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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

A Nutricionista do IDEC Ana Paula Bortoletto foi a convidada para falar sobre agrotóxicos no projeto “De Olho nos Ruralistas” do Observatório jornalístico sobre o agronegócio no Brasil.  

Ana iniciou sua fala comentando a respeito da presença de resíduos de veneno em uma expressiva quantidade e variedade de frutas e hortaliças em todos os estados brasileiros. Ela alertou ainda para o fato de que não apenas alimentos in natura apresentam concentrações elevadas, mas até mesmo produtos processados como geleias e possivelmente a cerveja e vários outros que utilizam o milho transgênico como subproduto. Nesse aspecto, Bortoletto destaca que o monitoramento realizado pelo PARA é fundamental mas precisa ser fortalecido e ampliado. O glifosato por exemplo, principal veneno utilizado nas lavouras não é monitorado.

A nível governamental, a nutricionista diz que é uma questão de priorização de agendas. A agroecologia e a produção orgânica e planos como o PAA, PNAE e o PARA são iniciativas que visam aumentar a produção de base sustentável em oposição ao agronegócio predatório. Outro ponto importante mencionado, é o papel da mídia e o monopólio das informações. Segundo Ana, mídias alternativas são cruciais para falar sobre alimentos orgânicos e principalmente denunciar os prejuízos do agronegócio, uma vez que as mídias tradicionais além de financiadas por este setor, fazem campanhas massivas para criar uma imagem mais positiva omitindo os agravos por ela causados. Um exemplo atual é a exibição diária em horário nobre da campanha do agronegócio exibida na rede globo.

Assista o programa na íntegra:   


 

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz dois estudos que possuem uma visão holística da problemática que envolve garantia dos direitos ao território e a alimentação, as relações das comunidades tradicionais e indígenas com as florestas, e as mudanças climáticas, e assim mostram que para se analisar um problema é preciso ver todas suas facetas.

Território e clima

Um ponto importante, que por muito tempo esteve desligado do tema, foi inserido no cenário de estudos sobre as mudanças do clima e aquecimento global: os direitos das populações tradicionais e dos povos indígenas, e suas relações com as florestas. O estudo intitulado "Securing Rights, Combating Climate Change: How Strengthening Community Forest Rights Mitigates Climate Change" demonstra em forma de dados que fortalecer os direitos das populações às florestas e terras onde vivem, além de garantir benefício social essencial a essas pessoas, constitui um instrumento altamente eficaz para o controle climático.

Realizado em conjunto entre pesquisadores do World Resources Institute (WRI) e da Rights and Resources Initiative (RRI), a publicação utilizou dados de mapeamento de alta resolução de 14 países ricos em recursos florestais na América Latina, África e Ásia.

O documento admite existir evidências que revelam uma forte correlação entre o nível de reconhecimento legal, juntamente da proteção do governo e da capacidade das comunidades tradicionais (indígenas, principalmente) para resistir ao desmatamento, manter a saúde da floresta e reduzir as emissões de CO2. De modo geral, a falta de direitos legalmente reconhecidos deixa as comunidades vulneráveis à perda de suas terras para criadores de gado, madeireiros ilegais, ou empresas – e deixa as florestas vulneráveis ao corte ilegal, avalia a pesquisa.

“Ninguém tem mais interesse na saúde das florestas do que as comunidades que dependem delas para a sua subsistência e cultura”, afirmou Andy White, coordenador do RRI, em material divulgado à mídia.  “Por diversas vezes, pesquisas mostraram que direitos de propriedade claros e garantidos para as populações indígenas e comunidades locais aumentaram imensamente a capacidade dos países de proteger e reflorestar suas florestas.  É trágico que isso ainda não tenha sido completamente adotado como estratégia central de mitigação da mudança climática."

Segundo o estudo o desmatamento e outros usos da terra representam 11% das emissões mundiais de dióxido de carbono, sendo que 13 milhões de hectares de floresta são desmatados todos os anos, um desmatamento de 50 hectares por minuto.

