimentação saudável Michael Pollan.

Dividida em quatro episódios de aproximadamente 50 minutos e conforme os capítulos do livro: Fogo, Água, Ar e Terra, as relações socioculturais que estão historicamente relacionadas com o ato de comer são evidenciadas, e no contexto atual, o livro traz a reflexão sobre as nossas escolhas alimentares e como elas refletem um sistema que pode ou não, ser sustentável, saudável e socialmente justo.

A série confronta o modelo alimentar atual centrado cada vez mais na perda da autonomia e protagonismo dos indivíduos no preparo das refeições. Função que tem sido apropriada principalmente pela indústria de alimentos e redes fast-food. Os impactos negativos a saúde deste modelo são inúmeros, e é inegável a associação deste estilo alimentar vigente com o aumento vertiginoso da obesidade e doenças crônicas assim como suas comorbidades.

Confira o trailer que pode ser assistido com legendas em português clicando nas configurações no canto inferior direito: 


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 08 de Abril de 2016

Comer é talvez uma das coisas que mais fazemos durante a nossa vida, diariamente nos alimentamos de diferentes refeições que estão relacionados com a nossa cultura e preferências. A forma com que comemos significa também saúde para nós e para o meio ambiente a partir da escolha que fazemos, e sem dúvida, saber preparar o próprio alimento, ainda que seja apenas um lanche, torna os indivíduos mais conscientes dentro do sistema alimentar.

Pensando nisto, disponibilizamos hoje alguns vídeos da nutricionista Neide Rigo - autora do blog Come-se e colunista do Paladar – que tem uma visão muito interessante sobre o resgate do cozinhar na alimentação através do aproveitamento integral de alimentos e a utilização de plantas alimentícias não convencionais (PANC’s). O primeiro vídeo conta um pouco da história e das influências de Neide:

Neste segundo vídeo a nutricionista fala um pouco sobre as PANC’s, o que são, como encontrá-las e utilizá-las na alimentação.

 

Neide ensina também a preparação típica das regiões norte e nordeste que caiu nas graças dos brasileiros, a tapioca. No vídeo ela ensina o preparo da massa e tem também a opção para aqueles que desejam fazer o processo desde ralar a mandioca.

Para conferir as receitas e outros materiais de Neide Rigo, acompanhe além de seu blog, suas redes sociais.  




postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 15 de Março de 2016

Sabemos que o comer e o cozinhar não são apenas hábitos saudáveis. Os dois atos envolvem uma gama de questões, como autonomia, auto cuidado, escolhas culturais, atitudes, entre outros.

Para o [Pensando EAN] de hoje abordaremos algumas ideias que a jornalista Juliana Dias, editora do site Malagueta traz sobre a pergunta: Comer ou apenas nutrir-se?

"A abordagem da alimentação na escola não deveria se limitar a cultivar hábitos saudáveis, numa visão que coloca o alimento como nutriente e a responsabilidade nos ombros do sujeito que come".

A alimentação é um campo diverso e repleto de signos e significados, portanto reduzí-la somente a visão nutricional é limitante e não compreende todas as suas especificidades.

Essa responsabilidade "culpada" que Juliana aborda acima vai totalmente contra os princípios de autonomia e a geração da capacidade de autocuidado do individuo sobre sua alimentação, preconizados no Marco  de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas e até mesmo à educação no modo geral.

Juliana aborda a importância do ambiente escolar sobre o desenvolvimento de escolhas culturais e sociais dos indivíduos, principalmente a alimentação. Por isso reflete sobre o papel da alimentação escolar nesse desenvolvimento:

"Portanto, é necessário ampliar os olhares para o valor da Alimentação Escolar. Esta é uma poderosa ferramenta para matar a fome de conhecimento, renovando o entendimento sobre a relação com a comida, a fim de engajar e transformar pessoas, comunidades e sociedades".

