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Posts Relacionados com a(tag):Sustentabilidade

postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Março de 2017


O dia 22 de março é anualmente conhecido como o Dia Mundial da Água desde 1992 quando foi instituído como tal pela Organização das Nações Unidas. A cada ano, a data que é “celebrada” para conscientizar a população sobre a importância deste valioso recurso natural ganha um significado ainda maior.

Ao redor do globo e mais especificamente no Brasil, as seguidas crises hídricas somadas a realidade de regiões que ainda sofrem com a falta de acesso à água potável e saneamento, não deixam dúvidas de que é urgente a tomada de decisões para preservar as reservas e aquíferos. É também evidente que para gerir esse recurso de maneira sustentável, não basta aguardar de forma passiva que os regimes de chuva reponham indefinidamente os reservatórios de água enquanto acontecem as mais diversas formas de desperdício e a má utilização da água. Estratégias que garantam uma utilização mais responsável e consciente dos recursos hídricos são imprescindíveis para a sustentabilidade de diferentes sistemas.  

Nesse contexto, disponibilizamos em nossa biblioteca um material informativo elaborado pela ONU lançado para o Dia Mundial da Água 2017 intitulado “Por que desperdiçar água?”. Nele, são compartilhadas informações relacionadas às potencialidades da reutilização de águas residuais assim como a tomada de atitudes para minimizar os desperdícios. O folheto foi desenvolvido no contexto do Objetivo Para o Desenvolvimento Sustentável do Milênio número 6 que tem como premissa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para a população.   

Algumas das principais mensagens da publicação:

  • Mais de 80% das águas residuais geradas pela sociedade flui de volta para o ecossistema sem ser tratada ou reutilizada
  • 1,8 bilhão de pessoas usam uma fonte de água potável contaminada com diferentes poluentes. Água insalubre e saneamento e higiene deficientes causam cerca de 842.000 mortes a cada ano
  • Até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades, em comparação com 50% atualmente
  • A maioria das cidades nos países em desenvolvimento não tem infraestrutura e recursos adequados para lidar com a gestão das águas residuais de uma maneira eficiente e sustentável
  • Os custos da gestão de águas residuais são grandemente compensados pelos benefícios à saúde humana, ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade ambiental, oferecendo novas oportunidades de negócios e criando mais empregos “verdes”

Além dos padrões de consumo e o não reaproveitamento de água que acontecem a nível residencial, o documento traz uma reflexão sobre os dois setores que juntos correspondem por mais de 80% de toda água consumida no planeta, e por consequência, contabilizam a maior parte dos desperdícios e contaminações. Acesse a íntegra do documento em nossa biblioteca.   


 



postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 07 de Março de 2017

Durante o mês de Fevereiro, a Rede Ideias na Mesa abordou uma temática vital para o nosso futuro: Agroecologia e Sustentabilidade. E como muita coisa rolou por aqui, no post de hoje destacamos as matérias imperdíveis que exploraram esse tema! Não deixe de acessar para ler, se inspirar e agir para conquistarmos um Sistema Alimentar mais justo e sustentável. 

Para Assistir: 

[Comida na Tela] Dive - Living Off America Waste

[Comida na Tela] Mais que Mel

[Comida na Tela] OMG GMO

Para refletir:

As verdades inconvenientes que a campanha "Agro Pop" tenta esconder

As verdades inconvenientes que a campanha "Agro Pop" tenta esconder: Segunda parte

[Pensando EAN] Como o incentivo às energias renováveis pode estimular o desenvolvimento de sistemas alimentares mais saudáveis

[Pensando EAN] Preservar as sementes tradicionais para salvaguardar a biodiversidade

Para se inspirar:

[Mais que Ideias] 10 dicas para incluir orgânicos e agroecológicos na alimentação sem pesar no bolso

[Mais que Ideias] As potencialidades da Agricultura Urbana e Periurbana

[Você no Ideias] Horta em Prosa: Troca de saberes e sementes crioulas com participantes de um Centro de Convivência

[Biblioteca do Ideias] O futuro da Alimentação e da Agricultura, tendências e desafios

No mês de março exploraremos temas relacionados à cultura e patrimônio  alimentar trazendo notícias e postagens reflexivas nas colunas do blog, acompanhe nossas redes e fique por dentro! 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

A capacidade da humanidade se alimentar no futuro está em perigo devido à intensificação da pressão sobre os recursos naturais, à crescente desigualdade e às consequências trazidas pelas mudanças climática, de acordo com um novo relatório da FAO, que é tema do [Biblioteca do Ideias] de hoje.

