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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 08 de Março de 2016

O conceito de comensalidade está intimamente ligado com a cultura alimentar de um povo desde a época dos hominídeos que se reuniam em torno do fogo para partilhar alimentos e experiências. Ainda sim, é um conceito pouco familiar aos que não estão inseridos dentro do contexto alimentar.

No texto de hoje apresentamos trechos de uma entrevista com a Denise Oliveira - Professora Dra. do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da FIOCRUZ-Brasília e Coordenadora do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA) - pesquisadora da influência da cultura e de outros fatores intervenientes na forma com que nos alimentamos.

De acordo com Denise, "comensalidade" deriva do termo em latim 'mensa' que significa conviver à mesa, e o termo caracteriza, portanto, o ato de compartilhar uma refeição coletivamente que está intimamente ligado à essência do ser humano. Tal dimensão incorpora não apenas a parte biológica centrada em nutrientes durante o ato de comer, mas também a parte das relações humanas e da simbologia cultural que surge a partir deste processo.

No que diz respeito à inserção deste conceito dentro do aspecto cultural, a professora relata que a comensalidade caracteriza práticas antropológicas de determinados grupos e avança no componente de celebrações e ritos que também contribuem para a saúde do indivíduo. Estes componentes definem a dimensão social do ato de comer e expande a dimensão apenas biológica do ato.

O ato de comer junto foi mudando com o passar dos anos, ao passo que em vários países e inclusive no Brasil, o percentual de pessoas que interrompem suas atividades para o horário de almoço é cada vez menor. Ela contextualiza ainda que a prática de uma família de sentar junto à mesa para partilhar uma refeição não tem o mesmo valor simbólico que tinha na década de 50, por exemplo.

O conceito de comensalidade é tão relevante dentro do contexto da nutrição que foi incorporado na última versão do Guia Alimentar para população brasileira. Ele também serve como um elemento que compõem o conceito de educação alimentar e nutricional.

Acesse a entrevista no link.


 

 

 

 

 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Março de 2016

Imagem: Rachel Bonino

Você já ouviu falar em sementes crioulas? No quadro de hoje vamos abordar o tema que vai além do ato de plantar alimentos.

O site Sacola Brasileira, dedicado a reunir alimentos e ingredientes assim como métodos tradicionais da nossa cultura alimentar brasileira, escreveu uma matéria esclarecendo os benefícios das sementes crioulas. Por definição, elas são diferentes das sementes comumente comercializadas por não passarem por nenhum tipo de tratamento químico (aplicação de fungicidas) ou modificação genética em laboratório (híbridas ou transgênicas).  

As crioulas estão comumente associadas à agricultura familiar e plantio de alimentos destinados a alimentação orgânica. Elas representam a preservação da biodiversidade de cada região brasileira, pois são fruto do cruzamento induzido de forma natural de plantas que se adaptam as condições do terreno e ambiente local, gerando um alimento com maior produtividade e qualidade. Um exemplo são as variedades de milho não transgênico conhecidas como adelaide, cunha, grande safra, jaboatão branco, ligeirinho ou aracaju, encontrados em comunidades com bancos de sementes.

As sementes crioulas são também conhecidas por outros nomes em diferentes regiões brasileiras, tais como: sementes da paixão, da gente, da resistência, da fartura, da liberdade e da vida. Estes nomes não são mero acaso, assim explica Emanoel Dias da Silva - agrônomo líder do núcleo de sementes da Ong AS-PTA – eles simbolizam uma bandeira de lutas dos agricultores agroecológicos que optam por uma produção alimentar mais saudável e sustentável.

Cultivar e plantar sementes deste tipo são tarefas não muito simples nos dias de hoje. As sementes crioulas foram desaparecendo progressivamente por conta das empresas multinacionais do agronegócio, que através da produção de agrotóxicos e da modificação genética de sementes obrigaram os produtores a se tornarem reféns de seus insumos químicos e sementes modificadas para produção.     

Desta forma, os agricultores que preservam e utilizam sementes crioulas fazem muito mais do que plantar alimentos saudáveis. Eles representam uma verdadeira resistência através da preservação da cultura e biodiversidade alimentar por meio das práticas agroecológicas em oposição ao agronegócio. Desde 2003 com a inclusão destas sementes na Lei de Sementes (n. 10.711), programas federais e estaduais têm financiado estratégias para incentivar os bancos de sementes através de agricultores denominados “guardiões de sementes”.

A preservação de sementes crioulas contribuí para soberania e segurança alimentar e nutricional da população, além de preservar tradições dentro de um sistema de produção socialmente justo respeitando o meio ambiente. 