Por isso ela cita como um ótimo exemplo a Lei de Alimentação Escolar (11.947) que oficializa o olhar cultural sobre o comer e inclui a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no processo de ensino-aprendizagem, que deve perpassar o currículo escolar:

 "Essa política pública estimula o respeito às tradições alimentares e à preferência alimentar local saudável; o desenvolvimento biopsicossocial; e amplia a presença de outros profissionais na escola, com proposta interdisciplinar e intersetorial. Também determina que ao menos 30% dos alimentos comprados para a refeição escolar venham da agricultura familiar local, preferencialmente produzidos de forma agroecológica ou orgânica".

O comer e conhecer o que se está comendo, segundo sua visão faz parte do processo educativo da vida e da construção da cidadania:

"Saber o que se come diz respeito à identidade cultural, autonomia e consciência crítica para deliberar sobre o que se coloca no prato e participar das tomadas de decisões sobre o rumo do sistema alimentar moderno".

Juliana também contextualiza toda a importância do cozinhar dentro do processo educativo, como forma de emancipação do próprio individuo:

"Cozinhar é um exercício de autonomia e consciência de si, do outro e do mundo".

Por fim ela afirma que o "casamento" entre alimentação e educação é necessário, assim como pede a Lei de Alimentação:

"Tendo em vista as demandas da Lei de Alimentação Escolar e uma reflexão a respeito da interseção entre alimentação e educação, busco apontar a sinergia entre esses dois campos. É vital estreitar e evidenciar os elos por meio da interdisciplinaridade, visando uma atitude transdisciplinar, considerar a memória, o afeto e os sentidos, seja no refeitório ou na sala de aula".

O texto de Juliana é incrível, por isso convidamos vocês a conferir ele na íntegra no site Outras Palavras.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Que tal fazer comida com abraços ou até mesmo com a luz do sol?!

O Catraca Livre postou em seu site várias alternativas diferentes de fazer comida, como a torradeira que funciona por meio de abraços e até mesmo um forno solar.

São ideias incríveis que estão no [Mais que Ideias] do nosso blog hoje.

Idealizado pela Pleno Sol que funciona à base da economia solidária, do consumo consciente e de uma alimentação adequada, o forno solar é uma ótima alternativa para uma cozinha sustentável.

Ele é capaz de assar, grelhar, cozinhar, tudo o que um forno convencional também faz. Apesar de o tempo de cozimento neste tipo de forno ser maior do que no convencional, o consumo de gás ou energia elétrica é eliminado.

Na mesma linha da cozinha sustentável do forno solar, a empresa One Earth Designs lançou um fogão totalmente sustentável que cozinha os alimentos usando a energia proveniente do calor do sol.

O fogão é chamado de “SolSource” e é feito com espelhos que captam a energia solar e também tem a mesma funcionalidade de um fogão convencional, contudo tem a vantagem de não emitir poluentes.

 

Agora, fugindo um pouco do cozimento sustentável dos alimentos, mas ainda assim, falando em uma cozinha sustentável e afetiva, temos a torradeira que funciona com abraços.

Sim, isso mesmo que você leu, com abraços!

A estudante de design de Londres, Ted Wiles, a fim de estimular os sentimentos felizes nos usuários lançou alguns objetos para esse fim.

Todos os objetos precisam de algum estímulo/interação física para funcionar, ou seja, o telefone só vai funcionar se o usuário sorrir ao utilizar o objeto.

Há também uma torradeira que só é ativada quando é abraçada. Um abraço é capaz de ativar os sensores e o termostato do aparelho.



Então, que tal cozinhar de forma sustentável e ainda de leva praticar a afetividade que reúne o cozinhar e também a cozinha, além de ter uma alimentação saudável e sustentável?!

Veja mais no site do Catraca Livre!



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

No quadro de hoje nós apresentamos alguns trechos da entrevista da agrônoma e integrante da Sempreviva – Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres – Miriam Nobre , presente na 6ª edição da Revista do Ideias na Mesa que teve como tema: Cozinha: lugar de todos.   

No movimento de mulheres, ela tem dedicado um importante espaço à discussão sobre as transformações do papel feminino no cuidado com a família, e especialmente ao cozinhar. Durante a entrevista, Miriam argumentou sobre questões como a relação da mulher e o cuidado alimentar da família, a desestruturação de hábitos e tradições pela influência do marketing industrial, soberania alimentar e sobre a importância do cozinhar.