O relatório faz cinco recomendações principais aos governos para maximizar o potencial de mitigação climática das florestas comunitárias: fornecer às comunidades o reconhecimento legal de direitos florestais; impor esses direitos, como o mapeamento de fronteiras e a expulsão de invasores; fornecer assistência técnica e treinamento para que as comunidades melhorem o uso sustentável das florestas e o acesso ao mercado; envolver as comunidades na tomada de decisões em relação a investimentos que afetem suas florestas; e compensar financeiramente as comunidades pelos benefícios climáticos e outros benefícios fornecidos pelas florestas.

A publicação indica que a própria tradição qualifica as comunidades a manejarem suas florestas. Sua população sabe como separar zonas agrícolas, habitacionais e de exploração econômica — e, eventualmente, regiões para turismo e pesquisa.

As florestas brasileiras possuem cerca de 63 bilhões de toneladas de carbono armazenado e parte desse carbono está em reservas indígenas legalmente reconhecidas, estas possuem 36% mais carbono por hectare do que as demais áreas de florestas da região.

Por outro lado, o estudo também indica que o Brasil é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento no mundo e também quem mais desmata a Amazônia, o que poderia ser pior se as comunidades indígenas não tivessem direitos legais sobre a floresta e proteção do governo, aponta. Por aqui, se não tivéssemos tais direitos garantidos, o desmatamento de florestas teria sido provavelmente 22 vezes mais elevado.

Veja aqui o estudo completo em nossa biblioteca (em inglês).

Território, alimentação e clima

A forma diferenciada das comunidades tradicionais e indígenas se relacionarem com as florestas está ligada com o seus sistemas alimentares. Assim o estudo brasileiro “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá – um enfoque holístico” relaciona-se diretamente com os estudos climáticos, pois analisa as violações ao direito humano à alimentação e nutrição adequadas dentro do contexto da indivisibilidade e interdependência de outros direitos humanos, como território, saúde, entre outros, destacando-se, ainda, as violações de direitos de responsabilidade de cada uma das funções públicas (Executiva, Legislativa e Jurisdicional) em suas diferentes esferas.

Feitos em parceria pela FIAN Brasil e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a pesquisa socioeconômica e nutricional realizou-se em três comunidades Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, que passam por um contexto drástico onde a luta por território com o agronegócio tem como resultado o genocídio indígena. A publicação será lançada semana que vem (16) na Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília.

Leia mais sobre  o estudo aqui.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

O desperdício de alimentos é um tema que vem ganhando cada vez mais destaque fruto da sensibilização das pessoas para este assunto. A primeira associação que se faz é entre o paradoxo do desperdício e da fome, apesar de pertinente, essa associação não é tão direta quanto se pensa.

Em matéria escrita pelo Jornalista Marcelo Torres para a Revista SAN do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), o professor e ex-presidente do Conselho Renato Maluf apresenta outros elementos para discussão. Segundo levantamentos da FAO, cerca de um terço da produção de alimentos mundial é desperdiçada em diferentes etapas do sistemas alimentar como colheita, distribuição (em Centrais de Abastecimento e supermercados, por exemplo) e consumo. Quando se fala de Brasil, o país  é o quarto maior produtor de alimentos do mundo, mas também está na lista dos dez que mais desperdiçam.

Nosso país saiu do mapa da fome da FAO pela primeira vez em 2014, entretanto, 3,8% da população - valor significativo já que se fala de um país com dimensões continentais - ainda se encontra nessa situação. A quantidade de alimentos desperdiçados em solo brasileiro seria suficiente para alimentar a população que ainda enfrenta a fome. Mas Renato Maluf explica que essa relação não é tão simples, uma vez que é falsa a impressão de que desperdiçando menos alimentos, automaticamente o problema da fome é resolvido.