Acesse a matéria original neste link.  


 

 



postado por Débora Castilho em Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016


“Não se pode conceber a vida do ser humano sem algumas condições básicas, como: acesso à água e alimentos, moradia, saúde, educação, trabalho, respeito, igualdade, segurança e liberdade. Estes são requisitos mínimos para se ter uma vida digna. São condições essenciais para que um ser humano possa acreditar que a vida vale a pena ser vivida.

E o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) é: é um direito humano inerente a todas as pessoas de ter acesso regular, permanente e irrestrito, quer diretamente ou por meio de aquisições financeiras, a alimentos seguros e saudáveis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, correspondentes às tradições culturais do seu povo e que garantam uma vida livre do medo, digna e plena nas dimensões física e mental, individual e coletiva.

A análise desta definição indica que, quando falamos de DHAA, não estamos falando “apenas” de livrar as pessoas da fome, mas também do acesso, de maneira digna, a uma alimentação adequada. Assim, o DHAA tem estas duas dimensões indissociáveis: estar livre da fome e ter uma alimentação adequada. Portanto, o DHAA diz respeito a todas as pessoas de todas as sociedades, não apenas àquelas que não têm acesso aos alimentos.

É importante notar que o termo alimentação “adequada” não se limita aos aspectos nutricionais da alimentação, mas envolve uma gama maior de aspectos. Sendo assim, a promoção do DHAA compreendem elementos amplos de justiça social e econômica de um país. O modo como cada um e todos esses fatores são devidamente atendidos depende da realidade específica de cada grupo ou povo. Por exemplo, a plena realização do DHAA para uma comunidade indígena não é igual à dos moradores de uma cidade.

A realização do Direito humano à Alimentação Adequada requer a eliminação da fome, a garantia do acesso diário a alimentos em quantidade e qualidade suficientes e culturalmente referenciados e a promoção de uma alimentação saudável em escala populacional, sendo esta última uma precondição para a prevenção da obesidade e das doenças relacionadas com a malnutrição. É importante lembrar que a fome que ainda existe no país é fruto da pobreza que dificulta o acesso aos alimentos, mas que vêm sendo feitos progressos nos últimos anos. Entretanto, muitas pessoas que no passado recente foram vítimas da fome hoje apresentam quadros de excesso de peso e obesidade, o que demonstra o quão complexa e multidimensional é a luta contra a fome e a pobreza.”

Estes são alguns trechos retirados de um dos capítulos do livro Nutrição em Saúde Pública (Editora Rubio, 2011), escrito por Marília M. Leão e Elisabetta Recine.

Abaixo segue o vídeo desenvolvido pela ABRANDH, com apoio da FAO, que teve por objetivo contribuir com o apoderamento das comunidades e apoiar ações para exigir e monitorar a realização de seus direitos humanos, em especial o Direito Humano à Alimentação Adequada. O vídeo Peraí. É nosso Direito! relata essas experiências e promove um vibrante debate com lideranças comunitárias e especialistas sobre Direitos Humanos e Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil.

 

 

Agora que você já sabe que uma alimentação adequada é também um direito humano, vamos nos inspirar e inspirar pessoas a viver com mais dignidade e fazer cumprir esse direito em nosso país?!

Para saber mais a respeito do DHAA, além da leitura do capítulo do livro, e assistir ao vídeo, recomendamos a sessão temática da nossa biblioteca, intitulada Direito Humano à Alimentação Adequada, confira!



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 02 de Fevereiro de 2016

Foto: Maha Turki

Recentemente a revista Página 22 publicou em seu blog uma matéria sobre a forma que alguns governos estão adotando para enfrentar a epidemia de sobrepeso e obesidade. O texto apresenta exemplos de países em diferentes regiões do mundo que adotaram o imposto na venda de refrigerantes na tentativa de reduzir o consumo de tais produtos prejudiciais à saúde.

A taxação já está presente na Europa em países como Finlândia, França e Hungria, nos Estados Unidos uma cidade na Califórnia foi a pioneira no território a adotar a medida, enquanto do outro lado da fronteira, o México já apresenta estudos inclusive apontando uma diminuição do consumo de refrigerantes após a inserção da medida. A estratégia é vista com bons olhos no continente asiático, onde alguns países estudam adotar a introdução da taxa. Informações mais detalhadas na matéria de Regina Scharf: ‘Impulso sobre refrigerantes ganha impulso global’.

