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postado por Carla Tavares de Moraes Sarmento em Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

arvore de maos

Em pleno século XXI, nosso país está entre as dez potencias mundiais, no entanto, como todos sabemos, enfrentamos uma crise econômica e social que tem aspectos crônicos, entre eles a educação, que sofre consequências deste momento, mas também é, de certo modo, também fator para esta mesma crise. O censo demográfico de 2010 revela que 4 milhões de crianças e adolescentes estão fora das escolas e metade da população não concluiu o ensino fundamental. Também não existe boa infraestrutura em muitas escolas,  metade dos professores da zona rural tem formação inadequada e as escolas urbanas tem número insuficiente de profissionais. (MANDELLI, 2012).

Atualmente, o conhecimento não está mais restrito aos livros ou personificado no professor. Hoje o saber é ilimitado e totalmente indominável (LEVY, 2000). E o professor deve ser um facilitador da inteligência coletiva, aprendendo junto com o aluno, e não mais um transmissor de conhecimento pré-formatado. Neste cenário, a produção do conhecimento, a reflexão, a análise crítica e as novas ideias acontecem em um processo articulado e simultâneo.

Diante disso, talvez o grande desafio seja como, em sala de aula,  colocar em prática um modelo de educação eficaz, considerando a necessidade de apresentar o conhecimento e a maneira como será percebido e apropriado pelo aluno.

A UNESCO apresenta um modelo de educação centrado em quatro pilares onde um não é mais importante que o outro e sim os quatro se completam na mesma intensidade e complexidade.

Os quatro pilares da educação são:

 

  1. Aprender a conhecer – um pilar que visa o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. O conteúdo não deve ser simplesmente passado para o aluno em uma via de mão única. O professor deve se valer do conteúdo para que o aluno aprenda a perceber a realidade dele e do mundo em que vive.
  2. Aprender a fazer – o aluno aprende a se relacionar, socializar e considerar a importância do trabalho em equipe em prol de um bem maior
  3. Aprender a viver – viver juntos, ou seja, aprender a viver com os outros. O professor deve ser capaz de desenvolver no aluno suas competências para transformar o que aprendeu.
  4. Aprender a ser – finalmente ter o conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, a relação com o outro. Se o aluno aprende a ser, ele não vai apenas repetir conceitos aprendidos anteriormente.

 

Nesse contexto, é possível questionar se, enquanto docentes de EAN, estamos conseguindo estimular que o futuro nutricionista aprenda a conhecer profundamente a realidade em que vivemos e aprenda a fazer, com os instrumentos existentes, um trabalho voltado às necessidades da nossa sociedade. Também vale a reflexão se estamos promovendo o  viver junto, a compreensão do outro na sua mais profunda vontade. E, por fim, ensinando a ser com sensibilidade, ética, responsabilidade e principalmente, permitindo que o outro também seja.

O pensar dessa maneira, talvez nos leve a criar um espaço em sala de aula que possibilite o crescimento não só do nosso aluno mas também do educador. E, segundo  o sociólogo Edgar Morin, “a revolução do sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão”. [Leia a entrevista aqui]

 

Carla  Tavares de Moraes Sarmento pela equipe Ideias na Mesa

Brasília 14 de julho de 2016

 

 

Referências: 

DELORS, Jacques (org.). Educação um tesouro a descobrir – Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora Cortez, 7ª edição, 2012. Disponível em:

http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por.pdf

LEVY, Pierre. Cibercultura. Tradução por Carlos Irineu da Costa. 2.ed. São Paulo: Editora 34, 2000. 264 p.

MANDELLI, Mariana. Censo escolar 2011: raio x da educação básica no país. Publicado no site Todos pela Educação em 26/04/2012. Disponível em:  http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/22473/censo-escolar-2011-raio-x-da-educacao-basica-no-pais/


 

 



postado por Maína Pereira em Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins

Dando continuidade aos pilares da educação, no segundo vídeo sobre Aprender a Fazer é destacado um trecho de uma das publicações de Rubem Alves:

“Os métodos clássicos de tortura escolar como a palmatória e a vara foram abolidos. Mas poderia haver sofrimento maior para uma criança ou um adolescente que ser forçado a mover-se numa floresta de informações que ele não consegue compreender e que nenhuma relação parecerem ter com sua vida?”