Com toda certeza, o desperdício de alimentos deve ser solucionado, mas Maluf ressalta que o desperdício e a fome são fenômenos distintos. Renato destaca duas medidas importantes para controle dessa situação. Uma delas deve ser realizada pelos Bancos de Alimentos, que distribuem comida para indivíduos em situação de insegurança alimentar, e que, na opinião de Maluf, precisam ser ampliados para atingir mais pessoas. A segunda medida está relacionada ao fator econômico da diminuição do desperdício, já que uma maior oferta de alimentos leva a uma redução nos preços, possibilitando um maior acesso.

Para ler a matéria na íntegra acesse o link.            


 

 



postado por Maína Pereira em Terça-feira, 02 de Agosto de 2016

Lançada na última semana, a Revista Ideias na Mesa nº7 tem como tema central a Regulação de Alimentos.

Hoje no [Pensando EAN], te convidamos a conhecer o artigo publicado em nossa revista, da Drª Lyn Silver, assessora sênior do Public Health Institute da Califórnia, que participou ativamente de várias ações que percorrem a história da regulação de alimentos nos Estados Unidos, inclusive a da proposta da redução das porções de refrigerantes comercializadas na cidade do Nova York .  

Lyn compartilha de desafios, derrotas e vitórias no alcance de medidas regulatórias que protejam a saúde da população, assim como inspira militantes da área a não desistirem e buscarem maior engajamento e articulação política para conseguir lidar com os diversos atores envolvidos.

Um exemplo foi a mobilização a favor da taxação de bebidas açucaradas. Ela conta:

“Tentamos conseguir a tributação das bebidas açucaradas em 2009 e 2010, mas apenas o estado, e não a cidade, poderia definir impostos. Após uma campanha violenta contra a medida por parte da indústria, que gastou mais de 12 milhões de dólares em publicidade, perdemos duas vezes e aprendemos lições sobre o grau de organização política necessário para enfrentar as indústrias de refrigerantes”.

Para ela, as medidas regulatórias continuam sendo as de melhor relação custo-efetividade e de maior alcance para corrigir riscos que afetam a população.  

Leia o artigo completo abaixo e reflita sobre a importância da regulação de alimentos para a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e promoção da alimentação adequada e saudável. 

 

 


postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 26 de Julho de 2016

A recente associação do renomado chefe internacional Jamie Oliver com a Sadia, gigante brasileira do ramo de alimentos processados, tem levantado uma série de questionamentos.

Jamie é mundialmente conhecido por suas atividades gastronômicas que incluem restaurantes, programas e inúmeros livros de receitas publicados, e nos últimos anos, ganhou ainda mais projeção ao advogar por uma alimentação mais saudável através de sua campanha "Revolução da Comida” incentivando oconsumo de preparações mais naturais e a prática do cozinhar. O chefe também utilizou a sua projeção internacional na defesa dos interesses da saúde pública quando moveu uma ação contra a rede de fast food McDonald’s e saiu vitorioso, e quando recentemente, criou uma mobilização decisiva para taxação de bebidas açucaradas em curso no Reino Unido.          

No Brasil, Jamie desembarcou por consequência de uma parceria de aproximadamente 50 milhões de reais com a Sadia, empresa do ramo de alimentos processados e congelados - a segunda maior produtora de frangos do mundo que responde por quase 20% da produção. A proposta é desenvolver, aproveitando a imagem do chef celebridade, uma linha de produtos mais “saudável” e com melhores instalações para os animais. Desde o anúncio da parceria e com a chegada do chefe para cumprir agendas publicitárias, as reações adversas começaram a repercutir na internet. Embaixadores do movimento por ele criado intitulado ‘Revolução da Comida’ se desligaram de suas funções, além de comentários de seguidores brasileiros que se dizem decepcionados com os acontecimentos recentes. Não por acaso, a Sadia patrocinou duas publicações para tentar melhorar sua imagem no site de entretenimento de grande engajamento BuzzFeed.