A Rede Ideias na Mesa promoveu em novembro de 2015 o seu 1º Encontro Nacional de Educação Alimentar e Nutricional. A palestra de encerramento, promovida em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), contou com a presença de Alejandro Calvillo - diretor da ONG El poder Del Consumidor – que apresentou a experiência mexicana no combate a obesidade e a indústria de alimentos justamente através da aplicação de impostos em refrigerantes. Assista a experiência mexicana a partir do minuto 43:

Em relação ao cenário no Brasil, dados da última Pesquisa Nacional de Saúde apontam que o número de indivíduos que consomem refrigerantes vem diminuindo nos últimos anos, entretanto, 23,4% da população ainda consomem tais bebidas pelo menos cinco dias por semana. Os números são preocupantes uma vez que mais da metade da população se encontra com sobrepeso ou obesidade e uma em cada três crianças entre 5-9 anos acompanham a mesma tendência.

Reconhecendo que o fenômeno da obesidade é de origem multicausal e que fatores como inatividade física e má alimentação são fatores que contribuem amplamente para o seu desenvolvimento, o Guia Alimentar  para População Brasileira recomenda que produtos ultraprocessados sejam evitados, incluindo refrigerantes e bebidas açucaradas que são notoriamente associados com o avanço da obesidade no mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O IDEC tem avançado nas discussões sobre formas de desincentivo ao consumo de produtos ultraprocessados como a taxação de determinados produtos e também a obrigatoriedade de informação sobre os altos teores de açúcar nos alimentos a exemplo do México. A Nutricionista Ana Paula Bortoletto alerta, entretanto que: “Esse tipo de medida certamente sofrerá muita resistência das indústrias de alimentos e bebidas”.

Isto acontece pelo fato de que estas industrias exercem uma pressão muito grande para que seus interesses se perpetuem. Para se ter uma ideia, o segmento de refrigerantes é estimado atualmente em US$ 580 bilhões, e só nos Estados Unidos, a Associação de Fabricantes de Bebidas chegou a investir cerca de US$ 16 milhões em atividades de lobby. Apesar das cifras serem diferentes, a prática é a mesma no Brasil.

A aplicação de imposto e a sinalização do alto teor de açúcar em produtos ultraprocessados podem contribuir significativamente para diminuição do consumo de bebidas açucaradas espelhando-se em experiências exitosas de outros países. Afinal de contas, é a população que vem pagando com a própria saúde enquanto os lucros das empresas do setor continuam de vento em polpa. 


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

   

O Brasil vem sendo desde 2008 um dos líderes mundiais em consumo de agrotóxicos nas lavouras produtoras, fruto do agronegócio que gastou mais de 7 bilhões de dólares na última safra com tais produtos. Em solo brasileiro são permitidos mais de 500 ingredientes ativos de agrotóxicos, sendo que dos principais utilizados pelo menos 15 são banidos em países europeus e em outros lugares do mundo.

De acordo com dados da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida o crescimento acumulado das vendas de agrotóxico está em 488% desde o ano 2000, com grande contribuição das culturas que mais utilizam os venenos na produção como a soja, milho e algodão, além de frutas e hortaliças. De acordo com estimativas da ONG, cada brasileiro consome atualmente 5,2 Kg de agrotóxicos por ano.

Não por acaso, o mercado de alimentos e produtos orgânicos vem crescendo significativamente no Brasil e no mundo. O crescimento percentual deste segmento em 2015 superou inclusive as tendências globais, gerando valores até 30% maiores do que o ano anterior, apesar do montante bruto ainda ser menor do que os principais consumidores de orgânicos no mundo. Esta tendência revela que cada vez mais as pessoas estão informadas e preocupadas com a própria saúde e também com a sustentabilidade do meio ambiente.

Recentemente, o jornal O POVO online divulgou uma matéria intitulada “Defensivos agrícolas: aliados para produção de alimentos seguros” com o pesquisador da Embrapa João Pratagil Araújo, na qual o pesquisador defende o uso de agrotóxicos e diz que eles não apresentam riscos à saúde justificando em sua argumentação os motivos. A matéria gerou vários comentários e dois dias depois o mesmo jornal publicou outra entrevista com a Professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará Raquel Maria Rigotto – “Comer alimentos com agrotóxicos é seguro?” – rebatendo os argumentos apresentados por João Pratagil.

Ela começa pela nomenclatura por ele utilizada em referência aos agentes químicos: “A legislação brasileira define o termo agrotóxicos, e não “defensivos agrícolas”, no intuito de deixar claro seu potencial biocida e tóxico”. O segundo contra-argumento vai de encontro com a informação passada pelo pesquisador de que os agrotóxicos são utilizados de forma correta no Brasil.

