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Posts Relacionados com a(tag):Transgênicos

postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Desde meados de 2016 a Globo passou a exibir no horário nobre de sua programação e com múltiplas entradas a campanha "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo". Concebida pela gerência de Marketing e Comunicação da própria emissora, os vídeos de 1 minuto continuarão a ser "martelados" nos intervalos das novelas, jornais e programas até junho de 2018.

Segundo os criadores, a campanha têm entre outros objetivos:

"tratar a importância dos produtos agrícolas e das coisas do campo; procuramos também sempre citar quantos empregos aquela atividade agrícola gera e quanto ela movimenta na economia"

O Brasil é sem dúvida um país de vocação agrícola fruto de nossa exuberante biodiversidade, e não por outra razão, tivemos em nossas terras desde que os europeus "descobriram" nossos povos indígenas e nossas riquezas naturais, seguidos ciclos de produção capitaneados por diferentes caravanas colonizadoras. Nos dias de hoje, essa riqueza agrícola continua, sem sombra de dúvidas, a movimentar a economia brasileira. Mas o que realmente está por trás da campanha "Agro é Pop" e quais as verdades inconvenientes que ela tenta esconder?

Agro é Tech   

A retórica de que o agronegócio gera riquezas e atua no combate a fome não é recente e nem exclusividade brasileira. A "Revolução Verde" iniciada nos Estados Unidos na década de 50, e que de verde mesmo teve só o nome da cor, trouxe a promessa de acabar com a fome no mundo através do uso da tecnologia aumentando a produção de alimentos. Em termos absolutos, a produção de gêneros alimentícios aumentou, mas mesmo décadas depois, problemas como a fome e a insegurança alimentar e nutricional continuam a assolar mais de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo.

O grande legado da dita "Revolução Verde" foi na verdade a concentração de grandes porções de terras nas mãos de poucos latifundiários e o escoamento de pacotes tecnológicos e de insumos por multinacionais estrangeiras que incluíam agrotóxicos com princípios ativos excedentes da segunda guerra mundial, fertilizantes químicos e sementes transgênicas destinados a países em desenvolvimento como o Brasil.

Em território nacional, agrotóxicos banidos na União Européia e em outros países no mundo circulam com isenção de impostos e linhas de créditos bancárias para pequenos agricultores condicionadas ao uso dos venenos. Esse cenário levou o Brasil à condição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo com sérias implicações para a saúde humana incluindo consumidores e trabalhadores rurais, e para o meio ambiente. A Associação Brasileira de Saúde coletiva (ABRASCO), compilou em 2015 sua versão mais recente do Dossiê: "Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde", livro com mais de 600 páginas reunindo artigos, estudos e pesquisas mostrando entre outros aspectos, as contaminações pelo uso de agrotóxicos que vão desde o comprometimento de aquíferos locais até a presença de compostos tóxicos no ar e no leite materno.

Além de se destacar no consumo de agrotóxicos, o agronegócio brasileiro também nos colocou no patamar de maiores produtores de milho e soja transgênica ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Do ponto de vista da segurança para saúde humana do consumo de organismos geneticamente modificados (OGM), a publicação "Lavouras Transgênicas" analidou 750 trabalhos publicados e mostrou que a única certeza é de que não existe consenso científico sobre o consumo seguro deste tipo de alimento. Não resta dúvidas, no entanto, dos sérios agravos para biodiversidade, soberania e segurança alimentar causados pelo monopólio de patentes das multinacionais que controlam a produção de OGM. Recentemente a equipe do IM traduziu matéria alertando que pequenos agricultores da Tanzânia, estão sendo criminalizados por utilizar e trocar sementes nativas ao invés de comprar as sementes transgênicas  da Syngenta. A situação de extrema gravidade não é exclusividade do país Africano e se repete em outras regiões.

O Brasil saiu em 2015 pela primeira vez na história do mapa da fome segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e essa conquista foi possibilitada não pelo modelo "Agro Tech" sinônimo de agrotóxicos e sementes transgênicas. De acordo com a entidade, os principais fatores que possibilitaram essa conquista foram as políticas de combate a fome e insegurança alimentar e nutricional que resultaram nos programas como o "Fome Zero" e o "Bolsa Família". As iniciativas de transferência de renda e o fornecimento de uma alimentação adequada e saudável por meio de diferentes ações e programas foram de fundamental importância para esse novo cenário.