Apesar de termos alcançado progressos reais e significativos para a redução da fome no mundo, nos últimos 30 anos, "aumentar a produção de alimentos e crescer economicamente têm, muitas vezes, um custo muito alto para o meio ambiente", diz o relatório "O Futuro da Alimentação e Agricultura: Tendências e Desafios". 

"Quase metade das florestas que cobriam a Terra desapareceram. As fontes de água subterrânea estão sendo esgotadas rapidamente. A biodiversidade foi profundamente corroída", observa.

Até 2050 a população mundial deve atingir os 10 bilhões de pessoas. Em um cenário com crescimento econômico moderado, esse aumento da população aumentará a demanda global de produtos agrícolas em 50% em relação à atual demanda, intensificando as pressões sobre os já esgotados recursos naturais.

Ao mesmo tempo, mais pessoas estarão comendo menos cereais e mais carnes, frutas, legumes e alimentos processados - um resultado de uma transição alimentar global em curso que irá adicionar ainda mais pressão ao sistema alimentar, provocando mais desmatamento, degradação da terra e aumentando a emissão de gases causadores do efeito de estufa.

Juntamente com estas tendências, as mudanças climáticas vão adicionar obstáculos. 

O relatório dá esperança quando apresenta a possibiidade de acabarmos com a fome no mundo a partir de sistemas agrícolas e alimentares sustentáveis que satisfaçam as necessidades de uma população mundial crescente. Mas alerta sobre a importância de "grandes transformações" para que isso aconteça. 

"Sem esforços adicionais para promover o desenvolvimento em prol dos pobres, reduzir as desigualdades e proteger as pessoas vulneráveis, mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão subnutridas em 2030", diz.

O relatório discute ainda que os sistemas agrícolas que usam insumos e recursos intensivos, que causam desmatamento, escassez de água, esgotamento do solo e altos níveis de emissões de gases de efeito estufa, não podem fornecer alimentos e produção agrícola sustentável, por isso devem ser substituídos por métodos sustentáveis. 

Ainda segundo o relatório as 15 tendências para o sistema alimentar são:

- Uma população mundial em rápida expansão marcada por "pontos quentes" de crescimento, urbanização e envelhecimento

- Diversas tendências no crescimento econômico, renda familiar, investimento agrícola e desigualdade econômica.

- Maior competição pelos recursos naturais

- Alterações Climáticas

- Poucas alterações relacionadas à produção agrícola

- Doenças transfronteiriças

- Aumento dos conflitos, crises e desastres naturais

- Persistência da pobreza, desigualdade e insegurança alimentar

- Transições alimentares que afetam a nutrição e a saúde

- Alterações estruturais nos sistemas econômicos e implicações no emprego

- Aumento da migração

- Mudança dos sistemas alimentares e consequentes impactos nos meios de subsistência dos agricultores

- Persistência de perdas de alimentos e desperdício

- Novos mecanismos de governança internacional para responder a questões de segurança alimentar e nutricional

- Mudanças no financiamento internacional para o desenvolvimento.

E os 10 desafios são:

- Adotar práticas agrícolas mais sustentáveis

- Garantir uma base sustentável de recursos naturais

- Abordagem das alterações climáticas e intensificação dos riscos naturais

- Erradicar a pobreza extrema e reduzir a desigualdade

- Eliminar a fome e todas as formas de desnutrição

- Tornar os sistemas alimentares mais eficientes, inclusivos e resilientes

- Melhorar as oportunidades de obtenção de rendimentos nas zonas rurais e abordar as causas profundas da migração

- Fortalecer a resistência para superar crises prolongadas, catástrofes e conflitos

- Prevenção das ameaças transfronteiras e emergentes da agricultura e do sistema alimentar

- Abordar a necessidade de uma governança nacional e internacional coerente e eficaz

O resumo desse relatório em espanhol pode ser acessado aqui e o completo em inglês está aqui.



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

"Mostrar soluções e contar algumas boas histórias. Estas podem ser as melhores formas de solucionar as crises ecológica, econômica e social que os países tem enfrentado". É nesse espírito que os franceses e Diretores Mélanie Laurent e Cyril Dion reuniram uma equipe de mais quatro integrantes e rodaram por dez países para produzir o filme 'Demain - Amanhã'.

Instigados com uma publicação periódica da Nature que anunciou a possibilidade de extinção de parte da humanidade antes do final do século 21, os diretores decidiram iniciar uma investigação passando por diferentes continentes para descobrir o que poderia causar esse desastre e como preveni-lo.