“Não é possível o “uso correto” dos agrotóxicos: como implantar ações neste sentido junto às 16.567.544 pessoas ocupadas no setor agrícola? Agricultores familiares não têm acesso adequado à assistência técnica pública nem podem investir em instalações e equipamentos adequados para armazenamento, higienização e destinação das embalagens. Nas grandes empresas, a escala de uso de agrotóxicos é muito elevada e nem sempre “as boas práticas” são respeitadas. Os EPI podem ter efeito contrário e aumentar a exposição dos trabalhadores ao risco. E ainda: no Ceará não há Unidade de Processamento de Embalagens de agrotóxicos.”

Em outro trecho, Pratagil afirma que o Limite Máximo de Resíduos (LMR) garante o consumo de agrotóxicos sem risco à saúde, também colocado em cheque pela professora que aponta o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da ANVISA como uma iniciativa importante e justifica:

“A avaliação de risco (LMR) é baseada em estudos toxicológicos com animais de laboratório ou in vitro, extrapolando os resultados para a saúde humana; os estudos avaliam em separado cada ingrediente ativo (IA) de agrotóxicos, desconsiderando os efeitos à saúde nas condições de múltipla exposição – que é o mais frequente na prática – e suas possíveis interações; dos 527 ingredientes ativos registrados no Brasil, a Anvisa tem analisado apenas 235, excluindo até o glifosato, que responde por mais de 45% do consumo e que é provável cancerígeno.”

Raquel concluí a entrevista com a seguinte provocação:

“Há, entretanto, duas razões fortes para defender o uso de agrotóxicos: para a indústria química, garantir um mercado que, no Brasil, supera os 11 bilhões de dólares; para os produtores de commodities agrícolas, aumentar a produtividade e engordar seus lucros. Você oferece sua saúde para ajudá-los nesses propósitos? ”. 





postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Alexandro Auler/CON via Getty Images

A indiana Vandana Shiva – filósofa, ativista ambiental e eco feminista - autora de dezenas de livros e premiada internacionalmente por seu protagonismo na luta contra organismos geneticamente modificados, agrotóxicos e aquecimento global, escreveu em seu novo texto sobre como um novo acordo que está sendo firmado na Índia pode restringir o acesso de usuários a informações sobre alimentação.

Negociações entre Mark Zuckerberg e a megacorporação indiana Reliance, parceira do Facebook, que tem interesses em telecomunicação, energia, alimentos, varejo e terras, estão criando um novo pacote intitulado “Free Basics”. A empreitada restringiria o acesso a informações para determinados grupos, como por exemplo fazendeiros teriam como resultado de suas buscas na internet materiais e artigos elaborados pela Monsanto.

Nas palavras de Vandana:

“Um ataque corporativo coletivo está em curso globalmente. Tendo já programado suas ações, veteranos de corporações americanas como Bill Gates estão se juntando à nova onda de imperialistas filantropos, que inclui Mark Zuckerberg. É incrível a semelhança nas relações públicas de Gates e Zuckerberg, perfeitamente ensaiadas, que envolvem um preparo retórico e doação de fortunas. Qualquer entidade com que os Zuckerbergs se unam para administrar os 45 bilhões de dólares investidos provavelmente vai terminar parecendo a Fundação Bill e Melinda Gates; isto é, poderosa o suficiente para influenciar negociações climáticas, apesar não serem efetivamente responsáveis por nada”.

Neste trecho, Shiva explica como estes empresários e as grandes corporações se beneficiam de tais acordos:

"A Breakthrough Energy Coalition vai investir em ideias que podem transformar a maneira como todos nós produzimos e consumimos energia", escreveu Zuckerberg em sua página no Facebook. Era um anúncio da Breakthrough Energy Coalition de Bill Gates, um fundo privado com uma riqueza combinada de centenas de bilhões de dólares de 28 investidores que irão influenciar a forma como o mundo produz e consome energia.
 
Ao mesmo tempo, Gates pressiona para forçar uma agricultura dependente de insumos químicos, combustíveis fósseis e transgênicos patenteados (#FossilAg) através da Aliança pela Revolução Verde na África (AGRA). Trata-se de uma tentativa de tornar fazendeiros africanos dependentes de combústiveis fósseis que deveriam ter permanecido no subsolo, além de criar uma relação de dependência com as sementes e petroquímicos da Monsanto.”

A ativista faz um paralelo entre o controle da informação e o monopólio da Monsanto, estabelecendo um link entre as duas:

“O que a Monsanto faz ao empurrar as leis de Direitos de Propriedade Intelectual (IPR) referentes ao comércio de sementes, Zuckerberg está tentando fazer com a liberdade de internet da Índia. E, assim como a Monsanto, ele está prejudicando os indianos mais marginalizados.