O que a campanha do agronegócio esconde atrás do "Tech" é o que ele realmente significa e quem verdadeiramente lucra com as riquezas geradas. Acompanhe a coluna de quinta feira para saber da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo", leia aqui. 


 



postado por JOSIANE RODRIGUES DE BARROS em Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

Dando continuidade aos conteúdos relacionados à "Agroecologia e Sustentabilidade" do mês de fevereiro, escolhemos um filme que contribui na reflexão do consumo consciente e sustentável.

A percepção de que necessitamos de um sistema alimentar mais saudável e sustentável e a busca de respostas pelo que realmente estamos consumindo, nossas escolhas alimentares e o que de fato está chegando nas nossas mesas são cada vez mais comuns. O documentário "OMG GMO" aborda algumas dessas questões principalmente no que diz respeito a utilização de sementes transgênicas e suas consequências.

Dirigido por Jeremy Seifert, o documentário americano com duração de 90 minutos, retrata como as grandes corporações estão modificando geneticamente as sementes e controlando as patentes. Ao investigar e tentar entender melhor a alimentação de seus filhos, a protagonista  se dá conta do consumo crescente dos alimentos transgênicos e inicia uma busca incessante para tentar responder suas indagações, mas principalmente: " é possível rejeitar o sistema alimentar atual ou já perdemos algo que não podemos ganhar de volta?"

Nessa perspectiva, o uso dos transgênicos não só ameaça a saúde, a segurança alimentar e nutricional e o meio ambiente como nos faz repensar sobre os estilos de vida e o futuro da biodiversidade agrícola.

Você comeria algo que não se sabe até que ponto é realmente seguro? Quais os riscos para nossa saúde? E o impacto para o planeta? Até que ponto a nossa tradicional plantação pode ser substituída pela transgênica? E a extinção de sementes nativas? E o nosso direito de escolha?

Ganhador de prêmios de Melhor Filme Júri Popular do Yale Environmental Fim Festival e de Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema de Berkshire, o documentário é uma boa dica para refletirmos sobres os questionamentos levantados e problematizar essa situação.

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

Alimentos orgânicos, já ouviu falar? Temas um pouco menos comuns como a produção agroecológica, técnicas agroflorestais e hortas comunitárias começam a também ser cada vez mais popularizados. No [Comida na Tela] de hoje sugerimos um documentário que revela a urgência destes modelos alternativos para solucionar o sistema agroalimentar insustentável que nos é imposto.

“O mundo segundo a Monsanto” é dirigido pela jornalista francesa Marie-Monique Robin e coproduzido entre França, Canadá e Alemanha. Com 108 minutos e lançado em 2008, o documentário continua a representar o cenário atual mesmo após quase uma década. Os relatos e dados apresentados contam a história da maior fabricante de sementes transgênicas mundial que se fundiu recentemente com a Bayer, outra gigante do ramo farmacêutico e dos agrotóxicos a adubos químicos. A multinacional é a maior produtora de grãos geneticamente modificados como milho, soja e algodão – um dos principais responsáveis pelo desmatamento e utilização intensiva de agrotóxicos no Brasil.

O carro chefe da marca é um agrotóxico chamado Round Up, feito a partir do ingrediente ativo glifosato que já foi banido em diversos países ao redor do mundo devido à sua alta toxicidade. Os impactos negativos para a população e o meio ambiente são extensos, e o documentário discute alguns deles. Questões envolvidas neste modelo insustentável como política, poder e dinheiro se sobressaem aos interesses da saúde coletiva e de direitos sociais, e também são questionados no documentário.

Entenda como é o mundo segundo a Monsanto, e como sem saber, nós vivemos nele:


 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quinta-feira, 04 de Agosto de 2016

Alimentos transgênicos representam o modelo de produção em larga escala com amplo emprego de tecnologias genéticas, fertilizantes químicos e agrotóxicos. São pouco familiares para alguns, trazem dúvidas para vários, mas um ponto é fato, a maioria de nós os consome com considerável frequência até mesmo sem imaginar.

Em um trabalho para o Jornal Ligature, os fotógrafos Enrico Becker e Matt Harris apresentaram sua ótica interpretando frutas transgênicas sob a perspectiva da arte. As cores naturais de cascas e interiores dão lugar a tons pastéis monocromáticos, que apesar de visualmente interessantes, promovem um distanciamento daquilo que seriam as frutas in natura. Os artistas brincam também com a propriedade das frutas inserindo um código de barras em todas elas, da forma que a partir do momento em que são geneticamente modificadas, elas passam a ser propriedade de alguma empresa, e não mais livremente pertencentes ao espaço natural.         