Neste pilar, Rubem Alves nos convida a entender que o fazer está relacionado a se apropriar da informação para gerar um pensamento e uma tomada de decisão.... Ele diz que as crianças têm fascínio a fazer várias coisas, como andar! Ele exemplifica que se fosse dada uma informação científica de como andar ou mostrássemos o nosso andar, a criança aprende a andar? Não! É necessário que ela experimente o andar!!! Uma forma é encostar ela na parede para ela se apoiar e então ela tentará dar passos à frente!!!

O pensamento só entra em ação quando provocado pelo desejo e pela falta!

Sem o desejo, o pensamento não funciona! Ele traz várias inteligências que os seres humanos possuem... Para exemplificar, ele compara a inteligência com o Pênis. Ambos são órgãos flácidos, preguiçosos, não querem nada, não produzem nada, mas se forem provocados, crescem, vão para o céu, fazem coisas fantásticas (risos). Assim, a função do professor é fazer a inteligência desejar, para fazer coisas extraordinárias, uma inteligência “erotizada”!

Outra questão é que a inteligência não pode ser estimulada por uma maneira fácil.... é necessário um pensamento mais avançado! Ou seja, o pensamento é uma realidade virtual de um objeto que se deseja produzir. Trazendo para o campo da Alimentação e Nutrição, Educar é tarefa complexa e ampla, envolve o reconhecimento de vários determinantes para a escolha dos alimentos por parte das pessoas e não simplesmente informar para a escolha! Porém, os caminhos para a motivação e tomada de decisão de alimentos saudáveis e adequados devem ser gerados pelo conflito entre o querer (desejo) e o que realmente é necessário para ter o hábito alimentar esperado para cada realidade.  

Por fim, Rubem Alves destaca a ideia para o pensamento e a Educação como a dança das ideias.... É justamente neste momento que surge a capacidade criativa do pensamento! Ele exemplifica a história do fogo... Ele destacou que a descoberta do fogo foi um ato criativo! Ou seja, uma dança de ideias, além de ter proporcionado uma herança cultural de vários tipos de alimentos preparados com o fogo, além deste elemento ter evitado o adoecimento e morte de milhares de pessoas ao longo da história das doenças.

Enfim, que tal construir ideias juntamente com os alunos para que eles consigam se apropriar de vários conhecimentos para gerar pensamentos e tomadas de ideias para a Educação Alimentar e Nutricional em vários espaços de práticas??? Para tal, é necessário que o currículo das escolas inclua o Aprender a Fazer nas escolas de Nutrição!

No próximo ano postaremos mais informações sobre os Pilares da Educação na narrativa deste grande Educador Rubem Alves, à medida que eles forem discutidos no Fórum de Formação em EAN. Você pode rever o post sobre o primeiro pilar da educação aqui!

Nos vemos em 2015 com muito mais novidades! Sorriso

 


*Se você é professor (a) da disciplina de educação e ainda não faz parte deste fórum, não hesite em nos contatar para se cadastrar! Basta nos enviar um e-mail: ideiasnamesa@unb.br.

 



postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins

Na última segunda-feira iniciamos a nova coluna no blog para refletirmos a formação em Educação Alimentar e Nutricional.

Para divulgar o foco do trabalho realizado no fórum de professores no 2º semestre sobre esta temática, a equipe do Ideias separou elementos de 4 entrevistas de Rubem Alves a respeito de dois dos 4 Pilares da Educação. 

Hoje vamos falar do primeiro pilar: Aprender a Aprender.

Assista:

O Educador tem que ter vontade de ensinar o mundo aos estudantes. Rubem Alves nos sugere que sejamos os professores que causem “espanto” nos alunos com nossa forma de apresentar os conteúdos a serem trabalhados e que façamos perguntas que agucem sua curiosidade e os impulsione para o desejo de aprender. Segundo ele, o Professor deve alimentar a curiosidade dos seus alunos e não ficar “preso” no programa curricular.