A ligação entre o Facebook e a Monsanto é profunda. Os 12 maiores investidores da Monsanto são os mesmos que os 12 maiores investidores no Facebook, incluindo o Grupo Vanguard. Esse grupo é um grande investidor da John Deere, a novo parceira da Monsanto em “tratores inteligentes”, o que faz com que toda a produção e consumo de alimentos, da semente à informação, permaneça sob o controle de um pequeno punhado de investidores.”

Vandana chega, portanto, a seguinte conclusão:

“Todos os passos de todos os processos, até o ponto em que você escolhe algo da prateleira de um supermercado, serão determinados pelos interesses dos mesmos acionistas.

Que tal conversarmos sobre liberdade de escolha? ”.

Clique para ler o texto traduzido por Allam Brum na integra ou o original de Vandana Shiva.


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015

Para o quadro de hoje traduzimos o texto de Amy S. Choi sobre cultura alimentar que reuniu relatos de chefes, professores e pesquisadores de diferentes culturas. O texto foi publicado no site TED "Explore ideias que valem a pena ser espalhadas"

"A comida alimenta a alma. Levando-se em consideração que todos se alimentam e tem alma, a comida é o elemento unificador através das culturas. Mas o que alimenta a sua alma?"  Amy S. Choi.

Para mim, uma koreana/americana, um alimento carregado de memória é um prato tradicional da Korea chamado Kimchi, feito com arroz branco, ovos fritos, carne de frango ou porco e conserva de repolho. Tais preferências que suscitam identidade são pessoalmente e culturalmente significativas. Alimentos com caráter afetivo mapeiam quem nós somos, de onde viemos e o que aconteceu ao longo de nossas vidas. O que a gente escolhe cozinhar e comer é um acumulo de situações que vivenciamos, pessoas que nos relacionamos e coisas que aprendemos. Provavelmente existem alguns elementos de outras culturas também, mas nós vamos sempre comer alimentos que signifiquem algo para nós.     

Em grande parte da China, apenas pessoas de gerações mais antigas ainda fazem compras em feiras todos os dias e depois vão para casa cozinhar pratos tradicionais.

A diretora de graduação do curso de alimentos Jennifer Berg da Universidade de Nova York conta que alimentação é de particular importância quando nos mudamos para um país ou cultura diferente da nossa. É o último vestígio de cultura que as pessoas sustentam. Existem alguns aspectos da cultura originária que perdemos logo de cara, como por exemplo o jeito de se vestir, é uma forma de se adaptar ao novo contexto. Com alimentação é diferente, nós estamos em contato pelo menos 3 vezes ao dia, e portanto, com mais oportunidades de nos conectarmos com as memórias da família e lugares através deste elemento.

Identidade alimentar

A maioria das culturas não relaciona sua cozinha com uma monotonia de pratos. As cozinhas mexicana, chinesa e francesa por exemplo compreendem uma enorme variedade de comidas regionais.

O chefe americano Dan Barber faz um contraponto em relação a cultura alimentar americana através da reflexão: Se o que comemos traduz o que somos, o que seriam os americanos? Ora, Carne. Barber diz que se os norte-americanos possuem alguma unificação de identidade alimentar é em torno da carne. Fruto de uma cultura criada pelo mercado que agora é exportada para o resto do mundo.

Comida como sobrevivência    

Algumas vezes comida significa sobrevivência. Enquanto os cozinheiros que exportaram a cozinha chinesa pelo mundo se alimentam da autêntica cozinha em casa, os alimentos que eles servem, de fato criando um cozinha completamente nova, são baseadas em necessidades econômicas. A cozinha chinesa hegemônica nos Estados Unidos é darwiniana, pois foi uma maneira que os chineses que lá viviam encontraram para tirar um sustento. Apenas recentemente comidas mais autênticas chegaram ao país, mostrando a cozinha do país de uma forma mais abrangente.

Na China acontece um fenômeno diferente, apenas os avós ainda estão comendo e cozinhando da forma que pessoas de fora da China imaginam a "comida chinesa". A maioria dos jovens e adultos nascidos após a Revolução Cultural não sabe cozinhar. Esta geração esteve focada apenas em estudar, e seus pais não os ensinou a preparar o seu próprio alimento. Portanto, eles são educados mas estão comendo fast-food e comidas processadas em grande quantidade.