O filme documental tem duração de 1h e 58 minutos e ganhou um prêmio "César Awards", equivalente francês do Oscar, como melhor documentário de 2015. Diferentemente de outros documentários do gênero, Demain opta  por destacar as alternativas que têm sido colocadas em prática em várias localidades ao invés de focar nos aspectos "catastróficos" gerados por desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos. O filme por si só já é um colírio para os olhos e música para os ouvidos com uma fotografia linda e trilha sonora impecável, e para além das qualidades sensoriais, os temas investigados são de extrema sensibilidade.

O documentário é dividido em 5 partes que apresentam como as pessoas tem reinventado os campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação para um mundo mais justo e consciente. Durante a jornada foram visitados dez diferentes países incluindo Europa, Índia e Estados Unidos da América, e entrevistados ativistas, diretores, economistas e coordenadores de ONG's e projetos entre outros.

É sem dúvida um dos documentários mais interessantes que fala sobre segurança alimentar e nutricional contextualizada com outras temáticas socioambientais, não deixe de assistir!

O filme está disponível no Netflix (procure pelo nome em francês Demain) e também é possível encontrá-lo legendado no youtube. Os diretores criaram um site compilando as informações, personalidades e experiências compartilhadas durante o longa.          



 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016

O documentário americano "Food Choices" (Escolhas Alimentares) é a mais recente produção relacionada ao sistema e escolhas alimentares. Lançado em setembro de 2016 e dirigido e escrito pelo Produtor e Cineasta vencedor de prêmios Emmy Awards Michal Siewierski, o filme com duração de 91 minutos busca problematizar os impactos de nossas escolhas alimentares não apenas no nosso corpo e saúde, mas também no  planeta terra.

Michal Siewierski documentou durante três anos a sua "jornada em busca da verdade" sobre as nossas escolhas alimentares. Este documentário quebra paradigmas ao explorar o impacto das nossas atitudes em relação ao consumo e como isso influencia na nossa saúde, na saúde do planeta e na vida de outras espécies animais. A desinformação relacionada à determinados aspectos alimentares e das dietas também é abordado, oferecendo uma nova perspectiva para refletir sobre os temas. Mais de 25 especialista de diferentes campos foram entrevistados incluindo nutricionistas, doutores, pesquisadores ambientais, bioquímicos, atletas e chefes.        

Dentre as principais reflexões levantadas estão fenômenos que a maior parte das pessoas nunca pensou que poderia ter alguma relação com alimentação. A emissão de gases do efeitos estufa que influenciam no aquecimento global por exemplo não é gerada apenas pela combustão de combustíveis fósseis, mas de igual ou proporções ainda maiores pela atividade pecuária. O desmatamento de florestas, perda da biodiversidade e a contaminação de ambientes aquáticos e reservas hídricas é uma outra consequência que determinadas escolhas alimentares retroalimentam.

O documentário pode ser assistido no Netflix e nas plataformas indicadas na página oficial. Confira o trailer com legendas: 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

O livro Geografia da Fome escrito pelo Médico Sanitarista e premiado estudioso Josué de Castro em 1946 continua a trazer contribuições de extrema relevância para as discussões de Segurança Alimentar e Nutricional na atualidade.

Nesse sentido, o Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA) que foi inaugurado recentemente, realizou atividade intitulada "70 anos da obra Geografia da Fome - Josué de Castro" que compartilhamos no [Pensando EAN] de hoje. O Observatório surgiu no sentido de revelar o cenário da alimentação atual e melhor compreender os contextos que envolvem os hábitos alimentares. Ele busca também integrar uma produção acadêmica e ações em sintonia com os anseios da sociedade de forma a cooperar no fortalecimento de políticas públicas e na agenda de Soberania e Segurança alimentar e Nutricional.

Em uma das colunas do blog - "Pitada de Opinião" - a Geógrafa Beatriz Carvalho estabelece um paralelo entre a obra de Josué e o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Beatriz sintetiza o pioneirismo de Geografia da Fome que analisou de maneira profunda o fenômeno da fome no território brasileiro, e levou em consideração as especificidades regionais de um país com proporções continentais. Já naquela época, Josué de Castro propunha um debate mais amplo sobre a desnutrição da população, e elevou o debate sobre o grave problema a uma discussão não reducionista sob a perspectiva de falta de nutrientes, mas um problema decorrente da falta de acesso e má distribuição de alimentos.

O diagnóstico e as discussões propostas ainda em 1946 possibilitaram avanços, ainda que os resultados tenham demorado a aparecer. O Brasil recentemente saiu pela primeira vez do Mapa da Fome, de acordo com a ONU, ao adotar políticas e programas que interferiram diretamente nos determinantes da fome. Não por acaso, as conquistas comprovaram o que há mais de meio século já era problematizado.

