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Posts Relacionados com a(tag):Mudanças Climáticas

postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

"Mostrar soluções e contar algumas boas histórias. Estas podem ser as melhores formas de solucionar as crises ecológica, econômica e social que os países tem enfrentado". É nesse espírito que os franceses e Diretores Mélanie Laurent e Cyril Dion reuniram uma equipe de mais quatro integrantes e rodaram por dez países para produzir o filme 'Demain - Amanhã'.

Instigados com uma publicação periódica da Nature que anunciou a possibilidade de extinção de parte da humanidade antes do final do século 21, os diretores decidiram iniciar uma investigação passando por diferentes continentes para descobrir o que poderia causar esse desastre e como preveni-lo.

O filme documental tem duração de 1h e 58 minutos e ganhou um prêmio "César Awards", equivalente francês do Oscar, como melhor documentário de 2015. Diferentemente de outros documentários do gênero, Demain opta  por destacar as alternativas que têm sido colocadas em prática em várias localidades ao invés de focar nos aspectos "catastróficos" gerados por desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos. O filme por si só já é um colírio para os olhos e música para os ouvidos com uma fotografia linda e trilha sonora impecável, e para além das qualidades sensoriais, os temas investigados são de extrema sensibilidade.

O documentário é dividido em 5 partes que apresentam como as pessoas tem reinventado os campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação para um mundo mais justo e consciente. Durante a jornada foram visitados dez diferentes países incluindo Europa, Índia e Estados Unidos da América, e entrevistados ativistas, diretores, economistas e coordenadores de ONG's e projetos entre outros.

É sem dúvida um dos documentários mais interessantes que fala sobre segurança alimentar e nutricional contextualizada com outras temáticas socioambientais, não deixe de assistir!

O filme está disponível no Netflix (procure pelo nome em francês Demain) e também é possível encontrá-lo legendado no youtube. Os diretores criaram um site compilando as informações, personalidades e experiências compartilhadas durante o longa.          



 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz dois estudos que possuem uma visão holística da problemática que envolve garantia dos direitos ao território e a alimentação, as relações das comunidades tradicionais e indígenas com as florestas, e as mudanças climáticas, e assim mostram que para se analisar um problema é preciso ver todas suas facetas.

Território e clima

Um ponto importante, que por muito tempo esteve desligado do tema, foi inserido no cenário de estudos sobre as mudanças do clima e aquecimento global: os direitos das populações tradicionais e dos povos indígenas, e suas relações com as florestas. O estudo intitulado "Securing Rights, Combating Climate Change: How Strengthening Community Forest Rights Mitigates Climate Change" demonstra em forma de dados que fortalecer os direitos das populações às florestas e terras onde vivem, além de garantir benefício social essencial a essas pessoas, constitui um instrumento altamente eficaz para o controle climático.

Realizado em conjunto entre pesquisadores do World Resources Institute (WRI) e da Rights and Resources Initiative (RRI), a publicação utilizou dados de mapeamento de alta resolução de 14 países ricos em recursos florestais na América Latina, África e Ásia.

O documento admite existir evidências que revelam uma forte correlação entre o nível de reconhecimento legal, juntamente da proteção do governo e da capacidade das comunidades tradicionais (indígenas, principalmente) para resistir ao desmatamento, manter a saúde da floresta e reduzir as emissões de CO2. De modo geral, a falta de direitos legalmente reconhecidos deixa as comunidades vulneráveis à perda de suas terras para criadores de gado, madeireiros ilegais, ou empresas – e deixa as florestas vulneráveis ao corte ilegal, avalia a pesquisa.

“Ninguém tem mais interesse na saúde das florestas do que as comunidades que dependem delas para a sua subsistência e cultura”, afirmou Andy White, coordenador do RRI, em material divulgado à mídia.  “Por diversas vezes, pesquisas mostraram que direitos de propriedade claros e garantidos para as populações indígenas e comunidades locais aumentaram imensamente a capacidade dos países de proteger e reflorestar suas florestas.  É trágico que isso ainda não tenha sido completamente adotado como estratégia central de mitigação da mudança climática."

Segundo o estudo o desmatamento e outros usos da terra representam 11% das emissões mundiais de dióxido de carbono, sendo que 13 milhões de hectares de floresta são desmatados todos os anos, um desmatamento de 50 hectares por minuto.