Essa semana, o tabloide britânico The Telegraph publicou matéria sobre a repercussão negativa que a parceria está tendo no Brasil (leia a tradução). A polêmica tem se dado no contrassenso entre o discurso de Jamie Oliver em prol de uma alimentação que valorize alimentos naturais e locais e sua parceria com a gigante dos alimentos industrializados. Atuando no Reino Unido ao lado da saúde pública ele foi vitorioso em ação judicial e posteriormente contribuiu para taxação de bebidas açucaradas. Por quê no Brasil ele adotou o caminho inverso e se aliou justamente com a indústria de alimentos?

Em depoimento para a matéria do The Telegraph, Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição e professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília, afirmou que “A Sadia é uma empresa ligada a uma forma de produção intensiva. Ele traiu o discurso que vinha construindo. O Jamie Oliver não vai melhorar a Sadia, mas a Sadia vai tornar o Jamie Oliver pior”.  

Temos um Guia Alimentar para População Brasileira que é referência no mundo todo por trazer conceitos inovadores, como por exemplo a regra de ouro: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Temos também um Marco de Referência de Educação alimentar e Nutricional com princípios para promover um sistema alimentar saudável e sustentável. De forma destoante, o discurso de Jamie deseja ecoar saúde, mas a sua escolha de parceiros parece andar na direção oposta.   


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Conflito de interesses, já ouviu falar? Como o próprio termo explica, é utilizado para descrever situações em que a imparcialidade da informação ou de determinadas atividades estão comprometidas pelos interesses de quem os financia. Esse assunto, e principalmente a necessidade de conversar sobre ele, vem ganhando corpo no campo da nutrição e da saúde pública em função de acontecimentos recentes.

A coluna investigativa do jornal americano Associated Press preparou um dossiê intitulado “Como a Indústria Alimentícia molda a nutrição”. Nele, são apresentados inúmeros casos de estudos financiados pela indústria de alimentos que trazem achados duvidosos, que enaltecem ingredientes de determinados produtos ou marcas. Pontos em comum entre todos eles: o conflito de interesses e a utilização dos artigos acadêmicos em campanhas de marketing.

“Crianças que comem doces tendem a pesar menos do que as que não consomem” estampou a manchete de um jornal americano. “Bebidas diet são melhores para perda de peso do que água”, foi o que o canal CBS de Denver, Colorado, noticiou. Ambos artigos foram classificados como frágeis do ponto de vista da qualidade e publicados em periódicos que são conhecidos por publicar artigos que não são considerados de “alto rigor” científico. O primeiro artigo, relacionando o consumo de doces em crianças, foi financiado pela corporação que representa os doces e chocolates ‘Butterfingers’, ‘Hershey’ e ‘Skittles’, e o segundo, relacionado a bebidas diet, pelo grupo de lobby da Coca e Pepsi.  

Inúmeros outros artigos de diferentes grupos de lobby e corporações seguem a mesma tendência, confira na tradução do dossiê feita pela equipe do Ideias mais alguns exemplos. Marion Nestle, pesquisadora em saúde pública e professora de nutrição da Universidade de Nova York, constatou que no último ano, 156 dos 168 estudos financiados pela indústria de alimentos por ela revisados mostraram resultados favoráveis aos financiadores, e acrescentou que “evidenciar vantagens nutricionais se tornou uma ferramenta de marketing crítica para a competitiva indústria de alimentos”.    

Apesar de parecer um horizonte distante, o conflito de interesses em financiamento de pesquisas está mais próximo da realidade brasileira do se imagina. No primeiro semestre deste ano foi lançado um artigo intitulado “Comparação de almoços de crianças no Brasil” que “demonstrou” que refeições para crianças comercializadas por empresas de fast food no Brasil são tão boas quanto a alimentação "média" de crianças brasileiras. Assim como no caso dos artigos norte-americanos, o artigo foi financiado pelo McDonald’s, e professores e pesquisadores brasileiros renomados da saúde pública também questionaram a qualidade científica do artigo. A professora Marion Nestle do departamento de nutrição da Universidade de Nova York que comentou o dossiê da Associated Press também publicou em seu blog denunciando o artigo brasileiro financiado pela rede de fast food.   