Historicamente dentro de várias culturas a mulher sempre foi a figura principal nos afazeres do lar e principalmente na compra e preparo de alimentos, e em relação a este cenário nos dias atuais Miriam enxerga da seguinte forma: 

“Este é um trabalho invisível e quando os homens se envolvem nessas tarefas é como exceção, como ajuda. Além das mulheres serem responsabilizadas por isso sozinhas, envolvendo grande sobrecarga de trabalho, ainda não está na agenda política o debate de como diminuir ou melhorar esse trabalho.”

No trecho seguinte Nobre analisa como a indústria de alimentos e outros fatores tem pressionado e se apropriado da escolha alimentar dos indivíduos ameaçando a soberania alimentar:

“A soberania alimentar implica a proteção das nossas culturas alimentares em um mundo marcado pelo crescente controle das corporações transnacionais sobre o que somos e o que sentimos. Mas, além da estratégia de marketing, tem a ver com a forma como a indústria organiza a nossa vida. Às vezes, temos jornadas maiores, gastamos horas no trânsito, não temos transporte público, vários fatores vão reduzindo o tempo que a gente tem para cuidar de nós mesmas e das pessoas que compartilham a vida com a gente. Como ainda não conseguimos compartilhar a responsabilidade do cuidado com os homens e somos mais e mais pressionadas pela sobrecarga o alimento processado aparece como forma de resolver essa tensão.

A agrônoma relata duas perspectivas distintas sobre o mesmo tema que convergiam para o mesmo entendimento no evento da Marcha Mundial das Mulheres. Durante uma articulação entre mulheres da Via Campesina e do Movimento Feminista: 

“Uma coisa que eu gostaria muito, numa perspectiva do ideal, é que a gente exercitasse mais o cozinhar coletivamente. Uma companheira camponesa nos disse: nós queremos resgatar a cozinha e vocês querem sair correndo dela. As companheiras do movimento feminista, principalmente dos países do norte, ficaram chocadas com a ideia de voltar a cozinhar. Mas cozinhar estava proposto como um ato político: nós, mulheres que vivemos nas cidades comprando cestas de produtos de agricultoras e pagando antecipadamente”.

Para concluir Nobre falou sobre a importância do cozinhar:

“É muito importante cozinhar, porque é importante a gente entender o que são os processos de sustentabilidade davida, o que nos mantém vivos”. 

Para acessar a íntegra da entrevista e fazer o download do .pdf acesse o link.

Uma visão semelhante sobre a presença histórica das mulheres na cozinha é transmitida na fala da escritora e ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em seu TEDx intitulado “Nós Deveríamos Todos Ser Feministas”  ela problematiza que o estigma de que a cozinha doméstica é lugar de mulheres é fruto de um consenso preconceituoso. Ela exemplifica que dentro dos lares as mulheres são pressionadas a se responsabilizar pelo preparo das refeições da família, e faz um contraponto de que quando o assunto é cozinha gourmet a predominância dos chefes é masculina. 


 



postado por Débora Castilho em Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Confira a 6ª edição da revista Ideias na Mesa!

A Rede Ideias na Mesa lança a sexta revista com um tema que está na pauta do dia, no Brasil e no mundo: o Cozinhar. A publicação propõe uma reflexão sobre as transformações que essa prática ancestral vem sofrendo ao longo do tempo. Também trata da sua importância para a nossa cultura, história e, principalmente, como espaço fértil para a promoção da saúde, partilhas, trocas de experiências e prática de habilidades.

Nessa edição, a Rede Ideias na Mesa traz experiências de brasileiros que estão apostando no resgate do saber culinário, como a primeiro Ponto de Cultura Alimentar, criado no Capão Redondo (SP), e uma entrevista especial com a feminista Miriam Nobre, que lança um olhar atual sobre a relação da mulher com o cuidado e a alimentação dos seus, num espaço onde ela não deve mais atuar de forma solitária, mas ao lado de amigos e família.

A revista Ideias na Mesa é uma publicação periódica da Rede Virtual Ideias na Mesa, e uma parceria entre o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (Opsan-UnB) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)

Você pode encontrá-la em nossa biblioteca ou acessá-la logo abaixo:

 


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