Comida como prazer

A comida na França ainda é primeiramente sobre prazer, e cozinhar e comer são tanto passa tempo quanto prazer, conta Mark Singer, diretor técnico de cozinha do Le Cordon Bleu em Paris. Entretanto, muitas coisas mudaram ao longo dos últimos 20 anos no que diz respeito à alimentação. O fato de comer que era quase um evento diário foi diminuindo lentamente a significância, e passou a ser mais presente em celebrações como aniversários, natal e ano novo.

No caso italiano, conta Marco Bolasco - Diretor editorial do Slow Food, o comer rápido não é predominante na cultura, apesar de ter crescido bastante. Nossas refeições são relaxadas mesmo durante o intervalo de almoço. Comida na Itália é amor, depois nutrição, história, e então prazer. A primeira experiência de uma criança italiana com comida não é com pães, arroz ou ovos, mas provavelmente sorvete observa Bolasco.

Comida enquanto comunidade     

Nas culturas árabes a comunidade é a chave da cultura alimentar. O iftar, momento que significa o término do jejum durante o Ramadan (mês sagrado), apresenta pratos tradicionais da cultura árabe que são compartilhados por todos da família. Esta celebração ocorre de maneira particular nos domicílios de cada um, mas também são abertas e compartilhadas com a população em geral nas mesquitas, escolas, feiras e outras organizações. O ato de comungar da comida é semelhante com hábitos chineses por exemplo, onde todos os membros da família dividem a refeição e não apenas o próprio prato.

Comida como humanidade  

A alimentação é a manifestação física de nossas relações com o mundo natural. É onde cultura e ecologia se interceptam. Ela pode se tornar ainda mais importante do que a linguagem, e até geografia quando o assunto é cultura. Nossas primeiras relações enquanto seres humanos é com a comida, afirma Richard Wilk, professor antropologista da Universidade de Indiana. Ele completa que a nossa primeira experiência é ser colocado para amamentar . O ato social de se alimentar é parte de como nós nos tornamos humanos, tanto quanto falar e cuidar de nós mesmos. Aprender a comer é aprender a se tornar humano.


Para conferir os originais do artigo acesse o link.

 

       

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

A Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado nos Estado Unidos anunciou nesta última sexta feira (06/11) a devolução de $1 milhão de dólares doados pela Coca-Cola após a revelação de que o dinheiro havia sido usado para estabelecer um grupo de pesquisa com o objetivo de minimizar a relação entre o consumo de refrigerantes e obesidade.

Entenda a notícia

Em 2014 a Coca-Cola doou o dinheiro para ajudar na criação da “Global Energy Balance Network” – Rede Global de Balanço Energético, livre tradução – uma ONG formada por cientistas com o objetivo de recomendar a população para focar mais na prática de exercícios e se preocupar menos com o que eles comem ou bebem. De acordo com a matéria do The New York Times de agosto, a parceria financeira entre a Coca-Cola e o grupo levantou criticas de que a empresa estava financiando cientistas para moldar às pesquisas relacionadas à obesidade.

Em resposta a matéria o Diretor Executivo da Coca, Muhthar Kent, revelou que a empresa gastou quase $120 milhões de dólares desde 2010 para pagar pesquisas acadêmicas na área da saúde e para estabelecer parcerias com associações médicas e grupos da comunidade envolvidos com a epidemia de obesidade. Entre as instituições que se beneficiaram deste investimento se encontram a Academia Americana de Pediatria, que recebeu U$ 3 milhões para lançar o website healthychildren.org, e a Academia de Nutrição e Dietética – a maior associação de nutricionistas dos EUA – que recebeu U$1,7 milhões da Coca. Após a revelação, os dois grupos anunciaram o fim das relações com a empresa.

O vice-presidente da Global Energy Balance Network (GEBN) e Educador físico, Dr. Blair, criticou “a mídia” por responsabilizar as redes de fast-food e bebidas açucaradas pelas altas taxas de obesidade no país e falou que “tecnicamente não existem evidências de que, de fato, elas são a causa”.  Além disto, a GEBN lançou uma campanha virtual promovendo o exercício como uma solução para doenças crônicas e obesidade ignorando a importância de uma alimentação adequada.

A professora de nutrição e Saúde Pública da Universidade de Nova York Marion Nestle alertou para o fato de que os cientistas da GEBN financiados pela Coca-Cola tentam promover a ideia de que a obesidade é causada pela falta de exercício e não pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. Ela também disse se sentir orgulhosa com o fato de que as duas associações retornaram o dinheiro e espera que os outros grupos optem pela decisão acertada de interromper este tipo de financiamento.

Leia a matéria do The New York Times. 