 

 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Terça-feira, 12 de Julho de 2016

Sabe-se que atualmente, passa-se por um processo de transição nutricional. O conjunto de mudanças nos padrões alimentares, sociais, econômicos e culturais gera o desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade e diabetes. Porém, no geral, a ciência preza pela valorização de um modelo biomédico, dispensando-se a visão de que a obesidade é uma doença multifatorial e que necessita assim, de um olhar humanizado, compreensivo e antropológico. Assim, pelo preconceito enraizado no discurso médico e popular, o obeso torna-se um sujeito “apático, preguiçoso, sem iniciativa e força de vontade”.

Contudo, não só na comunidade científica, mas nos espaços de diálogo, percebe-se o início de uma problematização onde se questiona se o indivíduo realmente possui liberdade de escolha sobre o que come ou se sofre influência e marketing massificados da indústria de alimentos e bebidas. Isto, na realidade, é de extrema importância para os profissionais de saúde e sociedade em geral, pois permite uma visão mais ampla, humanizada e clara para melhor compreender o indivíduo com algum tipo de excesso de peso.  

 

 

Aliás, o documentário FED UP, lançado em 2014 nos Estados Unidos, é uma excelente opção de filme que ilustra muito bem estes conceitos e indaga sobre o papel da indústria nos determinantes alimentares do consumidor, além de tentar desmistificar a culpabilização do indivíduo tão naturalizada em forma de intolerância na nossa sociedade.

Para debater sobre estes questionamentos, o [Pensando EAN] de hoje irá se basear no texto A ciência por trás das estratégias de compra, escrito por Guilherme Ferris, sócio diretor do Instituto Brasileiro de Neuromarketing e Neuroeconomia. Este instituto, aliás, é voltado para pesquisas e compreensão das influências que afetam o comportamento do consumidor com base nos estudos em Neurociência aplicada.

Você já parou para pensar em como as estratégias de marketing, ao longo dos anos, se desenvolveram tão fortemente? E como hoje em dia elas estão extremamente criativas, chamativas e conquistadoras, invadindo a sua casa, escolas, espaços de lazer e trabalho? O que será que as mídias sociais e a ciência têm a ver com isso? E por que será que as empresas parecem saber exatamente o que você quer?

Como tática, as companhias utilizam-se de inúmeros recursos de rastreamento para mapear e identificar o comportamento de consumidores afim de aprimorar as suas estratégias de venda.

"Elas varrem a internet atrás de pistas sobre o que sentimos e compramos e nos sugerem em que devemos gastar nosso dinheiro. Basta ligar o celular, para que saibam exatamente onde estamos e tentem até adivinhar o que vamos fazer. Outdoors já são capazes de filmar nossa expressão diante de um anúncio, óculos futuristas monitoram para onde vai nosso olhar e máquinas de ressonância magnética detectam as emoções que sentimos ao experimentar pela primeira vez o aroma de um novo sabão em pó. Não há limites para a ciência das vendas, que entrou em sua era de triunfo, agora com colaboração não só dos publicitários, mas de craques da computação, neurocientistas, antropólogos e estatísticos".


 

Existem ainda empresas especializadas em realizar este tipo de serviço de rastreamento, onde vendem suas informações a companhias maiores.

"Em um escritório na cidade de Little Rock, EUA, 23 mil servidores da Acxiom processam em torno de 50 trilhões de diferentes dados por ano. São informações como sexo, raça, peso, idade, altura, estado civil, escolaridade, posições políticas, hábitos de consumo, histórico de saúde e principais destinos nas férias de mais de 500 milhões de consumidores ao redor do mundo. Para cada pessoa cadastrada, são cerca de 1.500 dados. “Temos mais de 175 milhões de informações pessoais sobre brasileiros”, afirma Jeff Standridge, vice-presidente da empresa no país. Os dados são considerados públicos, uma vez que são coletados de registros de governo ou de publicações na internet, como blogs e sites pessoais, além de serem comprados de outras empresas, prática permitida por lei."