O relatório faz cinco recomendações principais aos governos para maximizar o potencial de mitigação climática das florestas comunitárias: fornecer às comunidades o reconhecimento legal de direitos florestais; impor esses direitos, como o mapeamento de fronteiras e a expulsão de invasores; fornecer assistência técnica e treinamento para que as comunidades melhorem o uso sustentável das florestas e o acesso ao mercado; envolver as comunidades na tomada de decisões em relação a investimentos que afetem suas florestas; e compensar financeiramente as comunidades pelos benefícios climáticos e outros benefícios fornecidos pelas florestas.

A publicação indica que a própria tradição qualifica as comunidades a manejarem suas florestas. Sua população sabe como separar zonas agrícolas, habitacionais e de exploração econômica — e, eventualmente, regiões para turismo e pesquisa.

As florestas brasileiras possuem cerca de 63 bilhões de toneladas de carbono armazenado e parte desse carbono está em reservas indígenas legalmente reconhecidas, estas possuem 36% mais carbono por hectare do que as demais áreas de florestas da região.

Por outro lado, o estudo também indica que o Brasil é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento no mundo e também quem mais desmata a Amazônia, o que poderia ser pior se as comunidades indígenas não tivessem direitos legais sobre a floresta e proteção do governo, aponta. Por aqui, se não tivéssemos tais direitos garantidos, o desmatamento de florestas teria sido provavelmente 22 vezes mais elevado.

Veja aqui o estudo completo em nossa biblioteca (em inglês).

Território, alimentação e clima

A forma diferenciada das comunidades tradicionais e indígenas se relacionarem com as florestas está ligada com o seus sistemas alimentares. Assim o estudo brasileiro “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá – um enfoque holístico” relaciona-se diretamente com os estudos climáticos, pois analisa as violações ao direito humano à alimentação e nutrição adequadas dentro do contexto da indivisibilidade e interdependência de outros direitos humanos, como território, saúde, entre outros, destacando-se, ainda, as violações de direitos de responsabilidade de cada uma das funções públicas (Executiva, Legislativa e Jurisdicional) em suas diferentes esferas.

Feitos em parceria pela FIAN Brasil e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a pesquisa socioeconômica e nutricional realizou-se em três comunidades Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, que passam por um contexto drástico onde a luta por território com o agronegócio tem como resultado o genocídio indígena. A publicação será lançada semana que vem (16) na Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília.

Leia mais sobre  o estudo aqui.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 08 de Setembro de 2015

Você consegue relacionar as mudanças climáticas com Segurança Alimentar e Nutricional?

Segundo a FAO, um dos impactos mais relevantes das mudanças climáticas é sobre a produção de alimentos e consequente escassez a nível mundial.

"Uma escassez mundial de alimentos está se tornando três vezes mais provável, em função das mudanças climáticas, afirma o relatório da Força-Tarefa sobre Eventos Climáticos Extremos e Resiliência do Sistema Alimentar Global. O grupo, que reuniu cientistas dos EUA e Reino Unido, alertou, na semana passada, que a comunidade internacional deve estar pronta para responder a uma futura elevação potencialmente dramática dos preços agrícolas".

“O clima está mudando e recordes meteorológicos estão sendo quebrados o tempo todo”, disse David King, representante especial para as Alterações Climáticas do ministro das Relações Exteriores do Reino Unido. “Os riscos de um evento grave estão crescendo — e ele pode ter escala e alcance sem precedentes.”

Os modelos e sistemas agrícolas usados atualmente pelo agronegócio são predatórios ao meio ambiente e à saúde humana, seja pela poluição de rios e do ar até o uso de agrotóxicos nos alimentos, e tudo isso interfere na intensificação do processo de mudanças do clima, portanto prática e sistemas agrícolas sustentáveis são necessários ao equilíbrio ecológico e à Segurança Alimentar e Nutricional.

O [Pensando EAN] aborda essa questão por meio de uma entrevista* dada pela ativista alimentar Tiffany Finck-Haynes, da Friends of the Earth, para o jornal da Al Jazeera sobre a alarmante morte das abelhas, que coloca em risco os ecossistemas ligados à produção de alimentos.

As abelhas são responsáveis por ajudar a produzir cerca de um terço dos alimentos do mundo, por ser um potencial polinizador, e segundo a ONU das 100 espécies de lavouras que abastecem 90% dos alimentos em todo o mundo, 71% são polinizados por abelhas.