Soja e milho são os carros chefe da produção transgênica e o Brasil é o segundo maior produtor destes grãos no mundo. Cientistas, grupos de pesquisas e empresas multinacionais vivem em uma guerra de braço constante sobre o tema. De um lado, os que tentam a todo custo afirmar que eles são seguros e portanto sua produção deve continuar a todo vapor, e do outro, os que apontam os riscos à saúde e os incontáveis agravos socioambientais. Enquanto isso, nós, os consumidores, estamos cada vez mais expostos a esses alimentos.

Não é apenas quando comemos uma espiga de milho, ou alguma preparação com soja – se não forem orgânicos ou agroecológicos é praticamente certo que são transgênicos – que estamos ingerindo estes alimentos, mas a grande maioria dos produtos industrializados utilizam milho e a soja como matéria prima barata de base. Fécula de milho, bolos pré-preparados, fermento biológico, biscoitos e salgados, e tantos outros, além é claro, dos produtos mais óbvios como óleo e leite de soja, e milho em conserva por exemplo.           

A série de fotografias com frutas alteradas nos permite visualmente problematizar a questão da transgenia tanto do ponto de vista da naturalidade dos alimentos quanto da transformação dos mesmos em mercadoria e propriedade. 

Para conferir mais imagens acesse o link.


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Em novembro de 2015 foi realizada a 5ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional com o lema “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”. O evento reuniu mais de 2 mil pessoas dos 26 estados mais o Distrito Federal entre conselheiros, gestores e representantes da sociedade civil.

A abertura do evento contou com a fala inspiradora da indiana Vandana Shiva – filosofa, ativista ambiental e eco feminista - autora de dezenas de livros e premiada internacionalmente por seu protagonismo na luta contra os alimentos geneticamente modificados, agrotóxicos e aquecimento global. Vandana iniciou seu ativismo e pesquisas na área em 1984, quando uma usina produtora de pesticidas se rompeu em Bhopal, Índia matando três mil pessoas de imediato e mais de trinta mil como consequência.

A primeira reflexão que Shiva nos propõem é a dimensão do domínio das empresas multinacionais de agrotóxicos e transgênicos que detém o monopólio da produção agrícola com a falsa premissa de “produzir para acabar com a fome no mundo”. Argumento prontamente rebatido pela oradora que demonstra que estas indústrias concentram monoculturas de soja, milho e algodão com emprego massivo de agrotóxicos, e comenta que na verdade, o que elas produzem não são alimentos para acabar com a fome no mundo, mas sim commodites comerciais e um pacote de produtos químicos.       

O monopólio de sementes transgênicas e pesticidas colocam em risco não apenas a saúde dos trabalhadores e da população, mas também a biodiversidade e a soberania dos agricultores locais. Eles são pressionados de todas as formas a funcionar dentro da lógica deste modelo agrícola industrial dominante conhecido como agronegócio. A ativista não apenas pontua os prejuízos deste modelo, mas apresenta as alternativas para preservar a biodiversidade e garantir a soberania e segurança alimentar dos povos através da agroecologia e da produção orgânica.

Inspire-se com a fala e os caminhos para construção de um sistema alimentar verdadeiramente saudável e sustentável:     

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 10 de Maio de 2016

 

Durante o mês de maio estamos dando ênfase em posts relacionados à temática dos agrotóxicos e transgênicos, e no quadro de hoje, disponibilizamos a visão do jovem Birke Baehr - 11 anos quando gravou - sobre o tema durante o TEDx “nova geração” em Asheville.

Apesar da pouca idade, Birke apresenta os motivos que o levaram a querer ser um produtor orgânico, “abandonando” o seu desejo de ser um jogador profissional da NFL. Após uma viagem pela estrada com seus familiares aos 9 anos, o garoto passou a estudar sobre práticas produtivas orgânicas e sustentáveis e passou a disseminar estes conhecimentos sobre o sistema alimentar com seus colegas.

De maneira direta Birke fala sobre como a indústria alimentícia tenta passar a mensagem, inclusive à crianças de sua faixa estaria, de que produzem com responsabilidade ambiental, quando na verdade se utilizam de práticas para intensificar a produção e massificar seus produtos com o emprego de sementes transgênicas. Neste ponto, o maior exemplo são as plantações de milho dominadas por sementes transgênicas e que servem como subproduto para a maioria dos alimentos ultraprocessados.