A grande razão disso é que, para este grande contador de histórias, o pensamento aguça a curiosidade e a inteligência.... As crianças adoram perguntar e isso é muito interessante! Ao longo dos anos, elas vão perdendo isso e se tornando mais presas à uma matriz curricular!! Isso é uma pena!!! Isso porque o ensino baseado na observação e na problematização gera hipóteses de planejamento ativo por parte dos envolvidos na realidade.

Neste trecho “A questão da inteligência não é saber fazer as respostas e, sim, fazer as perguntas”, Rubem Alves tem a ideia de criar um novo tipo de professor, o “professor do espanto”. Segundo ele, a missão do professor é mostrar aos alunos o espanto, fazer os estudantes pensarem! Ele afirma que é fundamental um professor de espanto antes do professor que já dá a resposta.

Um outro problema no processo de ensino e aprendizagem é que o processo de avaliação é sempre para avaliar a resposta.... Neste sentido, ele propõe: Por que não oferecer a resposta para o estudante gerar a pergunta? Ele exemplifica: A partir de um bolo apresentado ao aluno, qual a receita? Para Rubem Alves, isso significa na linguagem científica “fazer hipóteses”. Aí o aluno vai refletindo de como o bolo foi feito e quais os ingredientes usados!!! Fantástico para o aprender do estudante!!!

Ao final, é o trecho “fazem os alunos esquecerem de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não-saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento”. Vamos aprender a aprender??

 


Se você é professor (a) da disciplina de educação e ainda não faz parte do fórum, não hesite em nos contatar para se cadastrar! Basta nos enviar um e-mail: ideiasnamesa@unb.br.

 



postado por Ideias na Mesa em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins 

No 2º semestre deste ano, a Rede Ideias na Mesa inaugurou um novo Fórum. Este formado por professores universitários da disciplina de Educação Nutricional. A ideia é ampliar o debate em torno das mudanças no ensino da Educação em Nutrição, frente às novas dimensões e princípios da Educação Alimentar e Nutricional, amparada pelo Marco de Referência de EAN para as Políticas Públicas.

Assim, pensar em um ensino na graduação tendo como foco a metodologia ativa, problematizadora de diversas realidades no Brasil, nos traz a ideia de que precisamos reconstruir e resignificar o ato de comer, além de um ato mecânico e digestório. Este ensino precisa atualmente também incorporar as dimensões da sustentabilidade da produção, do acesso físico e financeiro como direito humano e também o planejamento de medidas educativas que nos apoiem em nossas escolhas alimentares. Por isso, os professores estão sendo convidados a construir de forma coletiva neste fórum novas abordagens para o planejamento pedagógico da disciplina de Educação Alimentar e Nutricional.

A equipe de moderadoras, após observar as principais características das disciplinas ministradas em várias instituições de ensino no País e também os comentários dos professores participantes por meio de um questionário eletrônico, percebeu que a nutrição precisava se aproximar de pensamentos de educadores.

Como ponto de partida, se destacaram a curiosidade e a motivação, como requisitos fundamentais para o planejamento de uma nova realidade e isso se tornou o foco do 5º Hangout da Rede em outubro. Neste encontro, foi proposto um novo olhar do docente em torno da realidade apresentada por um acadêmico de Nutrição e também os desafios narrados por uma pedagoga para propiciar ao Nutricionista o papel de Educar para Hábitos alimentares saudáveis e adequados.

Olha o hangout aí:

Para divulgar o foco do trabalho realizado no fórum de professores no 2º semestre, a equipe separou elementos de 4 entrevistas de Rubem Alves a respeito de dois dos 4 Pilares da Educação. Para conhece-los, aguarde os próximos posts desta semana na mais nova coluna temática do blog que tratará a respeito da formação em Educação Alimentar e Nutricional.

E se você é professor (a) da disciplina de educação e ainda não faz parte deste fórum, não hesite em nos contatar para se cadastrar! Basta nos enviar um e-mail: ideiasnamesa@unb.br

 



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