"Líder mundial no setor, a Acxiom é uma das cerca de 200 empresas no mundo dedicadas a colecionar informações pessoais sobre todo tipo de gente e vendê-las a companhias como HSBC, Toyota, Ford e lojas de departamento como a Macy’s, que podem criar estratégias personalizadas para vender mais. “A chance de desenhar um produto para o gosto de cada um é o Santo Graal do marketing e explica esses bancos de dados gigantescos”, diz Marcelo Träsel, professor de comunicação digital da PUC-RS.".


 

Essas questões já se tornaram inclusive lutas constantes de algumas sociedades de defesa do consumidor dos EUA.

"A possibilidade de se ler o cérebro de alguém para tentar descobrir o que ela quer comprar gerou protestos entre entidades de defesa do consumidor. A Commercial Alert, organização americana que combate os abusos da publicidade, pediu ao Congresso americano a proibição desse tipo de teste nos EUA."

"Esse tipo de manifestação mostra que podemos caminhar para uma regulamentação mais firme sobre essas atividades. Mas enquanto tudo é permitido, programadores criam algoritmos para seguir nossos passos virtuais e pesquisadores se debruçam sobre nosso comportamento para saber como nos atingir com propagandas. “O segredo está em fazer o cliente ver o benefício, como aproveitar os melhores preços e ter a compra de algo que estava procurando facilitada”, diz Balbinot, da Renner."

O artigo, aliás traz um infográfico que traz algumas dicas que podem auxiliá-lo a se proteger desse método de vendas.

 

E aí? Depois de ler esse texto, que tal refletir um pouquinho mais sobre a sua alimentação e sobre o preconceito que alguns indivíduos sofrem por possuírem algum tipo de excesso de peso? É sempre importante quebrar barreiras. 




postado por Maína Pereira em Terça-feira, 28 de Junho de 2016

Para você, qual o real conceito do direito humano à alimentação adequada?

Hoje no [Pensando EAN] compartilhamos um vídeo com o Flávio Valente da FIAN* que traz a reflexão sobre o tema.

Para ele, “garantir esse direito significa muito mais do que garantir que a pessoa coma e encha a barriga. O direito à alimentação é muito mais do que isso. Ele inclui a qualidade da alimentação, em ter uma alimentação sem agroquímicos, sem contaminação, variada, colorida e que tenha todos os nutrientes necessários para a saúde e qualidade de vida. ” Além disso, ao se tratar da alimentação na perspectiva de direito, a participação social é essencial na decisão de como devem ser os processos de produção, distribuição e demais etapas do sistema alimentar para a garantia de um acesso universal a alimentos de qualidade e quantidade adequadas.

No vídeo, além de comentar a respeito de mecanismos de exigibilidade do direito à alimentação adequada, Valente destaca três dimensões que são fundamentais na compreensão deste direito: Soberania Alimentar, Gênero e Nutrição.

Assista ao vídeo para saber melhor sobre esses elementos e refletir sobre o conceito e importância do DHAA:

 

* A FIAN Brasil é uma organização nacional, laica e apartidária, que integra a rede da FIAN Internacional, organização de Direitos Humanos que trabalha em nível mundial pela realização do direito humano à alimentação e nutrição adequada com status consultivo elas Nações Unidas. A sigla da FIAN é uma abreviação de “FoodFirst Information & Action Network”, que no Brasil é registrada como Rede de Ação e Informação pelo Direito a se Alimentar.



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Terça-feira, 21 de Junho de 2016

A estrutura de produção e industrialização de alimentos está corrompida, o dizem. Usamos excessivamente agrotóxicos que contaminam nossos corpos e ambientes, distribuímos erroneamente a comida produzida, desmatamos nossas florestas, desperdiçamos nossas reservas de água, etc.