Através de sua fala ele também identifica a proximidade do uso de sementes transgênicas e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Tais práticas coexistem dentro do sistema do agronegócio com o intuito de aumentar os lucros produtivos em detrimento da saúde ambiental e da população.

O jovem palestrante apresenta alternativas de como podemos contribuir para um sistema mais saudável e sustentável, através de atitudes como comprar alimentos orgânicos de produtores locais, desta forma estamos cuidando da nossa saúde, do meio ambiente e favorecendo um comércio justo.

 




postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Sexta-feira, 06 de Maio de 2016

Valendo-se da temática de agrotóxicos e transgênicos que apresentaremos em algumas atividades do mês de maio, o [Comida na Tela] de hoje divulga um documentário produzido em 2013 pela rede produtora Fiocruz, e conta com a participação de inúmeros colaboradores, dentre eles o professor Wanderlei Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso. 

 

 

O projeto, que possui cerca de 23 minutos de duração, apresenta através de entrevistas e depoimentos, informações extremamente importantes que auxiliam na compreensão da participação dos agroquímicos em nosso sistema alimentar. No documentário, vários questionamentos são realizados, como alguns elencados logo abaixo.

O Mato Grosso é um estado brasileiro que possui uma conformação econômica voltada aos latifúndios de exportação de commodities. Detentor da maior produção de soja, milho, gado e algodão do país, ocupa também o lugar de maior consumidor de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Há um grande investimento por parte das empresas em novas tecnologias, novas sementes com novas conformações genéticas, novos produtos e substâncias. Porém, onde está o investimento na saúde do trabalhador que se intoxica diariamente durante o manejo desses insumos? E os agravos às nascentes, ao solo, à vegetação, aos biomas e às terras indígenas e quilombolas? Estes produtos inclusive, tem o potencial de contaminar até o leite materno, e se espalhar para hortas orgânicas através da evaporação e consequente precipitação nas chuvas!

Vale a pena tirar um tempinho do dia e assistir este vídeo para se atualizar e refletir um pouco mais sobre o nosso atual sistema agroalimentar. Fica a dica!

 

 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

O Ministério do Desenvolvimento Agrário lançou um livro com formato inovador reunindo 750 trabalhos de pesquisadores independentes que tiveram seus artigos publicados em revistas de indexação dentro do campo da transgenia. O diferencial deste livro é que ao contrário de revisões bibliográficas que apresentam publicações sobre determinados temas, questionamentos são colocados sobre aspectos do debate científico no campo da transgenia para, em seguida, apresentar um elenco de referências bibliográficas que contrariam versões desse debate adotadas por agências reguladoras e divulgadas em campanhas de marketing das empresas produtoras de transgênicos.

Um dos fatores que motivou a elaboração deste trabalho foi que pelo quinto ano consecutivo o Brasil foi o segundo maior produtor de plantas transgênicas no mundo, já ultrapassando 40 milhões de hectares de área cultivada para este fim. Estes números justificam a importância de se monitorar os impactos ambientais, e principalmente na saúde dos seres humanos.

A síntese dos 750 trabalhos mostra que não existe consenso científico em relação ao uso dos transgênicos para saúde das pessoas, assim como para sociobiodiversidade. Além disto, as informações contidas neste trabalho reforçam a necessidade de análises críticas do atual modelo de desenvolvimento de produção. 

Acesse o link para o livro em nossa biblioteca.



postado por Débora Castilho em Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Na última terça-feira (09/06) o Sala de Convidados, programa do Canal Saúde da Fiocruz, discutiu a questão dos alimentos transgênicos em oposição aos orgânicos. O programa trouxe o tema que está em debate na sociedade e contrapôs os pontos positivos e negativos desses dois tipos de alimentos.

Para discutir o assunto, foram convidados: o Engenheiro Agrônomo e assessor técnico da AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa, Gabriel Bioconi Fernandez; a Doutora em Biologia e Diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Adriana Brondani; o integrante do Comitê do Rio de Janeiro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela vida e Professor e Pesquisador da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz, André Búrigo; e o pesquisador da UFRJ, Paulo Cavalcante Ferreira.