Mas um fenômeno global ocorrido na última década, conhecido como Desordem do Colapso das Colônias (CCD, na sigla em inglês), viu um número alarmante de colônias de abelhas desapareceram, criando uma séria preocupação sobre o futuro da sustentabilidade no mundo”

Acompanhe a entrevista logo abaixo publicada no site Outras Palavras:

Qual a importância das abelhas na produção de alimentos e produtos ligados a necessidades básicas?

As abelhas são essenciais para dois terços das culturas alimentares que os humanos comem diariamente. Uma em cada três garfadas que comemos é de alimentos produzidos graças à contribuição de insetos polinizadores.

Quão grave é a redução nos números de abelhas?
Elas estão morrendo em taxas alarmantes, em todo o mundo. Nos EUA, os apicultores perderam uma média de 30% de suas colmeias nos últimos anos, sendo que alguns tiveram perda de todas as suas colmeias e muitos deixaram o setor. No ano passado, os apicultores perderam quase metade de sua produção – a segunda maior perda registrada até o momento. Isso é alto demais para ser sustentável.

Como esse declínio está afetando o ecossistema e a produção de alimentos?
As enormes perdas recentes estão tornando difícil para os apicultores manter-se no negócio e já prejudicam os cultivadores de alimentos como amêndoas e frutas. Sem abelhas para polinizar as culturas e plantas que dão flores, todo o sistema alimentar – e nosso próprio frágil ecossistema – está em risco.

Quais as principais causas do declínio?
Pragas, doenças, perda de forragem e de habitat e as mudanças climáticas foram identificados como possíveis fatores que contribuem para as insustentáveis perdas de abelhas. Um grupo cada vez maior de cientistas responsabiliza os pesticidas neonicotinoides – um dos tipos mais utilizados no mundo, fabricado pela Bayer e Syngenta – como um fator-chave.

Os neonicotinoides podem ou eliminar as abelhas, ou torná-las mais vulneráveis a pragas, agentes patogênicos e outros fatores de estresse, ao mesmo tempo em que prejudicam sua capacidade de se alimentar, reprodução e memória. Os neonicotinoides são amplamente utilizados nos EUA em 140 culturas e para uso cosmético na jardinagem. Podem permanecer no solo, na água e no ambiente durante meses ou anos.

Os transgênicos são um fator importante na crise?

A maioria das sementes convencionais de milho, soja, trigo e canola – muitas delas transgênicas – são pré-tratadas com neonicotinoides. Basta uma semente tratada com neonicotinoide para matar um pássaro.

Em que regiões do mundo estão crescendo movimentos para proteger abelhas?
Têm surgido movimentos para protegê-las em várias regiões do mundo, inclusive América do Norte e do Sul, Europa, Ásia, África e Austrália.

Como os governos estão respondendo a esses movimentos?
Diante das evidências cada vez maiores e das demandas dos consumidores, um número crescente de empresas e agências governamentais decidiu ser parte da solução da crise das abelhas e está tomando medidas para eliminar os pesticidas prejudiciais a elas.

Por exemplo, no Reino Unido, os maiores varejistas de jardinagem pararam voluntariamente de vender neonicotinoides. Com base nas recomendações do Órgão Europeu para a Segurança dos Alimentos, a União Europeia (UE) votou a favor de uma suspensão, em todo o continente, de vários neonicotinoides. A medida entrou em vigor em 1º de dezembro de 2013.

Nos EUA, no ano passado, mais de vinte grandes produtores de mudas vegetais, empresas de paisagismo e varejistas tomaram medidas para eliminar os pesticidas que prejudicam abelhas de suas plantas de jardim e de suas lojas. O Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA anunciou em 2014 que irá banir o uso de neonicotinoides em todos as áreas nacionais que são refúgio da vida selvagem até 2016.

Em junho de 2014, o presidente Barack Obama criou uma Força Tarefa para a Saúde da Polinização para desenvolver uma estratégia nacional. Em abril, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (ETA, na sigla em inglês) anunciou que era improvável que aprovasse usos novos ou ampliados de neonicotinoides, enquanto avalia os riscos que estas substâncias representam para os polinizadores.

A agroecologia pode ajudar a salvar as abelhas?
Precisamos reimaginar o modo como produzimos alimentos e incentivar práticas agrícolas locais, sustentáveis e justas. Para a Universidade de Oxford, a agricultura orgânica preserva as espécies polinizadoras 50% mais que a agricultura convencional intensiva em produtos químicos.

*Por Ryan Rifai, na Al Jazeera | Tradução: Inês Castilho



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