AFP/Archives


O [Pensando EAN] desta semana apresenta o discurso de Tristam Stuart, pesquisador, escritor, comunicador, empresário, e especialista nos impactos ambientas e sociais do desperdício de comida; em uma apresentação de seu TEDTalks, O escândalo global de desperdício de comida, tradução livre.

Stuart apresenta o desperdício e a exclusão de alimentos por motivos estéticos e superfluos como aparência e tamanho.

O autor sugere que um bom lugar para se começar a pensar sobre o desperdício são os supermercados. Suas lixeiras representam um colossal desperdício de alimentos, o diz. E conforme Stuart, "Quando você começa a subir a cadeia de abastecimento irá constatar onde o real desperdício de alimentos está acontecendo em uma escala gigantesca".


Sua análise é focada em aspectos comportamentais individuais, corporativos e estatais, o diagrama criado é o de uma cadeia alimentar na qual seus atores, em diversos níveis impactam, direta ou indiretamente, a problemática da fome, seja com o desperdício de alimentos sobressalentes, ou com a peneiragem estética, a qual os produtos primários são expostos.


Fazendeiros, por exemplo, descartam até um terço ou mais de suas colheitas, por conta de padrões estéticos. Tristam apresenta o exemplo de um fazendeiro o qual investiu 16.000 libras numa plantação de espinafre e nada foi colhido, a razão? Por haver grama crescendo entre eles. Bananas no Equador, Chirvias e laranjas na Flórida são descartadas pelos mesmos motivos.


 

 


Assista à palestra completa aqui:


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Junho de 2016

Você já se perguntou porque alguns de nós comemos predominantemente determinadas frutas e hortaliças? Fatores como preferências alimentares, hábitos familiares e regionalismo são algumas pistas, mas com certeza outras questões determinam os padrões de como nos alimentamos.

A biodiversidade brasileira é mundialmente conhecida por sua riqueza e exuberância que se reflete em cores e também em espécies alimentícias, ainda sim, algumas curiosidades se fazem presentes como o fato de que das frutas mais consumidas pelos brasileiros apenas algumas são nativas daqui, confira. Muitas delas vieram de longe como a maçã, melancia e uva, mas já estão presentes em nossa cultura alimentar por tempo suficiente para serem bastante familiares. Neste ponto as importações e fatores comerciais se apresentam como outro elemento que determina as nossas preferências.

Este fenômeno acontece não apenas em relação as frutas, mas também com hortaliças, tanto é que uma expressiva quantidade de materiais e estudos tem sido desenvolvidos em torno das Plantas alimentícias Não Convencionais (PANC’s). Elas recebem este nome por não serem massivamente comercializadas como as ofertadas nos supermercados por exemplo, e são igualmente saborosas e nutritivas. As PANC’s por serem nativas apresentam também vantagens de serem altamente adaptadas as condições da região e ajudam a preservar e transmitir a cultura e biodiversidade de determinado local. Desta forma, a perda do contato com nossa biodiversidade local pode ser um outro fator determinante dos nossos padrões alimentares.

Vinagreira (hibisco)                                                       Azedinha                                                     Capuchinha                       

Com o intuito de resgatar os alimentos regionais da nossa cultura alimentar e explorar suas potencialidades, foi elaborado o livro Alimentos Regionais Brasileiros. Uma olhada geral nos capítulos e já é possível descobrir alimentos da nossa própria região de que nem fazíamos ideia da existência. Possibilidades das mais variadas de receitas, sabores e texturas estão disponíveis no quintal de casa e as vezes nem nos damos conta. É pouco provável encontrar frutas nativas ou PANC’s nos supermercados, mas sem dúvida estes alimentos sazonais estão sempre disponíveis em feiras alternativas de produtores agroecológicos e agricultores familiares. Procure, além de descobrir novos sabores os preços geralmente são mais em conta.

Nossas escolhas alimentares são determinadas as vezes por fatores que nem nos damos conta, da mesma forma que uma escolha consciente daquilo que plantamos ou compramos pode repercutir positivamente no sistema alimentar e na preservação da biodiversidade. 


 

 



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