Os transgênicos são vegetais geneticamente modificados para aumentar a produtividade, a resistência a pragas ou ao uso de pesticidas. Os efeitos dessas modificações para a saúde e para o meio ambiente ainda não são inteiramente conhecidos. Já os orgânicos são os alimentos sem modificações, cultivados de forma natural, sem o uso de fertilizantes ou agrotóxicos.

Recentemente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), juntamente com outras organizações da sociedade civil, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), lançaram uma carta se posicionando contra o Projeto de Lei 4.148/2008, que prevê acabar com a rotulagem dos transgênicos, que retira do consumidor o direito de saber se um alimento contém ou não ingredientes transgênicos. Entre os possíveis males relacionados ao consumo de alimentos geneticamente modificados está a correlação identificada no Dossiê Abrasco sobre o Uso de Agrotóxicos entre o aumento do cultivo de transgênicos e o de uso de agrotóxicos nessas plantações.

Os orgânicos apresentam vantagens comprovadas para a saúde como o fato de conterem cinco vezes menos resíduos químicos e estarem 33% menos expostos a bactérias resistentes a antibióticos. Os especialistas analisaram e debateram esses e outros dados a respeito do assunto.

E você, qual a sua opinião sobre o assunto? Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo!

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 26 de Maio de 2015

É indiscutível que o assunto transgênicos, foi  uma das pautas que mais movimentaram as discussões no país nesses últimos dias, por conta da lei que retira o símbolo da transgenia na rotulagem de produtos que contêm componentes transgênicos.

Dessa forma o [Pensando EAN] apresenta uma entrevista dada durante o III Encontro Internacional de Agroecologia, por Vandana Shiva, física, ecofeminista, ativista ambiental e considerada a inimiga número um dos transgênicos.

Na entrevista, Shiva afirma que existe uma ditadura dos alimentos, onde poucas e grandes empresas controlam toda a cadeia produtiva. As quatro faces que determinam a comida, são todas controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras cinco; e o varejo está nas mãos de gigantes hipermercados, que tiram o varejo dos pequenos comércios comunitários e com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os consumidores. 

Uma das maneiras de combate a esse monopólio  sobre a alimentação mundial é através do ativismo na hora de comer produtos saudáveis e de qualidade, reforçando que o ato de comer também é um ato político.

"A única maneira de reverter essa situação é cada pessoa fazer seu papel de recuperar a liberdade e a democracia do alimento. Afinal, cada um de nós come duas ou três vezes ao dia. E o que nós comemos decide quem somos, se nosso cérebro está funcionando corretamente, ou nosso metabolismo está saudável ou, se por conta de micronutrientes, estamos nos tornando obesos. Isso afeta todo mundo: os mais pobres porque lhes foi negado o direito à comida; mas até os que podem comer porque não estão comendo comida. Chamo isso de anticomida, porque a comida deveria nos nutrir. A comida mortal que as corporações estão trazendo para nós destrói a capacidade da comida de nos nutrir e no lugar disso está nos causando doenças".

Ela acredita que o modo de alimentar o mundo de forma segura é livrando-se das sementes transgênicas e do monopólio que essas empresas impõem aos consumidores.

 O compromisso com as pequenas fazendas e seus agricultores, proteger a biodiversidade, a terra, os próprios fazendeiros e a saúde pública fazem parte das soluções que podem garantir a segurança alimentar e nutricional da população do mundo.

"Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões de anos de evolução das espécies".

Defensora da agroecologia, Vandana enxerga esse movimento como uma saída para esse monopólio alimentar controlado pelas grandes corporações e modelo de valorização à diversidade de alimentos existente no mundo, enfatizando que os mecanismos científicos de produção de alimentos estão defasados.

"Os antigos mecanismo da ciência são como um dinossauro. Temos que ter um olhar que valorize os modos de produção tradicionais. A agroecologia tem os recursos e o mundo está acordando para isso".

Dessa forma propõe o repensar todo o sistema que compõe a produção de alimentos, mudar da agroindústria para a agroecologia, mudar da distribuição global para uma distribuição local e mudar de um sistema violento para um sistema pacífico, que inclua a comunidade nos processos produtivos.

"O modelo agroecológico caracteriza-se  pela diversidade, conhecimento popular, o melhor da ciência, e levando efetivamente a comida às pessoas".

"Podemos ir do industrial e global para ecológico e local".

Veja toda a entrevista no vídeo abaixo: 

 



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