No contexto atual, temas como a transição agroecológica, agricultura familiar e periurbana e a aproximação entre os produtores e consumidores se mostram como caminhos para continuar os avanços problematizados por Josué de Castro. Pensada sob uma perspectiva mais ampla, a garantia da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional pressupõe relações socioeconômicas mais justas e ecológicas do ponto de vista ambiental.                   

Assista também ao vídeo do professor Malaquias Batista de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco que comenta sobre o tema:


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

O jornalista Mark Bittman, escritor da seção de comida do New York times, fez uma fala durante um TED Talks sobre o que está errado na forma como nos alimentamos nos dias de hoje e as consequências para a saúde e o meio ambiente.

Em suma, sua análise traz a combinação do consumo excessivo de carnes e comidas ultraprocessadas, e a pouca quantidade de alimentos in natura e comidas feitas em casa como os principais fatores que levam ao surgimento das doenças relacionadas a má alimentação e a não sustentabilidade de nosso sistema alimentar. Apesar de realizadas em 2007 e referenciadas no contexto norte-americano, as colocações de Mark continuam atuais e encontram similaridades nas dinâmicas agroalimentares de outros países.

Para além do aspecto da qualidade alimentar, Bittman trata de um tema ainda pouco explorado que é o impacto que determinados padrões alimentares causam em nosso planeta. Ele fala principalmente da criação bovina e de outros animais de médio porte que correspondem com significativa parcela das emissões de gases do efeito estufa e influenciam no aquecimento global. Não apenas na pecuária intensiva, mas agravos ambientais também são observados pelo agronegócio e suas práticas com o uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas por exemplo.

Mark aponta que é preciso uma retomada de consciência e atitudes nas escolhas individuais, mas que sem dúvida para um impacto coletivo mais abrangente esse sistema de decisões políticas com fomento a produção não saudável e sem sustentabilidade precisa ser substituída.   

Assista a palestra completa com legendas em português: 




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 05 de Outubro de 2016

Elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, o "Atlas da carne - fatos e números sobre os animais que comemos" apresenta uma pergunta inquietante:

"você sabia que a produção de carne está relacionada ao desmatamento da Amazônia?"

A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e aumenta a desigualdade. 

O Atlas registra ainda, como a criação animal em escala industrial traz consequências negativas, como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade é outra grave consequência desse avanço sobre as terras. O Atlas, portanto, indica esses e outros impactos do consumo de carne, seja ela bovina, suína, de aves e de outros tipos como búfalos e ovelhas.

 

A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador.

Se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 agricultores terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética" como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. Traz também alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Com essas alternativas, o atlas mostra ao consumidor os trajetos que a carne percorre e o sistema que tem sido sustentado com o atual consumo.

No Brasil, gastam-se 15 mil litros de água por cada quilo de carne produzido! Esse é um dado que preocupa uma vez que a crise hídrica já bateu à nossa porta.Além disso, a criação intensiva, visando à exportação, leva ao uso de fármacos para erradicar doenças e acelerar a engorda, mas que acabam contaminando o solo e a água.

Mesmo assim, o consumo de carne tem aumentado mais rapidamente nos países emergentes e de forma cadenciada nos Estados Unidos e na Europa.

Esse material já está em sua terceira edição na Alemanha e já foi publicado em espanhol, inglês e francês.

O Brasil ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse produto agrícola. A sanha por terra de produtores de soja e outros levam, muitas vezes, à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas no Brasil. A produção da soja também se desdobra em desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global.

Apesar de toda essa preocupação, o agronegócio tenta abafar os efeitos adversos do nosso alto consumo desses produtos. Propagandas e embalagens  mostram imagens de animais alegres em fazendas felizes. Enquanto na realidade, o sofrimento dos animais, os danos ecológicos e os impactos sociais são varridos para debaixo do tapete. A realidade é que uma em cada sete pessoas no mundo não possui acesso adequado à comida. Nós estamos longe de garantir o direito internacionalmente reconhecido à comida suficiente tanto quantitativamente como qualitativamente.

Em muitos países, consumidores estão fartos de serem enganados pelo agronegócio. Ao invés do dinheiro público ser utilizado para subsidiar fazendas industriais, consumidores querem políticas razoáveis que promovam uma pecuária realmente ecológica, social e ética. Enquanto governos no mundo desenvolvido têm que mudar radicalmente de curso e enfrentar o poder do lobby da agricultura, países em desenvolvimento podem evitar repetir os erros cometidos em outros lugares. Conhecer os efeitos da produção intensiva de carne possibilita o planejamento para uma produção orientada ao futuro que seja social, ética e ambientalmente responsável. Ao invés de tentar exportar seu modelo falho, a Europa e os Estados Unidos deveriam tentar mostrar que a mudança é necessária e possível.