O caso brasileiro

Foto: Fernanda Ferrarezi 

No dia 27 de outubro de 2015 a Universidade de Brasília em parceria com o Instituto de Bebidas para Saúde e Bem Estar Coca-Cola e a Faculdade de Educação Física (FEF/UnB) realizaram o 1º Seminário sobre Atividade Física e Esporte na Saúde como atividade de abertura da Semana Universitária.

O evento foi financiado pela Coca-Cola que arcou com os custos técnicos de audiovisual, fornecimento de café da manhã com produtos da empresa, almoço para todos os inscritos no seminário, cachê para os palestrantes e distribuição de cadernos de anotação da Coca-cola.  

Estudantes do Centro Acadêmico de Nutrição (CANUT) julgaram incompatível o financiamento e a presença da multinacional para promover um evento de Saúde dentro da Universidade de Brasília e redigiram uma Nota de Repúdio. Ela foi escrita assim que ficaram sabendo do evento, quatro dias antes, por meio de cartazes que foram afixados na Faculdade de Saúde e panfletos que foram entregues dentro do Centro Acadêmico para que fossem distribuídos.

A nota é estruturada a partir de dois pontos: A alarmante e complexa epidemia de obesidade e sobrepeso com desfecho de doenças presentes no Brasil e no mundo, e o conflito de interesses em uma grande empresa de bebidas açucaradas financiar eventos em parceria com a academia.

Assinaram a Nota os Centros Acadêmicos de Nutrição (CANUT/UnB) e Enfermagem (CAENF/UnB), o Centro de Alimentação Saudável (CASA/UnB), Empresa Júnior de Nutrição (NUTRIR/UnB), Área de Nutrição Social – Departamento de Nutrição (NUT/UnB), Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (OPSAN/UnB) e a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN). Leia a nota.

(Mesa de abertura com o Reitor da UnB Ivan Camargo e Diretora da Coca-Cola)

O caso se assemelha ao ocorrido nos Estados Unidos aonde a Coca-Cola vem tentando se aproximar do ambiente acadêmico investindo grandes quantidades de dinheiro em pesquisas e pesquisadores dispostos a desviar o foco da influência de uma má alimentação no sobrepeso e obesidade, justificado a partir de uma visão reduzida do processo saúde doença.

Este discurso que fortalece os interesses da multinacional, e que levou a Universidade do Colorado a devolver o montante, e a Academia Americana de Pediatria e Academia de Nutrição e Dietética a romperem a parceria com a Coca-Cola, reverberou durante o Seminário na Universidade de Brasília.

Ainda que palestrantes de diferentes áreas estivessem presentes, a ideia de que o problema da obesidade é causado predominantemente pelo sedentarismo foi difundida. Tal visão equivale a enxergar a epidemia da obesidade pelo buraco da fechadura, pois desconsidera os prejuízos do consumo de produtos industrializados e a pressão que o marketing da indústria de alimentos exerce em nossas escolhas.

A aproximação entre a indústria de alimentos e a academia seja para o financiamento de pesquisas ou realização de seminários é extremamente preocupante, pois representa a reprodução de conhecimentos que sirvam aos interesses comercias e não da saúde da população.


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

No quadro de hoje nós apresentamos alguns trechos da entrevista da agrônoma e integrante da Sempreviva – Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres – Miriam Nobre , presente na 6ª edição da Revista do Ideias na Mesa que teve como tema: Cozinha: lugar de todos.   

No movimento de mulheres, ela tem dedicado um importante espaço à discussão sobre as transformações do papel feminino no cuidado com a família, e especialmente ao cozinhar. Durante a entrevista, Miriam argumentou sobre questões como a relação da mulher e o cuidado alimentar da família, a desestruturação de hábitos e tradições pela influência do marketing industrial, soberania alimentar e sobre a importância do cozinhar.

Historicamente dentro de várias culturas a mulher sempre foi a figura principal nos afazeres do lar e principalmente na compra e preparo de alimentos, e em relação a este cenário nos dias atuais Miriam enxerga da seguinte forma: 

“Este é um trabalho invisível e quando os homens se envolvem nessas tarefas é como exceção, como ajuda. Além das mulheres serem responsabilizadas por isso sozinhas, envolvendo grande sobrecarga de trabalho, ainda não está na agenda política o debate de como diminuir ou melhorar esse trabalho.”