Há alternativas! A carne pode ser produzida mantendo os animais em pastos ao invés de confinados, produzindo e consumindo localmente ao invés de transportá-la por milhares de quilômetros. O esterco não precisa pesar sobre a natureza e na saúde da população local, ele pode ser espalhado pelos campos do próprio fazendeiro enriquecendo o solo.

Esse atlas convida você a viajar ao redor do mundo e oferece informações sobre as conexões globais feitas quando nós comemos carne. Somente consumidores informados e críticos podem tomar a decisão certa e demandar a mudança política necessária.

Confira a publicação completa aqui!



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Florestas e árvores favorecem a agricultura sustentável porque, entre outras coisas, estabilizam os solos e o clima, regulam fluxos de água, fornecem sombra, abrigo e um habitat para polinizadores e predadores naturais de pragas agrícolas. Quando integradas com prudência a terras agrícolas, permitem aumentar a produtividade da agricultura. As matas também ajudam a garantir a segurança alimentar de centenas de milhões de pessoas, para as quais são fontes importantes de alimentos, energia e renda, especialmente em momentos difíceis. No entanto, a agricultura continua a ser o principal fator de desmatamento em todo o mundo, e muitas vezes as políticas agrícolas, florestais e de uso da terra não estão harmonizadas.

Essas são algumas das constatações do relatório "O estado das Florestas do Mundo 2016 - Florestas e agricultura: desafios e oportunidades em relação ao uso da terra (SOFO)" que o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz. Lançado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), mostra, a partir da análise de esforços bem sucedidos de sete países (Chile, Costa Rica, Gâmbia, Geórgia, Gana, Tunísia e Vietnã), que é possível ser capaz de conciliar as aspirações dos diferentes setores e aumentar a produtividade e a segurança alimentar de suas populações e, ao mesmo tempo, parar ou mesmo reverter o desmatamento.

O documento pretende servir de base para os países desenvolverem planos, políticas e programas para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os quais possuem "caráter integrado e indivisível". Alimentação, meios de subsistência e gestão de recursos naturais não podem ser considerados separadamente, é necessário abordagens coerentes e integradas de sustentabilidade em todos os setores agrícolas e sistemas alimentares. A publicação traz também a importância da inclusão participativa significativa das partes interessadas para garantir a legitimidade da implementação e do monitoramento de tais processos de planejamento integrado do uso da terra.

Assim, "O estado das Florestas do Mundo 2016" apresenta dados importantes que evidenciam a necessidade de harmonia e conexão entres as áreas para que se estabeleça condições que tornem possível alcançar a agricultura sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade climática. Lembrando que tais mudanças e reformulações precisam ser buscadas com urgência.

Leia em nossa biblioteca a versão do estudo em espanhol, ou veja aqui a versão em inglês.

A FAO também produziu dois pequenos vídeos baseados no SOFO 2016, um que foca nos exemplos dos países em destaque e outro que mostra infográficos didáticos que resumem o tema. Veja aqui as versões em espanhol:

 



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 01 de Setembro de 2016

Será que dá pra produzir comida debaixo da terra? Essa pergunta não é nova e já tem resposta há bastante tempo: dá sim! Um dos métodos de cultivo subeterrâneo mais tradicionais é o de Walipini que, na língua indígena Amaraya, significa "local aquecido" e é utilizado a décadas nas Américas Central e do Sul, permitindo, por exemplo, o cultivo de bananas à 4 mil metros de altura nos Andes. 

As estufas subterrâneas Walipini funcionam com uma cobertura transparente, que geralmente é de plástico, e que permite o aproveitamento do calor do sol, da umidade provinda da evaporação de água e também da energia termal do subsolo, tornando possível o cultivo de hortaliças e frutas durante o ano todo, até em regiões mais frias. 

A proposta da Walipini se torna ainda mais interessante quando é levado em conta o seu custo de construção: estufas tradicionais utilizadas para o cultivo em terras mais frias costumam ter alto custo, as Walipini, no entanto, não exigem materiais caros para sua execução. Inclusive a ONG americana The Benson Insituto aperfeiçou a técnica dos Walipinis em La Paz, na Bolívia, mostrando que é possível contruir uma estufa subterrânea de 120 m2 com um investimento de apenas 300 dólares. 

A técnica dos Walipini, além de resgatar um saber tradicional de cultivo de alimentos, traz uma possibilidade para povos que moram em regiões climáticas de condições desfavoráveis de cultivar seu próprio alimento, favorecendo o consumo de alimentos in natura e frescos. 



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