No trecho seguinte Nobre analisa como a indústria de alimentos e outros fatores tem pressionado e se apropriado da escolha alimentar dos indivíduos ameaçando a soberania alimentar:

“A soberania alimentar implica a proteção das nossas culturas alimentares em um mundo marcado pelo crescente controle das corporações transnacionais sobre o que somos e o que sentimos. Mas, além da estratégia de marketing, tem a ver com a forma como a indústria organiza a nossa vida. Às vezes, temos jornadas maiores, gastamos horas no trânsito, não temos transporte público, vários fatores vão reduzindo o tempo que a gente tem para cuidar de nós mesmas e das pessoas que compartilham a vida com a gente. Como ainda não conseguimos compartilhar a responsabilidade do cuidado com os homens e somos mais e mais pressionadas pela sobrecarga o alimento processado aparece como forma de resolver essa tensão.

A agrônoma relata duas perspectivas distintas sobre o mesmo tema que convergiam para o mesmo entendimento no evento da Marcha Mundial das Mulheres. Durante uma articulação entre mulheres da Via Campesina e do Movimento Feminista: 

“Uma coisa que eu gostaria muito, numa perspectiva do ideal, é que a gente exercitasse mais o cozinhar coletivamente. Uma companheira camponesa nos disse: nós queremos resgatar a cozinha e vocês querem sair correndo dela. As companheiras do movimento feminista, principalmente dos países do norte, ficaram chocadas com a ideia de voltar a cozinhar. Mas cozinhar estava proposto como um ato político: nós, mulheres que vivemos nas cidades comprando cestas de produtos de agricultoras e pagando antecipadamente”.

Para concluir Nobre falou sobre a importância do cozinhar:

“É muito importante cozinhar, porque é importante a gente entender o que são os processos de sustentabilidade davida, o que nos mantém vivos”. 

Para acessar a íntegra da entrevista e fazer o download do .pdf acesse o link.

Uma visão semelhante sobre a presença histórica das mulheres na cozinha é transmitida na fala da escritora e ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Em seu TEDx intitulado “Nós Deveríamos Todos Ser Feministas”  ela problematiza que o estigma de que a cozinha doméstica é lugar de mulheres é fruto de um consenso preconceituoso. Ela exemplifica que dentro dos lares as mulheres são pressionadas a se responsabilizar pelo preparo das refeições da família, e faz um contraponto de que quando o assunto é cozinha gourmet a predominância dos chefes é masculina. 


 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 03 de Novembro de 2015

Durante essa semana (03 ao 06/11) estará acontecendo a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Brasília.

Portanto abordaremos hoje no [Pensando EAN] o tema da 5ª Conferência: Comida de verdade no campo e na cidade, com uma entrevista dada pela presidente do Consea Nacional, Maria Emília Lisboa Pacheco ao programa Entrevista do canal Futura.

Na entrevista a antropóloga defende a agricultura familiar e seu papel como principal fonte de abastecimento de alimentos à mesa das/os brasileiras/os, por sua produção sustentável, que preserva a biodiversidade e pelo cuidado com a saúde humana.

Além disso, Maria Emília ressalta o papel da agroecologia como um sistema capaz de alimentar as 7 bilhões de pessoas do planeta de forma saudável e sem agrotóxicos, em oposição ao modelo convencional atuante.

“A agroecologia significa também a valorização das sementes tracionais” e também que a “agroecologia significa o manejo sustentável dos recursos naturais, ter uma relação mais harmoniosa com a natureza, mas também, tem uma dimensão social, econômica e política”.

Em contraposição ao modelo do agronegócio, que tem aumentado o consumo de agrotóxicos por parte da população brasileira e pelo avanço das monoculturas, Maria Emília defende políticas eficazes na garantia ao direito a uma alimentação saudável e adequada no Brasil:

“No Brasil nós não temos política suficientes ainda que garantam que nós tenhamos uma alimentação adequada e de qualidade para o consumo da população”.

Porém, avalia de forma positiva a implantação do Programa Aquisição de Alimentos (PAA), mas também, pontua a necessidade das normas sanitárias serem menos severas quanto à produção da agricultura familiar e assim prover #comida de verdade à mesa da população brasileira.

A presidente do Consea, ainda reflete sobre a defesa dos circuitos curtos dos alimentos:

“Precisamos evitar o passeio dos alimentos”, “o alimento as vezes percorre milhares de quilômetros” e, portanto, “precisamos descentralizar o sistema de distribuição e abastecimento alimentar no Brasil”.

E faremos isso, segundo ela: “apoiando feiras, principalmente as agroecológicas, isso se faz apoiando os sistemas de rede da economia solidária”, por fim ela pontua:

“Com isso reduzimos o gasto de energia, vamos permitir uma maior aproximação entre quem produz e quem consome e vamos assegurar uma maior diversificação dos alimentos em respeito ao tempo de safra dos alimentos”.

Fique mais por dentro do tema assistindo a entrevista logo abaixo:  



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